quarta-feira, 20 de setembro de 2017

AS VESTES NA UMBANDA.

             


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    Um dos grandes debates entre médiuns, Zeladores e dirigentes de
terreiros é as vestes que se deve ser usada no culto de Umbanda.

    Muitos pregam que as vestes devem ser  caracterizada a cada
Entidade de Luz, fazendo assim que a Gira se torne um grande desfile
de modas.

    Devemos entender que a Umbanda é uma religião simples, humilde, de
entrega de coração a caridade, ao amor e a paz. Portanto ficar
buscando a vaidade entre os filhos de uma casa é totalmente errado.

    Então devemos refletir muito bem, prestar muita atenção onde
estamos buscando fazer a caridade, pois nas casas que dirigentes e
Zeladores pregam que o médium deve usar roupas coloridas, capas
diversas, ternos, cartolas, longos vestidos de pura renda, camisas
coloridas e sendo trocadas a cada nova incorporação de uma nova
Entidade de luz é pura vaidade e demonstração teatral para chamar
atenção indevida.

    Na Umbanda, em seu princípio, um dos grandes elementos e
significados e fundamentos é o uso da vestimenta na cor branca. Como
sabemos, em 16 de novembro de 1908, quando foi anunciada a Umbanda no
plano físico, e também quando foi fundado o primeiro templo de
Umbanda, que foi a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a Entidade
de Luz, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que anunciou a nova
religião, ao fixar as diretrizes e bases do segmento religioso, expôs,
dentre outras coisas, que todos os Sacerdotes, Zeladores e médiuns
usariam as roupas brancas, e isso certamente não é por acaso,
notoriamente essa colocação foi dada por ter o Caboclo das Sete
Encruzilhadas um profundo conhecimento místico, científico e
religioso da cor branca.

    Sabemos que no decorrer de toda a história da humanidade a cor
branca aparece como um dos maiores símbolos de fraternidade já
utilizados. Vários são os povos que abraçaram essa cor para demonstrar
a caridade, o amor e a paz. O próprio Cristo ao tempo de sua missão
terrena utilizava túnicas de tecido branco nas peregrinações e
pregações que fazia.

    Portanto devemos dentro de nossas Giras estarmos de roupas
brancas, sem deixar que a vaidade tome conta, fazendo com que levarmos
a crer que o terreiro de Umbanda seja um palco para desfiles e peças
teatrais.

    É extremamente incoerente pregar que uma Entidade de Luz, que
é abençoada por Deus, e entregue a ela a missão da caridade, do amor,
da humildade e da paz, só trabalhe com roupas a caráter. Sim, sabemos
que as Entidades de Luz foram seres Encarnados em algum momento, porém
evoluíram, e evoluíram tanto que foram escolhidas para fazer o bem em
nome de Deus junto aos seres que ainda estão encarnados e cheios de
defeitos. Portanto não existe isso, as Entidades trabalham pela
caridade e não pela vaidade.


    Essa visão de que devemos usar vestes que supostamente uma
Entidade de Luz exige, é pura mistificação, desorientação e vaidade
de médiuns mal preparados, sem a mínima noção de que seja uma
Entidade de Luz, sem a mínima noção de que seja Umbanda, ou sem a
mínima noção de que seja trabalhar pela caridade.

    É muito fácil encontrar em alguns terreiros, armários cheios de
capas, ternos, camisas coloridas, lenços, etc. No qual o próprio
Zelador da casa se coloca como usuário dessas vestes, e a cada troca
de incorporação, uma troca de roupa. Isso na verdade além de ser uma
grande vaidade, se torna ridículo, pois a perda de tempo é extrema, e
esse tempo gasto com essas trocas de roupas, poderiam ser gastos com
orações, preces, auxílios, caridade a quem necessita.

    Infelizmente o que vemos hoje em dia são médiuns mal
desenvolvidos mediunicamente, tentando aparecer mais que seu
semelhante dentro do terreiro, e um modo mais simples de enganar a
assistência e se vestir de uma forma chamativa, com artefatos que nada
tem a ver com a realidade da Entidade de Luz que esses médiuns estão
tentando passar aos consulentes.

    Podem ter certeza que em médiuns vaidosos, sem noção de
vestuário, as Entidades de Luz estão distantes. O que esses médiuns
trazem na coroa é sua visão errônea do que seja Umbanda, e assim dão
aberturas a espíritos sem luz, obsessores como Kiumbas, Eguns e
Zombeteiros.

    Devemos ficar atentos como consulentes ou visitantes de algum
terreiro esse ponto de vaidade. Desfile de modas não faz parte da
Umbanda. Podemos estar buscando mais problemas a nossa caminhada, ao
invés de sermos ajudados.

    Os médiuns de Umbanda devem utilizar as vestes na cor branca, pois
e essa cor neutra que transmite a sensação de assepsia, calma, paz
espiritual, serenidade e outros valores de elevada estirpe.

    Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que
lembrar que a religião que abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que
Oxalá, que tem a cor branca como representação, supervisiona os Orixás
restantes. Assim como a cor branca contém dentro de si todas as demais
cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura
cósmico astral todas as demais irradiações, como: Ogum, Xangô, Oxossi,
Obaluaiê/Omulú, Oxum, Iansã, Iemanjá e Nanã Buruquê.

    A implantação desta cor em nossa religião, não foi fruto de opção
aleatória, mas sim pautada em seguro e inequívoco conhecimento de quem
teve a missão de anunciar a Umbanda. Portanto devemos respeitar essa
posição e parar de colocar a vaidade e a falta de informação acima
da realidade umbandista.

    Salve o caboclo das Sete Encruzilhadas!

    Salve a Umbanda sem vaidade!

Carlos de Ogum.
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40 comentários:

Wania Chagas disse...

Eu sempre achei que deveria só ter roupa branca na Umbanda. Parabéns
pelo texto pai.

Erika lima disse...

Maravilhoso texto. Axé

Telma Sodré disse...

Inteligente texto pai Carlos. Muito boa sua colocação.

Maristela Cembranel disse...

Como sempre Pai Carlos, vc a postar sempre ensinamentos esclarecedores e importantíssimos muito obrigada. Que os céus lhe cubram de bençãos e à todos os médiuns de sua cada. Axé

Tatiana Kopke disse...

É triste ver na Umbanda um desfile de modas, mas se vê muito disso por
ai. Axé Pai

Yara Santana disse...

Sensacional texto pai. Mostra muita vaidade nesses terreiros.

Ingrid Machado disse...

Sensacional colocação meu Pai, espero que muitas pessoas vaidosas veem
esse texto maravilhoso.

Paloma Cordeiro disse...

Carissímo pai Carlos de Ogum, muito obrigado por mais um texto de grande
ensinamento. Para mim esse texto caiu como uma luva. Estou indo a um
terreiro e em todas as Giras devemos ter roupas diversas, estava eu
pensativa com tudo isso, E acabando de ler esse texto, vi que lá não é
meu lugar. Muito obrigado mesmo meu pai.

Anônimo disse...

Muito bem explicado pai Carlos. Adorei o texto.

Anônimo disse...

Bela lição de como não dar força a vaidade. Parabéns e luz.

Andressa Amorim disse...

Lição divina pai. Saravá

Simone disse...

Parabéns pai Carlos, demonstração de não ter vaidade. Muitas casas são
desfiles de moda. Uma verdadeira ostentação.

Deborah Jasmim disse...

Salve pai Carlos. Gostei muito desse texto. Obrigado pelo
esclarecimento.

Gleice Matoso disse...

Salve a Umbanda sagrada. As vestes sem ostentação é a lei e a regra da
Umbanda. Belo texto parabéns.

Anônimo disse...

Texto excelente. Umbanda é humildade. Salve nós.

Helena Gaspar disse...

Bença pai. A mãe do terreiro que eu frequento mandou todos da casa a
arrumarem roupas especiais para serem usadas na gira de Exú. No meu
caso seria um vestido de renda e linho preto e vermelho. Eu estou na
duvida em mandar fazer. Não sei se é certo tanta ostentação em uma gira
de entidades tão humildes e caridosas.

Joanna Silveira Pinho disse...

Abençoado seja o senhor Pai Carlos, mostrando a todos a verdadeira
Umbanda.

Karen de Paula disse...

Vamos divulgar esse texto. Temos que ensinar esse povo vaidoso que se
diz umbandista. Otimo texto de verdade.

Anônimo disse...

Pai Carlos eu trabalho com uma Preta Velha de nome Vó Maria do Rosário,
e nas Giras de Preto Velho a Zeladora diz que temos que usar roupas
diferenciadas, muitas camisas xadrez para os homens e vestidos longos e
cheio de paetês para as vovós. Minha vovó disse que não desejava essa
roupa e a Zeladora disse que se não usasse não poderia participar da
Gira. Eu obedeci minha vovó e não participo mais. Será que estou sendo
radical?

Zazá disse...

Adoro tudinho do blog, esse texto foi uma luz.

Anônimo disse...

Otimo texto. Luz na sua caminhada. Saravá e axé

Catarina Meneses disse...

Vemos muitas pessoas desfilando roupas e roupas em terreiros e
barracões. Muito triste isso.

Valéria Montes disse...

Sensacional explicação. Muitas casas cobram de médiuns roupas e mais
roupas dizendo estarem agradando as entidades, porem nada mais é que
demonstrar a vaidade de pais e mães de santo.

Anônimo disse...

Salve seu texto maravilhoso pai. Sua benção.

Carlos de Ogum disse...

Cara Anônima, você agiu de maneira correta. E sempre siga o que a Preta Velha aconselha, pois são Entidades humildes.

Axé!

Vanuza Dias disse...

Sem tirar nem por, um texto muito inteligente e muito ligado a
espiritualidade.

Patricia Neves disse...

Salve Pai Carlos.Texto bastante esclarecedor.
Axé Pai

Andrielly Goveia disse...

Bom texto. Quebrando a falsa ideia de ter que desfilar dentro de
terreiros, lugar que devemos ser humildes.

Fabíola PR disse...

A luz da Umbanda nos diz que a humildade é a melhor forma de chegar a
Deus. No entanto vemos em diversos terreiros a ostentação de demonstrar
belas roupas, nos igualando aos religiosos que mal entraram no dogma já
tem que ostentar ternos. Vergonha quem faz isso.

Monique Moulon disse...

Casa boa de Umbanda é aquela que a humildade reina. Que o amor
prevalece. Que a caridade nasce. Nada de desfile de modas. Quer aparecer
vai desfilar no carnaval. Parabéns pai Carlos seu texto foi realmente
relevante.

Anônimo disse...

Parabéns adorei o texto.

Carina disse...

Linda lição. Uma luz nas palavras. Axé.

Janaína Lins disse...

E falando em roupas, eu fico pra morrer quando vejo na internet
pessoas vestidas com roupas brilhantes coloridas demais espadas escudos
etc etc etc. Deus ajude o ser humano, que não presta não.

Claudinha disse...

Saravá a Umbanda, salve a humildade. Axé.

Anônimo disse...

Luz de texto. Ensinamento de primeira. Salve.

Samara Vieira disse...

Nada melhor e mais lindo que entrar em um terreiro e ver os mediuns todos de branquinho. Maravilhoso ter essa graça. Digamos não a ostentação e a vaidade. Nossas Entidades não tem esse mal, isso vem do ser humano sem informação. Texto de muita luz e sabedoria. Saravá Pai Carlos.

Flavia Maria disse...

Muito bom texto pai. Nada de roupinhas chamativas a Umbanda nao pode ser assim. Parabens

Monike Alcântara Lisboa disse...

A Umbanda não é desfile mesmo. Parabéns Pai Carlos pelo lindo texto.

Jessiquinha disse...

A roupagem da Umbanda sempre foi simples na cor branca. Além disso é ostentação. Parabens pai Carlos

Juliana Andrade disse...

Muito inteligente e verdadeiro seu texto pai Carlos. Gossto de coisas assim sem rodeios. Parabens

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