quarta-feira, 5 de março de 2014 274 comentários

Velas na Umbanda, Suas Cores e Como Utilizar




    Um dos grandes símbolos da Umbanda é a vela.

    Ela fica presente em varias etapas nos trabalhos da Sagrada
Umbanda, por vezes encontramos as velas vibracionais em Gongares, nas
oferendas, pontos riscados, em firmamentos e assentamentos, firmando
anjos de guarda e em quase todos os trabalhos de firmamento.

    Quando um filho de Umbanda acende uma vela, mal sabe que está
abrindo para sua mente uma porta interdimensional, onde sua mente
consciente nem sonha com a força de seus poderes mentais.

    A vela funciona na mente das pessoas como um código mental. Os
estímulos visuais captados pela luz da chama da vela acendem, na
verdade, a fogueira interior de cada um, despertando a lembrança de um
passado muito distante, onde seus ancestrais, sentados ao redor do
fogo,tomavam decisões que mudariam o curso de suas vidas.

    A maioria dos umbandistas acendem velas para seus Guias de forma
automática, num ritual mecânico, sem nenhuma concentração. É preciso
muita concentração e respeito ao acender uma vela, pois a energia
emitida pela mente do médium irá englobar a energia do fogo e, juntas,
irão vibrar no espaço cósmico, para atender a razão da queima dessa
vela.

    Sabemos que a vida gera calor e que a morte traz o frio. Sendo a
chama da vela cheia de calor, ela tem um amplo sentido de vida,
despertando nas pessoas a esperança, a fé e o amor; No ritual da
magia, o mago entra em contato com seu mundo inconsciente, depositário
de suas forças mentais, onde irão ser utilizadas para que alcancem
seus propósitos iniciais. Qualquer pessoa que acender uma vela, com
fé, está nesse momento realizando um ritual mágico e,
consequentemente, está sendo um mago; Se uma pessoa suas forças
mentais com a ajuda da magia das velas, no sentido de ajudar alguém,
irá receber em troca uma energia positiva; mas, se inverter o fluxo
das energias psíquicas, utilizando-as para prejudicar qualquer pessoa,
o retorno será infalível, e as energias de retorno são sempre mais
fortes, pois voltam acrescidas da energia de quem as recebeu; As
pessoas que utilizam a força da magia das velas que, na realidade,
despertam as forças interiores de cada um  com propósito maléficos,
não são consideradas magos, mas feiticeiros ou bruxos. Infeliz daquele
que, na ânsia de destruir seus inimigos, acendem velas com formatos de
sapo, de diabo, de caveira, de caixão, etc., assumindo um terrível
compromisso cármico com os senhores do destino. Todos os nossos
pensamentos, palavras e atos estão sendo gravados na memória do
infinito, ninguém fica impune junto à justiça divina. Voltaremos ao
planeta Terra quantas encarnações for preciso para expiar nossas
dívidas com o passado. Por outro lado, feliz daquele que lembra de
acender uma vela com o coração cheio de amor para o anjo da guarda de
seu inimigo, perdoando-o por sua insensatez, pois irá criar ao seu
redor um campo vibratório de harmonia cósmica, elevando suas vibrações
superiores; Ao acender velas para as almas, para o anjo da guarda, os
pretos velhos, caboclos, para a firmeza de pontos, Conga, para um
santo de sua preferência ou como oferenda aos Orixás, é importante que
o umbandista saiba que a vela é muito mais para quem acende do que
para quem está sendo acesa, tendo a mesma conotação do provérbio
popular que diz: A mão de quem dá uma flor, fica mais perfumada do que
a de quem a recebe; A intenção de acender uma vela gera uma energia
mental no cérebro da pessoa. Essa energia é que a entidade espiritual
irá captar em seu campo vibratório. Assim, a quantidade de velas não
influirá no valor do trabalho; a influencia se fará diretamente na
mente da pessoa que está acendendo as velas, no sentido de aumentar ou
não o grau da intenção. Desta forma, é inútil acreditar que podemos
comprar favores de uma entidade negociando com uma maior ou menor
quantidade de velas acesas. Os espíritos captam em primeiro lugar as
vibrações de nossos sentimentos, quer acendamos velas ou não. Daí ser
melhor ouvir uma das máximas de Jesus que diz: Antes de fazer sua
oferenda, procure conciliar-se com seu irmão.

    Não é conveniente, ao encontrar uma vela acesa no portão do
cemitério, nas encruzilhadas, embaixo de uma arvore, ao lado de uma
oferenda, apaga-la por brincadeira ou por outra razão. Devemos
respeitar a fé das pessoas. Quem assim o cometer, deve ter em mente,
que poderá acarretar sérios problemas com esta atitude, de ordem
espiritual. Precisamos respeitar o sentimento de religiosidade das
pessoas, principalmente quando acender uma vela faz parte desse
sentimento. Se acender uma vela a pessoa tiver um forte poder de
magnetização, torna-se mais perigoso apagar a vela. Mas, se ela não
estiver magnetizada, fica a critério de cada um.


    Nos trabalhos de Umbanda existe uma grande preocupação com o uso de
velas virgens, ou que não estejam quebradas.
Isso tem um grande fundamento, pois a vela virgem estava isenta da
magnetização de uma vela usada anteriormente evitando assim um choque
de energias, que geralmente anula o efeito do trabalho.

Especificação de cores das velas.

VELA DA COR BRANCA: OXALÁ.

    Na Umbanda, o uso da vela branca é o mais frequente, devido à sua
representação como símbolo da pureza. A cor branca na Umbanda é a cor
do Orixá Oxalá. Daí a razão do uso de velas brancas na maioria dos
trabalhos e firmamentos dentro da associação da pureza/Oxalá.

VELA DA COR VERMELHA: OGUM.

    O Orixá Ogum, tido como senhor das guerras, tem uma vibração muito
forte. As velas vermelhas, quando acesas dentro de seu ritual, vibram
na mesma frequência, com resultados mais favoráveis. Considerando que
a força da vela está mais na força mental da pessoa, a cor irá
concorrer com o sentido de favorecer sua capacidade de concentração,
devido a conjugação de frequências idênticas. Se houver uma inversão
nas cores das velas, isso poderá ou não alterar o resultado dos
trabalhos pois dependerá em grande parte da força mental da pessoa.

VELA NA COR AZUL: OXUM E IEMANJÁ.

    A cor azul, com sua vibração serena, vibra na mesma frequência da
Orixá Oxum, a senhora das águas doces. A vela de cor azul tanto pode
ser acesa para Oxum como para Iemanjá, que aceita em seu ritual velas
brancas. Por isso alguns Terreiros preferem usar as velas traçadas,
nas cores azul e branca, para Iemanjá.

VELA NA COR AMARELA: IANSÃ.

    Ficou estabelecida que a cor amarela, que deriva da vermelha, é a
cor da Orixá Iansã, também pelo fato de ser uma energia de luta. As
velas acesas para Iansã deverão ser da cor amarela, para continuar em
sua frequência vibratória. A variação de quantidade de velas deve ser
a mesma que se acende para qualquer outro Orixá ou Entidade, de acordo
com os objetivos do trabalho.

VELA NA COR MARROM: XANGÔ.

    Estabeleceu-se a cor marrom para o Orixá Xangô, levando-se em
consideração a neutralidade dessa mesma cor. A energia de Xangô emana
dos minerais, que possuem uma variedade muito grande de cores.
Curiosamente, prevaleceu a cor mais frequente, que a das pedras sobre
a superfície da terra.

VELA NA COR VERDE: OXOSSI.

    A cor verde, por seu equilíbrio vibratório, obtido pela junção das
cores amarela e azul, vibra na frequência do Orixá Oxossi, o senhor
das matas. Assim, uma vela de cor verde, acesa numa mata, que tem a
cor verde, possui uma força vibratória muito forte, facilitando o
trabalho de firmamento.

VELA NA COR LILÁS OU ROXA: NANÃ BUROQUÊ.

A cor roxa vibra na Orixá Nanã Buroquê, por ser ela, a Orixá, que leva
o dom da evolução, sendo assim a cor lilás ou roxa, está ligada ao
mundo místico e significa espiritualidade, magia e mistério. O roxo
transmite a sensação de tristeza e introspecção. Estimula o contacto
com o lado espiritual, proporcionando a purificação do corpo e da
mente, e a libertação de medos e outras inquietações. É a cor da
transformação.
     A orixá Nanã rege sobre a maturidade e seu campo preferencial de
atuação é o racional dos seres. Atua decantando os seres emocionados e
preparando-os para uma nova "vida", já mais equilibrada .

VELA NA COR TRAÇADA AMARELA E PRETA: OMULÚ.

A vela traçada amarela e preta tem uma vibração muito forte no
encaminhamento de Espíritos, por isso ela foi determinada a Omulu, que é
o Orixá que coordena a passagem do mundo físico para o mundo
espiritual. E ele que no desencarne eleva o entendimento das pessoas
para que entendam esse desencarne e evolua.
Omulu é o desdobramento do Orixá Obaluaiê, sendo Obaluaiê o Orixá no
modo jovial e Omulu no modo idoso. Contudo sendo um só Orixá. No caso
de Obaluaiê não devemos oferecer a vela na cor traçada amarela e
preta, e sim na cor branca e preta, por ser a cor branca a cor de
renascimento.

VELA NA COR ROSA OU TRAÇADA ROSA/AZUL: IBEIJI.

    A cor rosa ou TRAÇADA rosa/azul, com sua vibração cheia de vida,
vibra na frequência da energia da falange dos espíritos das crianças,
conhecidas também como Ibejis, Ibeijada ou Erês. Velas traçadas, nas
cores azul e rosa, são acesas também com o mesmo resultado das velas
cor-de-rosa, assim como as azuis.

VELA NA COR TRAÇADA BRANCA/PRETA: PRETO VELHO.

As velas traçadas, nas cores branca e preta, são utilizadas nos
trabalhos de magia dos Pretos Velhos e devem ser usadas sob a
orientação direta dos próprios Pretos Velhos.

VELAS NA COR TRAÇADA BRANCA E VERMELHA: ZÉ PILINTRA E MALANDROS.

As velas traçadas nas cores branca e vermelha, são oferecidas aos
Malandros e malandras, assim como também a Entidade Zé Pilintra.
Elas tem como objetivo de trazer a vibração de dois povos ao ser
acesa, ou seja, a vibração das Almas, que se apresentam ao ser
queimada a cor branca, e a vibração da linha de esquerda, Exus e Pombo
Giras, ao ser queimada a cor vermelha.

    Sendo assim, ao acender uma vela traçada, oferecendo a Senhor José
Pilintra e aos Malandros e Malandras, estamos trabalhando e entregando
nossas intenções tanto a linha da direita como a linha da esquerda.
Portanto é muito importante estar bem concentrado ao acender essa
vela, pois nossos pensamentos poderão nos fazer trazer coisas
merecidas tanto do lado bom como do lado ruim, pois nessa vibração,
para pessoas que não estão preparadas, podem ser enganadas por
Espíritos sem Luz, que tentam se passar por Entidades de Luz da linha
dos Malandros e Malandras. Seu pensamento na hora de oferecer uma vela
traçada branca/vermelha tem que estar firme num ponto extremo.

VELA NA COR TRAÇADA VERMELHA E PRETA: POMBO GIRA E EXU.

As velas traçadas, nas cores vermelha e preta, são utilizadas para as
Pombo Giras e os Exús. Devem ser acesas com muita cautela e de
preferência por quem conhece os segredos da mironga. Elas só devem ser
acesas com determinação de uma Entidade, e por pessoas que estiverem
preparadas. Quando uma Entidade determina algum trabalho com as velas
das cores pretas ou traçadas vermelhas e pretas, é provável e
considerável que essa Entidade já imantou a pessoa na qual irá acender
a vela.
A vela vermelha e preta, quando está queimando a cor vermelha, tem o
sentido de luta; quando esta queimando a cor preta significa vitória
sobre o objetivo proposto inicialmente.

VELAS DE CERA: TRABALHOS DE ALTAS COMPLEXIDADES, BATISMO E CIGANOS.

Para os trabalhos de alta COMPLEXIDADE , recomenda-se o uso de velas de cera,
por sua constância e pela força de sua chama. É a vela ideal para as
cerimônias de batismo das crianças, onde elas serão amenizadas do carma
de seus inimigos de vidas passadas.
Também pode ser usadas no oferecimento a povo Cigano, assim como a
vela de mel.


LISTA DE VELAS E A QUEM PODE SE OFERECER.

Anjo da Guarda: Branca.
Oxalá: Branca.
Ogum: Vermelha.
Xangô: Marrom.
Obaluaiê/Omulú: Traçada Branca e Preta / Traçada Amarela e Preta.
Oxóssi: Verde.
Iansã: Amarela.
Iemanjá: Azul claro ou Branca.
Nanã: Lilás (Roxa).
Oxum: Azul.
Ibeijada, Erês (Criança): Rosa, Azul ou Traçada Azul e Rosa.
Malandros:  Branca ou traçada branca e vermelha.
Ciganos: Vela de Cera, ou de Mel ou Colorida na cor do arco-íris.
Boiadeiro: Branca ou Amarela.
Caboclo de Ogum: Vermelha ou Verde.
Caboclo de Oxóssi: Verde.
Caboclo de Xangô: Marrom ou Verde.
Caboclas: Verde, Branca ou Traçadas Branca e Verde.
Exú e Pombo Gira: Preta, Vermelha ou Traçada Preta e Vermelha.
Pretas-Velhas: Traçada Branca e Preta, ou roxa.
Pretos-Velhos: Traçada Branca e Preta ou Branca.

    Nunca se esqueça de que as velas, são extensão da vontade e dos
pensamentos daquele que a acende, portanto, primeiramente limpe seus
pensamentos e eleve sua vontade no bem. e nas causas justas para que
assim tenha um bom resultado em seus pedidos e oferecimentos ao
acender uma vela.

A vela ilumina primeiro quem a acende. Isso nos mostra que aquele que faz o bem para os outros será o primeiro a ser iluminado.



Carlos de Ogum



terça-feira, 11 de fevereiro de 2014 70 comentários

SALVE OS BOIADEIROS





 SALVE OS BOIADEIROS.

       São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado,
em fazendas por todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma
forma que os Caboclos nas sessões de Umbanda.

     Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a
vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e
passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a
força de vontade, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e
farta.

Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para
todos os fins.

     O Caboclo Boiadeiro traz o seu sangue quente do sertão, e o
cheiro de carne queimada pelo sol das grandes caminhadas sempre
tocando seu berrante para guiar o seu gado. Normalmente, eles fazem
duas festas por ano, uma no inicio e outra no meio do ano. Eles são
logo reconhecidos pela forma diferente de dançar, tem uma coreografia
intricada de passos rápidos e ágeis, que mais parece um dançarino
mímico, lidando bravamente com os bois.

Seu dia é quinta feira, gosta de bebida forte como por exemplo cachaça
com mel de abelha, que eles chamam de meladinha, mas também bebem
vinho. Fumam cigarro, cigarro de palha e charutos. Seu prato preferido
é carne de boi com feijão tropeiro, feito com feijão de corda ou
feijão cavalo. Boiadeiro também gosta muito de abóbora com farofa de
torresmo. Em oferendas é sempre bom colocar um pedaço de fumo de rolo
e cigarro de palha.

No Terreiro os Boiadeiros vêm "descendo em seus aparelhos" como
estivessem laçando seu gado, dançando, bradando, enfim, criando seu
ambiente de trabalho e vibração.

     Com seus chicotes e laços vão quebrando as energias negativas e
descarregando os médiuns, o terreiro e as pessoas da assistência.Os
fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo as portas para a entrada
dos outros guias e tornando-se grandes protetores, assim como os Exus.

     Quando o médium é mulher, frequentemente, a entidade pede para
que seja colocado um pano de cor, bem apertado, cobrindo o formato os
seios. Estes panos acabam, por vezes, como um identificador da
entidade, e até da sua linha mais forte de atuação, pela sua cor ou
composição de cores.

Alguns usam chapéus de boiadeiro, laços, jalecos de couro, calças de
bombachas, e tem alguns, que até tocam berrantes em seus trabalhos.


                     Nomes de alguns boiadeiros:

Boiadeiro da Jurema, Boiadeiro do Lajedo, Boiadeiro do Rio, Carreiro,
Boiadeiro do Ingá, Boiadeiro Navizala, Boiadeiro de Imbaúba, João
Boiadeiro, Boiadeiro Chapéu de Couro, Boiadeiro Juremá, Zé Mineiro,
Boiadeiro do Chapadão, Boiadeiro Cigano, etc.

Sua saudação: "Getruá Boiadeiro", "Xetro Marrumbaxêtro", "Xetruê" ou
"Xetruá".


       Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza
desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, "o
caboclo sertanejo". São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões,
Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio,
índio com negro e assim vai.

Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo
brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé. Ao
amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado
para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de
volta para o curral.

Nas caminhadas tocava seu berrante e sua viola cantando sempre uma
modinha para sua amada, que ficava na janela do sobrado, pois os
grandes donos das fazendas não permitiam a mistura de empregados com a
patroa.

     É tal e qual se poderia presenciar do homem rude do campo.
Durante o dia debaixo do calor intenso do sol ele segue, tocando a
boiada, marcando seu gados e território. À noite ao voltar para casa,
o churrasco com os amigos e a família, um bom papo, ponteado por um
gole de aguardente e um bom palheiro, e nas festas muita alegria, nas
danças e comemorações.

     Sofreram preconceitos, como os "sem raça", sem definição de sua
origem. Ganhando a terra do sertão com seu trabalho e luta, mas
respeitando a natureza e aprendendo, um pouco com o índio: suas ervas,
plantas e curas; e um pouco do negro: seus Orixás, mirongas e
feitiços; e um pouco do branco: sua religião (posteriormente misturada
com a do índio e a do negro) e sua língua, entre outras coisas.

     Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os
Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a
determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de
conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas
com uma força e fé muito grande.

     O caboclo boiadeiro está ligado com a imagem do peão boiadeiro -
habilidoso, valente e de muita força física. Vem sempre gritando e
agitando os braços como se possuísse na mão, um laço para laçar um
novilho. Sua dança simboliza o peão sobre o cavalo a andar nas
pastagens.

Enquanto os "caboclos índios" são quase sempre sisudos e de poucas
palavras, é possível encontrar alguns boiadeiros sorridentes e
conversadores.

     Os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são
regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os
eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados.
Levam cada boi (espírito) para seu destino, e trazem os bois que se
desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do resto da
boiada (o caminho do bem).



SOBRE NOSSOS CABOCLOS BOIADEIROS

     Os Caboclos são entidades fortes, viris. Alguns têm algumas
dificuldades de se expressar em nossa língua, sendo normalmente
auxiliados pelos cambonos. São sérios, mas gostam de festas e fartura.
Gostam de música, cantam toadas que falam em seus bois e suas andanças
por essas terras de meu Deus. Os Boiadeiros também são conhecidos como
"Encantados",pois segundo algumas lendas, eles não teriam morrido para
se espiritualizarem, mas sim se encantados e transformados em
entidades especiais.
     Os Boiadeiros também apresentam bastante diversidade de
manifestações. Boiadeiro menino, Boiadeiro da Campina, Boiadeiro Bugre
e muitos outros tipos de Boiadeiros, sendo que alguns até trabalham
muito próximos aos Exus.

     Suas cantigas normalmente são muito alegres, tocadas num ritmo
gostoso e vibrante. São grandes trabalhadores, e defendem a todos das
influências negativas com muita garra e força espiritual. Possuem
enorme poder espiritual e grande autoridade sobre os espíritos menos
evoluídos, sendo tais espíritos subjugados por eles com muita
facilidade.

     Sabem que a prática da caridade os levará a evolução, trabalham
incorporados na Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Fazem parte da linha
de caboclos, mais na verdade são bem diferentes em suas funções.
Formam uma linha mais recente de espíritos, pois já viveram mais com a
modernidade do que os caboclos, que foram povos primitivos.

Esses espíritos já conviveram em sua ultima encarnação com a invenção
da roda, do ferro, das armas de fogo e com a prática da magia na
terra.

     Saber que boiadeiros conheceram e utilizaram essas invenções nos
ajuda muito para diferenciarmos dos caboclos. São rudes nas suas
incorporações, com gestos velozes e pouco harmoniosos. Sua maior
finalidade não é a consulta como os Pretos-velhos, nem os passes e
muito menos as receitas de remédios como os caboclos, e sim o
"dispersar de energia" aderida a corpos, paredes e objetos. É de
extrema importância essa função pois enquanto os outros guias podem se
preocupar com o teor das consultas e dos passes, existe essa linha
"sempre" atenta a qualquer alteração de energia local (entrada de
espíritos).
     Quando bradam alto e rápido, com tom de ordem, estão na verdade
ordenando a espíritos que entraram no local a se retirar, assim
"limpam" o ambiente para que a prática da caridade continue sem
alterações. Esses espíritos atendem aos boiadeiros pela demonstração
de coragem que os mesmos lhes passam e são levados por eles para
locais próprios de doutrina.

     Em grande parte, o trabalho dos Boiadeiros e no descarrego e no
preparo dos médiuns. Os fortalecendo dentro da mediunidade, abrindo a
portas para a entrada dos outros guias e tornando-se grandes
protetores, como os Exus.

     Outra grande função de um boiadeiro é manter a disciplina das
pessoas dentro de um terreiro, sejam elas médiuns da casa ou
consulentes. Costumam proteger demais seus médiuns nas situações
perigosas. São verdadeiros conselheiros e castigam quem prejudica um
médium que ele goste. "Gostar" para um boiadeiro, é ver no seu médium
coragem, lealdade e honestidade, aí sim é considerado por ele "filho".
Pois ser filho de boiadeiro não é só tê-lo na coroa.

Trabalham também para Orixás, mais mesmo assim, não mudam sua
finalidade de trabalho e são muito parecidos na sua forma de
incorporar e falar, ou seja, um boiadeiro que trabalhe para Ogum é
praticamente igual a um que trabalhe para Xangô, apenas cumprem ordens
de Orixás diferentes, não absorvendo no entanto as características
deles.

     Dentro dessa linha a diversidade encontra-se na idade dos
boiadeiros. Existem boiadeiros mais velhos, outros mais novos, e
costumam dizer que pertencem a locais diferentes, como regiões, por
exemplo: Nordeste, Sul, Centro-Oeste, etc...


Os Boiadeiros representam a própria essência da miscigenação do povo
brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.

    Saravá esse povo forte e guerreiro, salve os Boiadeiros!

Xetro Marrumbaxêtro Boiadeiros!!!

Carlos de Ogum.







domingo, 2 de fevereiro de 2014 38 comentários

Saudação a Mãe Iemanjá




     Deusa da nação de Egbé, nação esta Iorubá onde existe o rio
Yemojá (Yemanjá). No Brasil, rainha das águas e mares. Orixá muito
respeitada e cultuada é tida como mãe de quase todos os Orixás
Iorubanos, enquanto a maternidade dos Orixás Daomeanos é atribuída a
Nanã. Por isso à ela também pertence a fecundidade. É protetora dos
pescadores e jangadeiros.

     Comparada com as outras divindades do panteão africano, Yemanjá é
uma figura extremamente simples. Ela é uma das figuras mais conhecidas
nos cultos brasileiros, com o nome sempre bem divulgado pela imprensa,
pois suas festas anuais sempre movimentam um grande número de
iniciados e simpatizantes, tanto da Umbanda como do Candomblé.

     Pelo sincretismo, porém, muita água rolou. Os jesuítas
portugueses, tentando forçar a aculturação dos africanos e a
aceitação, por parte deles, dos rituais e mitos católicos, procuraram
fazer casamentos entre santos cristãos e Orixás africanos, buscando
pontos em comum nos mitos.

     Para Yemanjá foi reservado o lugar de Nossa Senhora, sendo,
então, artificialmente mais importante que as outras divindades
femininas, o que foi assimilado em parte por muitos ramos da Umbanda.

     Mesmo assim, não se nega o fato de sua popularidade ser imensa,
não só por tudo isso, mas pelo caráter, de tolerância, aceitação e
carinho. É uma das rainhas das águas, sendo as duas salgadas: as águas
provocadas pelo choro da mãe que sofre pela vida de seus filhos, que
os vê se afastarem de seu abrigo, tomando rumos independentes; e o
mar, sua morada, local onde costuma receber os presentes e oferendas
dos devotos.

     São extremamente concorridas suas festas. É tradicional no Rio de
Janeiro, em Santos (litoral de São Paulo) e nas praias de Porto Alegre
a oferta ao mar de presentes a este Orixá, atirados à morada da deusa,
tanto na data específica de suas festas, como na passagem do ano. São
comuns no reveillon as tendas de Umbanda na praia, onde acontecem
rituais e iniciados incorporam caboclos e pretos-velhos, atendendo a
qualquer pessoa que se interesse.

Apesar dos preceitos tradicionais relacionarem tanto Oxum como Yemanjá
à função da maternidade, pode estabelecer-se uma boa distinção entre
esse conceitos.

As duas Orixás não rivalizam (Yemanjá praticamente não rivaliza com
ninguém, enquanto Oxum é famosa por suas pendências amorosas que a
colocaram contra Iansã e Obá). Cada uma domina a maternidade num
momento diferente.

      A majestade dos mares, senhora dos oceanos, sereia sagrada,
Yemanjá é a rainha das águas salgadas, regente absoluta dos lares,
protetora da família. Chamada também de Deusa das Pérolas, é aquela
que apara a cabeça dos bebês no momento de nascimento.

     Numa Casa de Santo, Yemanjá atua dando sentido ao grupo, à
comunidade ali reunida e transformando essa convivência num ato
familiar; criando raízes e dependência; proporcionando sentimento de
irmão para irmão em pessoas que há bem pouco tempo não se conheciam;
proporcionando também o sentimento de pai para filho ou de mãe para
filho e vice-versa, nos casos de relacionamento dos Babalorixás (Pais
no Santo) ou Ialorixás (Mães no Santo) com os Filhos no Santo. A
necessidade de saber se aquele que amamos estão bem, a dor pela
preocupação, é uma regência de Yemanjá, que não vai deixar morrer
dentro de nós o sentido de amor ao próximo, principalmente em se
tratando de um filho, filha, pai, mãe, outro parente ou amigo muito
querido. É a preocupação e o desejo de ver aquele que amamos a salvo,
sem problemas, é a manutenção da harmonia do lar.

     É ela que proporcionará boa pesca nos mares, regendo os seres
aquáticos e provendo o alimento vindo do seu reino. É ela quem
controla as marés, é a praia em ressaca, é a onda do mar, é o
maremoto. Protege a vida marinha. Junta-se ao orixá Oxalá
complementando-o como o Princípio Gerador Feminino.



CARACTERÍSTICAS

Cor:
Cristal. (Em algumas casas: Branco, azul claro. também verde claro e
rosa claro)

Fio de Contas:
Azul leitoso (Umbanda).
Contas e Missangas de cristal. Firmas cristal.

Ervas:
Colônia, Pata de Vaca, Embaúba, Abebê, Jarrinha, Golfo, Rama de Leite
(Em algumas casas: aguapé, lágrima de nossa, araçá da praia, flor de
laranjeira, guabiroba, jasmim, jasmim de cabo, jequitibá rosa, malva
branca, marianinha - trapoeraba azul, musgo marinho, nenúfar, rosa
branca, folha de leite)

Símbolo:
Lua minguante, ondas, peixes.

Pontos da Natureza:
Mar.

Flores:
Rosas brancas, palmas brancas, angélicas, orquídeas, crisântemos
brancos.

Essências:
Jasmim, Rosa Branca, Orquídea, Crisântemo.

Pedras:
Pérola, Água Marinha, Lápis-Lazúli, Calcedônia, Turquesa.

Metal:
Prata.

Saúde:
Psiquismo, Sistema Nervoso.

Planeta:
Lua.

Dia da Semana:
Sábado.

Elemento:
Água

Chakra:
Frontal

Saudação:
Odôiyá, Odô Fiaba

Bebida:
Água Mineral ou Champanhe

Animais:
Peixes, Cabra Branca, Pata ou Galinha branca.

Comidas:
Peixe, Camarão, Canjica, Arroz, Manjar; Mamão.

Numero:
4

Data Comemorativa:
15 de agosto (Em algumas casas: 2 de fevereiro, em 8 de dezembro)

Sincretismo:
Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora dos
Navegantes

Incompatibilidades:
Poeira, Sapo

Qualidades:
Iemowo, Iamassê, Iewa, Olossa, Ogunté assabá, Assessu, Sobá, Tuman,
Ataramogba, Masemale, Awoió, Kayala, Marabô, Inaiê, Aynu, Susure,
Iyaku, Acurá, Maialeuó, Conlá.


ATRIBUIÇÕES

     Essa força da natureza também tem papel muito importante em
nossas vidas, pois é ela que rege nossos lares, nossas casas. É ela
que dá o sentido da família às pessoas que vivem debaixo de um mesmo
teto. Ela é a geradora do sentimento de amor ao seu ente querido, que
vai dar sentido e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos
tornando-os coesos. Rege as uniões, os aniversários, as festas de
casamento, todas as comemorações familiares. É o sentido da união por
laços consanguíneos ou não.



AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE YEMANJÁ:

     Pelo fato de Yemanjá ser a Criação, sua filha normalmente tem um
tipo muito maternal. Aquela que transmite a todos a bondade,
confiança, grande conselheira. É mãe. Sempre tem os braços abertos
para acolher junto de si todos aqueles que a procuram. A porta de sua
casa sempre está aberta para todos, e gosta de tutelar pessoas. Tipo a
grande mãe. Aquela mulher amorosa que sempre junta os filhos dos
outros com os seus. O homem filho de Yemanjá carrega o mesmo
temperamento: é o protetor. Cuida de seus tutelados com muito amor.
Geralmente é calmo e tranqüilo, exceto quando sente-se ameaçado na
perda de seus filhos, isto porque não divide isto com ninguém. É
sempre discreto e de muito bom gosto. Veste-se com muito capricho. É
franco e não admite a mentira. Normalmente fica zangado quando
ofendido e o que tem como ajuntó o orixá Ogum, torna-se muito
agressivo e radical. Diferente é quando o ajuntó é Oxóssi, aí sim, é
pessoa calma, tranqüila, e sempre reage com muita tolerância. O maior
defeito do filho de Yemanjá é o ciúme. É extremamente ciumento com
tudo que é seu, principalmente das coisas que estão sob sua guarda.
Gostam de viver num ambiente confortável e, mesmo quando pobres,
pode-se notar uma certa sofisticação em suas casas, se comparadas com
as demais da comunidade de que fazem parte. Apreciam o luxo, as jóias
caras e os tecidos vistosos e bons perfumes. Entretanto, não possuem a
mesma vaidade coquete de Oxum, sempre apresentando uma idade maior,
mais responsáveis e decididos do que os filhos da Oxum. A força e a
determinação fazem parte de suas características básicas, assim como o
sentido de amizade, sempre cercada de algum formalismo. Apesar do
gosto pelo luxo, não são pessoas ambiciosas nem obcecadas pela própria
carreira, detendo-se mais no dia a dia, sem grandes planos para
atividades a longo prazo. Pela importância que dá a retidão e à
hierarquia, Yemanjá não tolera mentira e a traição. Assim sendo, seus
filhos demoram a confiar em alguém, e quando finalmente passam a
aceitar uma pessoa no seu verdadeiro círculo de amigos, deixam de ter
restrições, aceitando-a completamente e defendendo-a, seja nos erros
como nos acertos, tendo grande capacidade de perdoar as pequenas
falhas humanas. Não esquecem uma ofensa ou traição, sendo raramente
esta mágoa esquecida. Um filho de Yemanjá pode tornar-se rancoroso,
remoendo questões antigas por anos e anos sem esquecê-las jamais.
Fisicamente, existe uma tendência para a formação de uma figura cheia
de corpo, um olhar calmo, dotada de irresistível fascínio (o canto da
sereia). Enquanto os filhos de Oxum são diplomatas e sinuosos, os de
Yemanjá se mostram mais diretos. São capazes de fazer chantagens
emocionais, mas nunca diabólicas. A força e a determinação fazem parte
de seus caracteres básicos, assim como o sentido da amizade e do
companheirismo.
     São pessoas que não gostam de viver sozinhas, sentem falta da
tribo, inconsciente ancestral, e costumam, por isso casar ou
associar-se cedo. Não apreciam as viagens, detestam os hotéis,
preferindo casas onde rapidamente possam repetir os mecanismos e os
quase ritos que fazem do cotidiano.
     Todos esses dados nos apresentam uma figura um pouco rígida,
refratária a mudanças, apreciadora do cotidiano. Ao mesmo tempo,
indicam alguém doce, carinhoso, sentimentalmente envolvente e com
grande capacidade de empatia com os problemas e sentimentos dos
outros. Mas nem tudo são qualidades em Yemanjá, como em nenhum Orixá.
Seu caráter pode levar o filho desse Orixá a ter uma tendência a
tentar concertar a vida dos que o cercam - o destino de todos estariam
sob sua responsabilidade. Gostam de testar as pessoas.


COZINHA RITUALÍSTICA.

Canjica branca:

Canjica branca cozida, leite de coco. Colocar a canjica em tigela de
louça branca, despejando mel por cima, e uvas brancas, se desejar.

Canjica Cozida:

Refogada com azeite doce, cebola e camarão seco.

Manjar do Céu:

Leite, maizena, leite de coco, açúcar

Sagu com leite de coco:

Colocar o sagu de molho em água pura de modo a inchar, depois de
inchado, retirar a água e levar ao fogo com leite de coco, de modo a
fazer um mingau bem grosso, colocar em tigela de louça branca.


LENDAS DE YEMANJÁ

     Yemanjá teve muitos problemas com os filhos. Ossain, o mago, saiu
de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas.
Contra os conselhos da mãe, Oxossi bebeu uma poção dada por Ossain e,
enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele
voltou para casa mas Yemanjá, irritada, expulsou-o. Então ogum a
censurou por tratar mal o irmão. Desesperada por estar em conflito com
os três filhos, Yemanjá chorou tanto que se derreteu e formou um rio
que correu para o mar.

     Yemanjá foi casada com Okere. Como o marido a maltratava, ela
resolveu fugir para a casa do pai Olokum. Okere mandou um exército
atrás dela mas, quando estava sendo alcançada, Yemanjá se transformou
num rio para correr mais depressa. Mais adiante, Okere a alcançou e
pediu que voltasse; como Yemanjá não atendeu, ele se transformou numa
montanha, barrando sua passagem. Então Yemanjá pediu ajuda a Xangô; o
orixá do fogo juntou muitas nuvens e, com um raio, provocou uma grande
chuva, que encheu o rio; com outro raio, partiu a montanha em duas e
Yemanjá pôde correr para o mar.

Mãe linda sereia do mar, a ti entrego meu caminho, não me deixe ficar sozinho. Saravá Mãe Iemanjá.

Iemanjá senhora mãe venha nos salvar das tormentosas ondas e furacões de nossas vidas seja o nosso porto seguro ó grande mãe !!! Odoiá

Odôiyá Linda Mãe Iemanjá. Odô Fiaba!!!


Carlos de Ogum





Oração PODEROSA IEMANJÁ

Iemanjá, Enfermeira dos que sofrem, consoladora dos aflitos, conselheira
dos angustiados. Mãe de todos. Agradeço-te tantas graças que nos
concedes. Quero ser merecedor da tua aura luminosa. E rendo-te minha
homenagem, rainha das águas. Que distribui caridade e amor, entre todos
os seus filhos. Eu te agradeço Mãe Iemanjá, por me atender nas horas que
recorro a Teus poderes divinos... Graças te dou Iemanjá. Pelas tuas
radiações milagrosas agradeço, agradeço principalmente por tua proteção
constante. Que tua áurea bendita continue protegendo e vibrando bondade.
Dai-nos a tua proteção pura e conforto da alma. Suplico nesta oração
porque creio em teu poder imenso.

Assim seja. Minha mãe querida Iemanjá!

Oração a Iemanjá. (Quando uma filha vai cortar o cabelo)

A ti entrego minha coroa e minhas madeixas, para que tu Mãe Poderosa
me torne digna de ser sua filha, a ti prometo cuidar do corpo e da
alma, e que tu Mãe Iemanjá me proteja das maledicências e das invejas
de pessoas que nada tem a acrescentar em minha evolução.

    A ti entrego minha fé e meu amor, e de ti peço a sua grande
proteção.

Odôiyá Linda Mãe Iemanjá. Odô Fiaba!!!


Assim Seja!!!




terça-feira, 28 de janeiro de 2014 81 comentários

Um Companheiro de Nome Zé



    A noite caiu sobre a estrada sem fim,
fazendo dela um caminho de escuridão,
e ao andar por ela uma voz perguntou para mim,
precisa de um amigo que lhe acompanhe e te dê a mão?

    Ao ouvir essa voz vindo da estrada escura,
percebi uma imagem de luz.
Sem temer acreditei numa alma pura,
que foi mandada ali pelo Senhor Jesus.

    Mesmo assim apressei meus passos,
tentando me livrar da estrada de trevas,
a luz me acompanhou com grandes abraços,
e eu perguntei: Senhor quem nesse momento que me levas?

    No meio de uma linda claridade,
um belo sorriso vi nascer,
senti ali a proteção de verdade,
sabendo que obstáculos ia vencer

    Esse sorriso se transformou em uma linda gargalhada,
fazendo a estrada se iluminar com forte luz,
dessa luz veio uma voz inesperada,
dizendo sou Zé Pilintra venho aqui em nome de Jesus.

    Ao entender quem era minha proteção,
a passos lentos pus-me a caminhar,
e a esse grande amigo sempre faço uma oração,
Senhor José Pilintra companheiro de todo meu andar.

    Saravá Seu Zé meu companheiro de jornada!

Autor: Carlos de Ogum



domingo, 26 de janeiro de 2014 10 comentários

Conhecendo a Orixá Ewá




       Também conhecida como Ìyá Wa. Assim como Iemanjá e Oxum, também
é uma divindade feminina das águas e, às vezes, associada à
fecundidade. É reverenciada como a dona do mundo e dona dos
horizontes. Em algumas lendas aparece como a esposa de Oxumarê e
pertencendo a ela a faixa branca do arco-íris, em outras como esposa
de Obaluaiê ou Omulu.

     Ewá é a divindade do rio Yewa. Na Bahia é cultuada somente em
três casas antigas, devido à complexidade de seu ritual. As gerações
mais novas não captaram conhecimentos necessários para a realização do
seu ritual, daí se ver, constantemente, alguém dizer que fez uma
obrigação para Ewá, quando na realidade o que foi feito é o que se faz
normalmente para Oxum ou Iansã.

     O desconhecimento começa com as coisas mais simples como a roupa
que veste, as armas e insígnias que segura e os cânticos e danças,
isso quando não dizem que Ewá é a mesma coisa que Oxum, Iansã e
Iemanjá.

     Orixá que protege as virgens e tudo que é inexplorável. Ewá tem o
poder da vidência, Sra. Do céu estrelado rainha dos cosmos. Ela está o
lugar onde o homem não alcança.

       Seu símbolo é o arpão, pode também carregar um ofá dourado, uma
espingarda ou uma serpente de metal. Às vezes, Ewá é considerada a
metade mulher de Oxumarê, a faixa branca do arco-íris. Ela é
representada também pelo raio do sol, pela neve.

As palmeiras com folhas em leque também simbolizam Ewá - exótica,
bela, única e múltipla.

Na verdade ela mantém fundamentos em comum com Oxumarê, inclusive
dançam juntos, mas não se sabe ao certo se seria a porção feminina,
sua esposa ou filha.

     Quando cultuada na nação Keto, Ewá dança, ilu, hamunha e aguerê,
Na cultura jêje, onde suas danças são impressionantes, prefere o
bravun e o sató e dança acompanhada de Oxumaré, Omulu e Nanã.

     Nas festas de Olubajé, Ewá não pode ser esquecida, deve receber
seus sacrifícios, e no banquete não pode faltar uma de suas comidas
favoritas; banana-da-terra frita em azeite.

CARACTERÍSTICAS

Cor:
Carmim (Vermelho na cor bem viva)

Fios de Contas:
Vermelho intercalado com amarelas

Ervas:
Arrozinho, baronesa (alga ), golfão.

Símbolo:
Arpão

Pontos da Natureza:
Linha do Horizonte. (Recebe oferendas em rios e lagos).

Flores:
flores brancas e vermelhas

Metal:
Ouro, prata e cobre

Saúde:
problemas respiratórios e intestinais

Dia da Semana:
Sábado

Elemento:
Água

Saudação:
Hihó (Se lê: Rirró)

Bebida:
Champanhe

Animais:
Sabiá

Comidas:
Banana inteira feita em azeite de dendê com farofa do mesmo azeite
(milho com coco, batata doce, canjiquinha)

Data Comemorativa: 13 de dezembro

Sincretismo: Nossa Senhora das Neves

Incompatibilidades: Galinha, Aranha, Teia-de-aranha


ATRIBUIÇÕES

Limpa o ambiente, traz harmonia, alegria e beleza



LENDAS DE EWÁ

Por que Ewá Não Aceita Galinha?

     Ewá, certa vez indo para o rio lavar roupa, ao acabar, estendeu-a
para secar. Nesse espaço veio a galinha e ciscou, com os pés, toda
sujeira que se encontrava no local, para cima da roupa lavada, tendo
Ewá que tornar a lavar. Enraivecida, amaldiçoou a galinha, dizendo que
daquele dia em diante haveria de ficar com os pés espalmados e que nem
ela nem seus filhos haveriam de comê-la, daí, durante os rituais de
Ewá, galinha não passar nem pela porta.

Ewá - Orixá dos horizontes e fontes!

     Conta-se uma lenda, que Ewá era esposa de Omulu, e era estéril,
não podendo conceder um filho ao seu grande amado, sofrendo muito por
isso.
     Em uma bela tarde, a dona dos horizontes, estava-se a deleitar as
margens de um rio, juntamente com suas serviçais que lavavam vários
alás (panos brancos). De repente, surge de dentro da floresta a figura
de uma pessoa, que corria muito e muito assustado.

- Como ousas interromper o deleite da mulher de Omulu, quem é você ?
indagou Ewá, sobre a irreverência do rapaz.

     - Ewá ! não era minha intenção interromper tão sagrado ato, oh!
esposa de Obaluaiê! Porém Ikú (a morte), persegue-me a vários dias e
preciso escapar dela, pois tenho ainda um grande destino a seguir.
Peço sua ajuda Ewá, peço que me escondas para que Ikú não me pegue ?!

- Gostei de você e vou ajudá-lo, esconda-se sobre os alás que minhas
serviçais estão a lavar, e eu despistarei Ikú de seu caminho.

E assim foi feito, o jovem rapaz pôs a se esconder sobre os panos
brancos. Alguns minutos se passaram, e eis que aparece Ikú. A morte !

- Como ousas adentrar aos domínios de minha morada, quem és tu ?
Pergunta Ewá com ar de indignada.

     - Sou Ikú, e entro onde as pessoas menos esperam, entro e carrego
comigo, dezenas, centenas e até milhares de pessoas ! Porém hoje estou
a procurar um jovem rapaz, que esta a me escapar a dias, você o viu
passar por aqui ?
     Perguntou Ikú para Ewá.

     - Eu o vi sim Ikú, ele foi naquela direção. - Ewá apontava para
um direção totalmente oposta ao das suas aldeãs, que estavam a
esconder o jovem rapaz. Ikú agradeceu e seguiu pelo caminho indicado.
Sendo assim, o rapaz pode se desfazer de seu esconderijo e agradeceu
Ewá.

     - Ewá, agradeço sua ajuda, terei tempo agora, de prosseguir meu
caminho. Sou um grande adivinho, e em sinal de minha gratidão, a
partir de hoje presenteio-lhe com o dom da adivinhação. Ewá, agradeceu
o presente dado pelo rapaz, que já havia se virado para ir embora,
quando retornou e falou a Ewá.
     - Sim eu sei, você não pode ter filhos, pois lhe dou isso também,
a partir de hoje poderá ter filhos e alegrar ao seu marido.

Então Ewá, agradeceu novamente muito contente e perguntou ao jovem
rapaz. - Qual é seu nome ?

     E o rapaz respondeu...
     - Meu nome é Ifá !


    Que Ewá, com seu dom de adivinhação e sua proteção de mãe, proteja
todos filhos seus.

Hihó Ewá!

Carlos de Ogum



sábado, 18 de janeiro de 2014 31 comentários

SAUDAÇÃO A PAI OXOSSI.







    SAUDAÇÃO A PAI OXOSSI.

     Divindade da caça que vive nas florestas. Seus principais
símbolos são o arco e flecha, chamado Ofá, e um rabo de boi chamado
Eruexim. Em algumas lendas aparece como irmão de Ogum e de Exú.

     Oxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá, ou, nos mitos,
filho de Apaoka (jaqueira). É o Orixá da caça; foi um caçador de
elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. Diz um mito
que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande
elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos
filhos que são abandonados e criados por Oxum.

     Oxossi vive na floresta, onde moram os espíritos e está
relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe
e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se
com os animais, cujos gritos imita a perfeição, e caçador valente e
ágil, generoso, propicia a caça e protege contra o ataque das feras.
Um solitário solteirão, depois que foi abandonado por Iansã e também
porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois
são nefastas à caça.

     Está estreitamente ligado a Ogum, de quem recebeu suas armas de
caçador. Ossãe apaixonou-se pela beleza de Oxossi e prendeu-o na
floresta. Ogum consegue penetrar na floresta, com suas armas de
ferreiro e libertá-lo. Ele esta associado, ao frio, à noite, à lua;
suas plantas são refrescantes.

     Em algumas caracterizações, veste-se de azul-turquesa ou de azul
e vermelho. Leva um elegante chapéu de abas largas enfeitados de penas
de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na
cintura, um arco, uma flecha de metal dourado. Sua dança sumula o
gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é
"corrido" na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça,
deslizando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das
danças mais bonitas do Candomblé.

    Orixá das matas, seu habitat é a mata fechada, rei da floresta e
da caça, sendo caçador domina a fauna e a flora, gera progresso e
riqueza ao homem, e a manutenção do sustento, garante a alimentação em
abundância, o Orixá Oxossi está associado ao Orixá Ossãe, que é a
divindade das folhas medicinais e ervas usadas nos rituais de Umbanda.

     Irmão de Ogum, habitualmente associa-se à figura de um caçador,
passando a seus filhos algumas das principais características
necessárias a essa atividade ao ar livre: concentração, atenção,
determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência.

     Segundo as lendas, participou também de algumas lutas, mas não da
mesma maneira marcante que Ogum.
     No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar,
enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a
lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para
todos.

     Segundo Pierre Verger, o culto a Oxossi é bastante difundido no
Brasil mas praticamente esquecido na África. A hipótese do pesquisador
francês é que Oxossi foi cultuado basicamente no Keto, onde chegou a
receber o título de rei. Essa nação, porém foi praticamente destruída
no século XIX pelas tropas do então rei do Daomé. Os filhos
consagrados a Oxossi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas
e Cuba. Já no Brasil, o Orixá tem grande prestígio e força popular,
além de um grande número de filhos.

     O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois
identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a
mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos
igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo,
um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros,
comuns no Norte do País.

     Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos
dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Oxossi o
identifiquem não com um negro, como manda a tradição, mas com um
Índio.

     Oxossi é o que basta a si mesmo. A ele estiveram ligados alguns
Orixás femininos, mas o maior destaque é para Oxum, com quem teria
mantido um relacionamento instável, bem identificado no plano sexual,
coisa importante tanto para a mãe da água doce como para o caçador,
mas difícil no cotidiano, já que enquanto ela representa o luxo e a
ostentação, ele é a austeridade e o despojamento.

CARACTERÍSTICAS

Cor:
Verde (No Candomblé: Azul Celeste Claro)

Fio de Contas:
Verde Leitosas (Azul Turquesa, Azul Claro)

Ervas:
Alecrim, Guiné, Vence Demanda, Abre Caminho, Peregum (verde), Taioba,
Espinheira Santa, Jurema, Jureminha, Mangueira, Desata Nó. (Erva de
Oxossi, Erva da Jurema, Alfavaca, Caiçara, Eucalipto)

Símbolo:
Ofá (arco e flecha).

Pontos da Natureza:
Matas

Flores:
Flores do campo

Essências:
Alecrim

Pedras:
Esmeralda, Amazonita. (Turquesa, Quartzo Verde, Calcita Verde)

Metal:
Bronze (Latão)

Saúde:
Aparelho Respiratório

Planeta:
Vênus

Dia da Semana:
Quinta-feira

Elemento:
Terra

Chakra:
Esplênico

Saudação:
Okê Arô (Odé Kokê Maior)

Bebida:
Vinho tinto (água de coco, caldo de cana, aluá)

Animais:
Tatu, Veado, Javali. (qualquer tipo de caça)

Comidas:
Axoxô - milho com fatias de coco, Frutas.(Carne de caça, Taioba, Ewa -
feijão fradinho torrado na panela de barro, papa de coco e frutas.)

Número:
6

Data Comemorativa:
20 de janeiro

Sincretismo:
São Sebastião.

Incompatibilidades:
Mel, Cabeça de bicho (nos sacrifícios e alimentos), Ovo

Qualidades:
Êboalama, Orè, Inlé ou Erinlè, Fayemi, Ondun, Asunara, Apala,
Agbandada, Owala, Kusi, Ibuanun, Olumeye, Akanbi, Alapade, Mutalambo


ATRIBUIÇÕES

     Oxossi é o caçador por excelência, mas sua busca visa o
conhecimento. Logo, é o cientista e o doutrinador, que traz o alimento
da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé
quanto do saber religioso.



AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXOSSI

     O filho de Oxossi apresenta arquetipicamente as características
atribuídas do Orixá. Representa o homem impondo sua marca sobre o
mundo selvagem, nele intervindo para sobreviver, mas sem alterá-lo.

     Os filhos de Oxossi são geralmente pessoas joviais, rápidas e
espertas, tanto mental como fisicamente. Tem portanto, grande
capacidade de concentração e de atenção, aliada à firme determinação
de alcançar seus objetivos e paciência para aguardar o momento correto
para agir.

     Fisicamente, os filhos de Oxossi, tendem a ser relativamente
magros, um pouco  nervosos, mas controlados. São reservados, tendo
forte ligação com o mundo material, sem que esta tendência denote
obrigatoriamente ambição e instáveis em seus amores.

     No tipo psicológico a ele identificado, o resultado dessa
atividade é o conceito de forte independência e de extrema capacidade
de ruptura, o afastar-se de casa e da aldeia para embrenhar-se na
mata, afim de caçar. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida
apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços.
Nada pior do que um ruído para afastar a caça, alertar os animais da
proximidade do caçador. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu
inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e
desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em
perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos
atentos.

Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de
expansão e conquista. Busca a alimentação, o que pode ser entendido
como sua luta do dia-a-dia.

Esse Orixá é o guia dos que não sonham muito, mas sua violência é
canalizada e represada para o movimento certo no momento exato. É
basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus
comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio
humor e disposição.

     Os filhos de Oxossi, portanto, não gostam de fazer julgamentos
sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada
um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser
desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de
muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo , é
marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de
responsabilidade. Afinal, é sobre ele que recai o peso do sustento da
tribo.

     Os filhos de Oxossi tendem a assumir responsabilidades e a
organizar facilmente o sustento do seu grupo ou família. Podem ser
paternais, mas sua ajuda se realizará preferencialmente distante do
lar, trazendo as provisões ou trabalhando para que elas possam ser
compradas, e não no contato íntimo com cada membro da família. Não é
estranho que, quem tem Oxossi como Orixá de cabeça, relute em manter
casamentos ou mesmo relacionamentos emocionais muito estáveis. Quando
isso acontece, dão preferência a pessoas igualmente independentes, já
que o conceito de casal para ele é o da soma temporária de duas
individualidades que nunca se misturam. Os filhos de Oxossi,
compartilham o gosto pela camaradagem, pela conversa que não termina
mais, pelas reuniões ruidosas e tipicamente alegres, fator que pode
ser modificado radicalmente pelo segundo Orixá.

Gostam de viver sozinhas, preferindo receber grupos limitados de
amigos. É portanto, o tipo coerente com as pessoas que lidam bem com a
realidade material, sonham pouco, têm os pés ligados à terra.

São pessoas cheias de iniciativa e sempre em vias de novas descobertas
ou de novas atividades. Têm o senso da responsabilidade e dos cuidados
para com a família.

    São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito
de mudar de residência e achar novos meios de existência em
detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma.

     O tipo psicológico, do filho de Oxossi é refinado e de notável
beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito
curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias,
volúveis em suas reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como
"complicados". É solitário, misterioso, discreto, introvertido.

Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador,
um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas,
criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva
e romântica.


COZINHA RITUALÍSTICA

Axoxô

     É a comida mais comum de Oxossi. Cozinha-se milho vermelho
somente em água, depois deixa-se esfriar, coloca-se numa Gamela e
enfeita-se por cima com fatias de coco. (pode-se cozinhar junto com o
milho, um pouco de amendoim).


Quibebe

     Descasca-se e corta-se 1kg de abóbora em pedaços. Numa panela,
faz-se um refogado com 2 colheres de manteiga e 1 cebola média
picadinha, até que esta fique transparente ou levemente corada.
Acrescenta-se 2 ou 3 tomates cortados em pedaços miúdos, 1 pimenta
malagueta socada, e a abóbora picada. Põe-se um pouco de água, sal e
açúcar. Tampa-se a panela e cozinha-se em fogo lento até que a abóbora
esteja bem macia. Ao arrumar na travessa que vai à mesa, amassa-se um
pouco.


Pamonha de milho verde

     Rala-se 24 espigas de milho verde não muito fino. Escorre-se o
caldo e mistura-se o bagaço com 1 coco ralado(sem tirar o leite do
coco), tempera-se com sal e açúcar.
     Enrola-se pequenas porções em palha de milho e amarra-se bem.
Cozinha-se numa panela grande, em água a ferver com sal, até que
desprenda um bom cheiro de milho verde.


LENDAS DE OXOSSI

Como Oxossi Virou Orixá:

     Odé era um grande caçador. Certo dia, ele saiu para caçar sem
antes consultar o oráculo Ifá nem cumprir os ritos necessários. Depois
de algum tempo andando na floresta, encontrou uma serpente: era
Oxumaré em sua forma terrestre. A cobra falou que Odé não devia
matá-la; mas ele não se importou, matou-a, cortou-a em pedaços e levou
para casa, onde a cozinhou e comeu; depois foi dormir. No outro dia,
sua esposa Oxum encontrou-o morto, com um rastro de cobra saindo de
seu corpo e indo para a mata. Oxum tanto se lamentou e chorou, que Ifá
o fez renascer como Orixá, com o nome de Oxossi. Orixá da Caça e da
Fartura !!!

Em tempos distantes, Odùdùwa, Rei de Ifé, diante do seu Palácio Real,
chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a
colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande
festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de
palma em grande fartura. De repente, um grande pássaro, pousou sobre o
Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando farpas de fogo,
com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não
terem oferecido uma parte da colheita as feiticeiras Ìyamì Òsóróngà.
Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Rei
então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê,
que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas,
desperdiçando suas 50 flechas. Chamou desta vez, das terras de Moré,
Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também
desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi,
convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras
de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua
grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro
encantado e nada aconteceu. Por fim, todos já sem esperança,
resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de
apenas uma flecha. Sua mãe, sabia que as èlèye viviam em cólera, e
nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma
oferenda, uma vez que três dos melhores caçadores falharam em suas
tentativas. Ela foi consultar Ifá para Òsotokànsosó. Os Babalaôs
disseram para ela preparar oferendas com ekùjébú (grão muito duro),
também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas), èkó (massa de
milho envolta em folhas de bananeira), seis kauris (búzios). A mãe de
Òsotokànsosó fez então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando
sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção e que oferecesse
em uma estrada, e durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o
peito da ave receba esta oferenda". Neste exato momento, o seu filho
disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abriu sua
guarda recebendo a oferenda ofertada pela mãe do caçador, recebendo
também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó. Todos após tal ato,
começaram a dançar e gritar de alegria: "Oxossi! Oxossi!" (caçador do
povo). A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas
as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje.
Oxossi.

Okê Arô! Oxossi é Caçador!


Vamos saudar nossas matas lindas e nossas florestas sagradas.

    Saravá Pai Oxossi!


Okê Arô Oxossi!

Carlos de Ogum.




  ORAÇÃO AO PAI OXÓSSI

Meu pai Oxóssi!

Vós que recebestes de Oxalá o domínio das matas, de onde tiramos o
oxigênio necessário á manutenção de nossas vidas durante a passagem
terrena, inundai os nossos organismos coma vossas energia, para curar de
nossos males!

Vós que sois o protetor dos caboclos, dai-lhes a vossa força, para que
possam nos transmitir toda a pujança, a coragem necessária pra
suportarmos as dificuldades a serem superadas!

Dai-nos paz de espírito, a sabedoria para que possamos compreender a
perdoar aqueles que procuram nossos Centros, nosso guias, nossos
protetores, apenas por simples curiosidade, sem trazerem dentro de si um
mínimo da fé.

Dai-nos paciências para suportarmos aqueles que se julgam os únicos com
problemas e desejam merecer das entidades todo o tempo e atenção
possível, esquecendo-se de outros irmãos mais necessitados! Dai-nos
tranqüilidade para superarmos todas as ingratidões, todas as calúnias!

Dai-nos coragem para transmitir uma palavra de alento e conforto aqueles
que sofrem de enfermidades para quais, na matéria, não há cura! Dai-nos
força para repelir aqueles que desejam vinganças e querem a todo custo
magoar seus semelhantes! Dai-nos, enfim, a fossa proteção e a certeza de
que quando um caboclo, num gesto de humildade, baixar até nós, ali
estará a vossa vibração!

Okê Arô Pai Oxossi!




quarta-feira, 8 de janeiro de 2014 68 comentários

Caboclos da Umbanda



    No culto de Umbanda, Oxossi é o chefe da linha de caboclos.

 O caboclo é a imagem do indígena nativo de nossa terra e quando
incorporado, presta caridade, dá passes, canta, dança e anda de um
lado para outro em lembranças aos tempos de aldeia.

    Conhecedores de muitas ervas, os caboclos têm um papel muito
importante: os remédios de ervas e amacis, em que amacis são mistura
de ervas que maceradas servem para o fortalecimento do filho-de-santo.

Já os remédios de ervas são plantas ou ervas que combinadas ou
sozinhas servem para aliviar ou até mesmo curar doenças.

    Nisso tudo os caboclos têm participação muito especial e são
encarados e interpretados pelo povo como uma entidade que veio ajudar
e aliviar as pessoas dos seus problemas.



Caboclos de Ogum:

Águia Branca, Águia Dourada, Águia Solitária, Araribóia, Beira-Mar,
Caboclo da Mata, Caiçaras, Guaracy, Icaraí, Ipojucan, Itapoã, Jaguarê,
Rompe Aço, Rompe Ferro, Rompe Nuvem, Jaci, Guaici, Sete Matas, Sete
Flechas, Sete Ondas, Tabajara, Tamoio, Tupuruplata, Ubirajara, etc.


Caboclos de Xangô:

Araúna, Caboclo do Sol, Cajá, Caramuru, Cobra Coral, Girassol,
Goitacaz, Guará, Guaraná, Janguar, Juparã, Mirim, Sete Cachoeiras,
Sete Caminhos, Sete Estrelas, Sete Luas, Sete Montanhas, Tupi, Treme
Terra, Sultão das Matas, Cachoeirinha, Urubatão, Urubatão da Guia,
Ubiratan, etc.


Caboclos de Oxossi:

Arruda, Aimoré, Arapuí, Boiadeiro, Caboclo da Lua, Caçador, Flecheiro,
Folha Verde, Guarani, Japiassú, Javarí, Paraguassu, Mata Virgem, Pena
Azul, Pena Branca, Pena Verde, Pena Dourada, Rei da Mata, Rompe Folha,
Rompe Mato, Serra Azul, Tupinambá, Tupaíba, Tupiara, Ubá, Sete
Encruzilhadas, Junco Verde, Tapuia, etc.


Caboclos de Obaluaê:

Arranca Toco, Acuré, Aimbiré, Bugre, Guiné, Giramundo, Yucatan,
Jupurí, Uiratan, Alho d'Água, Pedra Branca, Pedra Preta, Laçador,
Caboclo Roxo, Grajaúna, Bacuí, Piraí, Surí, Serra Verde, Serra Negra,
Tira Teima, Folha Seca, Sete Águias, Tibiriçá, Viramundo, Ventania,
etc.


Caboclas de Iansã:

Bartira, Jussara, Jurema, Japotira, Maíra, Ivotice, Valquíria, Raio de
Luz, Palina, Poti, Talina, Potira, etc.


Caboclas de Iemanjá:

Diloé, Cabocla da Praia, Estrela d'Alva, Guaraciaba, Janaína, Jandira,
Jaci, Sete Ondas, Sol Nascente, etc.


Caboclas de Nanã:

Assucena, Inaíra, Juçanã, Janira, Juraci, Luana, Muiraquitan,
Sumarajé, Xista, Paraguassú, etc.


Caboclas de Oxum:

Iracema, Yara, Imaiá, Jaceguaia, Juruema, Juruena, Araguaia, Estrela
da Manhã, Tunuê, Mirini, etc.


       "São os nossos amados Caboclos os legítimos representantes da
Umbanda, eles se dividem em diversas tribos, de diversos lugares
formando aldeias, eles vem de todos os lugares para nos trazer paz e
saúde. A morada dos caboclos é a mata, onde recebem suas oferendas,
sua cor é o verde transparente para as Caboclas e verde leitoso para
os Caboclos, gostam de todas as frutas, de milho, do vinho tinto (para
eles representa o sangue de Cristo), gostam de tomar sumo de ervas e
apreciam o coco com vinho e mel.

    Existem falanges de caçadores, de guerreiros, de feiticeiros, de
justiceiros; são eles trabalhadores de Umbanda e chefes de terreiros.
       Assim como os Preto-velhos, possuem grande elevação espiritual,
e trabalham "incorporados" a seus médiuns na Umbanda, dando passes e
consultas, em busca de sua elevação espiritual.

Estão sempre em busca de uma missão, de vencer mais uma demanda, de
ajudar mais um irmão de fé. São de pouco falar, mais de muito agir,
pensam muito antes de tomar uma decisão, por esse motivo eles são
conselheiros e responsáveis.

       Os Caboclos, de acordo, com planos pré-estabelecidos na
Espiritualidade Maior, chegam até nós com alta e sublime missão de
desempenhar tarefa da mais alta importância, por serem espíritos muito
adiantados, esclarecidos e caridosos. Espíritos que foram médicos na
Terra, cientistas, sábios, professores, enfim, pertenceram a diversas
classes sociais, os Caboclos vêm auxiliar na caridade do dia a dia aos
nossos irmãos enfermos, quer espiritualmente, quer materialmente. Por
essas razões, na maior parte dos casos, os Caboclos são escolhidos por
Oxalá para serem os Guias-Chefes dos médiuns, ou melhor, representar o
Orixá de cabeça do médium Umbandista, (em alguns casos os Pretos
Velhos assumem esse papel).

       Na Umbanda não existe demanda de um Caboclo para Caboclo, a
demanda poderá existir de um Caboclo, entidade de luz, para com um
"kiumba" ou até mesmo contra um Egun, de pouca luz espiritual.

       A denominação "caboclo", embora comumente designe o mestiço de
branco com índio, tem, na Umbanda, significado um pouco diferente.
Caboclos são as almas de todos os índios antes e depois do
descobrimento e da miscigenação.

       Constituem o braço forte da Umbanda, muito utilizados nas
sessões de desenvolvimento mediúnico, curas (através de ervas e
simpatias), desobsessões, solução de problemas psíquicos e materiais,
demandas materiais e espirituais e uma série de outros serviços e
atividades executados nas tendas.

       Os caboclos não trabalham somente nos terreiros como alguns
pensam. Eles prestam serviços também ao Kardecismo, nas chamadas
sessões de "mesa branca". No panorama espiritual rente à Terra
predominam espíritos ociosos, atrasados, desordeiros, semelhantes aos
nossos marginais encarnados. Estes ainda respeitam a força. Os índios,
que são fortíssimos, mas de almas simples, generosas e serviçais, são
utilizados pelos espíritos de luz para resguardarem a sua tarefa da
agressão e da bagunça. São também utilizados pelos guias, nos casos de
desobsessão pois, pegam o obsessor contumaz, impertinente e teimoso,
"amarrando-o" em sua tremenda força magnética e levando-o para outra
região.

       Os caboclos são espíritos de muita luz que assumem a forma de
"índios", prestando uma homenagem à esse povo que foi massacrado pelos
colonizadores. São exímios caçadores e tem profundo conhecimento das
ervas e seus princípios ativos, e muitas vezes, suas receitas produzem
curas inesperadas.

       Como foram primitivos conhecem bem tudo que vem da terra, assim
caboclos são os melhores guias para ensinar a importância das ervas e
dos alimentos vindos da terra, além de sua utilização.

       Usam em seus trabalhos ervas que são passadas para banhos de
limpeza e chás para a parte física, ajudam na vida material com
trabalhos de magia positiva, que limpam a nossa aura e proporcionam
uma energia e força que irá nos auxiliar para que consigamos o
objetivo que desejamos, não existem trabalhos de magia que concedam
empregos e favores, isso não é verdade. O trabalho que eles
desenvolvem é o de encorajar o nosso espírito e prepará-lo para que
nós consigamos o nosso objetivo.
       A magia praticada pelos espíritos de caboclos e pretos velhos é
sempre positiva, não existe na Umbanda trabalho de magia negativa, ao
contrário, a Umbanda trabalha para desfazer a magia negativa.

       Os caboclos de Umbanda são entidades simples e através da sua
simplicidade passam credibilidade e confiança a todos que os procuram,
nos seus trabalhos de magia costumam usar pemba, velas, essências,
flores, ervas, frutas e charutos.

       Quase sempre os caboclos vêm na irradiação do Orixá masculino
da coroa do médium e as caboclas vêm na irradiação do Orixá feminino
da coroa do médium; mas, eles(as) podem vir também na Irradiação do
seu próprio Orixá de quando encarnados e até mesmo na irradiação do
povo do Oriente.

       Muitos já ouviram falar que os Caboclos quando se despedem do
terreiro, onde atuam incorporados em seus médiuns, dizem que vão para
a cidade de Jurema. Outros falam subir para o Humaitá, e assim por
diante.

       Sabemos, no entanto, que os Caboclos não voltam para as
florestas como ordinariamente voltam os que lá habitam.
       No espaço, onde se situam as esferas vibratórias, vivem os
Caboclos agrupados, segundo a faixa vibracional de atuação, junto a
psico-esfera da Terra. São verdadeiras cidades onde se cumpre o
mandato que Oxalá assim determinou, colaborando com a humanidade.

       É para as cidades espirituais que os Caboclos responsáveis
pelos diversos terreiros levam os médiuns, dirigentes e demais
trabalhadores, para aprenderem um pouco mais sobre a Umbanda.

       Estas moradas possuem grandes núcleos de trabalhos diversos,
onde o Caboclo faz sua evolução, contrariando o que muitos encarnados
pensam (que Caboclo tudo pode, tudo sabe e tudo faz).

       Os Orixás, que são emanações do pensamento do Deus-Pai, que
está além da personalidade humana que lhe queiram dar as culturas
terrenas, fazem descer a mais pura energia-matéria ser trabalhada
pelos Caboclos no espaço-tempo das esferas que compreendem a Terra,
morada provisória de alguns espíritos em evolução.

       Lá, na morada de luz dos Caboclos, existem outros espíritos
aprendendo o manejo das energias, das forças que estabelecerão um
padrão vibratório de equilíbrio para os consulentes que vêm às tendas
de caridade em busca de um conforto espiritual.

       Estas "aldeias" se locomovem entre as esferas, ora estão em
zonas próximas às trevas, socorrendo espíritos dementados, ora estão
sobre algumas cidades do plano visível, etéreas, ou sobre o que resta
de florestas preservadas pelo Homem. De lá extraem, com a ajuda dos
Elementais, os remédios para a cura dos males do corpo."

       Quando Incorporados, fumam charutos ou cigarrilhas e, em
algumas casas, costumam usar durante as giras, penachos, arcos e
flechas, lanças, etc... Falam de forma rústica lembrando sua forma
primitiva de ser, dessa forma mostram através de suas danças muita
beleza, própria dessa linha.

       Seus "brados", que fazem parte de uma linguagem comum entre
eles, representam quase uma "senha" entre eles. Cumprimentos e
despedidas são feitas usando esses sons.Costumamos dizer que as
diferenças entre eles estão nos lugares que eles dizem pertencer.
Dando como origem ou habitat natural, assim podemos ter:

Caboclos Da Mata - Esses viveram mais próximos da civilização ou
tiveram contato com elas.

Caboclos Da Mata Virgem - Esses viveram mais interiorizados nas matas,
sem nenhum contato com outros povos.

Assim vários caboclos se acoplam dentro dessa divisão.

       Torna-se de grande importância conhecermos esses detalhes para
compreendermos porque alguns falam mais explicados que outros. Mais
ainda existe as particularidades de cada um, que permitem
diferenciarmos um dos outros. A primeira é a "especialidade" de cada
um, são elas: curandeiros, rezadeiros, guerreiros, os que cultivavam a
terra (agricultores) , parteiras, entre outros. A segunda é diferença
criada pela irradiação que os rege. É o Orixá para quem eles
trabalham. Quando falamos na personalidade de um caboclo ou de
qualquer outro guia, estamos nos referindo a sua forma de trabalho. A
"personalidade" de um caboclo se dá pela junção de sua "origem",
"especialidade" e irradiação que o rege. E é nessa "personalidade" que
centramos nossos estudos. Assim como os Pretos Velhos, eles podem dar
passe, consulta ou participarem de descarrego, contudo sua prática da
caridade se dá principalmente com a manipulação (preparo de remédios
feitos com ervas, emplastos, compressas e banhos em geral).

       Esses guias por conhecerem bem a terra, acreditam muito no
valor terapêutico das ervas e de tudo que vem da terra, por isso as
usam mais que qualquer outro guia.

Desenvolveram com isso um conhecimento químico muito grande para fazer
remédios naturais.

Caboclos de Oxum:

      Geralmente são suaves e costumam rodar, a incorporação acontece
principalmente através do chacra cardíaco. Trabalham mais para ajuda
de doenças psíquicas, como: depressão, desânimo entre outras. Dão
bastante passe tanto de dispersão quanto de energização. Aconselham
muito, tendem a dar consultas que façam pensar; Seus passes quase
sempre são de alívio emocional.


Caboclos de Ogum:

      Sua incorporação é mais rápida e mais compactada ao chão, não
rodam. Consultas diretas, geralmente gostam de trabalhos de ajuda
profissional. Seus passes são na maioria das vezes para doar força
física, para dar ânimo.


Caboclos de Yemanjá:

      Incorporam de forma suave, porém mais rápidos do que os de Oxum,
rodam muito, chegando a deixar o médium tonto. Trabalham geralmente
para desmanchar trabalhos, com passes, limpeza espiritual, conduzindo
essa energia para o mar.


Caboclos de Xangô:

      São guias de incorporações rápidas e contidas, geralmente
arriando o médium no chão. Trabalham para: emprego; causas na justiça;
imóvel e realização profissional. Dão também muito passe de dispersão.
São diretos para falar.


Caboclos de Nanã:

      Assim como os Pretos Velhos são mais raros, mas geralmente
trabalham aconselhando, mostrando o karma e como ter resignação. Dão
passes onde levam eguns que estão próximos. Sua incorporação
igualmente é contida, pouco dançam.


Caboclos de Iansã:

      São rápidos e deslocam muito o médium. São diretos para falar e
rápidos também, muitas das vezes pegam a pessoa de surpresa.
Geralmente trabalham para empregos e assuntos de prosperidade, pois
Iansã tem grande ligação com Xangô. No entanto sua maior função é o
passe de dispersão (descarrego) . Podem ainda trabalhar para várias
finalidades, dependendo da necessidade.


Caboclos de Oxalá:

      Quase não trabalham dando consultas, geralmente dão passe de
energização. São "compactados" para incorporar e se mantém localizado
em um ponto do terreiro sem deslocar-se muito. Sua principal função é
dirigir e instruir os demais Caboclos.


Caboclos de Oxossi:

      São os que mais se locomovem, são rápidos e dançam muito.
Trabalham com banhos e defumadores, não possuem trabalhos definidos,
podem trabalhar para diversas finalidades. Esses caboclos geralmente
são chefes de linha.


Caboclos de Obaluaê:

      São espíritos dos antigos "pajés" das tribos indígenas.
Raramente trabalham incorporados, e quando o fazem, escolhem médiuns
que tenham Obaluaiê como primeiro Orixá. Sua incorporação parece um
Preto Velho, em algumas casas locomovem-se apoiados em cajados.
Movimentam-se pouco. Fazem trabalhos de magia, para vários fins.
ASSOBIOS E BRADOS

      Quem nunca viu caboclos assobiarem ou darem aqueles brados
maravilhosos, que parecem despertar alguma coisa em nós?
       Muitos pensam que são apenas uma repetição dos chamados que
davam nas matas, para se comunicarem com os companheiros de tribo,
quando ainda vivos. Mas não é só isso.

      Os assobios traduzem sons básicos das forças da natureza. Estes
sons precipitam assim como o estalar dos dedos, um impulso no corpo
Astral do médium para direcioná-lo corretamente, afim de liberá-lo de
certas cargas que se agregam, tais como larvas astrais, etc.

      Os assobios, assim como os brados, assemelham-se à mantras; cada
entidade emite um som de acordo com seu trabalho, para ajustar
condições especificas que facilitem a incorporação, ou para liberarem
certos bloqueios nos consulentes ou nos médiuns.

 O estalar de dedos:

Por que as entidades estalam os dedos, quando incorporadas ?

Esta é uma das coisas que vemos e geralmente não nos perguntamos,
talvez por parecer algo de importância mínima.

       Nossas mãos possuem uma quantidade enorme de terminais
nervosos, que se comunicam com cada um dos chacras de nosso corpo.
      O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus (parte gordinha
da mão) e dentre as funções conhecidas pelas entidades, está a
retomada de rotação e freqüência do corpo astral; e a descarga de
energias negativas.


    Os Caboclos são grandes e maravilhosas Entidades de Luz, na qual
devemos respeitar e admirar. Dentro de uma gira de Umbanda sentimos
extremamente a presença dessa força divina a cada instante, a cada
passe ou a cada conselho.

Os Caboclos são os doutrinadores da religião de Umbanda. Sempre nos
encorajando na fé, nos trabalhos de caridade!


    Saravá os Caboclos!

Okê Caboclo!

Carlos de Ogum










   Oração ao Caboclo das 7 Encruzilhadas

Louvado seja a quem a Justiça sempre amou,
Louvado seja o Filho do Senhor,
Deste-nos a paz, florescente a Justiça e nos deste amor,
Sabemos nós que és o amado e implorado Filho do Senhor,
És das Sete Cruzes o Peregrino, que no teu longo caminhar,
caminhas sempre sem dor,
Que nos dê, senhor das Sete Cruzes, a tua Palma e o teu amor.
És, ó Pai, o nosso Chefe, o nosso Senhor,
Roga ao Cristo que possamos sempre amá-lo,
Ó nosso chefe, Senhor dos Sete Caminhos, das Sete Cruzes e
dos sete amores.
Nós, os amantes da justiça e do perdão, pedimos a Ti, Senhor
das sete Cruzes,
que nos perdoe e nos ame na eternidade, como nós te amamos,
ó meu Senhor.
Louvado e bendito sejas, Caboclo das Sete encruzilhadas.
Que carregas a Cruz da Umbanda entrelaçada de lágrimas e perdões.

Louvado Seja!

     

 
;