terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 80 comentários

MALANDRO NAVALHA, O SALVADOR DOS MORROS.

   Malandro Navalha, o Salvador dos Morros.

    No morro eu nasci,
no morro me criei,
Do morro não fugi,
e no morro morrerei.

    Me chamo Navalha o Malandro,
em Ogum entreguei minha fé,
ando pelo morro gingando,
assim como faz meu mestre, Pilintra, o Zé.

    Uso minha navalha para curar,
doentes que do morro não podem descer,
a Oxalá peço para me ajudar,
a essas doenças do morro esquecido vencer.

    Não temo a justa nem a rádio patrulha,
meus irmãos do morro continuarei a ajudar,
esse caminho do bem que tanto me orgulha,
com Zé Pilintra junto estarei sempre a caminhar.

    Sou Malandro Navalha protegido de Ogum,
tenha sempre cuidado quando me chamar,
no Terreiro de Umbanda chego em nome de Olorum,
mas se me pedir o mal posso te derrubar.

    É sempre encantadora as giras dos Malandros e Malandras,
normalmente com a presença iluminada e carismática do grande Mestre Zé
Pilintra.

    Mas hoje vamos falar da história de um grande mestre também na
linha da malandragem.

    Uma história que vai nos mostrar o quanto é linda essa linha, como
é que nosso personagem foi escolhido para atuar como Entidade de Luz
nos Terreiros de Umbanda, como são caridosos para com aquele que
necessita, como era usado a lábia da malandragem para ir em busca de
ajuda aos menos favorecidos, enfim, uma história para tirar a falsa
impressão de que um Malandro seja uma Entidade que faz o mal.

    Vamos falar de nosso amigo de luz Malandro Navalha, companheiro de
Seu Zé Pilintra nas andanças pelos morros, pelo bairro da Lapa ou por
toda a cidade do Rio de Janeiro, buscando condições e materiais para
assim poder auxiliar aos moradores dos morros lá pelo início do
século XX.

    Nascido e criado nas ruas e vielas da Lapa, bairro
tradicionalmente conhecido pela boemia, Zé da Lapa, como era conhecido
na região, tinha um incômodo pessoal, não entendia o porque da
diferença entre as pessoas, ou pela posição social, ou pela cor da
pele.

    Ao ver a descriminação dos moradores dos morros, ao ver o desprezo
que muitos tinham pelos negros, ao ver os males físicos, que por
muitas vezes seriam tão simples de serem curados dizimando milhares de
pessoas sem uma chance de cura, pelo simples fato de serem de raças
diferentes, deixava nosso personagem Zé da Lapa muito entristecido.

    Ele sonhava com um mundo melhor, mundo esse em que todos se
respeitassem, se ajudassem, se entendessem.

    Mas a realidade era totalmente ao inverso disso. Os moradores dos
morros, normalmente negros que sofreram nas amarras de seus senhores,
que hoje estando em uma falsa liberdade, sofriam e morriam, não mas
como escravos de senhores, mas sim escravos da sociedade branca,
preconceituosa, racista e podre.

    O sentimento de caridade e justiça de Zé da Lapa começou a virar
algo concreto quando ele conheceu uma pessoa que tinha o mesmo
sentimento dele. José Amadeu da Silva, um pernambucano arretado, que
chegou ao Rio de Janeiro após muitas aventuras de sua vinda do
Nordeste do Brasil.

    Ao se conhecerem, numa dessas noites de boemia no bairro da Lapa,
e entenderem que os dois tinham o mesmo pensamento, José Amadeu e Zé
da Lapa se uniram para levar ajuda aos menos favorecidos.

    Zé da Lapa era astuto, carismático, inteligente e extremamente
habilidoso ao lidar com os homens de farda. Chegava como quem não
queria nada, e de conversa em conversa já virava o grande amigo
brincalhão no meio dos policiais que tomavam conta das entradas dos
morros, para não deixarem entrar medicamentos, comida e água aos
moradores da parte mais elevada da cidade. Fazendo isso, distraía os
homens da lei enquanto seu amigo José Amadeu e todos os outros
"malandros" e "malandras" agiam sorrateiramente, subindo e descendo os
morros levando suprimentos a quem necessitava.

    Zé da Lapa também aprendeu a cuidar de ferimentos, e por muitas
das vezes surpreendia a todos com a pericia do manejar sua navalha na
limpeza de grandes ferimentos, abrindo a carne e retirando todo o
edema contido na parte do corpo machucado.

    Ele fazia isso com uma simplicidade extrema, se utilizando da
própria cachaça para a limpeza dos ferimentos e da sua navalha,
evitando assim qualquer tipo de infecção.

    As lendas dizem que nenhuma pessoa tratada pela navalha de Zé da
Lapa sentiu a mínima dor, tanto nos cortes quanto nas limpezas, e ele
fazia isso rotineiramente, sempre conversando e sorrindo para a
pessoa em tratamento de suas escaras.

    Após fazer esse trabalho de caridade por muitos anos, ele passou a
ser conhecido como o Malandro da Navalha Sagrada, e por esse motivo,
ao virar uma Entidade de Luz nos trabalhos da Umbanda, passou a ser
chamado de Malandro Navalha.

    Malandro Navalha teve seu desencarne ainda com pouca idade, ele
mesmo não confirma a quantidade exata, mas cremos que foi entre os 30
a 35 anos de idade terrena.

    E isso aconteceu numa noite de inverno em plena Lapa, local que
ele amou e viveu toda a vida.

    Como sempre estava Zé da Lapa em busca de fazer a caridade, nas
mãos levava alguns medicamentos e a tradicional garrafa de marafo,
também levava em sua cintura sua inseparável navalha cor de prata. Ao
chegar na subida que o levaria ao morro onde dezenas de pessoas o
aguardavam para cuidados com os ferimentos, Seu Malandro Navalha
observa um grande tumulto de pessoas, notando que dentre elas estaria
algumas dezenas de homens da lei. Ao se aproximar mais um pouco, ele
se depara com uma imensa covardia que o deixara em êxtase. Um dos seus
companheiros de jornada em prol da caridade, que era conhecido como Zé
Preto, um Malandro sorrateiro,, muito astuto, mas muito ligado no
sentimento profundo de amor que tinha por sua companheira e ´por seus
três filhos, que para ele era toda a riqueza que tinha em sua vida.

    Zé Preto estaria em luta corporal com alguns homens da lei, em seu
lado sua companheira demonstrando um extremo desespero, implorando
clemência a sua família, e mais atrás seus filhos prisioneiros, cada
um deles nas mãos de um policial.

    O motivo de todo o tumulto fora que os filhos de Zé Preto foram a
área baixa da cidade em busca de água fresca para ser levada a um
ex escravo muito velho e adoentado, que era tomado por um mal que o
deixava em condição febril de grandes proporções. As crianças ao verem
a situação decidiram ir em busca de água, e se depararam com o
grupamento, que logo entenderam qual era a intenção dos meninos e os
agrediram além de despejar por terra toda a água que levavam.

    A mãe das crianças ao ver toda a cena foi em defesa de seus
filhos, que foi espancada cruelmente e jogada ao chão, e mesmo ao chão
não deixou de ser espancada.

     Ao ouvir os gritos de dor de sua amada e o choro desesperado de
seus filhos, Zé Preto corre em defesa de sua família, e entra em luta
corporal com alguns homens de farda.

    Foi nesse momento que Zé da Lapa, o Malandro Navalha chega, e
nesse mesmo momento o filho caçula de Zé Preto se solta das mãos do
seu prendedor correndo de encontro a sua mãe que ainda se contorce de
dor ao chão. Nessa fuga o soldado arma seu mosquete para alvejar a
criança, e nesse momento Zé da Lapa se joga sobre o menino o
protegendo do chumbo ardente da arma do homem da lei, mas a munição
penetra o corpo de Zé da Lapa chegando até seu coração, fazendo assim
uma dor física descomunal, mas uma paz em seu espírito por ter
conseguido livrar da morte uma pequena criança inocente que só
desejava matar a sede de um velho negro febril.

    Nos dias de hoje Senhor Malandro Navalha trabalha fazendo a
caridade nos terreiros de Umbanda. Demonstrando a paz, o amor,
mostrando caminhos de luz a serem seguidos, ensinando a seus
consulentes que Umbanda não é para fazer o mal aos semelhantes, não é
para destruir lares, não é para fazer amarrações. Ela está presente em
nossas vidas para nos religar a Zambi, nosso Pai Maior. E aqueles que
forem ao encontro de nosso Malandro Navalha para pedir o contrário,
será tentado ser demonstrado o erro que estão fazendo, e se mesmo
assim não aprenderem com o ensinamento do amor, poderá ter uma lição
constituída na dor.

    Assim falou Senhor Malandro Navalha.

Saravá todos os Malandros!

Saravá Senhor José Pilintra!

Saravá nosso amigo fiel de todas as horas, Senhor Malandro Navalha!

Carlos de Ogum.






sexta-feira, 30 de janeiro de 2015 51 comentários

Poema a Mãe Iemanjá

                       


Autor: Carlos de Ogum.


    Na grandeza dos belos mares,
busco sua proteção,
a ti peço que me guardares,
me acolhendo em seu coração.

    A beleza em ti resplandece,
fazendo meus olhos brilharem,
ser seu filho a mim enobrece,
feliz em ter seus anjos me habitarem.

    Doce Mãe d'água nossa Rainha do Mar,
a ti clamo com fé e devoção,
seus encantos me faz eternamente te amar,
linda Mãe Iemanjá, deusa do meu coração.

        Seu olhar doce me encanta intensamente,
suas mãos protetoras sempre me encaminhando,
Mãe divina que me ama verdadeiramente,.
me protegendo e sempre me amando.

    Senhora poderosa do manto azulado,
em tuas mãos entrego meu caminhar,
seu mar encantador sobre o céu estrelado,
Fortalecendo, elevando e me ensinando a não errar.

    Sereia deslumbrante dos grandes oceanos,
Mãe dos peixes do fundo do mar,
me livrando dos espíritos perdidos e tiranos,
com seu manto sempre vem me abençoar.

    Doce luz que minha alma ilumina,
Santa poderosa que vem me acolher,
tua nobreza sempre me fascina,
Mãe Iemanjá, linda Rainha de grande poder.

    A ti querida e poderosa senhora,
entrego meu espírito e o meu viver,
fazendo entre versos e prosa,
uma homenagem a minha Rainha, o meu bem querer.

    Senhora de extrema beleza,
que cultiva a paz e o amor.
me fortalecendo com sua natureza,
sempre me iluminando onde for.

    Rogando estarei eternamente,
pedindo seu carinho e sua proteção,
te amando estarei imensamente,
Mãe D'água, rainha dos peixes, senhora divina do meu coração.

    Linda Orixá, deusa do rio Yemojá,
protetora sublime dos pescadores e jangadeiros,
iluminada pelos raios do Sol de Pai Oxalá,
Mãe tão bela protetora dos filhos de nossos terreiros.

    Majestade dos mares, nossa sereia sagrada,
nos cuidando com zelo e carinho, assim como só uma mãe o faz,
maravilhosa divindade linda, eternamente amada,
senhora dos Oceanos, mãe de todos os Orixás.

divina protetora da família em união,
deusa das pérolas do fundo do mar,
que sempre ampara o recém nascido com sua mão,
mostrando benevolência e luz ao nos amar.

    A ti Mãe protetora agradeço.
seu gesto de amor e caridade,
me acompanhando minha alma desde o começo,
fazendo de meu caminhar puro e cheio de felicidade.

    A ti querida mãe peço para me abençoar,
com a força de Ogum, Oxum, Xangô e Oxalá,
sobre as forças divinas do majestoso senhor mar,
lhe entrego minha vida querida senhora Mãe Iemanjá.

    Odociaba Mãe linda Rainha do Mar!

    Saravá Iemanjá!



Carlos de Ogum

terça-feira, 20 de janeiro de 2015 85 comentários

A História do Caboclo Sete Luas e o Curumim Joãozinho

       

Caboclinho Pequenino, Onde  É Que Eu Vou Morar?
Eu Moro Nas Matas Virgens Com Jurema, Juremá,
Nas Matas Pai Oxossi É Meu Protetor,
Medo Não Tenho, Sou Um Guerreiro Mirim,
Guardo Minha Aldeia Com Muito Amor,
Eu Sou Joãozinho Das Matas, O Pequeno Grande Curumim.



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Kiô Kiô Sua Mata Em Festa,
Saravá Seu 7 Luas, Ele É Rei La Da Floresta.
Eu Vi,
Um Caboclo Eu Vi Surgir Da Mata Virgem,
E A Luz Do Sol A Ele Clareou,
Vinha Conduzindo A Sua Caça,
Com Sua Flecha Certeira Ele A Pegou.
Kiô Kiô Sua Mata Em Festa,
Saravá Seu 7 Luas, Ele É Rei La Da Floresta.
Ele É Caboclo Forte,
É Cacique De Aldeia,
Ilumina Sua Luz,
O Seu Filho Ele Clareia.
Traz A Paz De Aruanda,
Nos Caminhos De Iemanjá,
Coroando A Nossa Umbanda,
Com A Coroa De Oxalá.



**********************************************************************

    Um Curumim que desejava firmemente ser um guerreiro de sua tribo,
e um Cacique guerreiro que comandava seus valentes e destemidos
lutadores em prol da paz e segurança de sua aldeia.

    O Cacique guerreiro tem como seu nome Sete Luas, e o pequeno
Curumim era chamado pelo seu povo de Inaiê (Águia Solitária).

    E como será que essas histórias se entrelaçam?
    Como será que esses personagens foram escolhidos para trabalharem
pela caridade dentro da Umbanda?

    Tudo começou em uma aldeia indígena na região Norte do Brasil,
isso no final do século XIX e início do século XX.

    A aldeia era isolada no meio da extraordinária Floresta, ali os
índios só tinham contato com a Mãe Natureza, que era maravilhosa, e
dela retiravam seus alimentos.

    A Aldeia era chefiada por um índio extremamente forte, de poucas
falas, observador, que quase nunca sorria, sempre com seu olhar
penetrado, sereno e extremamente dedicado a seu povo, fazendo assim
com que todos os respeitassem acima de todos e apenas abaixo de seus
Deuses.

    Esse Cacique tinha o nome de Sete Luas, dado por seu pai após seu
nascimento e após ter pedido aos Deuses orientação para selar o
caminho de seu filho com um nome que poderia o levar a ser um grande
guerreiro e um supremo líder quando esse estiver dentro da idade de
herdar o carinho e respeito de seu povo, quando Tupã chamar seu pai e
antigo Cacique para o reino dos espíritos.

    Ao Olhar para o céu em uma noite clara, com seu filho nos braços,
o antigo Cacique e pai de nosso personagem o ergueu a avistar uma
formação não comum no céu da noite estrelada. Parecia-lhe 6 pequenas
Luas com uma grande ao centro. E essa Lua maior irradiava uma luz azul
linda, na qual ia de encontro com a criança, iluminando intensamente o
seu rosto.

    E assim o Cacique entendeu, que os deuses estavam mostrando que o
nome de nosso futuro guerreiro seria "Sete Luas", e logo foi dito a
todo povo da aldeia, que festejaram com danças e alegria, entendendo
que acabara de nascer o futuro Cacique Guerreiro da aldeia.

    Os anos passaram, Sete Luas cresceu, e ao completar seus 20 anos,
teve a perda trágica de seu pai, amigo, protetor e Cacique. E com isso
ele mesmo tomado pela tristeza de não ter mais seu ponto de apoio e
sua base de vida, teve que assumir o lugar de seu pai, virando assim o
Cacique Sete Luas, o guerreiro que agora deveria proteger seu povo,
chefiar seus guerreiros, encaminhar seus caçadores, ensinar o
companheirismo

    O Cacique Sete Luas tinha uma irmã consanguínea, na qual ele tinha
ficado responsável após o desencarne de seu pai, ele passou então a
cuidar dela como uma filha.

    Essa menina cresceu, se tornando uma linda mulher, sendo desposada
por um dos mais bravos guerreiros sobre o comando do Cacique Sete
Luas. Após algum tempo do entrelace, a irmã/filha do Cacique guerreiro
deu a luz a um menino, lindo como a mãe e robusto como o pai.

    Esse menino foi batizado com o nome de Inaiê (Águia Solitária),
pois como era de tradição entre as tribos indígenas, o nome dado ao
recém nascido, seria de algo que chamasse atenção do pai no momento da
apresentação da criança a mãe natureza.

    E no momento que apresentava o pequeno curumim, saia, em voou de
encontro aos dois, uma grandiosa águia branca, que posou diante dos
dois, de asas abertas, como abençoando aquela criança.

    Essa águia era companheira das andanças, caças e proteção da
aldeia do Cacique Sete Luas, pois onde ele se encontrava ela estava,
ou próxima ou mesmo sobre o ombro do guerreiro.

    Quando a irmã consanguínea começou a gerar uma nova vida em seu
ventre, a águia passou então a ficar nas copas das enormes árvores,
observando cada passo da índia gestante.

    Muitos observaram esse fato, e sempre apontando para a águia
solitária e protetora, como se ela fosse uma deusa entre os
indígenas.

    Então por esse motivo o pai do pequeno recém nascido, vendo a
atenção e a proteção daquela águia solitária, colocou o nome da
criança de Inaiê.

    Antes de completar dois anos de idade, o curumim Inaiê já foi
atacado por um fato extremamente dolorido e triste pelo senhor
destino, seu pai e sua mãe, como era de tradição deveriam ir em busca
de ervas raras para fazerem um amaci, que pedido pelo Pajé da aldeia,
serviria para a entrega do filho aos deuses da mata, ao completar dois
anos de idade.

    Na busca dessas ervas, o casal indígena, ao se aprofundarem em
matas distantes, se depararam com o mais terrível inimigo dos índios
naquela época, o homem branco.

    Os dois foram caçados e assassinados pelo inimigo, deixando seus
corpos jogados e inertes sobre a terra mãe e sobre o olhar dos
espíritos da mata, que choraram em forma de chuva.

    Ao longe a águia solitária observava tudo, e reconhecendo a força
do destino, apenas voou após o fato ocorrido, para ir em busca do
Cacique guerreiro, que prontamente foi ao local onde se encontrava os
corpos já sem vida dos seus irmãos de aldeia.

    A partir desse dia o Cacique Sete Luas passou a se responsabilizar
pelo pequeno menino indígena, fazendo seu juramento de cuidar da
criança por todos os dias de sua vida. Esse juramento foi feito pelo
nosso Guerreiro aos deuses da floresta, com os olhos lacrimejados e
dor no coração por ter perdido a sua doce irmã e seu mais nobre
guerreiro.

    Após o juramento ele vê um vulto ao longe que parado junto a uma
árvore sagrada, lhe diz:

    "Os Deuses das Matas reconhecem sua dor e também reconhecem seu
carinho e amor com o pequeno Inaiê. Contudo alertamos que a criança
está prometida aos espíritos superiores. Faça dele um pequeno
guerreiro, o mais rápido possível. Pois seu tempo é curto, ele partirá
antes da quinta lua grande aparecer, na volúpia sanguinária do atroz e
temido oculto ameaçador das matas. Mesmo assim você deverá lutar para mostrar sua força aos espíritos da floresta, para que um dia você possa cumprir sua promessa."

    Com essas palavras o vulto desaparece, sem deixar vestígios, sem
deixar uma resposta de entendimento do que poderia vir pela frente.

    O Cacique Sete Luas tomou para si a responsabilidade de mostrar ao
pequeno Inaiê a arte de ser um caçador destemido, de ser um peixe na
água, de ser um entendedor dos ventos, nuvens, estrelas e todas as
partes cedidas pela a Mãe Natureza.

    E mesmo com a pouquíssima idade terrena, o pequeno curumim já
demonstrava ser especial, entendendo tudo e demonstrando a todos tudo
que aprendera com o seu Cacique.

    Se passaram apenas 2 anos, o menino parecia realmente um guerreiro
destemido, e por todo lado que o Cacique Sete Luas ia, e tudo que
fazia, o pequeno Inaiê estava junto, fazendo, observando, aprendendo.

    O Cacique na lembrança das palavras do vulto que viu e ouviu na
floresta, começou a monitorar e proibir o pequeno curumim de se
embrenhar pelas matas, lhe dizendo sobre os perigos, e lhe pedindo que
só fosse entrar nas sombrias matas com a companhia dele, o Cacique
guerreiro.

    O Menino obedecia sem pestanejar o seu protetor e cuidador, não
queria preocupar o grande guerreiro.

    Mas certo dia, por andanças entre uma oca e outra, o curumim se
depara com uma conversa entre um velho índio e sua esposa, sendo o
assunto exatamente a morte dos pais do menino.

    Ele para escondido por entre as sombras e ouve sobre o
assassinato de seus pais pelos homens brancos dentro da floresta mãe,
e também da lenda que foi criada pelo fato ocorrido de que um grande
felino pintado, que seria um espírito negro da floresta, teria mandado
os atrozes homens brancos matarem seus pais.

    Inaiê tomado pelo ódio, saiu das sombras que o escondia, foi a sua
oca, pegou seu pequeno arco e flecha, que lhe fora presenteado por seu
Cacique e partiu adentrando na floresta negra em busca dos assassinos
de seus pais e também da grande onça pintada, que em sua mente seria o
espírito negro da floresta que teria ordenado a execução.

    Ele foi sem se lembrar do perigo que tanto seu Cacique tinha lhe
falado, sem se lembrar das lições que recebera de seu protetor.
Apenas foi, uma pequena criança que não entendia que o ódio e a
vontade de se vingar seria o fim de sua vida terrena.

    Já mais tarde, e já de volta a aldeia, o Cacique Sete Luas procura
seu curumim por todas as partes, e em essa procura, algumas crianças,
que o viram saindo rumo a floresta falaram o destino ao guerreiro.

    O Cacique se desesperando, lembrando das palavras ouvidas anos
atrás, lembrando-se que faltavam 21 dias para o menino completar seus
cinco anos, saiu desesperadamente em busca de seu sobrinho.

    Foram algumas horas de busca dentro da floresta. Gritando pelo
seu nome, e sem obter respostas, imaginava o pior.

    Olhando para o alto viu sua águia branca sobrevoando um local, ela
descia como um raio e subia como um foguete, tentando chamar atenção
dele para o local.

    Ele adentrou pela floresta com seu arco na mão, num ar de
desespero, ao longe viu a cena que jamais desejaria ter visto, o
pequeno curumim frente a frente com o grande felino pintado, que num
só bote esmaga os ossos frágeis do menino, que cai sem vida diante dos
olhos do seu tio.

    Sem esperar o enorme felino tenta abocanhar o corpo do curumim, com
intenção de levá-lo para longe dali. Vendo isso o Guerreiro Sete Luas,
no ápice de seu desespero e raiva, corre atacando a fera pintada, de
primeiro momento para tentar salvar a vida de seu curumim, e após um
breve momento de entendimento, observando que o menino já não estava
vivo, continuou atacando o felino para tentar resgatar o corpo do
pequeno índio, para poder levá-lo a aldeia.

    Num ataque de ira, a feroz onça pintada ataca nosso guerreiro
arrancando-lhe parte de seu pé direito, que mesmo se esvaindo em
sangue luta incansavelmente com o felino grandioso, tentando assim não
deixar que o animal levasse o corpo inerte do curumim.

    Por algum tempo eles lutaram, e quando o Cacique Guerreiro já
perdia as forças, o animal grotesco, também bastante ferido, fora
atacado pela a águia, que num ímpeto feroz atira suas garras
certeiras nos olhos da onça, ferindo-os intensamente ao ponto de
deixá-la numa escuridão descomunal.

    Com esse fato o felino corre sem destino por entre as árvores da
floresta, deixando ali nossos três personagens heroicos, a águia
branca, o Cacique Guerreiro e o pequeno corpo inerte de Inaiê.

    O Guerreiro Sete Luas, com seu coração atormentado, mais
dilacerado do que todas as machucaduras de seu corpo, se levanta
pegando algumas ervas, e macerando com a seiva do orvalho das folhas,
fazendo assim uma massa que lhe ajudaria a conter o sangue que se
esvaia do seu pé ferido. Após esses cuidados ele pega o corpo do
pequeno curumim em seus braços, e seguindo a águia branca, se
encaminha para fora da floresta fechada, rumo a sua aldeia e a seu
povo.

    Ao chegar na aldeia, o Pajé toma conta dos seus ferimentos, e
também prepara o corpo de Inaiê para ser entregue aos espíritos da
mata.

    Todo ritual indígena foi feito sem perder nenhum detalhe da
tradição durante o sepultamento do menino. Diante disso o Cacique
Guerreiro se tornou mais fechado, das poucas palavras que dizia, era
tão somente ordens a seus discípulos e guerreiros, ele passava a
maioria do seu tempo solitário, ou apenas na companhia da águia
branca.

    O tempo passou, e numa noite de Lua cheia, com as luas menores em
volta, da mesma forma de que no dia de seu nascimento, o Cacique Sete
Luas sentado as margens de uma linda cachoeira de águas límpidas, ouve
uma voz vindo de um vulto, o mesmo vulto que já teria visto a anos
atrás, lhe dizendo:

    "Grande Cacique Guerreiro, chegou a hora de seu reencontro com o
seu curumim Inaiê. Após todos esses anos de espera, hoje é o dia.
Antes de sua partida, quero dizer que sua missão não acabou, seu
corpo fica na terra, sua alma vai aos céus. Nessa ida junto aos
espíritos superiores, você vai buscar a evolução final, para que um
dia bem próximo, retorne em forma de Entidade de Luz, assim como virá com você o Espírito do menino Inaiê.
    Seu trabalho será ajudar a necessitados, salvar os corpos das garras de atrozes, assim como fez com o pequeno curumim, trabalhará em prol da caridade em nome do Deus Maior, assim como da mesma forma que o pequeno Inaiê já está preparado a fazer."

    Após essas palavras o vulto desaparece, assim como da primeira
vez, e após minutos, o Cacique Guerreiro desencarna sobre a luz da mãe
Lua.

    Nos dias de hoje e nos terreiros de Umbanda, o Cacique Guerreiro
trabalha em favor a caridade, conhecido pelo nome de Caboclo Sete
Luas, ele vem a terra incorporado em médiuns preparados, para fazer
limpezas, combater doenças e pragas, abrir caminhos, lutar contra
obsessores e salvar os filhos que nele tem fé.

    Da mesma forma vem também nos terreiros de Umbanda o pequeno
curumim Inaiê. Chegando aos trabalhos espirituais em forma de Erê,
demonstrando toda sua inocência e amor pelo seu trabalho. Tem imensa
alegria de ser chamado de pequeno guerreiro, admiração pelo seu tio
amado, o grande Cacique Sete Luas. E dentro dos trabalhos Umbandista
foi batizado como Joãozinho das Matas, sendo assim para ficar mais
familiarizado com as crianças terrenas.


    Saravá o Caboclo Sete Luas, salve o Erê Joãozinho das Matas!

Okê Caboclo!

Oni Ibeijada!

Carlos de Ogum

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015 15 comentários

Novo Hino da Umbanda

                       
Umbanda minha linda Umbanda.

Penso no dia que logo vai nascer E o meu peito se enche de emoção.



A esperança invade o meu ser Eu sou feliz e gosto de viver.

Pela beleza dos raios da manhã Eu te saúdo Mamãe Iansã.



Pela grandeza das ondas do mar Me abençoe Mamãe Iemanjá.



A mata virgem tem seu semeador Ele é Oxossi Okê Okê Arô!



Na Cachoeira eu vou me refazer Nas águas claras de Oxum, Aieieu.



Se a injustiça faz guerra de poder Valha-me a espada de Ogum, Ogum Nhê



Não há doença que venha me vencer Sou protegido de Obaluaiê..



Medo de obsessores não terei, pois tenho Omulú o grande Rei.



Eu sou de Paz Mas sou um lutador A minha lei quem dita é Xangô.



A alegria já tem inspiração Na inocência de Cosme e Damião.



Não tenho medo Vou ter medo de que? Tenho ao meu lado Nanã Buruquê.



E essa luz que vem de OXALÁ Tenho certeza vai me iluminar.



Pela noite poderei andar com paz no coração, pois tenho Exú como meu
Guardião.



Nas estradas estarei sem medo da escuridão, pois tenho Seu Pilintra e
os Malandros me dando proteção.



Sempre em busca estarei de meu companheiro, pois tenho a certeza de
ser abençoado pelo amigo Boiadeiro.



No caminhar estarei cheio de emoção, pois sei que tenho Pombo Gira me
estendendo a mão.



E a paz terei sempre na minha vida, pois terei meus Pretos Velhos me
abençoando com as Almas Benditas queridas.



Com amor, com louvor, vou cantando a minha religião,
tendo paz e caridade, guardada no meu coração,
ouvindo atentamente a voz de Deus que me fala,
para com fidelidade seguir minha Umbanda Amada.

Carlos de Ogum

sábado, 27 de dezembro de 2014 9 comentários

MENSAGEM PARA O FIM DE ANO DE 2014.

 







  Mensagem Para o Fim de Ano de 2014. Rev.

    Amado Pai Oxalá,

Senhor dos Orixás, força suprema.

Mestre fiel, que nos ama e nos dá bençãos,

Novamente findando mais um ano, venho te agradecer por tantas
maravilhas recebidas de ti.

    Agradeço extremamente pelo Sol ao raiar da manhã,
Pelos jardins que embelezaram nossos caminhos,
pelo novo dia que tu nos presenteia,
pelas chuvas que nos cederam a água para matar nossa sede,
pelo vento que nos refrescaram o corpo por muitas vezes tão cansado,
pelo imenso e poderoso mar que tanto nos encanta,
pelo pão que mata a fome de nossos semelhantes,

    Agradeço também querido Pai,
pelos obstáculos que me ensinaram a ser forte,
pela dor que me ensinou a não desistir e ser perseverante,
pelas lágrimas que pude secar de meus irmãos angustiados,
por tudo que pedi e o senhor me cedeu, e por algumas coisas que não o
fez, pois não era de meu merecimento,
agradeço pelos amigos que me acompanharam por todo ano, e agradeço
pelos possíveis inimigos que tu tiraste de meu caminho,
agradeço a sabedoria de poder responder com convicção algumas questões
nas buscas de ajudas de amigos desesperados, ou daqueles que
simplesmente achavam que seus problemas eram enormes, sem ao menos
terem olhado ao lado, e verem que os de seus semelhantes eram
extremamente maiores.
Também agradeço as palavras que me conduziste a falar, mesmo duras, a
aqueles que não deram valor as bençãos e lições que o Senhor os
concedeu.

    A ti Pai Oxalá, todos os Orixás e todas as Entidades de Luz,
entrego tudo que realizei esse ano.

    Tudo que passou por minhas mãos,
as coisas que pude criar,
o trabalho espiritual realizado,
as palavras de caridade,
a ajuda cedida.

    Querido Pai Oxalá,
nesse momento lhe entrego todos os amigos
que comigo percorreram tantos caminhos em favor ao bem e ao amor.

    Lhe entrego também as pessoas que foram centenas,
os que de alguma forma se aproximaram de mim me trazendo carinho,
amor e paz.

   Entrego em teu abraço paternal esses irmãos que estão bem pertinho
de mim, e também os que estão tão distantes, mas mesmo assim rompem
fronteiras para nos agraciar com seu carinho.

    Também peço sua proteção Querido Pai Oxalá,
para aqueles que me estenderam as mãos na hora do desespero,
e também para aqueles que pediram minhas mãos num momento de
angústia.

    Agradeço por cada resposta cedida quando me encontrava em dúvida,
e agradeço a luz dada a cada instante que eu não encontrava uma saída
para meu semelhante.

    Também gostaria, além de lhe agradecer Senhor, lhe pedir perdão.

    Perdão pelas palavras mal ditas,
pelo tempo desperdiçado com coisas desnecessárias,
pelo dinheiro mal empregado em coisas fúteis,
pela falta de entendimento com fatos que achei irrelevante,
pela falta de paciência com algumas pessoas,

    Perdão pela oração não feita na hora devida,
ou pela oração não passada a quem necessitava.

    Perdão pelo momento que deixei um irmão sem uma palavra esperada.

    Perdão por não ter agradecido o suficiente, e ter pedido mais do
que eu necessitava.

    Perdão por achar que as vezes meus problemas eram maiores dos que
os de meus irmãos de fé.

    Perdão pelas reclamações de um dia chuvoso, ou pelo mal humor de
um dia de muito calor.

    Perdão por não ter posto em prática a oração diária pelos meus
semelhantes que buscavam um afago espiritual.

    Perdão por não me lembrar que temos milhares de crianças morrendo
de fome por todo o mundo, enquanto fazemos nossas refeições sem culpa.

    Querido Pai de todos nós,
a ti entrego esse novo ano.
Ano esse que não sabemos o que vem pela frente,
que não sabemos como passaremos,
que não sabemos se sorrisos daremos,
quantas lágrimas secaremos,
quantas orações teremos,
quantos pedidos faremos,
quantos obstáculos passaremos,
e quantas vezes mais nos ajoelharemos
para de novo pedir implorar sem lhe agradecer.

    Portanto querido Pai Oxalá,
hoje lhe peço já agradecendo,
para mim, meus amigos e a todos de bom coração,
Paz, amor e compreensão,
a felicidade com largos sorrisos,
a fortaleza para sobreviver,
a sabedoria e o entendimento,
o otimismo e a bondade,
a luz e a caridade.

    Peço que feche meus ouvidos para toda falsidade,
e minha boca a palavras maledicentes.

    Peço que eu seja luz a quem está na escuridão,
estradas abertas a quem busca um caminho,
paz a quem está em desespero,
esperança a quem perdeu a fé.

    Me faça assim Senhor, por todo esse ano que se inicia,
para que eu possa levar seu nome,
podendo assim criar uma corrente de paz, fraternidade, caridade, fé e
amor.

    Querido Oxalá,
a meus irmãos de fé que leem essa mensagem,
se inebriem de amor paz e sabedoria,
para que assim essas sementes comecem a crescer
por todo novo ano,
por toda a vida.

Feliz ano novo a todos os irmãos Umbandistas ou não.

Que Pai  Oxalá, todos os Orixás e todas as Entidades de Luz abençoe a
todos, não só nesse novo ano, mas também por toda a nossa vida terrena
e espiritual.

Que assim seja !


Carlos de Ogum
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 8 comentários

Umbral: o Que É?

                   

    Após lermos esse texto que nos foi enviado pela amiga Gizele Aquino,
decidimos então ´postar para leitura e reflexão de todos, para
demonstrar o quanto somos responsáveis pelo nosso paraíso ou inferno
astral. Nossos sentimentos e ações nos farão vivenciar caminhos
iluminados ou de escuridão determinando que o nosso Umbral particular
se torne florido ou pantanoso.

    É um ótimo texto para reflexão. Paz e luz!

Carlos de Ogum.

                            Umbral: o Que É?

    Em 1943, André Luiz, o médico que se tornou conhecido
psicografando livros pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier,
trouxe a público o significado dado à palavra na colônia espiritual
“Nosso Lar”, onde passou a viver alguns anos depois de seu desencarne.

    Em seu livro também chamado “Nosso Lar”, ele conta como ouviu
falar do Umbral pela primeira vez, quando o enfermeiro Lísias lhe dava
as primeiras informações sobre a colônia e descreveu-o como região
onde existe grande perturbação e sofrimento e para a qual a colônia
dedicava atenção especial.

    Desde então, a palavra Umbral, escrita com inicial maiúscula, como
o fez André Luiz no livro “Nosso Lar”, tomou significado especial,
principalmente entre os espíritas, designando a região espiritual
imediata ao plano dos encarnados, para onde iriam e onde estariam
todos os espíritos endividados, perturbados e desequilibrados depois
da vida.

    Com esta conotação a palavra difundiu-se muito e transformou-se
num quase sinônimo do Inferno e do Purgatório dos católicos, com
localização geográfica, tamanho, etc., conceito este que o próprio
Allan Kardec, codificador do Espiritismo, já havia desmistificado em
suas obras, mais de 80 anos antes, especialmente em “O Livro dos
Espíritos”

    Como vemos pelas respostas dos espíritos a Kardec, o inferno e o
paraíso não passam de estados de espírito, condição moral de
sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os espíritos por suas
próprias atitudes, pensamentos e sentimentos durante a vida encarnada
e depois dela. E é bom lembrar que espíritos somos todos, encarnados e
desencarnados, vivendo cada um o seu inferno e o seu paraíso
particulares. O que nos diferencia dos espíritos desencarnados é
apenas o fato de estarmos temporariamente presos a um corpo denso de
carne. De resto, somos absolutamente iguais a eles, com desejos,
opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades. Na verdade, a
figura geográfica e espacial do inferno dos católicos serviu de molde
aos espíritas para que melhor visualizassem o que seria o Umbral,
assim como o inferno da Igreja Católica foi tomado emprestado e
adaptado do inferno dos povos pagãos para compor os mitos de inferno e
paraíso. Se não existe inferno ou purgatório porque haveria de existir
o Umbral com localização, medidas, coordenadas, etc.?

    Tudo o que existe no plano espiritual é criado pela mente dos
espíritos encarnados e desencarnados. Sempre que pensamos nossa mente
dispara um processo pelo qual somos capazes de moldar as energias mais
sutis do universo, criando formas que correspondem exatamente àquilo
que somos intimamente.

    Extremamente apegados ao mundo material, nada mais natural que,
mesmo estando fora dele, queiramos tê-lo novamente quando
desencarnados. É aí que nossa mente entra em ação, criando tudo o que
desejamos ardentemente.
E várias mentes desejando a mesma coisa juntas têm muito mais força para criar.

    A grande diferença é que, no mundo físico, podemos embelezar
artificialmente o nosso ambiente e a nossa aparência, enquanto que no
plano astral isso não é possível, pois lá todos os nossos defeitos,
mazelas, falhas, paixões, manias e vícios ficam expostos em nossa
aura, exibindo claramente quem somos como consciências e não como
personalidades encarnadas.

    No Umbral, tudo o que está fora de nós é consequência do que está
dentro. Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece é
reflexo do que trazemos na consciência.

    Assim, o Umbral nada mais é que uma faixa de frequência vibratória
a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses,
desejos, pensamentos e sentimentos se afinizam.

    É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde
podem dar vazão aos seus instintos, onde convivem com o que lhes é
característico, para que um dia, cansados de tanto insistirem contra o
fluxo de amor e luz do universo, entreguem-se aos espíritos em missão
de resgate, que estão sempre por lá em trabalhos de assistência.

    Alguns autores descrevem o Umbral como uma sequência de anéis que
envolvem e interpenetram o planeta Terra, indo desde o seu núcleo de
magma até várias camadas para fora de seus limites físicos.

    O que acontece é que os espíritos se reúnem obedecendo, apenas e
unicamente, à sintonia entre si e acabam formando anéis energéticos em
torno do planeta, ou melhor, em torno da humanidade terrena, pois ela
é parte da humanidade espiritual que o habita e é também o foco de
atenção de todos os desencarnados ligados a ele.

    As camadas descritas em alguns livros são mais um recurso didático
para facilitar o entendimento e o estudo do mundo espiritual, pois não
há limites precisos entre elas, assim como não há divisas exatas entre
um bairro e outro de uma mesma cidade, ainda que eles sejam de classes
sociais bem diferentes.

    Esse mesmo mecanismo de sintonia é o que cria regiões
“especializadas” no Umbral, como o Vale dos Suicidas, descrito por
Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne A. Pereira, em seu
livro "Memórias de um Suicida".

    Espíritos com experiências de suicídio, vivendo os mesmos dramas,
sofrimentos, dificuldades, agrupam-se por pura afinidade e formam
regiões vibratórias específicas. Assim também acontece com faixas
energéticas ligadas às drogas, ao aborto, aos distúrbios psíquicos, às
guerras, aos desequilíbrios sexuais, etc.

    Apesar de toda perturbação e desequilíbrio dos espíritos que vivem
no Umbral, não devemos nos iludir. Existe muita disciplina,
organização e hierarquia nos ambientes umbralinos.

    É o que nos mostra, por exemplo, o espírito Ângelo Inácio, pela
psicografia de Robson Pinheiro, em seu livro "Tambores de Angola", e o
espírito Nora, pela psicografia de Emanuel Cristiano, em seu livro
"Aconteceu na Casa Espírita".

    Vemos ali o quanto esses espíritos podem ser inteligentes,
organizados, determinados e disciplinados em suas práticas negativas,
criando instituições, métodos, exércitos e até cidades inteiras para
servir aos seus propósitos.

    É preciso que compreendamos que todos nós já estamos vivendo numa
dessas “camadas” de Umbral que envolvem a Terra e que todos nós
criamos o nosso próprio Umbral particular sempre que contrariamos as
leis divinas universais, as quais podem ser resumidas numa única
expressão: amor incondicional.

    Mas o Umbral não é um mundo só de desencarnados. Muitos projetores
conscientes (encarnados que fazem projeções astrais conscientes)
narram passagens por regiões escuras e densas, semelhantes às
descrições de André Luiz em "Nosso Lar".

    Todos os encarnados desprendem-se do corpo físico durante o sono e
circulam pelo mundo espiritual.
Esse é um fenômeno absolutamente natural e inerente a todo espírito
encarnado.
Uma grande parte continua a dormir em espírito, logo acima de onde
está descansando o corpo físico.
Outros limitam-se a passear inconscientes pelo próprio quarto ou casa,
repetindo, mecanicamente, o que fazem todos os dias durante a vigília.
E há os que saem de casa e vão além.

    Dentre estes, uma pequena parte procura manter uma conduta ética
elevada, 24h por dia, tentando sempre melhorar-se como pessoa,
buscando sempre ajudar e crescer e, muitas vezes, é levada ao Umbral
em missão de resgate ou assistência, trabalhando com espíritos mais
preparados, doando suas energias pelo bem de outros espíritos.

    Mas há um grande número dos que conseguem sair de seu próprio lar
durante o sono e vão para o Umbral por afinidade, em busca daquilo que
tinham em mente no momento em que adormeceram ou obedecendo a
instintos e desejos inferiores que, embora muitas vezes não estejam
explícitos na vigília, estão bem vivos em sua mente e surgem com toda
força quando projetados.

    Essas pessoas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de espíritos
profundamente perturbados ligados ao Umbral que as vampirizam e
manipulam, em alguns casos chegando até a interferir em sua vida
física, criando problemas familiares, doenças, perturbações
psicológicas, dificuldades profissionais e financeiras, etc.

    Vemos, assim, que o Umbral, de que falam André Luiz e tantos
outros autores encarnados e desencarnados, está mais próximo de nós,
encarnados, do que muitos de nós imaginam.

    E, o que é mais importante, somos nós mesmos que ajudamos a manter
esse mundo denso com nossos pensamentos e sentimentos menos elevados.
Somos nós que damos aos espíritos perturbados, que se encontram
ligados a essa faixa vibratória, grande parte da matéria-prima de que
se valem para sustentar seu mundo de trevas e sofrimento.

O Umbral está em todo lugar e em lugar nenhum, pois está dentro de
quem o cria para si mesmo e acompanha o seu criador para onde quer que
ele vá.
Toda vez que nos deixamos levar por impulsos de raiva, agressividade,
ganância, inveja, ciúmes, egoísmo, orgulho, arrogância, preguiça,
estamos acessando uma faixa mais densa desse Umbral.

Toda vez que julgamos, criticamos ou condenamos os outros, estamos nos
revestindo energeticamente de emanações típicas do Umbral.
Toda vez que desejamos o mal de alguém, que nos deprimimos, que nos
revoltamos ou entristecemos, criamos um portal automático de
comunicação com o Umbral.
Toda vez que nos entregamos aos vícios, à exploração dos outros, aos
desejos de vingança, aos preconceitos, criamos ligações com mentes que
vibram na mesma faixa doentia e estão sintonizadas com o Umbral.
O Umbral só existe porque nós mesmos o criamos, e só continuará
existindo enquanto nós mesmos insistirmos em mantê-lo com nossos
desequilíbrios.

    O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo e não podemos
renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também
fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de
nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de
nossos pensamentos mais densos. E lá vivem espíritos divinos como nós,
temporariamente desviados do caminho de luz em que foram colocados por
Deus.

    Por isso é importante que não vejamos o Umbral como um lugar a ser
evitado ou uma ideia a não ser comentada, mas como desequilíbrio
espiritual temporário de espíritos como nós que, muitas vezes, só
precisam de um pouco de atenção e orientação para se recuperarem e
voltarem ao curso sadio de suas vidas.

    É comum encontrarmos médiuns e doutrinadores que têm medo ou
aversão ao trabalho com espíritos do Umbral, evitando atendê-los,
ignorando-os friamente ou tratando-os como criminosos sem salvação que
não merecem qualquer compaixão ou respeito.
Estas pessoas esquecem-se de um dos preceitos básicos da
espiritualidade: a caridade.

Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que
precisam de compreensão e ajuda.
Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual.
Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de
procurar orientação.
Não são diferentes de nós, mas tão semelhantes que vivem lado a lado
conosco, todos os dias, observando nossos atos, analisando nossos
pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas
atitudes.

E, se não queremos ir ao Umbral por afinidade, que nos ocupemos em nos
tornar seres humanos melhores, mais dignos, mais éticos, 24h por dia.

    Desse modo, nossa passagem pelo Umbral será sempre na condição de
quem leva ajuda sem medo, sem preconceito e sem sofrimento, e não de
quem precisa de ajuda para superar seus próprios medos, preconceitos e
dores.


Por: Maísa Intelizano.
Enviado pela Amiga: Gizele Aquino.
Retirado do grupo Facebook: Cavaleiros de Aruanda.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 16 comentários

Orixá Regente do Ano de 2015

                 


        E o ano de 2014 se vai. E já estamos apreensivos e
esperançosos para o início de 2015.

    Estamos também curiosos em saber qual será o Orixá regente desse
ano que está para nascer, e como sempre é feito em nosso terreiro, o
Mentor da casa, nosso querido Rei Congo, jogou seus búzios e nos
revelou essa informação. Só frisando que foi dito pelo Vovô Rei Congo,
confirmado pelo nosso Vovô carismático, vovô Benedito e também da
mesma forma confirmado pelo querido Pai Antero.

Agora repasso a informação que nos foi divulgada.

    No ano de 2015 o Orixá regente será Pai Ogum, estando sempre
atuante por todo o ano, que virá acompanhado pela vibração intensa de
Mãe Iemanjá.

    Teremos também uma forte irradiação de Exú por um longo período do
ano de 2015, que com isso dará força extrema a vibração de Ogum.

    Resumindo para entendimento, ao ser indagado qual será o Orixá
regente do ano de 2015, será dito simplesmente Pai Ogum, pois será o
Orixá dominante desse ano.

    Sendo assim, será um ano muito intenso, com grandes batalhas em
diversas partes da humanidade, ou seja, buscas de poder, busca de
justiça, busca de realizações.

    A quem tentou um objetivo em 2014 e não conseguiu realizá-lo, 2015
será um ótimo ano para conquistas. Porém a quem não se preveniu, não
buscou se precaver em relação a gastos pessoais, poderão passar um ano
extremamente dificultoso.

    Resumindo, quem plantou brisas colherão brisas, quem plantou
furacões colherão furacões.

    Para quem cultivou a espiritualidade no ano de 2014, esse ano de
2015 deverá ser melhor, pois Ogum é o guardião, e vai agir de acordo
com a caridade e a fé que se foi entregue no ano que se finda.

    Como 2014 foi o ano de Xangô, todos nós fomos colocados na balança
da justiça para sermos observados, aqueles no qual forem merecedores
de vitórias serão agraciados por Ogum, pois em 2015 Ogum traz as
conclusões do que foi julgado por Xangô no ano que está se findando
Porém, a conclusão de Ogum é executada de acordo com o merecimento de
cada um, sobre aquilo que foi julgado na balança de Xangô. Nem tudo
poderá ser flores.

    Sobre a vibração de Iemanjá no ano de 2015, poderemos ter a benção
de não termos um ano tão seco quanto foi 2014. Teremos mais união
entre famílias e será um ótimo ano para quem deseja se casar, por amor
verdadeiro, ou para as mulheres que desejam engravidar.

    Se acharam que o ano de 2014 passou rápido, podem ter certeza que
2015 vai nos parecer que passará mais rápido ainda, e isso se deve a
irradiação de Exú, portanto poderemos, ou conquistar nossos objetivos
rapidamente, ou não nos darmos conta do tempo, e o ano terminar sem
conquista alguma. Fiquem bem atentos.

    Esperamos que todos os irmãos adentrem o ano de 2015 com muita fé,
buscando sempre fazer a caridade, conquistando todos os objetivos,
sempre com muita paz e muita saúde, sem mazelas, sem ódios, sem
rancores e com muita luz na caminhada.

    Que Pai Ogum, Mãe Iemanjá e o guardião Exú, abram os caminhos de
todos nós e que todos Orixás e todas as Entidades de Luz nos protejam
por todo ano de 2015.

Que assim seja!

Carlos de Ogum

 
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