quinta-feira, 30 de junho de 2016 68 comentários

História do Caboclo Rompe Mato

                 

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Salve o Caboclo, salve Seu Rompe Mato!

Okê Caboclo, Okê Arô Oxossi!

Seu Rompe Mato lá nas matas sem fronteiras,
Seu Rompe Mato tem Oxossi na cabeça,
eu vi Caboclo eu vi Xangô lá nas pedreiras,
com seu bodoque sete pedras são certeiras.

A sua força sua magia na Umbanda
traz a cura de Aruanda com a fé dos Orixás.

Okê Caboclo sua tesa é vermelha
nessas matas não cai folhas sem as ordens de Oxalá.

Pedi a ele para trazer mais alegria,
pedi a ele para tirar toda a agonia,
ele soprou sete vezes no meu peito,
Okê Caboclo salve as matas da Jurema.
Okê Caboclo nessas matas não se brinca,
Okê Caboclo Rompe Mato na aldeia,
Okê Caboclo suas ordens são supremas,
Okê Caboclo com Oxossi não bambeia.
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    Antes de qualquer coisa, gostaria de deixar esclarecido que o
Caboclo Rompe Mato não é o mesmo que Ogum Rompe Mato, apesar de ser um
Caboclo de Ogum, vindo a trabalho
pela Falange de Ogum Rompe Mato, o Caboclo Rompe Mato está sobre a
irradiação vibracional de Oxossi, e por esse motivo traz as cores
vermelho e verde, em suas guias ou algumas roupagens. Ele costuma se
apresentar austero e bem rigoroso, contudo é muito amoroso e
aconselhador.

    Ele se apresenta em trabalho nos terreiros de Umbanda trazendo a
paz, conselhos, boa conduta, saúde, tranquilidade, caridade a todos
que buscam auxílio mediante ao merecimento de cada um.

    A história que vamos relatar é do Caboclo Rompe Mato
pela Caridade vindo na irradiação de Oxossi dentro da Falange de Ogum
Rompe Mato.


    No final do século XVIII já entrando no século XIX, se criou uma
lenda na região Norte do Brasil, na qual se acreditava entre os homens
brancos que iniciavam o devastamento da floresta fechada, para
cultivar grandes roças e também extrair das seringueiras o látex para
a fabricação da borracha. Essa lenda se destinava a acreditar que
espíritos da floresta levavam as crianças brancas adoentadas para o
interior das matas, para que essas crianças tivessem a cura, caso isso
acontecesse eram devolvidas aos pais, caso não, eram sacrificadas.

    Contudo essa lenda não era bem assim, existia sim um teor de
verdade nessa história, porém não havia nenhum sacrifício em nome de
algo ou alguém da floresta.

    Tudo começou quando um pequeno índio bastante curioso começou a
rondar as terras onde os brancos fixaram moradia para introduzir as
grandes roças nas margens da floresta.

    Com a chegada desses homens brancos, também chegaram as doenças,
que logo se espalharam por entre os índios, dentre eles o pequeno
índio curioso.

    Seu corpo febril, sua pele ressecada, seus olhos inertes fizeram
com que seu pai, o Cacique da tribo, ficasse em desespero, pois não
entendia bem os fatos dos acontecimentos de seu pequeno filho.

    Rapidamente o cacique levou o garoto a oca do poderoso Pajé, com
esperanças de salvar a vida de seu menino.

    Chegando nas mãos do Pajé, e ao observar os males passados pelo
menino, o Pajé demonstrou uma grande preocupação, acreditando ser a
moléstia um castigo dos deuses da floresta ao pequeno índio, por ele
ter tido contato com homens brancos.

    O Pajé pega o menino aos braços, e parte para o interior mais
sombrio da floresta, onde poucas pessoas conheciam. Chegando lá,
juntamente com o cacique, ele, o Pajé, se põe a fazer sua dança
invocando as forças espirituais da floresta, para que assim tenha uma
resposta sobre aqueles males, que na sua visão eram feitiçarias.

    O cacique, bravo guerreiro, dominador dos perigos da floresta,
grande e respeitado por todos os índios de sua tribo, não podendo
fazer nada com sua força, no momento se sentia fraco, sua alma estava
triste em ver seu menino ali, inerte. E em um ato de humildade, o
cacique se pôs de joelhos, de braços abertos, olhar perdido, em busca
de uma resposta dos céu.

    Sua face, antes de um poderoso guerreiro, se transformava em um
rosto abatido, entristecido. E de seus olhos brotaram lágrimas,
lágrimas teimosas que sem pedir permissão rolavam em sua face, rolavam
de acordo com a dor que o poderoso cacique tinha na alma e no coração.

    Clamou desesperadamente aos deuses da floresta, clamou sem receio,
sem orgulho, apenas demonstrando o desespero de um pai desconsolado,
de um simples homem que sabia que estaria perdendo seu maior bem. Seu
filho.

    O Pajé se entranhou por entre as árvores, em mata fechada, em
busca de ervas, raízes, folhas, para tentar reverter a condição do
indiozinho.

    E nesse instante o cacique apanha o filho no colo, afaga sua
cabeça, chora copiosamente, lamenta a sua dor.

    E nessa hora de grande desespero, o guerreiro cacique sente um
leve toque em seu ombro. Acreditando ser o Pajé, olha para cima
rapidamente, se surpreendendo com a visão.

    De baixo para cima, o cacique contempla a imagem de um índio
desconhecido. De olhos grandes e serenos, sua face jovial, seu
sorriso amigo, trouxe uma certa sensação de paz ao cacique.

    Sua voz era forte, porém mansa, que num tom de sabedoria disse a
nosso pai desesperado:

    "Filho, seu desespero, sua fé e seu amor paternal me trouxeram até
aqui. Suas lágrimas verdadeiras me mostraram quanto amas seu filho, e
esse grandioso amor não ficará sem uma resposta do céu. Sou Oxossi,
meu reino é as matas, as mesmas matas que buscou abrigo para sanar
todo mal de seu menino.
    Poderei lhe ajudar, poderei mostrar como curar seu curumim, porém
você deverá mostrar a ele o bem, ensinar-lhe a fazer o bem, sem
escolher a quem fazer.

    Se ensinar-lhe de forma correta, esse menino será a luz da
floresta escura, se não o ensinar de maneira correta, ele se perderá
na escuridão e nos braços da morte eterna."

    Dizendo isso, a imagem de Oxossi, estende a mão ao cacique, que
deixa o corpo do menino sobre as folhagens estendidas ao chão. Se
levanta, e segue o Pai das Matas para o interior da mata. Lá o
poderoso médico das florestas mostra algumas ervas e raízes que deverão
serem levadas para fazer a maceração, e assim fazerem o remédio para
a cura, não só do pequeno Curumim, mas de todos que passavam pelo
mesmo mal.

    O cacique fez tudo que fora ensinado por Oxossi, e após fazer as
compressas, chás, e banhos, o menino reage, seu estado febril não mais
existe, seus olhos voltam a brilhar, sua vida de criança nasce
novamente.

    Com isso, quando menos se esperava o cacique se encontra só
novamente, o Pai das Matas se foi, deixando apenas a sensação de paz
em toda a floresta.

    O Pajé retorna, se surpreende ao ver o curumim brincando pelas
árvores gigantescas, e logo o cacique lhe conta o acontecido.

    Os três retornam para a aldeia, com uma grande quantidade das
ervas, raízes e tudo mais indicado pelo senhor da floresta, fazem todo
o trabalho aprendido, e todos que estavam com os males dos brancos se
recuperam.

    O cacique faz o prometido, ensina cada passo da cura a seu filho,
que presta atenção a cada detalhe, aprendendo todos os passos, e já
fazendo todo o tratamento sozinho.

    Os anos se passam, o curumim agora já é um belo e grande índio
guerreiro. Ele que tem a responsabilidade de ir em buscas das  ervas e
raízes indicadas por Oxossi, a cada necessidade. Como todas essas
ervas ficavam no interior extremamente fechado das florestas e matas,
o índio passou a ser conhecido como Rompe Mato, e assim se manteve em
busca de cura, não só para aquela moléstia principal, mas para todas
as moléstias que por ventura aparecessem.

    Em um certo período, já na época do grande estouro do ciclo da
borracha, uma grande quantidade de pessoas vinham da região Nordeste
do Brasil para a região Norte em busca das seringueiras e do látex.
Com isso a disseminação de doenças se expandiram extremamente, não só
entre os índios, mas também entre os brancos, principalmente nas
crianças.

    Com a guerra da ganância dos seringueiros, os índios foram
afastados, sendo expulsos, e obrigados a viverem no fundo da floresta,
locais de matas muito fechadas, onde os seringueiros não se arriscavam
em entrar.

    As doenças continuavam a matar as crianças, filhos de
seringueiros. Sem piedade, dezenas delas eram tomadas pelos braços
malignos da morte, sem que ninguém pudesse fazer nada.

    Certa noite, longe da aldeia, bem próximo da região tomada pelos
homens brancos, o índio Rompe Mato observa uma mulher, com uma
criança no colo. Essa mulher chorava desesperadamente, pois sua filha
estava a beira da morte. Uma menina de uns 3 a 4 anos, inerte, febril,
sem chances de vencer a guerra contra a moléstia, se encontrava
envolvida em um pano branco, demonstrando que já a preparavam para seu
sepultamento, logo após o desencarne.

    A mulher chorava, solitária, frágil, desolada. Cansada de tanto
sofrimento, a mulher adormece, sem notar que estava sendo observada
pelo índio Rompe Mato. Esse foi até ela, com seus passos leves, sua
agilidade e sua vontade de poder curar aquela criança, e numa ação
rápida pegou a menina e a levou para o interior mais inacessível da
mata. E lá com a ajuda das ervas e raízes de Pai Oxossi, curou a
menina de sua moléstia.

    Ao acordar e não ver a menina, a mulher que antes desesperada,
fica enlouquecida, sai gritando em busca de ajuda, para que
trouxessem a sua filha de volta.

    Alguns seringueiros, armados com seus facões, saíram em busca da
menina, porém sem o menor resultado positivo. Ao retornarem as suas
choupanas, a conversa virou apenas um só tema: "Espíritos da floresta
levaram a menina".

    Enquanto seringueiros debatiam o fato, o índio Rompe Mato,
aproveitando a oportunidade, leva a menina curada de volta, deixando-a
muito próxima da choupana de sua mãe, que logo encontra a criança.

    Ao indagar a pequena sobre o que tinha acontecido, todos os
moradores da aldeia dos seringueiros, ficaram perplexos com os relatos
da menina, dizendo ela que ela só lembrava de um lugar lindo, de um
anjo vestido de índio, que voava pelas árvores, que deu a ela um
remédio um pouquinho amargo, mas que ela se sentia bem em tomar. E o
remédio fez com que ela ficasse forte, e então o anjo trouxe ela de
volta pra casa.

    A partir dali todos acreditaram que o anjo era um espírito da
floresta, que com sua bondade curava as crianças, e mandava o chá
sagrado aos adultos.

    Muitas mães deixavam seus filhos sobre a mesma pedra na qual Rompe
Mato pegou a menina, para que assim ele levasse outras crianças
também, e as curassem. E assim ele fazia. constantemente.

    O tempo passou, Senhor Rompe Mato continuava com sua missão de
cura, crianças, adultos, homens e mulheres da aldeia dos seringueiros
eram curados pelas mãos e a fé do índio. Que mesmo vendo seu povo ser
expulso das terras que nascera, ele não se deixava enfurecer, não
deixava o ódio tomar conta de sua alma, e peregrinava, dia e noite na
busca das ervas e raízes para salvar todo aquele povo dos males.

    Porém certa noite quando o índio ia para a aldeia em busca de
auxiliar mais um grupo de adoentados, fora capturado pelo chefe dos
seringueiros e seu bando, sendo colocado amarrado, e em uma intensa
tortura física e moral. Sem saberem que era ele o autor das curas
feitas, nas caladas noites sombrias, a intensidade do açoite se
estendeu por dias, e a pretensão dos seringueiros era saber sobre
outras riquezas daquela região, além do látex.

    E assim se passaram dias e dias de intensa covardia sobre o nosso
amado Rompe Mato, até que aconteceu o inesperado, a filha do chefe dos
seringueiros contraiu a moléstia devastadora.

    Ele, o chefe dos seringueiros, acreditando que a cura viria do
espírito das matas, levou a menina ao local onde o índio Rompe Mato
sempre buscava as crianças para tratamento. Porém por estar ele, o
índio, preso nas garras perversas dos gananciosos seringueiros, não
tinha como levar a cura a pequena menina adoentada.

    Se passaram duas noites e era visível a piora da menina, e visível
também era o desespero de sua mãe, que clamava ao marido que buscasse
orientação com o índio que se encontrava preso pelos seringueiros,
pois sendo ele da região, talvez soubesse algo sobre o "espírito das
matas" que curava tantas pessoas.

    O chefe dos seringueiros, não tendo mais esperanças, e nem mais o
que fazer foi até o índio torturado, e num gesto de prepotência e
ódio, ordenou a ele que dissesse tudo que sabia sobre o tal curador
das matas. Rompe Mato sem entender muito bem o que era falado, clamou
ao chefe dos seringueiros que ele o explicasse melhor sobre que
espírito das matas ele se referia, sem saber que ele próprio era visto
assim por aquele povo.

    Ao ser explicado melhor sobre os fatos acontecidos, Rompe Mato
entende que era sobre as curas feitas por ele que era falado, e em sua
inocência e cultivador da caridade, ele se expressa dizendo que era
ele próprio que levava as crianças até certo ponto da floresta e as
curava com ervas e raízes que colhia após serem abençoadas pelo Pai
das Matas, o grande rei Oxossi.

    O seringueiro chefe fica irradiando ódio pelos olhos com a
resposta, pois acreditava que o índio estava mentindo, e estaria
usando do fato da doença de sua filha para sair da situação que se
encontrava.

    No instante seguinte,sem refletir sobre a situação, o chefe crava
um punhal de aço no peito do índio, que cai inerte nos braços da mãe
terra.

    Os olhos do índio se cerraram, sua respiração se finda, seu
coração, que já não batia mais dentro do peito, despejava lágrimas de
sangue. Ele estava desencarnado.

    Do alto de uma imensa árvore sai a imagem de Oxossi, que plaina
junto ao corpo inerte de Rompe Mato, diante dos olhos de todos.

    E dessa imagem sai uma voz forte, porém serena, dizendo aos
seringueiros que aquele índio era o caminho para a cura de todos que
ali se encontravam, porém a ganância, a prepotência, a falta de
humildade e o ódio, dissiparam todas as esperanças que poderiam ter
naquela região.

    Dizendo isso Oxossi estende a mão, e em sua direção o espírito do
índio se apresenta, não mais com os sinais de tortura que havia
passado, mas como um poderoso guerreiro das matas, que além de ser
abençoado pela proteção de Oxossi, tinha a grandiosa proteção de Ogum,
o senhor das guerras. E essa proteção ia ser usada para retirar das
matas todo aquele ódio deixado pelos seringueiros gananciosos.

    Nesse instante apareceu do lado de Oxossi e de Rompe Mato a imagem
onipotente de Ogum, demonstrando toda a força contida naqueles seres
para lutarem contra o mal.

    Os três partiram para o interior inexplorável da mãe floresta, e
lá Oxossi e Ogum entregaram o índio Rompe Matos aos cuidados da
sagrada e bela Cabocla Jurema, que encaminharia o índio as terras do
Juremá, para que assim esse pudesse ser coroado mais um rei das matas
e poder trabalhar em prol da caridade na linha espiritual da Umbanda.

    A partir desse acontecimento muitas crianças daquela região
tiveram a moléstia, e para desespero de todos os pais a cura não mais
acontecia. Várias delas desencarnaram, inclusive a filha do
seringueiro chefe, que passou a ser odiado por todos seus seguidores,
pois entenderam que ele fora o culpado do desencarne do índio Rompe
Mato, sendo assim não havendo esperanças de cura para ninguém daquela
região, principalmente as crianças.

    O índio passou a ser conhecido como Caboclo Rompe Mato, e era ele
que protegia o espírito de cada criança que desencarnava com a
moléstia pecaminosa, e assim se cria a lenda de que o Caboclo Rompe
Mato é o cuidador e protetor de todas as crianças. E dizem que a cada
manifestação desse Caboclo nos Terreiros de Umbanda, ele vem em
companhia de vários Erês, que mesmo sem se manifestarem em
incorporação, estão dentro do Terreiro para a proteção de todos.

    Que o Caboclo Rompe Mato nos proteja, proteja nossa família e
nossas crianças.

    Salve todos os Caboclos!

    Salve a Cabocla Jurema!

    Patacori Ogum!

    Okê Arô Oxossi!

    Okê Seu Rompe Mato.



Carlos de Ogum

segunda-feira, 20 de junho de 2016 91 comentários

Conhecendo o Mestre Exú Tiriri

                 


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Laroiê Seu Tiriri, Seu Tiriri é Mojubá!

É meia noite em ponto o galo cantou,
cantou para anunciar que Tiriri chegou.

Ele vem da Calunga de capa e cartola e tridente na mão,
esse Exú de fé é quem nos traz axé e nos dá proteção.

Ele é Exú Odara,
e vem nos ajudar,
com seu punhal ele fura,
ele corta demanda, ele salva, ele cura,
Exú é Mojubá, Laroiê.

Laroiê Exú, Exú é Mojubá.
Eu perguntei a ele o que é Exú ele veio me falar, Laroiê Exú.

Exú é caminho, é energia, é vida, é determinação,
é cumpridor da lei, Exú é esperto, Exú é guardião.

Exú é trabalho, é alegria, é veloz, Exú é viver.
É a magia, é o encanto, é o fogo, é o sangue na veia vibrando, Exú é
prazer. Laroiê.

Laroiê Exú, Exú é Mojubá.

Traz sua Falange Exú Tiriri para trabalhar, Laroiê Exú.

Vem seu Tranca Ruas, Maria Padilha e Exú Marabô,
Sete Encruzilhadas, seu Zé Pilintra aqui chegou.
Maria Mulambo, Maria Farrapo e dona Figueira,
dona Sete Saias, Pombo Gira Menina e Rosa Vermelha.
Sete Catacumbas, Exú Caveira firmou ponto aqui.
E o Exú Capa Preta anunciou a festa do Exú Tiriri.

É meia noite em ponto...
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    Muitos de nós umbandistas já ouvimos falar do Senhor Exú Tiriri,
raramente em um terreiro de Umbanda tenha alguém que não conhece essa
maravilhosa Entidade de Luz que trabalha em prol da caridade em nome
de Deus, para auxiliar aos necessitados.

    Senhor Tiriri é um Exú de lei, que trabalha na linha da esquerda,
lutando contra espíritos sem luz como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, os
levando para longe dos consulentes necessitados, para que assim as
Entidades da linha da direita possam fazer seus trabalhos de abertura
de caminhos, limpezas, descarregos, tratamento da saúde física e
mental nas pessoas que vão a terreiros de Umbanda para sanar esses
problemas.

    Sendo assim vemos como é a importância de senhor Tiriri e de toda
a linha da esquerda (Exús e Pombo Giras).

    Senhor Tiriri trabalha na vibração de Ogum, portanto sua vibração
original é da vitalização da irradiação da lei e da ordem, ou seja,
ele é um dos Exús que combatem de frente, e comanda uma legião de
Exús nos trabalhos contra os espíritos obsessores.

    Frisando também que além de ser chefe de legião de Exús
combatentes do mal, Senhor Tiriri também atua nas Sete Irradiações
divinas, assim como atuam a legião dos Setes, ou seja Sete Catacumbas,
Sete Caveiras, Sete Encruzilhadas, Sete Porteiras, Sete Tronqueiras,
Sete Covas, Sete Cruzes, etc.

    Sendo assim ele também, como a legião dos Setes, atua vitalizando
a ordem e a retidão nos sete sentidos da vida.

    O nosso amado guardião Tiriri tem como principal missão ser um
cuidador, e atuam principalmente nas vibrações dos verbos função,
quebrador, devolvedor e retornador, assim como em grande parte dos
fatos e casos, são magníficos especialistas em demandas e quebra de
magias negras.

    Por trabalhar e atuar na esquerda da lei, atua também abrindo os
caminhos daqueles que são merecedores dessas bençãos e dádivas.

    Exú Tiriri trabalha para auxiliar as necessidades de pessoas que
estejam enfeitiçadas, obsediadas, atuando nos consulentes, buscando
ordenar seus negativismos, abrindo os caminhos e quebrando todo tipo
de demanda, isso quando permitido pela lei de Deus, e algumas vezes,
dependendo do tipo de magia negra que seja retirado do consulente,
Senhor Tiriri devolve a quem ordenou aquele tipo de magia.

    Senhor Tiriri não se apresenta constantemente, e quando se
apresenta é porque a lei do Pai Maior já determinou o fim de uma ação
negativa, dando a responsabilidade ao Exú Tiriri de retirar e fazer o
possível e o impossível para que essa ação não mais prejudique o
consulente.


    O Exú Tiriri tem grandiosa força para despachar trabalhos, cargas
negativas, mazelas e feitiçarias nas encruzilhadas, nas matas e também
nos rios. Tem um modo de ser nobre, forte, com ar superior, como um
grandioso poder de chefiar sua legião. Normalmente Senhor Tiriri gosta
das vestes na cor em preto, tem uma capa preta por fora e vermelha por
dentro, podendo trazer nas mãos ou um bastão, ou uma bengala, ou um
tridente nas cores preto e vermelho, dependendo da irradiação que
chegue, e qual o tipo de trabalho que vai fazer.

    Senhor Tiriri é um Exú de pouca conversa, tem um ar soberano e
muito sedutor. Diz a lenda que se um consulente olhar diretamente aos
olhos desse Exú, independente de ser homem, mulher ou criança, ficarão
encantados, podendo ter sentimentos diferenciados, como idolatração,
carinho extremo, medo, felicidade, etc. Podendo até mesmo hipnotizar
algumas pessoas, principalmente crianças e mulheres.


    Dentro da religião de Umbanda temos várias Entidades de Luz que
levam o nome de Exú Tiriri, modificando apenas a irradiação ou a
linha, porém todas essas Entidades trabalham da mesma forma, para e
pela  caridade em nome de Deus e dos Orixás.

    Abaixo descrevemos algumas dessas Entidades frisando sua linha.

Senhor Tiriri das Encruzilhadas.
Senhor Tiriri das Matas.
Senhor Tiriri Menino.
Senhor Tiriri da Calunga Pequena.
Senhor Tiriri das Almas.
Senhor Tiriri da Figueira.
Senhor Tiriri do Cruzeiro.
Senhor Tiriri da Meia Noite.

    Temos algumas Entidades dessa legião que ao final do nome se
utilizam da nomenclatura em africano, para que assim possam
especificar o tipo de Falange que comanda sua caminhada para
desempenhar seu trabalho de caridade, assim como descrevemos abaixo.

Senhor Tiriri Bará.
Senhor Tiriri Apavená.
Senhor Tiriri Apanadá.
Senhor Tiriri Lonã.

    Frisando que esses estão na linha de comando de Senhor Tiriri da
Calunga.

    Gostaria de frisar outra coisa importante, Exú Tiriri tem uma
ligação extremamente forte com Exú Mirim, que é o lado negativo de
São Cosme e São Damião (lado negativo não quer dizer lado ruim, apenas
falamos de polaridades espirituais).

    Para entendimento Senhor Tiriri é o polo negativo do Orixá Ibeiji,
ou seja, o Orixá que rege os Erês, Ibeijadas ou as ditas crianças de
Umbanda.

    O Exú Tiriri é o responsável e tutor de todos os Exús Mirins que
tem a permissão de se apresentar em terreiros como Entidade
incorporada a Médiuns preparados para tal função. Dentre vários Exús
Mirins, podemos dar os exemplos de seu Brasinha, Caveirinha, Veludinho
da Meia Noite, Exú do Lodo, Exú Lalu, Calunguinha, Toquinho e tantos
outros que trabalham nessa Falange.

    O Exú Tiriri é considerado o senhor da vidência, ou aquele que vê
mais além, por esse motivo ele é extremamente invocado na hora de
serem jogados os sagrados Búzios, tanto na Umbanda quanto no
Candomblé.


    Abaixo vamos frisar algumas características, porém é apenas para
uma breve ilustração, pois isso vai de cada regra de casa a casa, e de
médium para médium, dependendo do preparo e desenvolvimento mediúnico
feito. Ou seja, um médium que apenas esteja recebendo uma pequena
vibração da Entidade, que não esteja com uma incorporação 100%, não
deve-se sugestionar e desejar bebidas alcoólicas ou fumo, pois as
Entidades de Luz não utilizam desses artefatos por prazer, e sim como
materiais para desobsessão, descarrego, limpezas em geral, verificação
de algum espírito sem luz junto ao consulente. Por esse motivo um
médium não preparado não deve abusar de certas coisas que são
exclusivas para o trabalho das Entidades de Luz.

    No caso de Senhor Tiriri ele se utiliza de bebidas fortes, aprecia
em seus trabalhos whisky ou qualquer bebida de boa qualidade.

    Para algumas limpezas de consulentes e ambientes ele se utiliza de
charutos, que ao fumá-los e jogar a fumaça no ar está limpando tudo e
todos que necessitem.

    Como já foi dito a roupagem de Senhor Tiriri é normalmente capa na
cor preto por fora e vermelho por dentro, ele aprecia um chapéu de
abas não muito largas, na cor em preto, traz nas mãos o bastão, ou
bengala, ou tridente. frisando que o bastão só é permitido aos Exús
que são chefes de uma legião de linha da esquerda.

    O poder de Senhor Tiriri corresponde sobre trabalhos ajudando na
solidão, esperança, planejamento, meditação e saúde.

    Abaixo anexamos uma bela prece ao grandioso Exú Tiriri.

Prece a Exú Tiriri. (todas as linhas)

    Senhor Exú Tiriri.
Tu que emanas o poder sétuplo de Deus.
Tu que tens o poder de abrir os caminhos, de guardar as encruzilhadas,
que domina o poder devolvedor, retornador e quebrador.
,,,,
Pedimos vossas bênçãos em nossas vidas.
Quebre as demandas de nossos egos, de nossos pensamentos e sentimentos
negativos.
Devolva-nos a alegria, a força, a vitalidade, a ordem e a Lei.
Devolva-nos a prosperidade, a saúde e a paz de espírito.
Que segundo nosso merecimento e necessidades possa nos fazer retornar
tudo o que nos foi retirado pela maldade de outros ou pela nossa
própria incapacidade.

Permita-nos receber vossa força para o trabalho, vitaliza nossa saúde
e proteja-nos dos ataques negativos.

Cubra-nos com vossa capa protetora vermelha e negra.
Coloque vossa lança tripolar, vosso tridente encantado para nossa
proteção.
Laroiê Senhor Exú Tiriri!

    Podemos fazer essa oração em agradecimento a Senhor Exú Tiriri
oferecendo-lhe uma vela na cor preto, ou traçada na cor vermelho e
preto, acendendo em uma mata, um jardim, ou na beira de um rio.


    Salve Exú Tiriri!

    Senhor Tiriri é Mojubá!


Carlos de Ogum

sexta-feira, 10 de junho de 2016 93 comentários

CONHECENDO A LINHA DOS CAVEIRAS.



 

 Conhecendo a Linha dos Caveiras.

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Ê, Caveira, firma seu ponto na folha da bananeira, Exú Caveira!

Quando o galo canta é madrugada, Foi Exú na encruzilhada, batizado com
dendê.

Rezo uma oração de traz pra frente, Eu queimo fogo e a chama
ardente aquece Exú , Ô Laroiê.

Eu ouço a gargalhada do Exú, É Caveira, o enviado de Pai Oxalá.

É ele quem comanda o cemitério, Catacumba tem mistério, seu feitiço
tem axé. Ê Caveira!

Ê, Caveira, afirma ponto na folha da bananeira, Exú Caveira!

Na Calunga, quando ele aparece, Credo em cruz, eu rezo prece pra Exú,
dono da rua. Sinto a força deste momento, E firmo o meu pensamento nos
quatro cantos da rua. E peço a ele que me proteja, Onde quer que eu
esteja ao longo desta caminhada. Confio em sua ajuda verdadeira, Ele é
Exú Caveira, Senhor das Encruzilhadas. Ê Caveira !

Ê, Caveira, afirma ponto na folha da bananeira, Exú Caveira!
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    Muitas pessoas não compreendem bem a linha dos Caveiras, talvez
pela extensa falta de informações, talvez pelo nome, talvez por
colocarem essa linha em algo sobrenatural, enfim, por vários motivos e
razões as pessoas, inclusive muitos umbandistas temem, evitam, e não
compreendem o trabalho de caridade dessas Entidades de Luz, conhecida
como Exús da linha de Caveira.

    Mas ao entendermos essa linha de trabalho, podemos notar que essas
Entidades sofrem uma grande demonstração de intolerância por parte de
muitos seres humanos, que tem uma mente vazia, sem informações
adequadas e verdadeiras, levando essas pessoas a temerem, não
aceitarem, e se afastarem dessas Entidades maravilhosas e sublimes,
que trabalham em prol da caridade em centenas e centenas de terreiros
espalhados por todo canto.

    O receio por essas Entidades nada mais é que a ignorância de
julgarmos algo ou alguém pela aparência, de não tentarmos entender o
porque das coisas, de não nos deixarmos refletir sobre a vida e os
caminhos tomados para chegar em certas situações.

    Para iniciarmos esse texto, gostaria de frisar muito bem um
detalhe, todas as Entidades de Luz, que levam o nome de Caveira, sejam
elas da linha masculina ou feminina, lutaram com muita dedicação,
honestidade, amor e fé pelas causas de Deus. Tomaram para si a missão
de demonstrar aos seus seguidores as palavras de esperança e fé
enviadas por Deus (Zambi), por Jesus Cristo (Oxalá), e por todos que
pregavam a paz, o amor e esperança.

    Contudo essas maravilhosas Entidades, que quando na vida terrena,
poderíamos chamá-las de Profetas e Profetisas , tinham um inimigo em
comum, independente da região que elas pregavam os caminhos para a luz
e a esperanças das pessoas que buscavam novos caminhos, esses inimigos
eram os grandes imperadores, que reinavam com mão de ferro, e não
aceitavam que nenhuma pessoa, chamadas de pessoas comuns, escravos,
ralé, entre outros sinônimos dados aos menos favorecidos, tentassem
demonstrar alguma coisa diferente as leis sangrentas desses
imperadores insaciáveis pelo poder.

    Certamente quando aparecia alguém que colocava sua fé e suas
esperanças acima das leis desses imperadores, a sentença era uma só, a
morte.


    Voltando agora a nosso tema, a linha dos Caveiras, vamos deixar
claro, que todos dessa linha, sem exceção, eram distribuidores das
graças e das palavras de Deus, cada um deles  com sua própria
história, dentro de seu tempo, de sua região, lutando contra leis
injustas e sangrentas, e claro, cada qual sendo perseguido por seu
algoz, sendo eles imperadores, governadores, senadores, enfim, aquele
que dominava a região, normalmente pela força, escravizando povos e
povos, pelo simples fato de se sentirem os mais poderosos deuses da
face da terra.

    Muitos que hoje se encontram em trabalho de caridade no reino
espiritual e dentro da linha dos Caveiras, foram tomados como "falsos
profetas", e com isso perseguidos intensamente por esses ditos
poderosos.

    Todos esses perseguidos, quando capturados, tinha um julgamento
feito em praça pública, diante de todo o povoado, e nesse julgamento,
coordenado pelo poder maior da região, eram dado duas opções ao réu,
entre as opções estaria a de dizer diante de todos que não existia um
Deus, que o poder divino eram de deuses, e esses deuses eram os
senhores do Império. e claro que assim os poderosos cresciam diante de
todo povo como únicos soberanos, no qual apenas suas leis eram
válidas, destituindo a ideia de um Deus único que era Pai Supremo de
toda a terra.

    A outra opção era não renegar o Deus único, mostrar que dentro do
ser de cada um existia sim uma força poderosa, a fé, a verdadeira fé
que levaria cada um aos braços desse senhor único. Mas, ao escolherem
essa opção, todos sabiam que uma sentença cruel era dada sem a menor
chance ao condenado, o pregador da fé, era considerado como
feiticeiro, que era adepto a bruxarias, e deveria ser queimado vivo na
fogueira em praça pública, para assim servir de exemplo a toda a
população.

    Todos da linha dos Caveiras, jamais renegaram o nome de Deus,
entregaram suas vidas, sendo queimados nas brasas ardentes, mas sempre
elevando sua fé em nome do Pai Supremo.

    Fogueiras eram armadas nas praças, no centro delas um mastro, tipo
um tronco de torturas de escravos. Profetas e Profetisas eram
amarrados nesse tronco, diante deles um algoz carrasco aguardava as
ordens finais dos imperadores sanguinários, que antes de mandar
executar o condenado queimando-os vivos, ainda faziam a última
pergunta aos réus, para demonstrar além do poder sobre tudo e todos,
mostrar ao povo mais carente que não devem abraçar causas do Deus
único, pois para esses imperadores só existiam os deuses do Império,
ou seja eles mesmos.

    Antes da execução da pena, gritavam em alto e bom som se o
condenado desejava renegar as suas crenças, e obedecerem aos deuses do
Império, mas mesmo tendo a certeza de uma morte dolorida e de extrema
covardia, nossos queridos Profetas e Profetisas renegavam com
veemência os imperadores que se julgavam deuses.

    Com isso a sentença era imposta, e nossos herois da fé eram
queimados vivos, tendo suas carnes se desprenderem de seu esqueleto,
fazendo assim com que ao serem retirados dali, seus rostos, mãos, pés
e todo o corpo pudessem transparecer apenas os ossos, com algum sinal
da carne dilacerada.

    Todos esses condenados, que não renegaram sua fé, que antes
lutavam contra os imperadores para trazer as seus seguidores uma vida
sem humilhações, sem fome, sem escravidão, foram abraçados pelo Deus
único, que os abençoaram com a divindade de voltarem aos trabalhos de
caridade aos menos favorecidos, e essa volta a caridade foi feita com
a irradiação espiritual da linha abençoada, chamada da linha dos
Caveiras.

    Esses trabalhadores dessa linha de fé, com seu grandioso poder de
humildade e fé, fizeram um pedido a Zambi, que viessem aos trabalhos
de caridade com a aparência de sua última passagem na vida terrena, no
instante de seus desencarnes, para que assim demonstrassem a
intolerância e a covardia que sofreram enquantos encarnados, por
parte dos imperadores da época, para que assim não fosse esquecido
toda aquela arrogância e maldade, e assim não deixar crescer
novamente a ideia de deuses do império, julgando, condenando e
assassinando aqueles que só tinham no coração a bondade, a
distribuição da esperança, a elevação da fé e o amor e dedicação ao
Deus Único.

    Por esse motivo é que essa linha de luz leva o nome de Linha dos
Caveiras, e todos que nela trabalham levando a fé, amor e esperança,
tem a aparência de um esqueleto. Portanto não tem nada a ver com
que muita gente sem informação prega, dizendo que quem trabalha com
essa linha, trabalha ao lado do mal, trabalha a favor da morte,
trabalha para feitiçarias ou bruxarias. Essa linha trabalha
exclusivamente para e pela caridade em nome de Zambi (Deus) e de todos
os Orixás.

    Como foi dito acima cada Entidade de Luz dessa linha, tem sua
história no tempo de encarnado, assim como todas as Entidades
trabalhadoras. Dentro dessa linha temos alquimistas, generais, padres,
condes e muitas pessoas do povo, que se entregaram a sua fé e lutaram
para mostrar a todos um Deus benevolente, amável e caridoso,
extremamente diferente dos deuses do império.

    Abaixo relacionamos alguns trabalhadores dessa linha para
entendimento e esclarecimento.

Exú Caveira: Foi um padre no século VII. Deixou o sacerdotismo no
catolicismo por não entender o domínio dos Imperadores sobre a igreja,
mesmo a igreja pregando o nome de Deus, se curvavam aos deuses do
império. Assim partiu pregando o Deus único ao povo europeu, e foi
condenado a morrer na fogueira no ano de 897 DC.

Tatá Caveira: Foi um agricultor e pastor de cabras e ovelhas na região
do Egito, durante o século V. Tinha a ideia de pregar o amor do Deus
único a todo o povo da região. Por esse motivo a aldeia onde ele vivia
foi invadida pelos soldados do império, muitos foram mortos e dezenas
aprisionados. Dentre esses aprisionados, se encontrava Tatá Caveira,
que nessa época tinha o nome de Próculo, em homenagem a um conhecido
chefe da guarda romana, junto a ele foram presos também mais 49
seguidores da crença em um único Deus, todos julgados, condenados e
queimados na cruel fogueira da intolerância. E assim foi dada a origem
de senhor Tatá e sua legião de 49 Exús da linha de Caveira.

João Caveira: Foi um fiel conselheiro de um senhor feudal na idade
média. Em um certo período, tendo ele que dar uma opinião em um caso
muito complicado no feudo, devendo ele dar um parecer para que fosse
decidido a questão, sendo esse fato algo que se fosse favorável,
de uma forma, agradaria a todos os senhores, e de outra forma ajudaria
a todos os desafortunados da região, fazendo assim a justiça acontecer
naquela região sobressaltada de injustiças. Porém ao escolher o lado
dos desafortunados, fez nascer a ira dos senhores feudais, que após
algum tempo de uma caçada implacável, foi capturado, julgado e
condenado a fogueira.

Rosa Caveira: Viveu encarnada por volta do século XXXIV, sendo ela
esposa de um renomado Senador Romano, que se utilizava do poder que
tinha para demonstrar força e prepotência sobre o povo judeu, que fora
escravizados pelo império. Rosa Caveira, que na época era conhecida
como Rosa Postumio, não compartilhava com as ideias assassinas dos
nobres daquela região. Tinha no coração a bondade, a humildade, o amor
pelo semelhante, coisa que era heresia nesse tempo. Foi vista pelos
servos e escravos como uma benfeitora, uma verdadeira heroína. Ficou
reconhecida por auxiliar, lutar e cuidar dos escravos. Com isso o
grande império, determinou que ela fosse presa, contudo com o renome
de seu esposo Senador, conseguiu a liberdade, com a promessa de que se
tentasse novamente auxiliar os menos favorecidos, seria condenada a
morte. Ela não obedecendo, retornou a caridade, e assim, foi presa,
julgada e condenada a fogueira, e seu esposo preso.

Doutor Caveira ou Sete Caveiras: Viveu entre os Gauleses pelos meados
do ano 700 A.C, e tinha já nessa época o dom de curar enfermos. Porém
era mantido em cárcere pelo império, sendo ele obrigado a só utilizar
seus dons em nobres, em guerreiros, ou em quem fosse autorizado pelo
império, que lamentavelmente não era nas pessoas menos afortunadas.
Quando Sete Caveiras conseguiu se desvincular de seu cárcere, fugindo
para as pequenas cidadelas da região, pôs em prática seus dons de cura
em favor dos adoentados desafortunados. Porém ao saber desses feitos,
os senhores do império mandaram vasculhar toda a região, trazendo o
Doutor Caveira capturado, e sem mesmo ser julgado, foi levado a
fogueira.

    Temos vários outros casos e histórias de diversos trabalhadores
pela caridade nessa linha dos Caveiras, mas deixaremos apenas esses
como ilustração.

    Finalizando gostaria de frisar que essas Entidades maravilhosas de
Luz, impõe um certo receio em algumas pessoas, mas a verdade é que
esses grandes trabalhadores da seara do Pai, são Exús incompreendidos,
pois sua aparência não representa a morte, mas sim a essência de todos
nós seres humanos, pois sabemos que todos temos uma caveira dentro de
nós. E essa simbolização representa que devemos nos livrar das coisas
mundanas, e vivermos apenas pela nossa essência.


    Salve nossa maravilhosa linha dos Caveiras!

    Salve todos os Exús e Pombo Giras da Linha dos Caveiras!

    Laroiê!!!

Carlos de Ogum.



segunda-feira, 30 de maio de 2016 81 comentários

História da Erê Mariazinha da Praia

             


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Mariazinha da beira da praia,
como é que balança a saia?

É assim, é assim, é assim,
é assim que balança a saia.
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Mariazinha nasceu na beira do rio,
na beira do rio lá no Juremá.
Mariazinha nasceu na beira do rio,
na beira do rio lá no Juremá.
Aonde a lua brilha, clareia cambina.
Clareia mata pra Ibeijada brincar.
Aonde a lua brilha, clareia cambina.
Clareia mata pra Ibeijada brincar.
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    Mariazinha da Praia é uma Entidade da linha das crianças que traz
sua meiguice e sua alegria para os Terreiros de Umbanda, e neles faz a
caridade a quem necessita de ajuda espiritual.

    Como toda linha de Ibeijada ela adora brincar, balançar seu
vestidinho, sorrir, e claro comer seus docinhos e balas enquanto faz
seus trabalhinhos para a caridade.

    Muitas são as Entidades de luz que usam o nome de Mariazinha da
Praia, mas hoje esse texto vai demonstrar a história de uma
específica, a história de Mariazinha da Praia, a pequena menininha
que curava os males das pessoas necessitadas com a água do mar, areia
e conchinhas. Essa linda menininha de olhar carinhoso, de sorriso
tímido, de ar um tanto envergonhado, e a nossa amada Entidade de Luz,
que busca fazer a caridade no Terreiro Pai Ogum Megê (TUPOM),  e que
vamos contar um pedacinho de sua história, que nos foi revelado pelos
nossos amados Pretos Velhos da casa, além da própria Mariazinha.


    Mariazinha nasceu em uma região praieira do Sudeste do Brasil, no
início do século XX. De uma família sem muitos recursos, seus pais
eram pescadores e trabalhavam sobre o domínio de grandes negociadores
de peixes e frutos do mar, com esse fato a linda menina de olhar
tímido passava a maioria do tempo de seu dia admirando a beleza
encantadora do mar, e relembrando o que sua avó, que já tinha partido
para os braços de Oxalá, dizia sobre as magias e as bençãos daquela
imensidão de águas cristalinas, e também sobre a linda rainha dos
mares, na qual a velha senhora a chamava de "princesa Janaína".

    Mariazinha, ainda uma pequenina criança, ficava encantada com
tudo aquilo, seus olhos negros brilhavam de emoção ao se aproximar da
areia fina e das águas dançantes pelo poder das ondas, seu coração
palpitava quando ouvia o som das ondas e sentia o cheiro
inconfundível da maresia.

    Certa tarde em que o Sol já estava se pondo, a maré baixa, os
pescadores se encaminhando a suas choupanas para uma noite de
descanso, Mariazinha sentada a beira do mar, brincando na areia, com
seus pensamentos voltados a aquele momento de paz, se surpreende ao
escutar uma voz feminina, doce, meiga e amável chamando por seu nome,
por um instante ela imaginou ser a sua mãe, mas ao levantar seus olhos
fintou uma linda imagem de mulher, de lindos cabelos longos, sorriso
encantador, vindo em sua direção, parecendo plainar sobre as águas do
mar.

    A menina nem por um instante teve medo, apenas se levantou, sorriu
de volta a bela mulher, sentiu seu coração acelerar em uma emoção
indescritível.

    A mulher levando as mãos até as mãos da menina, as pegou com
carinho, acariciou-as e disse com uma voz amável quase sussurrando:

    "Menina Maria, sei que é uma criança especial e iluminada, sei que
apesar de sua pouca idade vai compreender muito bem o que vou lhe
dizer nesse momento. Você é uma escolhida de Deus, uma criança de
grau espiritual elevado, tem a proteção de todos os Orixás,
principalmente a minha, sua Mãe Iemanjá, ou como dizia sua amada avó,
a "princesa Janaína".

    Você minha doce criança, tem uma missão em sua caminhada, com seu
gesto de amor, carinho e fé, vai auxiliar a compreensão dos seres
desse vilarejo. Com sua fé e seu amor, vai salvar centenas de vidas de
crianças inocentes, mulheres sem proteção e homens que buscam viver em
paz. Isso não vai demorar acontecer, logo deverá demonstrar seu poder
de amar e de curar. A cura deverá vir através da magia das águas dos
Oceanos, através dos alimentos que os mares oferecem, das algas que
brotam nos fundos desses mares. Com essas coisas você vai auxiliar o
combate a uma grande peste que cairá sobre todos desse vilarejo, sendo
bem afortunados ou não. Essa peste além de trazer muitas mortes em
todo povo, vai trazer discórdias entre os homens, fazendo assim que
aqueles que sobreviverem a peste, morrerão por intermédio do ódio
espalhado pelos próprios homens.

    Você deverá curar a maioria dos adoentados, sejam eles do lado dos
trabalhadores ou dos negociantes, não deve se deixar enganar por
falsos profetas, ou pessoas que não veem o desespero de seus
semelhantes. E após isso, vai ter uma grande decisão a tomar, se tomar
a acertada acabará com a peste e com o ódio, fazendo assim os homens
trabalharem em conjunto para a salvação de seus semelhantes. Mas
lembre-se, ao tomar essa decisão, mesmo sendo uma criança em tenra
idade, não deverá ser tomada pelo medo, estarei sempre a seu lado, e
no momento certo você virará um Anjo iluminado a serviço da caridade
em nome de Deus, e eu estarei aqui para lhe ajudar a entender esse
caminho.

    Também será concedida a alegria, de enquanto você auxilia seus
semelhantes, a presença espiritual de sua caridosa avó, senhora que
tanto lhe ama e deseja lhe dar proteção nessa caminhada. Portanto
nunca estarás só.

    Aqui lhe dou a benção e a proteção, ao se sentir receosa, basta
apenas rezar com sua fé infantil."

    E assim a linda Mãe Iemanjá partiu plainando sobre as águas
azuladas do grande mar, indo em direção ao horizonte até desaparecer
dos olhos da menina que estava extasiada.

    Ela com lágrimas nos olhos, ainda sem saber o que viria realmente
pela frente, por um instante sentiu medo, suas lágrimas rolaram como
gotas de cristal, entrelaçou seus dedinhos das mãos uns com os outros
demonstrando a verdadeira idade infantilizada daquela menina tão
pequenina, mas que deveria ser uma grande guerreira a partir desse
momento.

    Ela se vira para a direção do vilarejo e caminha, se sente um
tanto fragilizada e temerosa, acreditaria que não seria capaz de uma
missão tão grande, sendo ela apenas uma criancinha. Suspirou
profundamente, secou as lágrimas que teimavam em cair, e se sentou
novamente nas areias finas da linda praia cercada de palmeiras
verdejantes. Teve medo de retornar ao vilarejo, teve medo de estar em
delírio, teve medo de falhar.

    Sentada ao chão arenoso, de pernas entrelaçadas uma a outra,
levou as mãos ao rosto meigo e angelical, como se tentasse se esconder
do mundo. Sentiu um afago em seus cabelos longos e negros, assustada
deu um sobressalto e viu a seu lado a sua doce avó que tanto amava,
que lhe disse com carinho:

    "Venha meu Anjo, vamos retornar a choupana de seus pais, deverá
dormir e descansar bastante. Esses dias serão de reflexão, e dentro de
alguns dias o trabalho árduo se iniciará, você deverá ter forças para
essa jornada, até chegar o dia que estará junto a mim."

    E juntas se foram para o vilarejo. Ao chegar na choupana em que
residia, olhou aos lados, viu várias crianças de todas as idades
brincando, homens e mulheres refazendo suas redes de pescas
danificadas por algum motivo durante a lida no mar, seus pais na porta
do pequeno casebre em conversas sobre a rotina do dia a dia. E nisso a
menina entendeu que era uma missão grandiosa, mas que ela deveria
fazer com a força e o amor de Deus e dos Orixás.

    Ela correu ao encontro dos pais e os abraçaram, como o inicio de
uma despedida. E ali entendeu que seu destino já estaria traçado.

    Os dias se passaram, e conforme esperado a peste começava a tomar
o corpo físico de várias pessoas do vilarejo, se espalhando
rapidamente entre todos, inclusive pelos senhores de grandes posses
que ali vinham negociar os pescados.

    A primeira morte foi anunciada com temor entre os moradores do
vilarejo, todos buscavam soluções mas sem nenhum êxito. Os males se
espalhavam como fogo em pólvora. Homens, mulheres, crianças, idosos,
ricos, pobres, de todas as crenças e de todas as raças, ninguém
escapava da veracidade da peste maligna.

    Com o domínio da peste sobre todos, os grandes negociadores, com
suas prepotências, seus desamores e suas ganâncias, determinaram que
deveriam encontrar culpados pela grandiosa desgraça que estava
acontecendo. Com isso abriram uma guerra contra os enfraquecidos
pescadores, dizendo que eles teriam trago a peste a região, e deveriam
ser expulsos dali, e os que teimassem em ficar deveriam ser mortos e
terem os corpos queimados para evitar a disseminação da doença.

    Os pescadores não tendo para onde ir, e como trabalharem para
sustentarem suas famílias, decidiram ficar e guerrear contra os
grandes senhores de poder aquisitivo elevado, e assim começara uma
guerra maior que a guerra contra a peste maligna.

    Com esses fatos a menina Mariazinha foi em busca das forças dos
mares para poder tentar paralisar a peste, assim como teria dito a sua
amada Mãe Iemanjá.

    E assim ela o fez, no meio de mortes pela doença ingrata e pelo
ódio entre os homens, ela se ajoelhou diante do mar, pediu
ensinamentos, e o que deveria levar e fazer para auxiliar os doentes.

    Do mar saíram várias Sereias, filhas de Iemanjá, e em suas mãos se
encontravam peixes, crustáceos, algas, e várias outras coisas do fundo
do mar, entre essas Sereias uma trazia um grande jarro com água, e
outra trazia nas mãos os raios do Sol e o brilho da Lua.

    Chegaram bem próximas a orla, Mariazinha adentrou nas águas do
mar, recolheu os peixes e algas, por um instante não sabia muito bem o
que fazer com eles, mas ao seu lado estava a sua amada avó, que foi
lhe dando instruções de como proceder.

    Com a ajuda de sua querida avó, Mariazinha ia pegando das mãos de
cada Sereia um elemento e colocando no jarro, já com as águas sagradas
do mar.

    Macerou algas de diversos tipos, colocou vários peixinhos e
pequenos crustáceos no jarro, que quando eram colocados em seu
interior se transformavam em minúsculos fachos de luzes brilhantes e
coloridas, fazendo com que a linda menina sorri-se se distraindo
deixando aquele momento de ajuda ao próximo ainda mais gratificante.

    Ao acabar a mistura da água, peixes, crustáceos e algas, foi
pedido a menina que ela fizesse uma oração com toda fé de seu coração
e com todo amor de sua alma, e assim ela o fez. Nesse instante as duas
Sereias que traziam nas mãos os raios do Sol e o brilho da Lua,
imantaram a doce menina com eles, e das pequenas mãozinhas da criança
saiu pequenos raios indo de encontro com o jarro sagrado. Após alguns
minutos assim, as Sereias retornaram para o fundo do mar, deixando a
menina apenas com o espírito de sua avó.

    A doce senhora, em luz espiritual, instrui a neta a colocar a água
do jarro em pequenas moringas de barro e levar para o vilarejo o mais
rápido possível, afim de mostrar a todos o poder de cura existente
naquela água, e tentar buscar a paz entre os homens que guerreavam
buscando um culpado pela disseminação da peste.

    A menina foi de volta ao vilarejo, distribuindo a água da moringa,
e ao beberem as pessoas adoentadas logo demonstravam melhoras, abrindo
os olhos, se levantando de seus leitos, controlando a respiração que
antes se apresentava pesada e muito difícil.

    Os moradores do vilarejo entenderam que era uma água sagrada que
vinha curar a todos, e por intermédio das mãos daquela menina
abençoada pelas forças do mar, chegaram até eles para disseminar a
cura e a paz.

    Muitos que já se sentiam fortalecidos, correram para junto da
menina, demonstrando a vontade em ajudá-la, com moringas nas mãos, a
seguiram até o local onde se encontrava o jarro sagrado, enchiam com a
água preparada, e corriam de volta ao vilarejo, e em toda a região em
torno dele, onde também se encontravam várias pessoas sofredoras pelos
males da peste. Pessoas essas que antes desejavam aniquilar todo o
vilarejo, alegando que era dali que se espalhava todo o mal.

    Os ânimos, que antes exaltados, ficaram mais tranquilos com a
notícia de que estava acontecendo um "milagre".

    A menina Mariazinha, juntamente com o espírito de sua avó, ia até
a linda praia, refazia com amor e fé toda a mistura de água, peixes e
ervas, trazidas pelas Sereias, além de imantar com os raios do Sol e
o brilho da Lua, como da primeira vez.

    O trabalho foi intenso e árduo, mas o resultado foi uma vitória a
todos. As pessoas, nitidamente estavam fortalecidas, agradecidas,
felizes e com a fé e as esperanças elevadas.

    Dentre todos os adoentados se encontravam a família de um grande
negociador, de muitas posses, de estrema intolerância e
prepotência. Esse negociador, com seu poder de indução, e poder maior
econômico, foi que levou o aumento do ódio das pessoas que rodeavam a
região do vilarejo, contra os seus moradores, fazendo assim com que a
guerra da intolerância e ódio crescessem. Mas tão debilitado quanto
todos, agora se arrastava em sua residência, sofrendo os males da
peste.

    Ao saber das curas que estavam ocorrendo pela região, pelo
intermédio da água sagrada e pela pequena criança, ordenou a um de
seus serviçais que fosse com urgência até o vilarejo e trouxesse a
cura a ele e a sua família.

    Dentre as pessoas da família desse famigerado negociador, tinha
sua filha, menina doce e meiga, com apenas 5 anos de idade, na qual a
peste atacou com toda a força e sem piedade.

    A menina inerte em seu leito, demonstrava que sua vida se findaria
em poucas horas, despejando assim um grandioso desespero ao negociador
e sua esposa. Vendo o sofrimento da sua pequena filha, o homem
determina que seja trago, o mais rápido possível, o santo remédio para
aliviar suas dores.

    Assim foi feito, o serviçal saindo como um relâmpago em seu baio,
foi até o vilarejo e retornou com uma moringa com a água da cura.

    Todas as pessoas da família do negociador e mais alguns serviçais,
tomaram a água, e logo após sentiam a melhora de uma forma
inexplicável. Porém a menina, filha do poderoso homem, não obteve
nenhuma reação. De olhos fechados, muito debilitada, febril,
continuava inerte, para desespero do homem e sua esposa, que já se
encontravam extremamente mais fortes.

    A febre da menina não cessava, e a cada instante parecia aumentar,
já causando convulsões, sua pele ressecada, pálida, trazia uma imagem
terrível aos olhos de seus pais, que choravam de desespero.

    O homem negociador então sai em disparada com a menina em seus
braços, e a galopes vai em direção do vilarejo, chegando lá aos
gritos de desespero pedindo ajuda a quem pudesse salvar sua filha.

    Mariazinha corre em direção ao homem, que ao vê-la se atira de
joelhos a seus pés, pedindo perdão pela intolerância com o povo do
vilarejo, pedindo que todos o perdoassem por ser ele o culpado de
iniciar uma guerra entre os ricos, contra o povo menos afortunado.
Pedia perdão a Deus, pedia a salvação da sua inocente filha, clamava
intensamente com lágrimas nos olhos pela cura da menina.

    Pegou nas mãos de Mariazinha com carinho, seu jeito arrogante
agora se transformava em plena humildade, beijou as mãos da menina,
sussurrando que já tinha dado a água sagrada a sua filha, mas não teve
efeito sobre ela. E com um choro verdadeiro e de dor, perguntava a
menina, como ela poderia o ajudar.

    Mariazinha se afasta do homem, se vira em direção ao mar, se
ajoelha e começa a fazer sua oração mentalmente a Mãe Iemanjá, que
logo aparece com sua face serena, bondosa, com um sorriso meigo no
rosto, dizendo a menina:

    "Minha doce Mariazinha, para salvar essa menina da garras cruéis
da morte, deverá acrescentar uma nova alga, que deverá ser pega no
interior de uma caverna que fica submersa. Essa caverna vai estar a
vista com a maré baixa, mas terá pouco tempo para entrar lá, apanhar a
alga correta, que você vai reconhecer logo que a vir, e sair antes da
maré subir novamente. Nesse local só poderá ser você, com seu coração
puro e amoroso, deverá entrar. Nesse local vai entender sobre a
maldade e a injustiça dos homens sem coração. Mas não temas, estarei
aqui para te levar a um caminho no qual, sua luz e sua caridade
amorosa vai lhe entregar nas mãos de nosso amado Deus."

Com isso Mariazinha explica as pessoas presentes o que ela deverá
fazer para trazer a menina adoentada a se restabelecer. Explicando
também sobre a nova alga, a caverna, e que deveria ir só.

    O negociador se levanta deixando toda aquela humildade passageira
no chão, esbravejando diz que ele próprio iria buscar a tal alga, que
não deixaria a vida de sua filha nas mãos daquela criança.

    Algumas pessoas contiveram o negociador que parecia esbanjar ódio
em seu coração, mas Mariazinha, sabendo que o tempo era curto, tanto
para salvar a menina, quanto para a baixa e a subida da maré, saiu
correndo, sem dar atenção ao que o homem esbravejava.

    Chegando nas pedras que levavam a caverna, ela aguardou alguns
minutos, e diante de seus olhos via as águas se abaixarem mostrando a
entrada da caverna um pouco mais abaixo de onde ela estava. Ela desceu
até lá, e entrou, começando a busca pela alga.

    Enquanto isso, por um descuido dos pescadores, o negociador saindo
as escondidas, vai em direção da caverna, para que assim conseguisse,
no pensamento dele, trazer a tal alga rapidamente para salvar sua
filha.

    Parecendo outra pessoa de quando de joelhos estava a pedir perdão
pelas suas atrocidades, o negociador se lembrava dos momentos de dor
que passou pela disseminação da peste, na qual ele julgava os
pescadores culpados.

    Sua mente trabalhava uma vingança tão logo assim sua filha se
restabelecesse. Deveria ele expulsar toda aquela "gente suja" dali
antes que trouxessem mais males e pestes a todos da região.

    Chegando nas pedras acima da entrada da caverna, ele já ia descer
quando notou que as águas começavam a subir, avistou a menina
Mariazinha, que nesse momento já estava com as algas nas mãos, na
entrada da caverna.

    Ele ao vê-la gritou, para que ela se apressasse, pois estava
ansioso para levar a cura a sua filha, e claro, na mente dele, iniciar
uma nova guerra contra os pescadores.

    Mariazinha ao prestar atenção no esbravejamento do homem se
distrai, pisando em uma pequena loca nas pedras da entrada da caverna,
na qual seu pé fica preso.

    Tentando de todas as maneiras se soltar, ela pede ajuda ao cruel
negociador, que diz a ela para lhe entregar as algas, pois ela poderia
deixá-las cair nas águas dançantes do mar. E logo que pegasse as algas
ele iria puxá-la para cima, fazendo assim que seu pé se desprendesse
da loca.

    Ela esticou os bracinhos em direção do homem, a maré já estava
alta, as águas que teimavam em encobrir a entrada da caverna já
estava perto da linha da cintura da pequena criança. Ele esticou os
braços a ela, e com uma ação rápida e covarde pegou de suas mãos as
algas, deixando a menina presa.

    Ele olhou para ela com um olhar de desprezo, as águas da maré já
estava chegando ao rosto angelical da menina, ele deu as costas, e
saiu em passos largos, levando nas mãos as algas e deixando Mariazinha
entregue as forças descomunais das águas do mar, que nesse momento já
tinha encoberto toda a caverna.

    O homem andando sobre as pedras, por um instante se descuida,
escorrega e deixa as algas caírem. Desesperado verifica que ficou
algumas algas presas em algumas pedras logo abaixo de si. Com um
esforço descomunal tenta pegá-las, e ao deitar sobre as pedras e
levar a mão em direção as algas, não nota uma enorme onda de tamanho
desproporcional que vem em direção das pedras, arrastando tudo e todos
a sua frente. Com isso o homem e puxado para dentro do mar, e sem a
menor chance de se salvar, tem seu desencarne de um modo trágico e
dolorido.

    Com o sumiço do negociador do vilarejo, alguns pescadores foram
também em direção a caverna, quando avistaram todo o acontecido.
Retornaram desolados por acreditarem que Mariazinha tinha sido
engolida pela enorme onda também, sem saberem da crueldade feita pelo
negociador.

    Ao chegarem ao vilarejo, relataram os fatos a todo povo, não
sabiam o que fazer com a menina adoentada, que nessa altura sua
respiração estava intensamente fraca. A mãe da menina, esposa do
negociador, sentada ao chão, chorava intensamente, clamava a Deus pela
sua menina, e nesse momento o céu abriu um lindo facho de luz azulada,
e desse facho apareceu a linda imagem de Mãe Iemanjá de mãos dadas com
a linda e sorridente Mariazinha, que trazia em uma das mãos algumas
algas, que foram entregues a sua mãe. E essa adicionou no grande
jarro,que brilhou como que se soltasse raios do Sol.

    Deram a água sagrada a menina, que como em um passe de mágica abre
os olhos, olha para sua mãe e sorri. Seu estado febril chega ao fim,
suas dores se acalmam, ela se levanta e abraça a mãe. Como fosse por
encanto a menina se fortaleceu imediatamente, fica de pé, corre até a
luz que envolvia Mariazinha e Iemanjá, e se ajoelha em agradecimento,
fazendo uma linda oração.

    De mãos dadas a Iemanjá, a menina, que agora era chamada de
Mariazinha da Praia, segue para o mar, recanto que agora seria seu
novo lar.

    Todos ficam encantados com aquela imagem, até mesmo os pais de
Mariazinha, que mesmo com a tristeza de saber do desencarne da menina
na vida terrena, entenderam que ela estaria nos braços e na proteção
da Rainha do Mar, e assim teria a caminhada iluminada para o lado de
Deus, sendo ela mais um anjinho que trabalharia em prol da caridade
divina.

    E realmente foi assim, hoje a doce Mariazinha da Praia tem sua
presença em terreiros de Umbanda, trazendo carinho, amor, paz,
ensinamentos, fé e caridade a seus consulentes.




    Salve a Erê Mariazinha da Praia.

    Oni Ibeijada.



Carlos de Ogum

sexta-feira, 20 de maio de 2016 36 comentários

OS FALANGEIROS DE PAI OXALÁ.

   Os Falangeiros de Pai Oxalá.

    Novamente voltamos a falar de Falangeiros, hoje vamos mostrar os
Falangeiros de Pai Oxalá, o senhor de todos os Orixás.

    Frisando sempre, Falangeiro é aquela Entidade que está somente
abaixo do Orixá, ele comanda as legiões de Entidades e Espíritos que
se afinizam na vibração do Orixá que os governa.


    Os Falangeiros de Pai Oxalá vem dividido da seguinte forma:

Babá Obatalá, Babá Oduduá, Babá Okê, Babá Olofin, Babá Olorun,
Babá Oxaguiã, Babá Oxalufã.

    Para esclarecimento, alguns desses Falangeiros tem o mesmo nome de
alguns Orixás ligados a Oxalá em algumas regiões do continente
africano, mas mesmo obtendo a mesma nomenclatura, são totalmente
distintos.


    Esses Falangeiros tem ligação e fundamento de Oxalá com os
seguintes Orixás:

Babá Obatalá: Tem ligação e fundamento de Oxalá com os Orixás Obaluaiê
e Iemanjá

Babá Oduduá: Tem ligação e fundamento de Oxalá com as Orixás Iemanjá,
Oxum, Iansã e Nanã Buruquê.

Babá Okê: Tem ligação e fundamento de Oxalá com os Orixás Oxossi e
Ossãe.

Babá Olofin: Tem ligação e fundamento de Oxalá com os Orixás Xangô e
Iansã.

Babá Olorun: Tem ligação e fundamento de Oxalá com o Orixá Ogum e o
próprio Oxalá.

Babá Oxaguiã: Tem ligação e fundamento de Oxalá com os Orixás Oxossi,
Oxum, Iansã e Obaluaiê.

Babá Oxalufã: Tem ligação e fundamento de Oxalá com os Orixás Xangô,
Ogum, Omulú e Nanã Buruquê.


    Abaixo falaremos um pouco sobre as características e fundamentos
de cada Falangeiro de Oxalá, mas antes frisaremos alguns detalhes que
se apresentam igualmente entre todos os Falangeiros desse Orixá, isso
para não ficar repetitivo dentro das colocações individuais.

    Todos os Falangeiros de Oxalá usam a roupagem branca, tendo
detalhes de outras cores dependendo da ligação e do fundamento do
Orixá que ele esteja vibrando, portanto os detalhes de cores serão
colocadas em cada Falangeiros, mas todos usam a cor branco como a cor
suprema das vestes.


    Em chegada a terreiros e roças, todos tem o mesmo modo de chegada,
independente do acompanhamento que tenham, ou seja, chegam de forma
leve, sem muitos balanços no médium, sua dança é demonstrando atenção
e proteção a todos a sua volta. Na maioria das vezes essa chegada se
faz com os braços abertos, se fechando em um abraço no próprio peito,
como se estivesse abraçando seus filhos.

    Todos esses Falangeiros tem a ligação com o Sol, demonstrando
assim que por mais complicada que possa estar a situação, em uma noite
longa e tempestuosa, o Sol sempre voltará a brilhar. Mostrando assim a
seus consulentes que nunca devem perder a esperança e a fé.

    Agora seguiremos com mais algumas informações, especificando a
cada um dos Falangeiros individualmente.

Babá Obatalá: De forma e característica jovem/madura, esse Falangeiro
tem o dom da cura de doenças, é protetor das mulheres grávidas, e
conselheiro em prol da união familiar.

    Traz nas mãos o poder de levar males físicos para longe, e sempre
trabalha para a paz, elevando a esperança dos caídos.

    Na sua roupagem tradicional traz também as cores azul claro nas
bordas, ou raiadas na parte da frente.

Babá Oduduá: De característica e forma jovem, esse Falangeiro tem um
fato que é bem diferente de todos os Falangeiros de todos os Orixás,
só incorpora em médiuns mulheres, e dentre todos os Falangeiros de
Oxalá, é o único que é visto como uma Falangeira feminina.

    Suas consultas são feitas com poucas palavras, mas muita atenção
no que o consulente está dizendo. E no finalizar de cada consulta ela
mostra o caminho, sendo bem colocado os acertos e erros da pessoa que
está se consultando.

    Também busca dentro de cada um uma possível obsessão. E caso
encontre, no mesmo momento inicia o trabalho de limpeza desse
obsediado.

    Dizem que essa Falangeira é muito polêmica, a senhora do universo,
útero da terra, mãe dos Falangeiros dessa linha.

    Em  suas roupagens, além do tradicional, podem suas vestes vir
raiadas de azul claro, azul anil, amarelo e lilás.

Babá Okê: De característica e forma jovem, esse Falangeiro tem o dom
de trabalho com as ervas, folhas, raízes e flores. Muito astuto e
sagaz, vem em trabalhos para aliviar as dores de seus consulentes
através das ervas.

    Suas consultas se abrange nesses fatos, caso um consulente chegue
com males de saúde física, mental ou espiritual, esse Falangeiro
observa cada ação e gesto para indicar as ervas ou raízes a serem
utilizadas.

    Sendo ele o senhor dos montes, normalmente leva para lá todas as
mazelas que possam perturbar seus filhos e protegidos.

    Também é nos montes, colinas e montanhas que esse Falangeiro faz
sua morada.

    Aquele que esse Falangeiro tem como protegido, recebe dele força,
poder, paz e segurança.

    Sua roupagem vem com bordas raiadas nas cores verde claro e
amarelo, claro além das vestes tradicionais.

Babá Olofin: Falangeiro de característica e forma jovem/madura, tem
como principal colocação em seus trabalhos a justiça e a vitória de
seus consulentes.

    De extremo bom senso, nunca deixa algo fora da lei espiritual
crescer dentro de seus consulentes. Tem a missão de demonstrar erros e
acertos de cada um. E assim não deixa as mazelas do egoísmo e da falta
de justiça crescerem e tomarem conta de seus protegidos.

    Em sua roupagem, além do tradicional, encontramos as cores marrom
e amarelo raiados na parte da frente, de trás e nas bordas.

Babá Olorun: De característica e forma madura, esse Falangeiro vem com
a missão de vencer todas as demandas e trazer a paz a todos seus
filhos.

    Reina a noite e no dia, sabe de tudo e sobre todos, tem uma
grandeza de justiça infinita, e é o rei de todos os Falangeiros de Pai
Oxalá.

    Sua roupagem vem com a cor vermelho e prata nas bordas,
demonstrando assim que esse Falangeiro tem uma grande ligação com o
próprio Oxalá em seus fundamentos.

Babá Oxaguiã: Falangeiro de característica e forma jovial, tem como
modo de trabalho vencer todas as mazelas, curar o corpo físico,
mental e espiritual de seus filhos, proteger os fetos em
desenvolvimento no ventre das mães e ajudar na proteção de seus
consulentes através de folhas, raízes e ervas das matas sagradas.

    Sua roupagem vem, além do tradicional, com bordas verdes claro,
azul claro e amarelo ouro.

Babá Oxalufã: Falangeiro de característica e formas bem idosa, dizem
que é o mais velho entre todos os Falangeiros de Oxalá.

    Tem como missão auxiliar na hora do desencarne de um filho,
mostrando que esse filho deverá ter o entendimento para seguir a seu
encaminhamento, sem se prender a vida terrena e, i não se deixar
envolver com possíveis cargas de obsessores que possam tentar levar
esse espírito recém desencarnado as profundezas da escuridão.

    São raras as consultas dadas por esse Falangeiro, mas sua presença
dentro de Terreiros e Roças é de tremenda importância, pois é ele que
fica com toda a responsabilidade de observar e mostrar algum
consulente mal intencionado, com cargas de obsessores, com pensamentos
de vingança, entre outras coisas.

    Seu poder maior está na junção dos raios solares com a terra e a
água, fazendo assim com que todos os males captados por ele, sejam
destruídos pelo calor intenso do Sol e enterrado sobre a terra, para
que nunca mais volte a perturbar seus protegidos, filhos e
consulentes.

    Sua roupagem, além da cor tradicional, vem composta de bordas
raiadas em marrom, vermelho, lilás ou roxo e amarelo. Traz nas mãos
uma cruz em madeira, cravejadas com búzios. Isso para fazer com que os
ataques de espíritos obsessores, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros,
sejam neutralizados antes mesmo de chegar ao médium incorporado.


    E aqui terminamos esse pequeno resumo que fala dos Falangeiros do
maravilhoso Pai Oxalá, o grande Pai de todos os Orixás, o senhor da
paz e da bondade. Frisando sempre que é apenas um pequeno resumo, pois
como sempre falamos, se formos falar por completo dessas Entidades tão
divinas, não teríamos espaço e tempo hábil para descrever tamanha
força e poder dessas maravilhas enviadas por Deus para nos socorrer
nas horas de aflição.


Salve Pai Oxalá!

Saravá a Falange e os Falangeiros de Oxalá!

Exê Uepe Babá.


Carlos de Ogum.


terça-feira, 10 de maio de 2016 87 comentários

HISTÓRIA DA CABOCLA JANAÍNA.




    História da Cabocla Janaína.

    Eu vi um peixe,
na beira d'água,
solte os cabelos Janaína,
e caia na água.

    Ela é princesa,
ela é feminina,
vamos saravar,
a Cabocla Janaína.

**********************************************************************

    Nos primórdios tempos em que o homem branco colocou a ganância
acima de seu bom senso e partiu em massacre contra os índios, para
lhes roubarem as terras e suas riquezas, nascia uma pequena índia no
meio da floresta, e entre guerras desordenadas entre o homem branco e
índios e a beleza do reino de Pai Oxossi, vinha a esse mundo sem lei a
pequena índia Janaína.

    Seu pai, o cacique daquela tribo de índios e índias valentes, em
um grande ataque dos brancos, lutou pela sua gente até que fora
assassinado covardemente, entregando seu espírito ao Rei das
florestas, Pai Oxossi, Orixá no qual o guerreiro cacique tinha tanta
adoração.

    Sua mãe, uma guerreira de uma tribo valente, que tinha uma vida de
luta, para junto com suas amazonas guerreiras, defenderem suas terras
e sua gente custasse o que custasse, mesmo estando sobre a grande
pressão de um ataque dos homens brancos e grávida, ainda lutava. Mas
ao ver o corpo inerte de seu amado cacique, pai de sua filha, a jovem
índia guerreira desabou. E com a sua gestação já chegando ao dia
limite, ela teve que naquele momento fazer algo que dentro de si
achava impossível, fugir, deixar para trás seu povo, suas terras
sagradas, sua vida.

    Mas deveria preservar a vida de sua filha, deveria partir dali,
buscar um lugar tranquilo para quando chegar o momento do parto, ela
ficasse segura, para assim dar segurança a sua pequena menina.

    E assim foi feito, a jovem índia, com as dores do parto, com as
dores de uma perda, com as dores em seu coração dilacerado pela
maldade dos homens brancos sobre seu povo, ela partiu se embreando
pela floresta que no mesmo momento que era encantadora era
assustadora.

    Ao chegar em um certo ponto da floresta fechada, onde se ouvia
apenas o som dos ventos nas folhagens das árvores e os ruídos de
vários animais que habitavam aquele espaço, a índia, fraquejada, se
deita ao chão, pedindo aos espíritos da floresta que a ajudassem a ter
sua criança, e que conseguisse sobreviver para ver essa criança
crescer e ser uma guerreira, que lutaria em prol de seu povo.

    O parto aconteceu, após algum tempo de dores intensas, a criança
veio ao mundo. Era uma linda menina, uma indiazinha de rosto meigo e
belo. E após tantos acontecimentos, após a grande pressão de um ataque
dos homens brancos, e estando sozinha no meio da floresta, fica
encantada ao ver pela primeira vez o rosto angelical da pequena
indiazinha

    Raios de sol atravessavam as densas folhagens das árvores,
gigantescas, esses raios chegavam até a pequena menina, como parecendo
a proteger de tudo e todos.

    A índia sabia que não deveria ficar ali por muito tempo, deveria
buscar abrigo. Animais selvagens, homens brancos gananciosos, tudo
poderia acontecer. E ela em um esforço tremendo, partiu para a busca
de um abrigo.

    Com a menina nos braços, a índia caminhou por algumas léguas, até
que na saída da floresta e entre uma linda praia, seguiu até uma gruta
nas pedras que daria para o mar. E lá ela ficou, para descansar,
alimentar-se e alimentar a pequena índia.

    Alguns dias se passaram, a índia mãe já estava bem mais forte, sua
pequena estava linda. A índia mãe passava seus dias admirando sua
filha, buscando alimento para ela e sentada nas rochas observando, de
um lado a imensidão do mar, e do outro a extraordinária beleza da
floresta. Até que certo dia, a índia se encontrava de olhos fixos no
mar, sem perceber que a seu lado havia uma linda mulher envolvida em
um manto azulado. De olhos fixos também para o mar, a mulher diz em
voz meiga e serena:

"A grandeza das águas do mar, quando junta-se com a imensidão do azul
do céu, transforma-se em um grande poder, um poder que só é comparado
ao amor de uma mãe por um filho."

    Ao ouvir isso a índia deu um sobressalto, envolvendo sua pequena
menina nos braços, em um abraço de proteção.

    A bela mulher com seu manto azulado então diz:

    "Não se assuste minha filha, não lhe farei mal. Cá estou para
pedir-lhe que se afaste daquela gruta essa noite. O mal vai nela
chegar em busca de descanso, para reabilitação e assim terem forças
para novos povos massacrarem. Contudo enquanto nesse descanso
estiverem, o mar vai julgar e dar a sentença de cada um desses
assassinos. Não queria que você e sua princesa estejam lá,
principalmente nas mãos dos homens brancos, que a ganância os fizeram
seres das profundezas, e também não desejaria que estivessem na
sentença da calunga grande. Por isso peço que se afaste essa noite
dessa gruta, levando sua criança. Criança essa que eu me sentiria
imensamente feliz que tivesse o nome de Janaína."

    A índia agradeceu a proteção, obedeceu a linda mulher e partiu.

    A noite chega, do alto de um monte a índia observava a praia e a
gruta. Seus olhos estavam cansados, seu corpo fatigado pelo extenso
tempo que andara para chegar naquele ponto. Acreditava que algo ia
acontecer. Ficava tentando se lembrar de cada palavra que a mulher
lhe teria dito.

    Mas quem seria aquela mulher?
    Porque ela queria que sua menina tivesse o nome de Janaína?

    Perguntas sem respostas.

    E no meio dessa reflexão, a índia se assusta, observando vários
homens brancos, trazendo tochas acesas nas mãos, falando alto,
gargalhando, e chegando a praia, indo direto para a gruta, gruta essa
que a algum tempo atrás ela estaria se apropriando.

    Ela agradece por não está lá, agradece aos deuses das matas, e
agradece mentalmente a bela mulher de manto azul.

    A madrugada chegou, na gruta os homens já não faziam mais
barulhos, pareciam que todos dormiam. Sem que ela percebesse do local
que estava, a maré começa a subir, e quando ela deu por si, toda a
gruta estava encoberta, numa rapidez intensa, que não foi dado a menor
chance daqueles homens saírem.

    O cansaço tomou conta da índia, que adormeceu. Quando desperta o
Sol estava intenso, o céu azul, o mar lá embaixo estava tranquilo, e a
seu lado a linda mulher de manto azul.

    Ela olha para a mulher sorrindo, que lhe retribui. A mulher diz a
ela que deverá voltar a gruta, e lá deveria ficar até a sua pequena
filha começar a dar seus primeiros passos.

    A índia teme pelo novo aumento da maré, mas a mulher a tranquiliza
dizendo que não vai mais acontecer esse fato, e que a partir daquele
dia aquela gruta seria o local onde a sua pequena menina iria se
transformar em uma guerreira, e iria usar disso para salvar seu povo
da ganância dos homens brancos.

    O tempo passou, a menina cresceu, e já ensaiava seus primeiros
passos. E foi aí que a mulher novamente vem a mãe índia e diz:

    "Já é hora de partir desse lugar, essa foi a primeira gruta que
deveríamos ficar com a sua pequena guerreira. De um total de sete
devemos passar por elas até a menina completar seus 13 anos."


    E assim foi feito, a menina Janaína passou por sete grutas,
chamadas de "grutas mágicas", desde o seu nascimento até completar
seus 13 anos. Em cada uma dessas grutas ela tinha a companhia de sua
mãe, e da mulher de manto azul, que por diversas e diversas vezes, a
ensinava a magia de trazer as energias o mar e das florestas.

    A menina acabara de completar seus 13 anos, quando a bela mulher
veio até ela e disse:

    "Jovem Janaína, você está pronta para voltar e libertar seu povo.
Agora você é uma guerreira das matas. Você tem o sangue guerreiro de
seu pai da terra e de sua mãe que era uma amazona. Ambos tinham a
proteção do Orixá Ogum e do Orixá Oxossi. Essa proteção agora está
com você, mas com um teor diferente, pois hoje você tem a proteção e
os ensinamentos de Iemanjá. Você é uma guerreira diferenciada, tem o
dom de lutar e vencer, e tem o dom de dar a força e as energias do mar
e das florestas as suas guerreiras comandadas. Você hoje não é só uma
amazona guerreira, você é o caminho e a luz que todas as amazonas
guerreiras deverão seguir."

    Ela compreende, e mesmo sendo uma menina na idade terrena, já era
uma guerreira vencedora e dominadora na vida espiritual, pois ela
tinha dentro de si todas as energias dadas pelo mar e pelas matas,
afim de comandar uma legião das mais belas e lutadoras guerreiras de
todos os tempos nas florestas de Pai Oxossi.

    E assim ela se foi, junto a sua mãe para o interior da imensidão
da floresta.

    Tempo a tempo, ela se embrenhava nas matas, indo ao encontro de
novas amazonas, de várias idades e tribos, e após algumas palavras e
gestos, as guerreiras entendiam que a Cabocla Janaína era a líder que
buscavam a tanto tempo.

    Assim sendo a Cabocla Janaína formou seu exército de amazonas
guerreiras, dando um grande orgulho a sua mãe.

    E enfim chegou o grande dia, a de libertar os povos índios das
garras malditas dos homens brancos. Tudo foi preparado pela Cabocla
guerreira, toda a sua legião de amazonas aguardavam as ordens de
ataque em vários pontos da floresta, que foram tomadas pelos homens
brancos, que escravizavam os índios de uma forma cruel e covarde.

    E foi dada a ordem de ataque, cada passo dado acima do grandioso
número de brancos era uma vitória para a Cabocla Janaína.

    Aquela guerreira de grito poderoso, de ações intensas e certeiras,
de demonstração de força, não parecia ter a pouca idade que tinha. Era
uma águia atacando suas presas, um leão que dominava todo seu bando,
sua força contagiava todo o grupo de lutadoras, fazendo assim com que
fosse quase impossível de dominá-las.

    Mas os homens brancos quando são tomados pela ganância não tem
limites, em uma junção de centenas de homens dispostos a matar ou
morrer pelas riquezas da terras indígenas, e claro continuar
escravizando os índios, se fecharam em cerco , fazendo assim com que
um grupo de amazonas que estaria um pouco distante da maioria delas
fossem cercadas. Com um sorriso sarcástico no rosto, o líder dos
homens brancos, manda seus comparsas eliminar todas que ali estavam.
Diante disso, ao observar a cena, a guerreira Janaína se coloca na
frente do grupo de guerreiras, e se utilizando dos ensinamentos de sua
protetora Iemanjá, busca um campo de energia do mar, da floresta e das
sete grutas, fazendo assim uma grande camada de energia que protege
todas as guerreiras das centenas de armas de fogo que foram usadas
contra elas.

    O líder dos homens brancos fica apavorado ao ver aquele feito, com
um grande receio, acreditando em uma possível magia vinda dos
espíritos da floresta, ele bate em retirada, junto com toda sua tropa
de assassinos e ladrões.

    As amazonas venceram, com a liderança e toda a sabedoria da
Cabocla Janaína, e todas festejaram essa grande vitória.

    Nos festejos e nas junção das tribos, diante de uma grande
fogueira, onde se encontrava a Cabocla Janaína, a sua mãe e alguns
caciques de tribos vizinhas, poderiam ser visto por todos as lindas
imagens de Pai Oxossi, senhor das matas, de Pai Ogum, senhor da guerra
e paz e da linda Iemanjá, protetora das amazonas, e claro da linda
Cabocla Janaína.


    Hoje essa linda Cabocla guerreira trabalha em prol da caridade nos
Terreiros de Umbanda, trazendo paz, justiça, vitórias, quebrando
magias e usando a energia dos mares, das florestas e das sete grutas
para proteção de seus filhos e consulentes.

Saravá a Cabocla Janaína!

Okê Cabocla linda e guerreira!

Carlos de Ogum.






 
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