sexta-feira, 30 de setembro de 2016 92 comentários

Mensagem de Vovô Rei Congo das Almas

             


    Hoje passarei aqui uma mensagem dada pelo meu amado e incomparável
Mentor, o meu protetor e tão querido Preto Velho, Vovô Rei Congo das
Almas.

    Essa mensagem é uma reflexão à todos, e claro que para alguns vai
ser apenas mais uma mensagem, porém para outros será um novo caminhar,
no que pode se falar sobre Umbanda.

    Essa mensagem foi nos passada com intuito de entendermos a
verdadeira Umbanda, e deixarmos esses pensamentos retrógrados passados
por pessoas sem informações, que só sabem usar da intolerância para
ofender a nossa amada religião, ofendendo nossos Orixás e nossas
Entidades de Luz.

    Essa mensagem vai servir muito também as pessoas que se adentram
em uma casa de Umbanda somente com intuito e a falsa ideia de que
poderá lá, fazer algum tipo de mal a seu semelhante.

    Portanto, prestemos atenção aos dizeres de vovô Rei Congo das
Almas.
********************************************************************

    "Meus filhos e filhas amados, sendo umbandistas ou não, vamos
entender que Deus é único, e sendo único ele está vivo em todas as
religiões. E se está em todas as religiões ele está em nossa amada
Umbanda. E se Deus está na Umbanda, podemos então certamente afirmar
que todos os Orixás e todas as Entidades de Luz são mensageiros de
Deus, são Anjos de Deus, são a luz de Deus para iluminar os caminhos
daqueles filhos que necessitam de uma caridade espiritual para seguir
suas vidas, sem se deixarem abater pelos obstáculos que surgem a todo
instante nessa caminhada.

    Imaginemos filhos amados, toda a luz, toda a força, toda a
caridade e todo desprendimento dessas Entidades maravilhosas.
Imaginemos o quanto são divinas essas Entidades de Deus, imaginemos a
luta constante dessas luzes maravilhosas para manter em linha reta os
filhos que necessitam desse auxilio. Imaginemos amados filhos e filhas
a pureza de coração que cada uma Entidade dessas que se entregam a um
trabalho de caridade em terreiros e centros de Umbanda tem.

    Agora deixemos de imaginar tudo isso e vamos refletir o que os
irmãos que vão a um terreiro de Umbanda pedem a essas Entidades de
Luz.

    Muitas pessoas vão ao encontro delas e pedem paz, saúde, harmônia,
compreensão, vitórias, ou mesmo pequenas necessidades do dia a dia.
Porém uma grande maioria só adentram em uma casa de caridade com
pedidos desconexos, pedidos de maus sentimentos, pedidos que vão
contra as leis da Umbanda e do próprio Deus.

    Filhos, não se entreguem ao ódio, ao rancor, a soberba, a vaidade,
a inveja, a prepotência, a falta de amor próprio, as amarguras, e a
falta de humildade.

    Não levem esses sentimentos obscuros a uma casa de Umbanda, não
façam pedidos que possam fazer com que esses pedidos se tornem força
energética à favor de obsessores.

    Sejam caridosos, amáveis, tenros, humildes.

    Não vá a uma Entidade levando pedidos de destruição de um
semelhante, pedidos de amarrações, pedidos de maldades, pedidos de
crueldade.

    Nós somos Entidades de Luz, amamos todos os filhos que nos
procuram, levamos com todo carinho seus pedidos a Zambi, desde que
eles forem pedidos de luz.

    Respeitem as Entidades de Luz, respeitem a si próprio, respeitem a
Deus.

    Os Pretos Velhos não vão tirar uma pessoa de seu trabalho só
porque você pediu.

    Os Caboclos nunca vão deixar uma pessoa ficar adoentada apenas
porque você deseja isso.

    Os Erês jamais vão derrubar alguém porque você acha que essa
pessoa merece.

    Os Boiadeiros de forma alguma vão laçar e prender as pernas de
alguém porque você pediu.

    Os Malandros nunca deixariam uma pessoa se tornar alcoólatra
simplesmente porque você acredita que essa pessoa não presta.

    Os Ciganos jamais fariam com que um filho se tornasse um fora da
lei, apenas porque você lhe ofereceu uma vela colorida.

    As Pombo Giras não iam se prestar o deprimente papel de amarrar
uma pessoa a você só porque seu orgulho diz que essa pessoa tem que
ser sua.

    Os Exús nunca iriam aceitar bebidas, charutos, ou algum material
orgânico, só porque você acha que assim ele poderia fazer mal a um
desafeto seu.


    Filhos e filhas, sejam humanos do bem. Sejam luz e caridade. Sejam
respeitosos com as leis da Umbanda, com as leis das Entidades, com as
leis de Deus.

    Nós, as Entidades de Luz, somos trabalhadores da caridade, e não escravos de vossa maldade. Portanto reflitam muito bem ao pedirem algo em nossa Umbanda, algo as Entidades de luz, algo a Deus.

    Não nos magoem com falta de amor próprio, com amarguras, com
ódios, com vaidades, com rancores, com invejas, com intenções
obscuras.

    Nunca nos tratem como monstros do mal, nunca tentem nos comprar
com cigarros e cigarrilhas, com bebidas ou com velas. Não sujem nossa
evolução usando nosso nome para fazer o mal, não sujem nosso caminho com o sangue derramado de sacrifícios de animais.

    Somos luz e caridade, porém sabemos ser a escuridão da solidão.
Aceitamos seus erros, tentamos sempre consertá-los, mas sabemos que
todos vocês tem o livre arbítrio, e se usarem seu livre arbítrio para
utilizar nossos nomes para a destruição, amarração ou qualquer
sentimento obscuro de seus corações, certamente usaremos o nosso livre
arbítrio para nos afastarmos de suas maldades.

    Lembrem-se sempre que um Preto Velho não é seu escravo, um Caboclo
não está ali para atender seus pedidos do mal, um Boiadeiro não vem em
terra para ouvir você desejar o que não lhe pertence, os Erês são
crianças mas não são induzidas a fazer algo simplesmente porque lhe
deram doces e balas, os Ciganos não são ladrões para roubar algo que
você acha que lhe pertence, os Malandros não são vagabundos que se
trocam por marafo, as Pombos Giras não são mulheres da vida como
muitas médiuns costumam dizer, alegando seus erros e culpando nossas
amadas moças, os Exús não são demônios, não se trocam por sangue, não
tem chifres ou caldas, muito menos pés de bode como os fracos de
espírito pregam.

    Nenhuma dessas Entidades vão se utilizar do poder que Zambi cedeu
a eles para fazer o mal, para receber oferendas, para trazer um falso
amor amarrado, para desencaminhar alguém de um caminho de luz.

    A todos que vão nos templos, terreiros, tendas ou centros de
Umbanda com intenções de levar o mal a seu semelhante, não encontrará
esse caminho. A Umbanda é luz, paz, amor e caridade. As Entidades de
Luz são anjos de Deus, e jamais iam trabalhar em prol do mal.

    Então meus amados filhos e filhas, vamos ser umbandistas, se assim
desejarem, porém sem o ódio, sem rancor, sem más intenções, sem
inveja, sem desejar escurecer o caminho de seu semelhante, sem desejar
amarrar um amor que só existe em sua própria falta de amor próprio.

    Respeite a Umbanda como religião,, respeite as Entidades de Luz
como verdadeiros amigos de caridade, respeite a Zambi, e respeite a si
mesmo.

    Que Zambi na sua infinita sabedoria mostre a todos vocês que tudo
que temos e recebemos vem de acordo com nosso merecimento, seja esse
merecimento para o bem quanto para o mal, ou seja, só recebemos o
merecimento de acordo com o que fazemos.

    Lembrem-se, nenhuma Entidade necessita de oferendas sujas, não
dependemos de nada orgânico, não queremos que invadam as
encruzilhadas, as calungas pequenas, as matas, as cachoeiras, as
calungas grandes para ofertar algo para Entidades ou Orixás. Quem
determina fazer isso são os Eguns, Kiumbas e Zombeteiros que se trocam
oferecendo magias negras por coisas assim, só não nos esqueçamos que
isso tudo será cobrado no momento de sua evolução, no momento de seu
desencarne, ou mesmo nessa vida de encarnado.

    A Umbanda não é magia negra, não é bruxaria nem feitiçaria, não misturem Umbanda com Quimbanda, e assim poderão caminhar na luz de Zambi, sendo todos abençoados pela força suprema dos Orixás, e protegidos pelas Entidades divinas de Luz.

    Que Oxalá abençoe a todos que entenderam e refletiram sobre essa
pequena mensagem."

Vovô Rei Congo das Almas.
********************************************************************


    Finalizo esse texto frisando um ponto muito importante dessa
mensagem de meu amado Mentor. Prestem muita atenção nessa parte
reescrita abaixo.

    "Os Pretos Velhos não vão tirar uma pessoa de seu trabalho só
porque você pediu.

    Os Caboclos nunca vão deixar uma pessoa ficar adoentada apenas
porque você deseja isso.

    Os Erês jamais vão derrubar alguém porque você acha que essa
pessoa merece.

    Os Boiadeiros de forma alguma vão laçar e prender as pernas de
alguém porque você pediu.

    Os Malandros nunca deixariam uma pessoa se tornar alcoólatra
simplesmente porque você acredita que essa pessoa não presta.

    Os Ciganos jamais fariam com que um filho se tornasse um fora da
lei, apenas porque você lhe ofereceu uma vela colorida.

    As Pombo Giras não iam se prestar o deprimente papel de amarrar
uma pessoa a você só porque seu orgulho diz que essa pessoa tem que
ser sua.

    Os Exús nunca iriam aceitar bebidas, charutos, ou algum material
orgânico, só porque você acha que assim ele poderia fazer mal a um
desafeto seu."


    Como podemos ver toda e qualquer colocação diferente dessas que
lemos acima, vem de pessoas más intencionadas, más preparadas,
supostos médiuns, que certamente não foram desenvolvidos, que estão
mistificando, seja por vaidade, por desconhecimento religioso, por
interesse próprio, ou por qualquer outra coisa que está em desacordo
com a verdadeira Umbanda, a Umbanda de Deus nosso Pai Maior.

    Portanto ao levar seus pedidos sem nexo ou noção as casas de
Umbanda, reflita bem sobre que tipo de coisa você pretende falar as
verdadeiras Entidades de Luz, aos verdadeiros Médiuns desenvolvidos de
Umbanda. E reflita muito mais se caso um desses supostos médiuns dar
atenção a seu pedido incoerente, lhe passando trabalhos mais
incoerentes ainda a fazer.

    Consulentes sem bom senso, junto com médiuns vaidosos e
interesseiros, recebem as maiores cargas de espíritos sem luz e
obsessores, portanto use seu bom senso e seu livre arbítrio antes de
prosseguir com algum pedido que possa levar o mal à seu semelhante.

    Reflexão, fé e bom senso.

    Reflitam.




Pai Carlos de Ogum

terça-feira, 20 de setembro de 2016 53 comentários

Entendendo o que é Perispírito

                 

    Dentro da linha espiritualista, inclusive em nossa amada Umbanda,
ouvimos falar de Perispírito. Sempre nos passam que a nossa imagem
terrena é apenas uma cópia dele, que podemos danificá-lo extremamente
com nossos vícios e ações, que poderemos retornar a encarnar com
muitos problemas por termos ferido nosso divino e sagrado Perispírito.

    O Perispírito, segundo a Doutrina Espírita, e também na doutrina
Umbandista, é o elemento intermediário entre corpo e espírito.

    O termo Perispírito foi cunhado por Allan Kardec, e encontra seu
primeiro uso no item VI da Introdução de O Livro dos Espíritos: "O
laço ou Perispírito, que une o corpo e o Espírito, é uma espécie de
envoltório semi material. A morte é a destruição do envoltório mais
grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que constitui para ele um
corpo etéreo, invisível para nós no estado normal , mas que pode se
tornar acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede nas
aparições."

    O Perispírito seria um corpo fluídico que envolve o espírito na
condição de ente "semi material". Mais "grosseiro" que o espírito e
mais "sutil" que o corpo, seria o responsável, entre outras funções,
pela transmissão da vontade daquele para este e das sensações do corpo
para o espírito. Seria constituído a partir de modificações
particulares do "Fluido Cósmico Universal", que Kardec defendia ser a
matéria primordial de que se compõe o universo.

    O corpo perispiritual e o corpo carnal têm, pois, origem no mesmo
elemento primitivo; ambos são matéria, ainda que em dois estados
diferentes.

    Para a comunicação de um espírito ou de uma Entidade de Luz com um
médium desenvolvido, é extremamente necessário o uso do Perispírito,
pois por meio dele que os Espíritos atuam sobre a matéria inerte  e
produzem os diversos fenômenos mediúnicos.

    Da mesma forma, comunicam-se com os encarnados, transmitem-lhes
bons ou maus pensamentos, de acordo com o grau de moralidade que
possuem, ou transmitem informações corretas ou equivocadas, segundo o
conhecimento que tenham. Produzem obsessões e são capazes de se
imiscuir na vida dos  que vivem no plano físico.


    O Perispírito não é igual em todas as pessoas, ainda que os
elementos constituintes sejam os mesmos. A natureza do envoltório
fluídico está sempre em relação com o grau de adiantamento moral do
Espírito. Os Espíritos inferiores não podem mudar de envoltório a seu
bel-prazer e, por conseguinte, não podem passar, à vontade, de um mundo
para outro. O envoltório fluídico de alguns deles, se bem que etéreo e
imponderável com relação à matéria tangível, é  ainda pesado demais,
se assim nos podemos exprimir, com relação ao mundo espiritual, para
não permitir que eles saiam do meio que lhes é próprio. Nessa
categoria se devem incluir aqueles cujo Perispírito é tão grosseiro,
que eles o confundem com o corpo carnal, razão porque continuam a
crer-se vivos [encarnados].

    O termo Perispírito, que foi cunhado primeiramente por Allan
Kardec, refere-se a um corpo fluídico, sendo semi material, que faz a
ligação entre o espírito, estrutura imaterial eterna, ao corpo físico,
que é material e perecível.

    Ele, o Perispírito, tem a mesma forma do corpo físico, e é ele
que é responsável por sua formação. Isso porque o Perispírito é visto
e conhecido como o arquivo da alma, sendo assim, tudo que fizermos ao
nosso corpo material, pela íntima relação célula a célula com o
Perispírito, se manifesta diretamente a ele.

    Um exemplo do que foi dito acima, é que um fumante inveterado
nessa encarnação, sofrerá as consequências dos males do fumo no
além-túmulo também, pois uma vez que seu Perispírito fora lesado, essa
lesão repercutirá em uma nova existência, por meio da reencarnação,
uma vez que o Perispírito servirá de molde para a diferenciação
celular e formação de todos os órgãos, constituindo no corpo físico,
as consequências de seus próprios atos e o roteiro para um novo
caminho de evolução e mudança de comportamento.

    Mas se temos esse mal arquivado em nosso Perispírito, e sabemos que
ele está lesionado por um vício nosso, por que poderemos voltar a errar
da mesma forma em outra reencarnação?

    Simples, pois embora tal registro ocorra em sua estrutura, é
impossível lembrarmos de todas as existências por meio do Perispírito,
isso porque o espírito seleciona apenas as experiências que agregaram
um valor intelectual e moral a seu cabedal de conhecimento.

    Assim, à medida que a criatura evolui, se espiritualiza, o
Perispírito vai se tornando mais sutil, e todas as memórias tornam-se
patrimônio do Espírito. Chegaremos a um ponto, portanto, em que não
precisaremos mais reencarnar, e o Perispírito inexistirá; seremos
apenas Espírito, ou seja, evoluído, puro.

    O Perispírito, ou "corpo espiritual", possui, como o corpo físico,
diversas estruturas que o compõe, sendo os centros de força (ou
chacras, na terminologia hindu), as mais conhecidas. Tais pontos são
acumuladores e distribuidores de energias no Perispírito e constituem
a base da terapêutica espírita de passes, por estarem muitas vezes em
desequilíbrio, bloqueando determinados fluxos energéticos. É também
sensível a diversas formas outras de perturbação, como por larvas
mentais (criações ideoplásticas inferiores, que se alimentam de nossos
pensamentos) e até mesmo complexa aparelhagem da dimensão espiritual,
constituindo obsessões complexas; muitas vezes de difícil resolução. O
maquinário celular físico, produz ainda, fora as excretas eliminadas
pelo próprio corpo, formas espectrais, digamos assim, decorrentes do
metabolismo de tudo que por ele é consumido, sendo possível ver essas
emanações no Perispírito (tais emanações constituem a aura, que
reflete não somente o metabolismo celular mas psíquico e espiritual do
ser também).

    Uma outra grande função, e extremamente importante do Perispírito
é permitir a manifestação espiritual, ou seja, a incorporação, pois os
médiuns conseguem registrar por meios de pontos super sensíveis em seu
Perispírito a presença de Entidades de Luz, amigos espirituais, assim
como também podem sentir a presença de espíritos sem luz, obsessores,
Kiumbas, Eguns, ou mesmo de espíritos Zombeteiros.

    Esses pontos são extremamente e meticulosamente estudadas pelos
Mentores de cada coroa de Médiuns, isso sendo feito quando se é
desejado desenvolver e educar a mediunidade.

    Portanto, temos o Perispírito sendo uma estrutura nobre que nos
permite reconhecer nossa unidade no tempo e no espaço, preservando-nos
a forma, nos reajustando com nós mesmos e brilhando, conosco, ante as
bênçãos resplandecentes da mediunidade instrutiva com Jesus.


    Agora que temos uma ideia sobre Perispírito, sobre as lesões que
podemos fazer nele com nossos vícios e defeitos, o quanto ele é
importante em nossa caminhada; preserve-o, cuide-o, evolua-o.

    Certamente estaremos evoluindo muito mais assim, para que logo
possamos a deixar de ser matéria e Perispírito, e passamos a ser um
espírito, puro, evoluído, iluminado para a alegria de Deus, nosso Pai
Maior.

    Que Deus abençoe a evolução e a proteção de nosso Perispírito!

    Amém!



Carlos de Ogum

sábado, 10 de setembro de 2016 70 comentários

Suicídio na visão da Umbanda



 Antes de qualquer coisa é preciso dizer que a vida é a
demonstração que temos um verdadeiro Deus, que ele existe, e que ele
está presente em nossa caminhada.

    A vida é uma benção concedida pelo Pai Maior, e que não temos
sequer o direito de imaginar um dia ceifar essa vida, independente dos
rumos que ela está tomando. Não importa os desesperos com doenças, com
momentos de dificuldades econômicas, por perdas, por amores não
correspondidos, ou por qualquer tipo de situação que leve o ser humano
idiotamente imaginar que possa dar um fim a um suposto sofrimento
tirando a própria vida.

    Por mais sofrimento que esteja passando nessa vida encarnada,
certamente não é um décimo do sofrimento que um suicida passará após
seu desencarne.

    Para entendimento de todos, devemos saber, crer e entender que
nada é perdido dentro do universo, ao desencarnar sua matéria (corpo)
retorna para as entranhas da terra, porém seu espírito não desaparece,
ele vai continuar a caminhada, vivo, ativo, em busca de evolução,
conforme a determinação de Deus, nosso Pai Maior. Conforme é sabido
pelos espiritualistas, nosso corpo é justamente a existência de um
espírito que anima a matéria, portanto, tentar ceifar sua vida
acreditando que será você apagado do universo, excluído para sempre é
uma grande tolice que muitos seres humanos tem em mente, porém sabemos
que a matéria vai se decompor, mas sua alma, seu espírito, sua
essência vai continuar existindo.

         

    Sabemos que o desencarne é um processo não automático, se faz uma
necessidade de certo período de tempo para que o espírito se
desconecte do corpo. E isso dentro da normalidade vem se dar com o
desgaste da matéria, dos órgãos, como por exemplo quando a pessoa está
adoentada, esse desligamento segue de forma gradual e tem um processo
natural. Sendo assim o entendimento, encaminhamento e a evolução
espiritual se faz muito mais simples.

    Devemos ter consciência de que a morte não existe, pois o espírito
é eterno e sobrevive, e sendo assim o suicídio é o começo do maior
tormento que a criatura humana pode sofrer, porque descobre que depois
de matar seu corpo físico ela continua viva... porém sozinha, e sem
socorro algum, descobre que seus males só se agravaram e que
infelizmente cometeu um dos maiores crimes que a criatura pode
cometer, tirar um empréstimo de Deus que serviria para a evolução de
seu Espírito, ou seja, seu corpo.

    O suicídio é um crime grandioso aos olhos de Deus e da Umbanda,
ele se entregando a esse erro se torna um espírito perdido, sem luz,
criminoso, falido nos compromissos que tinha para com as leis sábias,
justas e imutáveis estabelecidas pelo criador, e que se vê obrigado a
repetir a experiência na terra, tomando um novo corpo, uma vez que
destruiu aquele que a lei lhe confiara para instrumento de auxilio na
conquista do próprio aperfeiçoamento.

    O Espírito de um suicida voltará a novo corpo terreno em condições
muito penosas de sofrimento, agravadas pelas resultantes do grande
desequilíbrio que o desesperado gesto provocou no seu corpo astral,
isso é, no perispírito, ou seja, no verdadeiro ser.

    Na Umbanda, é totalmente condenado esse ato, jamais será aceito,
pois a Umbanda, juntamente com seus Orixás, Entidades de Luz e
protetores, pregam intensamente e incansavelmente que a vida é a
benção maior que Deus concedeu a seus filhos, e isso não é apenas por
estar vivo, mas sim por saber se utilizar dessa benção para a evolução
espiritual para chegarmos junto aos braços do Pai Maior. Nesse ponto
de vista, analisemos o fato, se Deus, nosso Pai Maior, nos presenteou
com a benção da vida para podermos através dela evoluirmos, que grande
desprezo com nosso Senhor divino seria ceifarmos essa benção através
de um ato tão desprezível como o suicídio.

    O suicídio traz para uma próxima reencarnação muitos traumas, pois
normalmente afeta o nosso perispírito. Esses traumas podem ser por
exemplo um grande problema respiratório para quem se suicida por
afogamento, ou aquele que se envenenou poderá ter grandes desajustes
no aparelho digestivo, ou mesmo ainda aquele que atirou contra a
cabeça poderá reencarnar com um considerável retardo mental, paralisia
cerebral e males semelhantes, e ainda podemos observar aqueles que
ateiam fogo ao próprio corpo, poderão regressar com enormes problemas
dermatológicos.

    Portanto podemos observar que além de uma total falta de evolução
espiritual, teremos grandiosos problemas físicos, mentais e orgânicos
em casos de suicídio.

    Reflitam: Será que temos o direito de tirar a própria vida?

    Será que nossos carmas de vidas anteriores serão eliminados porque
tiramos nossa vida ?

    Será que devemos desafiar ao nosso amado Deus a tal ponto
antecipando a nossa passagem pela terra?

    Na verdade, o suicídio, apesar de ser pecaminoso, extremamente
condenado por Deus e pela Umbanda, é do livre arbítrio de cada um,
pois por mais limitada que seja nossas reações intelectuais, sabemos
que ao cometermos um ato como esse, teremos que passar muito e muito
tempo no Vale dos Suicidas, e lá deveremos entender cada passo dado no
ato feito, e deveremos ter lições para retornar a evoluir. Essas
lições sabemos que são árduas e dolorosas, sabemos também que muitos
sofrimentos, muitas trevas e muito desespero vão vir, portanto use seu
livre arbítrio, use sua fé, use sua esperança, use tudo que possa lhe
ajudar para sair de uma situação qualquer, mas nunca fuja da vida
através do suicídio, pois assim não estará se livrando de um problema,
mas sim criando um de uma proporção extremamente maior para sua
caminhada rumo a evolução e as próximas reencarnações.



    Por mais dolorosa que seja tua vida na Terra, Jamais dês guarida
aos pensamentos de suicídio. A fuga pela morte provocada seja pelo ato
direto ou pelos desvarios dos sentimentos, que matam progressivamente,
não resolvem problema algum e todo suicida adentra os umbrais do pós
morte revivendo e sentindo os quadros de sombra e dor que provocaram o
passamento prematuro.


    Sua vida é presente de Deus. Abrace-a, ame-a, preserve-a, e viva na fé do Pai Maior.


    Em momentos de desespero, de vícios, de tristezas, de ódio, reflita, busque uma palavra amiga, busque a luz de seu Anjo de Guarda, busque sua fé, busque por um amigo, busque por Deus, e seja feliz.




Carlos de Ogum

terça-feira, 30 de agosto de 2016 42 comentários

DESCREVENDO O UMBRAL

                   

    Em muitas vezes ouvimos falar em Umbral, porém muitas dúvidas
sempre teremos sobre esse assunto da espiritualidade.

    O Umbral é um mistério a nós encarnados, porém entendemos que é um
local, seja ilusório ou seja real, que nos assusta em demasia.

    Muitas vezes se fala em Umbral como um local que consiste em
nossos maus pensamentos, nossas más ações, nossas caminhadas errôneas,
em outras vezes se fala como cidades espirituais, assim como as
colônias de tratamento para a evolução espiritual, sendo claro o
Umbral um local um tanto mais assustador.

    Hoje vamos falar desse misterioso local da espiritualidade como
uma cidade envolvida na luz da aprendizagem e da evolução, onde os
espíritos errantes que não tiveram compreensão de seus erros terrenos,
não conseguiram superar seus vícios, não pregaram a paz, o amor e a
caridade em suas vidas de encarnados, moram e buscam o entendimento e
a luz para que futuramente sejam resgatados pelas Entidades de Luz e
os irmãos trabalhadores em prol da salvação dessas almas. A descrição
dessa cidade espiritual será de acordo com a descrição de várias
psicografias feitas por diversos médiuns que tiveram a benção de ter
uma mensagem de espíritos evoluídos, além dos dizeres de Entidades de
Luz que tentam nos ensinar a caridade, o amor para nosso semelhante,
para que possamos melhorar dia após dia, e assim não passarmos um
tempo maior do que o necessário na tão temida cidade espiritual,
chamada Umbral.


                               UMBRAL

    Muitas pessoas denominam esse local como Abismo, Geena, Inferno,
Região Inferior e Zona Purgatorial.

    O Umbral tem seu inicio localizado na crosta terrestre, é a zona
obscura de quantos no mundo encarnado não se resolveram a atravessar
as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no
vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos.

    Várias linhas espirituais falam sobre um lugar de trevas, para
onde criaturas que desencarnam em situação de muita dor, ódio,
suicídio, maledicência, rancor, inveja, entre outros vários motivos,
acabam indo, para resgatar seus erros, e assim tentar evoluir e partir
para uma próxima reencarnação. Ou seja, pagando suas dívidas para que
assim possa seguir o caminho rumo ao Pai Maior.

    Mas o que seria realmente o  Umbral?

    Onde fica?

    São perguntas um tanto formuladas que muitas pessoas se fazem, e
muitos desejam saber e entender o significado.

    Podemos verificar no dicionário Aurélio que o Umbral tem o
seguinte significado: "Soleira da porta, limiar, entrada."

    Portanto trata-se, de uma outra região, de um local diferenciado
do local que se está.

    No espaço esse local é contaminado pelas vibrações viciadas de um
grupo de criaturas que reúne, segundo os seus sentimentos, ansiedades,
ambições, inveja, ódio, etc.
        Pois assim como existem essas percepções negativas no Plano
dos encarnados, essas visíveis, vamos encontrar, também, entre os
desencarnados, nas mesmas condições de sentimentos ruins, formando
verdadeiros aglomerados de seres viciados, ignorantes, e, à medida que
esse número cresce, o ambiente vai se contaminando cada vez mais.
Felizmente, como os vícios e os erros são diferentes, esses grupos
estão separados; para manter essa separação, a fim de que não se
desencadeiem males maiores sobre a Humanidade encarnada.

    As regiões Umbralinas descritas pelas psicografias e pelas falas
das Entidades de Luz, nos mostram que parece ser ali que é a morada de
todas as misérias imagináveis. No Umbral se pode encontrar espíritos
que se transformam em verdadeiros farrapos humanos, pois ali cultivam
entre si a podridão da promiscuidade, o medo e o pavor, a miséria,
a escravidão e exploração feitas pelos mais sagazes e violentos
espíritos que se encontram nessa região tão sombria.

    A imaginação humana por muitas vezes traz imagens de um local de
grandes predominâncias do fogo, na qual é imaginado o "inferno", para
descrever o Umbral, porém apesar de ser um local extremamente
desagradável, o Umbral foi descrito por diversas psicografias da
seguinte maneira, resumidamente dita assim:

    "No Umbral a natureza parece estar sempre carrancuda e revoltada,
pois o dia nunca amanhece totalmente, e a penumbra é uma constante. Às
vezes, violentas tempestades assolam essas regiões, num esforço
supremo de aliviar, limpar acúmulos de miasmas e trevas criados pelo
homem profundamente egoísta.

         Ali se reúnem, numa convivência deprimente, espíritos
invigilantes que, na Terra, não se preocuparam com o crescimento
espiritual, pois, se não fizeram o mal, o bem também não realizaram. E
dessa maneira criaram débitos, porque, quando se pode, deve-se fazer.
E nós podemos refletir a luz, a harmonia, a bondade e a fraternidade
de Deus."

    "A vegetação no Umbral ela é sempre
pouca e não é constituída de muitas espécies. A maioria das árvores são retorcidas, com troncos grossos, e
não muito altas. Em alguns lugares, há vegetação rasteira que lembra ervas e capins da Terra. Servem de
alimentação a muitos espíritos que lá vivem."

    "Os animais, as aves, que também são de poucas espécies, desprovidos de beleza,
mas são úteis ao local."

    "Espíritos diversos estão lá, em condições deploráveis, sujos,
feridos no perispírito, aparentemente parecem zumbis. Esses espíritos
são divididos em núcleos, e esses núcleos podem ser de drogados,
assassinos, estupradores, suicidas, ditadores, enfim de todas as
classes de seres de baixa evolução. Porém no Umbral se encontra
espíritos de pessoas que não conduzem esse tipo de classe, mas estão
lá, por terem vividos como encarnados com sentimentos de orgulho,
inveja, ódio, prepotência, maledicência, ciúme, arrogância,
mesquinharia, ganância, ou qualquer tipo de sentimento vicioso não
controlado enquanto encarnados."

"Umbral não é sinônimo nem de sofrimento nem de felicidade, é um lugar
transitório. É um ambiente criado pelo mau uso da mente humana. Nem
todos acham o Umbral triste e feio, muitos gostam de viver ali. Gostos
diferem-se a uns agrada a limpeza, a outros agrada a sujeira. Uns
preferem a verdade, outros, a ilusão e a mentira. Depois, ninguém está
ali por punição, e sim por vibrar igual ao ambiente. Os que sofrem não
ficam lá para sempre, há o socorro, e esse socorro sempre vem, basta
aceitarmos."

    "O núcleo dos suicidas é de impressionar, eles ficam quase sempre
em vales e são visitados tanto por socorristas como pelos maus, que
vão atormentar mais ainda os que lá vivem. O sofrimento é extremo, a
dor da cobrança por ceifar a própria vida é algo incalculável. O
ambiente nesse local e sujo, úmido, frio, escuro, horrível. Animais
peçonhentos rastejantes estão por todos os lados, gemidos de lamúria
são ouvidos a todo instante. Uma das piores, se não a pior parte do
Umbral."

    "Por todo o Umbral o solo é diversificado, por muitas vezes é
muita lama, por outras vezes é seco e muito escorregadio, tem um odor
fétido, que nos faz ter náuseas. O local pode ser considerado o fim
dos fins."

         "O Umbral segue o ritmo da Terra, se na região dos encarnados
é dia ou noite, se chove ou não, se faz frio ou calor, lá também
acontece o mesmo, claro que a vegetação, o ar, o céu, a fauna, da
vida dos encarnados é muito superior em beleza, pois no Umbral tudo
tem um aspecto de filme de terror."

         "No Umbral, o odor é ruim, cheira a sujeira, lama podre e
mofo. O ar é pesado e sufocante. Nas cavernas, grutas, não há
vegetação e se houver é bem pouca. Se sente o sofrimento no ar, a dor
na vegetação, o medo na escuridão, o desespero em cada parte desse tão
temido local de nome Umbral."

         Certamente, o Umbral não é um lugar agradável. Se a maioria
dos encarnados tivesse ideia do que é viver nele, mesmo que por
determinado tempo, aproveitaria mais o período da encarnação para
aprender, viver no bem e modificar-se interiormente, fazendo-se
merecedor de moradas melhores, ao desencarnar.

    Resumindo, na visão espiritualista o Umbral é um inferno repleto
de agonias, torturas, podridões, sujeiras, maldades, sofrimentos,
medos, promiscuidades, horrores e terrores, e repleto de sentimentos
ruins, assim como a vida encarnada que vivemos. Portanto o Umbral é o
seguimento de nossas ações e de nossos pensamentos e sentimentos após
o desencarne.

    Para que não soframos tanto no Umbral, vamos tentar não fazer
sofrer tanto nossos semelhantes agora como encarnados. Façam o bem,
distribuam amor e paz, caridade e felicidade, esse é o caminho de luz
para nos iluminar após a morte.

    Façam de seu Umbral um lugar melhor.

    Reflitam!

Carlos de Ogum.


sábado, 20 de agosto de 2016 43 comentários

Compreendendo os vícios que nos impedem de evoluir

 


    Você sabe o que é vício?

    Você sabe o que é evolução espiritual?

    Quem acompanha uma casa de Umbanda, seja como filho de Santo, como
consulente ou como assistência, por muitas vezes já ouviram falar que
se deve deixar os vícios de lado para podermos evoluir.

    Quando se ouve isso logo nos vem a mente a bebida alcoólica, o
fumo, os entorpecentes, porém não é só desses vícios que se é referido
na Umbanda, apesar deles fazerem parte de uma grandiosa lista de
vícios.



    Os vícios na verdade podem ser definidos da seguinte forma:

    Vício é o uso costumeiro de toda e qualquer coisa que nos acarrete
prejuízo. É o costume de proceder mal. Vício é uma doença complexa,
que exige muita força de vontade e de fé para se libertar dela.

    Para nos curar dos vícios devemos lutar constantemente contra ele,
enfrentá-lo e vencê-lo.

    O vício quando não vencido, a pessoa que carrega esse mal, se
torna escrava dele, fazendo assim com que nos percamos nos caminhos
que deveremos seguir para que possamos evoluir, ser alguém melhor, e
assim estarmos em contato com Deus.

    Para que nossa caminhada terrena para a vida espiritual, e claro
para a evolução de nosso espírito, fique de uma forma liberta e
aceitável dentro das regras espiritualistas evolutivas, devemos estar
em compreensão que não devemos carregar tais vícios, pois estando eles
conosco nunca seremos verdadeiramente libertos para seguir o caminho
de luz que deveríamos nos entregar.

    Todos os vícios são nocivos para quem os tem, e muitas vezes um ou
dois desses vícios encobrem todas as virtudes que adquirimos no
caminhar de nossa vida terrena.

    Sabemos que são muitos os vícios, e devemos lutar persistentemente
para vencer a todos, pois  se deixarmos em nossa vida um restinho de
qualquer um deles, podemos estar certos que vai nos atrapalhar em
demasia.

    A essa altura muitos de nós podemos estar refletindo, quais os
vícios que tenho, ou que quantidade tenho.

    Para esclarecimento, vou citar alguns abaixo, que certamente
muitas pessoas tem, são os mais conhecidos, e que estão em um grau
intenso dentro da humanidade, e que dentro da linha espiritualista umbandista
atrapalha em muitas ações, fatos, como por exemplo o que já dissemos
acima, a evolução do espírito, mas mesmo dentro de uma Gira, quando
se ocorre certos vícios, podem atrapalhar intensamente os trabalhos,
fazendo assim com que o Terreiro perca a firmeza, dando abertura a
espíritos sem luz, como Kiumbas, Eguns, Zombeteiros, que dominam o
médium vicioso, fazendo-o assim mistificar, e por consequência
atrapalhar uma consulta a uma pessoa que esteja necessitada de auxílio
verdadeiro.

    Os vícios mais conhecidos são:

Agressividade.
Alcoolismo.
Ambição.
Apego material.
Avareza.
Calúnia.
Ciúme.
Cólera.
Entorpecente.
Fumo.
Ganância.
Gula.
Inconformação.
Inveja.
Jogo.
Maledicência.
Mentira.
Ociosidade.
Orgulho.
Pornografia.
Queixa.
Roubo.
Vaidade.



    Temos outros tipos de vícios, porém frisamos esses por serem os
mais conhecidos.


    Dentro da linha umbandista, temos a convicção da reencarnação, e
entendemos que os vícios danificam extremamente o perispírito,
fazendo assim que danifiquemos o que temos de perfeito, e assim sendo
podemos vir em uma próxima reencarnação com alguma deficiência para
que possamos ter o aprendizado sobre o mau hábito, ou seja,
entendermos, espiritualmente falando, que temos que nos livrar dos
vícios.

    E para esclarecimento, só nos livramos de um vício, se provarmos a
nós mesmos que somos capazes, e por nossa livre e grandiosa vontade,
sendo assim devemos lutar contra ele para vencê-lo, e assim seguirmos
o caminho da evolução.

    Devemos compreender que todo e qualquer vício atrapalha
grandiosamente a evolução de um espírito, e maltrata e danifica
extremamente o perispírito, contudo sabendo que as próprias ações
danificam essa caminhada rumo ao objetivo de evolução, temos na
consciência que a reencarnação poderá nos tirar dessa roda gigante,
que seria as más ações, ou seja vícios que carregamos em nossa vida
terrena, eliminando-as para prosseguirmos em paz, aos braços do amado
Deus.



    Lembremos que o Pai Maior é justo e amável, quando desejamos com
fé e perseverança, sempre teremos auxílio para sairmos desses vícios
tão nocivos a nossa evolução, portanto temos que ter em mente, que
dependerá exclusivamente de nosso livre arbítrio.

    Devemos evitar os vícios com compreensão, sabemos que não é nada
fácil abandonar um vício, seja ele qual for. É de extrema necessidade
nos conscientizarmos que temos tal vício, para assim, tentar
combatê-lo.

    Para quem ainda está se perguntando sobre a relação de alguns
vícios mencionados acima, não compreendendo o porque estão nessa
relação, pois quando falamos de vícios as primeiras coisas que nos
vem a mente é fumo, álcool e drogas. E em nossos pensamentos um tanto
atrasados, imaginamos que apenas esses vícios, que apesar de serem
extremamente prejudiciais a nosso corpo físico, além de destruir boa
parte de nosso perispírito, são os únicos ou os principais vícios que
podemos adquirir, mas que na verdade não é bem assim, pois outros
relacionados acima, são tão grandes ou piores vícios a nossa
caminhada, tanto terrena quanto espiritual, falando de evolução e dos
cuidados com a enorme deterioração do perispírito.

    Resumidamente, apenas para esclarecer e para que todos nós
possamos refletir sobre tais vícios, vamos mostrar onde esses agridem
com maior proporção as partes equivalentes ao perispírito, sendo que
nessa demonstração levaremos em conta que o corpo físico é uma cópia
idêntica ao nosso perispírito, portanto vamos indicar essa
deterioração como se estivéssemos observando a matéria, o corpo
físico.

Agressividade: Deteriora o cérebro, sistema cardíaco e o sistema
nervoso, podendo deixar a pessoa que tem esse vício vir a ter
problemas nessas partes em uma reencarnação futura.

Alcoolismo: Ataca principalmente o cérebro, sistema nervoso, órgãos
como fígado e coração, podendo ainda trazer danos gravíssimos aos
olhos, trazendo a cegueira em uma encarnação próxima.

Ambição: Podem trazer males respiratórios em uma próxima encarnação,
por lesar em demasia todo o sistema respiratório, além de problemas
mentais.

Apego material: Da mesma forma que a ambição, esse vício lesiona o
sistema respiratório e o cérebro, podendo também trazer extremas dores
estomacais, levando a gastrite.

Avareza:  A avareza tem ligação deteriorativa diretamente com os
neurônios, fazendo assim que possamos ter males cerebrais incuráveis.

Calúnia: Esse vício tem o poder de deteriorar as cordas vocais,
fazendo assim em uma próxima reencarnação a pessoa caluniadora vir a
ser muda. Podem deteriorar também partes da laringe e faringe, além de
fazer com que aumente os batimentos cardíacos, de uma tal forma levando
a pessoa a ter uma taquicardia extrema.

Ciúme: Vício que parece não ter tanta importância, muitos dizem que é
tempero do amor, porém esse vício leva a termos graves lesões
cardíacas, cerebrais, renais e pulmonares. Temos que ter extremo
cuidado com esse sentimento que parece inofensivo, pois ele toma conta
da maioria da humanidade.

Cólera: Assim como a agressividade: Deteriora o cérebro, sistema
cardíaco e o sistema nervoso, podendo deixar a pessoa que tem esse
vício vir a ter problemas nessas partes em uma reencarnação futura.

Entorpecentes: Deteriora todos os sistemas e órgãos do corpo humano,
em especial o cérebro.

Fumo: Ataca todos os órgãos do corpo, podendo fazer crescer a
quantidade de células doentes (câncer), em encarnações futuras poderá
vir com todo sistema respiratório lesionado.

Ganância: Assim como a avareza: A ganância tem ligação deteriorativa
diretamente com os neurônios, fazendo assim que possamos ter males
cerebrais incuráveis.

Gula: A Gula é um vício bastante difícil de ser combatido, mas devemos
lutar extremamente contra ela, pois ataca todo o sistema circulatório,
cardíaco, lesiona órgãos como pâncreas, fígado e rins. Em uma próxima
reencarnação podemos retornar com várias doenças nessas partes por
termos nosso perispírito danificado nesses órgãos.

Inconformação: Vício de achar que tudo está sempre ruim, que todos
estão contra você. Nos traz depressões crônicas, lesiona o cérebro de
uma tal maneira que em uma próxima reencarnação o inconformado poderá
retornar com paralisia cerebral grave.

Inveja: Vício que lesiona o sistema imunológico, cardíaco e
circulatório.

Jogo: Lesiona várias partes do cérebro.

Maledicência: Deteriora a faringe e laringe, podendo também atacar o
sistema cardíaco.

Mentira: Vício comum entre os seres humanos, que traz males a todo
sistema nervoso.

Ociosidade: Traz lesões aos membros inferiores e superiores, ao
sistema cardíaco, e a todo sistema neurológico.

Orgulho: Lesiona o cérebro, e órgãos como o coração, pulmão, rim e
fígado.

Pornografia: Ataca todo sistema imunológico, sistema nervoso, além de
deteriorar o cérebro e poder deixar partes da genitália com lesões
irrecuperáveis.

Queixa: Assim como a inconformação, nos traz depressões crônicas,
lesiona o cérebro de uma tal maneira que em uma próxima reencarnação o
inconformado poderá retornar com paralisia cerebral grave.

Roubo: Ataca todo sistema nervoso, podendo trazer também lesões
graves nos membros superiores.

Vaidade: Traz diversos defeitos físicos por todo corpo em uma
próxima reencarnação.



    Dentre vários vícios, vamos apenas destacar esses como exemplo,
porém devemos ficar sempre atentos a não nos deixarmos ser levados a
sermos conduzidos por eles, para que não percamos nossa evolução
espiritual, e não soframos em uma próxima reencarnação nenhum tipo de
mal por não termos conseguido nos livrar desses diabólicos vícios.

    Frisamos também que não necessariamente uma pessoa que tenha algum
mal desses descritos acima tiveram alguns desses vícios na encarnação
passada, pois são vários os motivos que podem levar a um mal. Cada
caso é um caso, as causas podem ser diferentes para o mesmo efeito.
Lembre-se, somos o que construímos no passado e Seremos no futuro o
que Construirmos no presente.

    Reflitam e lutem contra esses erros, que podem nos fazer sofrer
por uma encarnação inteira.

Paz e vitórias sobre nossos vícios.


Carlos de Ogum

domingo, 14 de agosto de 2016 41 comentários

Feliz dia dos Pais, Pai Carlos de Ogum


******************************************************************
Ôh salve a pemba, também salve a toalha
Ôh salve a pemba, também salve a toalha

Salve a Coroa de Babalaô de Orixá
Salve a Coroa de Babalaô de Orixá
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Pai Carlos de Ogum, espero de coração que um dia eu possa retribuir todo o carinho e proteção que recebo de você. Família pra mim não tem nada haver com sangue, e sim com quem se doa pra ver sua felicidade. 
A melhor pessoa que já conheci; o melhor amigo que alguém pode ter. Me protege e sei que tá sempre pronto para estender a mão e me ajudar quando eu cair.
Meus primeiros passos começaram tarde, aos 18 anos, e você que me ensinou a caminhar. 
Obrigada pelos puxões de orelha e pelas broncas bem dadas quando faço "anices". Obrigada pelo apoio e por me mostrar que eu posso ir muito além do que eu imaginava. Obrigada por ser o Pai e Padrinho de Santo que não está presente só dentro do terreiro, mas também fora dele. Obrigada por me ajudar tanto e me proteger tanto e mostrar que a caridade vai muito além do que fazer pra ter. É ajudar sem pedir nada em troca, é não desistir de fazer uma alma crescer na luz.

Feliz dia dos Pais, Meu Amado Pai de Santo!
Meu Melhor Amigo!
Meu Maior Exemplo!





quarta-feira, 10 de agosto de 2016 60 comentários

Atabaque, Instrumento Sagrado da Umbanda

           

    Dentro de nossas Giras de Umbanda, muitas coisas nos chamam
atenção, o ritual, a caridade, o amor, o clima de luz e paz, os
cantos, as Entidades de Luz, enfim, tantas belezas, tantas coisas
maravilhosas e divinas, que até parece que estamos viajando para a
linda cidade espiritual de Aruanda. Porém, dentre tantas coisas
lindas, vamos destacar uma que é algo sem igual, algo que nos
encanta, nos faz vibrar, nos domina: O Atabaque, instrumento sagrado
de nossa amada religião.

    O Atabaque é um instrumento musical Sagrado na Umbanda, utilizado
nos trabalhos espirituais para produzir vibrações energéticas, que são
direcionadas pelo guia chefe, para determinados trabalhos realizados
no terreiro.

    Normalmente todos os Terreiros de Umbanda tem a apresentação do
Atabaque, que com seu toque, sua cadência, sua força e luz espiritual,
auxilia extremamente a concentração, vibração e incorporação dos
médiuns, que estão preparados, ou seja, desenvolvidos mediunicamente e
espiritualmente para esse trabalho, cedendo sua Coroa, seu corpo, sua
voz, para as amadas Entidades de Luz, e assim auxiliar a quem busca
um caminho para chegar aos braços do Pai Maior dentro da religião
umbandista.

Os Atabaques são tambores altos e estreitos, afunilados de um só
couro, usados para atrair as diferentes vibrações quando tocados. Os
Atabaques são usados para manter o ambiente sob uma vibração homogênea
e fazer com que todos os médiuns permaneçam em atenção mediúnica.

    Os Atabaques são um dos principais pontos de atração de vibrações
de um terreiro. A energia dos Orixás e das Entidades de Luz chamados é
captada pelos assentamentos e direcionada para o Zelador onde é
concentrada e depois lançada para os Atabaques onde é modulada e
distribuída para os médiuns da corrente.

    Os Atabaques vieram pelas mãos dos negros africanos, que foram
escravizados e trazidos para o Brasil, ele é usado em quase todos
rituais afro-brasileiro, porém é bem comum na Umbanda e no Candomblé,
mas também poderemos encontrar esse sagrado instrumento em outras
nações, influenciado pelas tradições africanas de uso tradicional na
musica ritualista religiosa, utilizados para a convocação de Entidades
de Luz e Orixás.

    Anteriormente ao Atabaque, se deu início um instrumento antigo
conhecido como "macumba", utilizado para as percussões musicais, e
esse instrumento era formado por uma casca de árvore e duas varetas de
bambu, que eram batidos sobre a casca, um tanto parecido com o
reco-reco de origem africana.

    Após o instrumento "macumba", nasceu o Atabaque pelas mãos dos
africanos, e esse é feito em madeira, e os aros de ferro que sustentam
o couro, que são esticados de uma forma na qual fique com um som limpo
e agradável.

O responsável pelos Atabaques é normalmente uma pessoa escolhida no
terreiro que conheça os ritmos aplicados para cada linha dentro da
Umbanda.

    Os Atabaques devem ser tratados com o máximo de respeito e nenhuma
pessoa desautorizada deverá tocá-los, o que poderia colocar em risco o
equilíbrio da gira e a faixa mediúnica dos médiuns da corrente.

    Quando fora de uso, os atabaques, devem ser cobertos com   pano
próprio, de cor branco, e só podem ser retirados pelos responsáveis de
cada instrumento, ou por pessoa autorizada pelo Ogã Mestre, ou pelo
Zelador de Santo da casa.

É bem   importante observar que o toque (volume) dos atabaques nunca deve
exceder as   vozes da corrente. Quando o atabaque excede a corrente se
desorganiza e o médium   perde a concentração, atrapalhando assim a
desenvoltura na incorporação ou nos trabalhos.

    Na Umbanda temos três tipos de Atabaques, que são utilizados
para dar a cadência dos toques e assim fazer com que a vibração
mediúnica dos filhos da casa se condensem com a vibração das Entidades
de luz e dos Orixás, para que a incorporação seja extremamente segura,
fazendo assim o trabalho perfeito em prol da caridade.

    Esses Atabaques são conhecidos como: Rum, Rumpi e Lê.

Rum: Significa grande ou maior.
Rumpi: Significa médio ou mediano.
Lê: Significa pequeno ou menor.

    Abaixo falaremos a diferença de cada um deles.

    Antes vamos frisar duas formações básicas na colocação dos
Atabaques e de seus atabaqueiros, para que possamos entender a
colocação desses instrumentos dentro dos Terreiros, ou lugares
apropriados para a realizações das Giras, locais como as matas, as
cachoeiras, as praias, etc.

    A primeira formação é conhecida como "Formação Horizontal", e a
segunda é conhecida como "Formação Ponta de Flecha ou em "V".

FORMAÇÃO HORIZONTAL: Essa é a formação mais utilizada, talvez por
ocupar menos espaço dentro dos Terreiros. Ela se compõe de normalmente
três Atabaques, distribuídos dentro do modo e regras do Terreiro.
Podemos também ver em algumas casas de Umbanda três ou mais linhas
horizontais de Atabaques e atabaqueiros, ou seja, uma linha de
Atabaque Rum, com três instrumentos, uma de Atabaque Rumpi, com três
instrumentos da mesma forma, e uma de Atabaque Lê, também com três
instrumentos, sendo enfileirados, conforme o espaço do Terreiro e a
determinação do Ogã Mestre ou do Zelador da casa.

FORMAÇÃO PONTA DE FLECHA OU EM "V": Essa formação é mais utilizada em
Terreiros mais espaçosos ou em Giras fora do Terreiro, como nas
praias ou cachoeiras por exemplo. Essa formação é feita por uma
colocação de um Atabaque Mestre no inicio da ponta, e vem se abrindo
em "V" com abertura em diagonal externa, sendo os Atabaques colocados
em uma distância compatível com o tamanho do local destinado aos
instrumentos. Ela tem por obrigatoriedade se iniciar com um Atabaque
Rum na ponta, podendo a partir do segundo grupo seguir dois desses
Atabaques, ou dois Atabaques Rumpi, seguindo a abertura da formação
conforme a quantidade de instrumentos que tenha na casa, e se fechando
com dois Atabaques Lê. Toda a formação deverá ser determinada pelo Ogã
Mestre ou pelo Zelador de Santo.

    Agora falaremos sobre os Atabaques.

RUM: Esse Atabaque é o maior de todos, normalmente tem 1,20 M (um
metro e vinte centímetros) de altura, fora a base. Ele que registra o
som mais grave. É através dele que as energias chegam no Terreiro, é
dele que vem a cadência mestra, ou seja, é dele que deve vir o maior
patamar de vibrações espirituais para os trabalhos mediúnicos, chamado
também de "Puxador". Normalmente esse Atabaque fica do lado direito,
de quem esteja olhando de frente para os atabaqueiros, isso em uma
colocação horizontal, porém em uma formação Ponta de Flecha, o
Atabaque Rum fica no inicio da formação (apenas um, sem pares),
podendo estar também a partir daí de dois em dois, dependendo da
quantidade de Atabaques Rum, existentes no Terreiro, sempre
verificando a distância compatível com o tamanho do local destinado
aos instrumentos.

    O Atabaque Rum sempre deverá ser tocado pelo Ogã chefe, ou Ogã
Mestre, e só poderá ser tocado por outro atabaqueiro caso tenha
permissão do Ogã chefe, fora isso, caso tenha uma Gira na qual o Ogã
chefe ou mestre não possa estar presente, esse Atabaque deverá ficar
em silêncio, coberto com seu pano branco.

    A função desse Atabaque é dar os primeiros toques nos pontos,
repicar e conduzir os trabalhos impulsionando energias, isso justifica
tamanha importância e respeito por se tratar do Atabaque do Ogã
Mestre.

RUMPI: Esse Atabaque é de tamanho médio, varia entre 80 CM à 1 M
(oitenta centímetros à um metro) de altura, fora a base. Tem o som
entre o grave e o agudo. É o Atabaque que faz a proteção, e é ele que
tem a responsabilidade de fazer a maioria de dobras, ou seja, repiques
diferenciados, com uma entonação bem forte.

    Esse Atabaque é o que fica no meio, caso a formação for em
horizontal no local onde está reservado para os médiuns atabaqueiros e
curimbeiros. Já em uma formação em ponta de flecha, ele pode ficar
após a colocação do puxador, ou seja, do Atabaque RUM, que vai
depender de cada casa, podendo o Atabaque Rumpi estar na segunda ou terceira fila em
linha diagonal aberta, frisando que deve estar sempre em pares para
essa formação.

    O Rumpi poderá ser tocado por qualquer outro filho considerado um
atabaqueiro, e autorizado pelo o Ogã chefe. A função do Rumpi é dar
somente o ritmo do toque e manter a harmonia, tendo sua importância
particular, pois ele é responsável por sustentar a energia básica
trabalhada pelo toque.

LÊ: Esse é o caçula dos Atabaques, de tamanho menor, ele pode medir
entre 45 à 60 CM (quarenta e cinco à sessenta centímetros) de altura,
fora a base. Seu som registra o tom agudo, e ele que faz a ligação
entre o som dos Atabaques e o som do canto.

    Esse instrumento é utilizado pelos aprendizes atabaqueiros e
curimbeiros, e devemos respeitá-lo da mesma forma do que os outros
Atabaques.

    Normalmente ele fica do lado esquerdo de quem olha de frente a
colocação dos Atabaques, isso em uma formação horizontal, e em uma
formação Ponta de Flecha ele ficará logo após a colocação dos
Atabaques Rumpi, e tem a finalidade de fechar a formação, sempre
claro vindo em pares, assim como toda a formação, com exceção do
Atabaque Mestre, que se inicia apenas um, na formação Ponta de Flecha.

    O Atabaque Lê, deve seguir sempre os toques do Rumpi. Pode ocorrer
de que o guia chefe indique futuros Ogãs e atabaqueiros, e o Ogã chefe
tem o direito de compartilhar ou não desta indicação. Caso seja
compartilhada, cabe a ele designar o Atabaque que será tocado pelo
iniciante.


    O trio de atabaques (no caso da formação horizontal), ou conjunto
de Atabaques (no caso da formação Ponta de Flecha) executa, ao longo da
gira, uma série de toques que devem estar de acordo com os Orixás ou
Linhas chamadas que vão sendo evocados em cada momento do trabalho,
para que assim desde a abertura até o fechamento de uma Gira, toda a
irradiação seja harmônica entre as vibrações mediúnicas e os toques
vibratórios.

Como percebemos os Atabaques e a Curimba são de suma importância para
o bom andamento de uma Gira. A Curimba é o nome que damos para o grupo
responsável pelos toques e cantos sagrados dentro de um terreiro de
Umbanda. São eles que percutem os atabaques (instrumentos sagrados de
percussão), assim como conhecem cantos para as muitas "partes" de todo
o ritual umbandista. Esses pontos cantados, junto dos toques de
atabaque, são de suma importância no decorrer da gira e por isso devem
ser bem fundamentados, esclarecidos e entendidos por todos nós.

    A Curimba também é de suma importância para a manutenção da ordem
nos trabalhos espirituais, com os seus pontos de "chamada" das linhas,
subida, firmeza, saudação, enfim, para todo andamento da Gira.

    Só para esclarecimento, muitas pessoas dizem que são os Atabaques
juntamente com seus atabaqueiros, que chamam as Entidades de Luz, isso
claro é uma inverdade, pois todas as Entidades já se encontram no
espaço físico e espiritual de um Terreiro, bem antes mesmo do começo
dos trabalhos. Os Atabaques são responsáveis pela concentração dos
médiuns, e também como uma sustentadora da manifestação dos Guias.

    O que realmente invoca os guias e os Orixás são os nossos
pensamentos e sentimentos positivos vibrados em vossas direções.
Muitas vezes ao cantar expressamos esse sentimentos, mas é o amor aos
Orixás a verdadeira invocação de Umbanda.

    Portanto não é verídico a pregação de alguns supostos Ogãs, que
dizem que são eles que trazem e levam determinada Entidade de Luz, a
seu bel prazer. Porém essa prepotência não pode ser aceita em nenhum
Terreiro. O Ogã pode sim auxiliar extremamente com seu toque no
Atabaque, mas dentro da determinação dos Zeladores e das Entidades.


    O Atabaque antigamente era visto como um instrumento de
feiticeiros, pelo fato de que foram os negros escravizados que os
trouxeram para nosso país. Primeiramente os Atabaques surgiram na
região Nordeste, provavelmente na Bahia, e nessa região os
Atabaques sempre foram alvo da polícia baiana, pois estava
terminantemente proibido de serem tocados durante o Estado Novo. E
assim para serem tocados somente seria feito na clandestinidade. Esse
fato foi terminado apenas quando em certa ocasião, em uma viagem ao
Rio de Janeiro, Mãe Aninha, fundadora do Ilê Axé do Opô Afonjá , em
São Gonçalo do Retiro, usou de sua influência e conseguiu uma
audiência com o presidente Getúlio Vargas . Ela só queria cultuar a
religião dos seus antepassados e Getúlio não teria como resistir ao
pedido legítimo de uma criatura tão doce. O encontro de Aninha com o
presidente do Brasil resultaria no Decreto 1.202, que permitiu o uso
dos atabaques nos terreiros. O acontecimento é considerado um passo
importante para a liberação definitiva do controle policial sobre os
candomblés, o que só ocorreu em 1976, no governo de Roberto Santos.
Na ocasião, a notícia foi recebida com entusiasmo pelo povo de santo
da Bahia, em plena festa da "Lavagem do Bonfim ."

    E assim temos até hoje essa maravilhosa vibração provinda da
energia dos amados Ogãs, da força mediúnica dos médiuns e do Sagrado
som do toque dos Atabaques, sendo eles para Umbanda, Candomblé, ou
qualquer outra religião afro-brasileira existente.

    Para entendimento e esclarecimento, vamos descrever o porque o
Atabaque tem toda essa ligação espiritual e divina com as religiões
afro-brasileiras, frisando que isso tem muito a ver com a sua
confecção, e claro com o material empregado nessa confecção, conforme
descrevemos abaixo.

    O Atabaque é composto por 3 elementos naturais, que são: A
madeira, o ferro e o couro.

    A madeira, que é regida por Xangô, tem a função de equilibrar a
vibração do som e sustentar o cumprimento da justiça divina durante os
trabalhos.

    O ferro, que é regido por Ogum, tem a função de fortalecer o
trabalho realizado no Atabaque, dando garra e força ao Ogã e demais
atabaqueiros, para enfrentar as dificuldades que ocorrerem durante os
trabalhos, e energeticamente garantir a ordem.

    O couro, que é regido por Exú, tem a função de atrair parte das
energias condensadas trabalhadas dentro do Gongá, auxiliando na
limpeza das mesmas, e quando o Ogã toca o couro do Atabaque, a
vibração produzida pelo toque, quebra a contra parte etérea destas
energias, dissolvendo-as no astral.

    Sendo assim, o Atabaque é responsável, juntamente com as
Entidades, pela manipulação de três energias básicas, que são:
sustentação, ordem e movimento.

    Vamos agora resumidamente demonstrar as ações do som do Atabaque
dentro de uma Gira de Umbanda, ou seja, como acontece toda essa
vibração, e claro mostrar a importância do sagrado instrumento.

    Para que seja produzida a energia necessária dentro de uma Gira, é
provocado, pelos atabaqueiros, um atrito no couro do Atabaque, e com
isso atingimos níveis de calor e vibrações sonoras que vão diretas
para os campos celulares dos médiuns. Os médiuns se eletrizam ao som
dos atabaques. Portanto sem os Atabaques essa eletrização é muito
menor. E pelo campo magnético do atabaqueiro que absorveu as energias
que vieram do Zelador, são projetadas as vibrações dos nossos
assentamentos para os demais médiuns. Assim a corrente magnética se
espalha pelo recinto de trabalho.

    O atabaqueiro, ao tocar, aguça sua captação de energias, recebe de
um Guia uma certa carga de vibrações que se infiltra nos seus planos
material e espiritual iniciando, depois, um ciclo que terá término em
suas mãos. Com a produção de energia calorífica, através do toque no
couro, o atabaqueiro fará a mistura com as vibrações das entidades e
as vibrações naturais dos médiuns, a sua energia e a do Guia irão
circular na corrente mediúnica começando dos médiuns mais preparados e
passando para os iniciantes. Essa energia, quando enfraquecida, volta
para as mãos do atabaqueiro, onde será fortificada e voltará a fazer o
ciclo na corrente.

    Percebe-se que tanto a presença física dos atabaques quanto a dos
atabaqueiros é de suma importância para a atração e distribuição das
energias dentro da gira.

    Quando não temos a possibilidade de termos em uma Gira o Atabaque,
ou o atabaqueiro, algumas pessoas pregam que poderia ser utilizados
aparelhos eletrônicos para que assim se tenha o som e os toques do
Atabaque, porém isso é uma inverdade, pois não teria essa corrente de
energização contida e necessária aos trabalhos.

    Nesse caso a melhor coisa a se fazer é apenas trabalhar com preces
e a concentração extrema para obter maior eficiência em todo andamento
da Gira.

    É importante ressaltar que o Atabaque é um instrumento sagrado, e
como tal temos que ter todo o respeito ao manuseá-lo.


    Antes de usar o atabaque deve-se pedir permissão, tocando o couro
e dizendo a seguinte prece:


"Dai-me licença Pai Oxalá. Dai-me licença ...(Entidade dona do
Atabaque). Dai-me força e dignidade para esse instrumento eu tocar."


    Quando o atabaque for guardado, deve-se agradecer da seguinte
forma:


"Obrigado meu Pai Oxalá. Obrigado .....(Entidade dona do Atabaque).
Obrigado por ter-me permitido cumprir a minha missão."


    E assim são os preceitos do Atabaque, que falamos resumidamente
nesse texto.

    Saravá os Atabaques e seus atabaqueiros!

    Que a força, a justiça e a proteção de Xangô, Ogum e Exú estejam
com todos os filhos de Umbanda e principalmente com os Atabaqueiros,
os Curimbeiros e os Ogãs mestres.

    Caô Cabecile Xangô!

    Patacori Ogum!

    Laroiê Exú!


Carlos de Ogum

 
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