sexta-feira, 20 de outubro de 2017 1 comentários

Dicas para Consulentes de Umbanda




Sabemos que a Umbanda recebe todos os filhos de braços abertos,
com carinho, dedicação, amor e caridade. Não é cobrado nada, não se
descrimina ninguém, pois a Umbanda é um grande coração e uma mãe
dedicada que aconchega todos seus filhos necessitados de auxílio.
Sendo assim, muitas vezes esses filhos acreditam que por ser amorosa
dessa forma, a Umbanda tem que realizar todos os desejos desses
consulentes, sendo esses desejos bons ou maus.

    Acreditam também esses consulentes que a amada Umbanda não tem
limites ou regras, e assim tentam fazer tudo que vem na mente desses
filhos errôneos

    Mas na verdade não é bem assim, pois a Umbanda é sim uma mãe
caridosa e carinhosa, e sendo assim como uma mãe, ela deve mostrar o
melhor caminho a seus filhos, ou seja, o caminho da paz, do amor, da
caridade, da fé, retirando desses filhos a arrogância, a ganância, a
inveja, a prepotência, a maledicência.


    E quando Zeladores de Santo, médiuns desenvolvidos, filhos dos
terreiros agem assim, muitos consulentes não entendem, ou fingem não
entender o propósito da religião, para assim tentar induzir aos
trabalhadores ao erro e entregarem a magia ao invés de Umbanda.

    Infelizmente muitas pessoas de baixo caráter, se dizendo
dirigentes de terreiros de Umbanda, se utilizam desses erros de
consulentes para fazer assim adquirirem bens, elevar sua vaidade e
ego, mistificar, etc.

    Mas hoje não estamos falando diretamente a esses falsos líderes
religiosos, e sim falaremos diretamente aos consulentes, aquelas
pessoas que acreditam que a Umbanda seja magia negra, que vai lhe
amarrar um amor, que vai transtornar um semelhante a sua vontade, que
vai lhe abrir caminhos sem merecimento ou esforço.

    Gostaria de esclarecer que a espiritualidade da religião de
Umbanda se consiste em Deus, nos Orixás e nas Entidades de Luz, e não
tem nada a ver com as magias que sacrificam, que cobram, que induzem,
que mentem, fazendo que o consulente de abertura a espíritos sem luz,
como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros, que só servem para trazer a
miséria, a dor, a discórdia, o ódio, etc.

    Gostaríamos de demonstrar a verdadeira Umbanda, a que irradia luz,
amor e caridade, e para isso devemos ter a compreensão dos
consulentes, que na maioria das vezes fazem pedidos e exclamações sem
sentido, sem nexo ou sem noção, por pura falta de conhecimento do que
é a Umbanda, pois entram numa sessão de falta de informação muitas
vezes passadas pelos próprios falsos umbandistas, que buscam
enganar, mistificar pelos seus próprios interesses obscuros.


    O consulente deve entender que tem situações que não devem ser
expostas ou pedidas as Entidades de Luz, devemos respeitar as regras
da Umbanda e compreender que acima de tudo as Entidades as respeitam,
entre elas está o uso do livre arbítrio, portanto reflita antes de
fazer qualquer pedido.

    Sabemos que um terreiro de Umbanda é um complexo formado por
várias situações, que essas situações estão entre as Entidades que se
manifestam até os médiuns que são os mensageiros das mesmas. Portanto
devemos entender que para achar o equilíbrio desse complexo mundo é
sempre um desafio a qualquer Pai ou Mãe de Santo, claro que cada um
deles tem suas normas, formas ou maneiras de atender aqueles que
buscam soluções para suas dificuldades ou necessidades. Então falar
com as Entidades de Luz, ouvir seus conselhos e buscar a cura física
ou espiritual é sempre o maior objetivo de quem tem fé.

    Sabemos que da mesma forma que um consulente necessita de uma
Entidade de Luz, a Entidade também necessita do consulente, para que
assim seu trabalho seja feito, e essa Entidade continue caminhando a
evolução espiritual.

    Quando um consulente vai a primeira vez a um terreiro de Umbanda,
tudo é muito novo para ele, e muitas vezes já chega ao terreiro com
ideias errôneas, incentivadas por algumas pessoas que acompanham a
Umbanda por um período curto de tempo, e acredita ser muito
experiente, pois gosta de demonstrar saber nomes de Entidades, gosta
de incentivar pedidos sem nexo, gostam de mostrar que pode ser um
mensageiro das Entidades, e com isso derramam palavras e mais palavras
tentando se mostrar especial no assunto Umbanda.

    Mas com tudo isso um novo consulente de um terreiro chega
apreensivo na casa, sem a mínima noção do que possa acontecer ali,
chegam receosos, as vezes descrentes ou duvidosos, e muitas pessoas
chegam a ter medo das Entidades de Luz, pela falsa propagação de
ideias erradas que algumas pessoas passam, e assim se tem uma regra
importante da Umbanda, receber o consulente sempre com cordialidade,
deixando-os confortáveis e bem seguros. Que esses consulentes sejam
direcionados e bem orientados em relação aos acontecimentos, as
Entidades, a casa em geral.

    Porém o consulente não deve confundir esse bom tratamento como
liberdade, e muitos fazem isso infelizmente, e assim esquecem que a
Umbanda é uma religião e o terreiro é um lugar sagrado.

    Ao confundirem as coisas, o consulente pode fazer muitas coisas
que fogem das regras umbandistas, e entre muitas coisas vamos citar
algumas que nunca se deve ser feito dentro de um terreiro.

    Consulentes que vão as Giras com trajes transparentes, curtos,
sinuosos mostrando o corpo em excesso. Certamente isso não é uma
atitude respeitável, e desse modo acaba trazendo uma condição
constrangedora para o próprio consulente, pois se a casa for realmente
séria, as Entidades de Luz podem não desejar consultar aquela pessoa
com vestes assim, ou em algumas casas fazer o consulente usar algum
tipo de pano, avental, ou mesmo um camisão apropriado para cobrir o
corpo do consulente. Sendo assim a melhor coisa a fazer é ir com
roupas descentes a uma casa de Umbanda. E isso não é um julgamento
pelo modo que a pessoa se veste, porém sempre e louvável usar o bom
senso.

    Um outro detalhe a ser observado é o silêncio dentro do terreiro,
não é proibido falar ou conversar, mas sabemos que em alguns momentos
o silêncio é uma prece. Imaginemos no início de uma Gira por exemplo,
onde os médiuns tem a necessidade de concentração, e a assistência
fica em conversas paralelas, risadas, piadas, falas com tons elevados,
tudo isso é uma incoerência além de ser uma falta de educação extrema.
O mais louvável é que a assistência se mantenha em prece, quando for
cantado os pontos, cantem, quando se estiver louvando, louvem, mas
tudo dentro do que o terreiro esteja propondo.

    Evite ficar comendo ou saindo para fumar enquanto a Gira está
sendo coordenada, no terreiro estamos trabalhando com energias
espirituais, e esses atos acabam tirando a concentração dos trabalhos
e dos médiuns.

    Muitas pessoas ficam escolhendo Guias, acreditando que uma
Entidade possa ser melhor que outra, porém devemos salientar que
todas as Entidades são extremamente competentes da mesma forma, se
você tem confiança na casa e nos seus médiuns, não há necessidade de
se consultar com apenas uma Entidade de Luz, a não ser por dois
motivos, ou se você já esteja em algum tipo de tratamento com a
Entidade em questão, ou se você não confia 100% em outro médium,
acreditando que o mesmo possa estar mistificando. Fora isso é muito
bom ter contato com outras Entidades de Luz, pois a troca energética é
extremamente benéfica, além da grande oportunidade que terá em
conhecer novos Guias e Mentores. Devemos entender que a energia
passada em uma corrente espiritual é uma só, essa história de passar
em outro Guia para confirmar que o primeiro Guia disse e extremamente
anti ético, assim como nunca se deve desfazer de alguma Entidade.

    Na hora do passe, o consulente deve aguardar que um Cambono ou a
própria Entidade de Luz o chame, nunca entre na corrente sem ser
solicitado ou chamado, aguarde ser encaminhado e encaminhado. O
consulente deve ser sempre cordial com a Entidade de Luz, e não busque
ser áspero, mal educado, ou um testador de Guias, como por exemplo,
chegar a uma Entidade e dizer: "O Senhor é o Guia, diz o que está se
passando com minha vida."
Certamente isso vai dar um ar de prepotência e de que está tentando
testar a Entidade, o consulente que assim agir poderá ser advertido
pelo Cambono, pelo Zelador de Santo e pela própria Entidade.

    Compreendam que a Umbanda não é um trabalho de adivinhações, e o
médium que fizer parecer isso, é um médium mal desenvolvido,
mistificador e sem preparo para estar dando suporte a nenhum
consulente.

    Uma Entidade de Luz jamais deve ser abordada para dar soluções
escusas de caráter duvidosos, como por exemplo traições, falação de
terceiros (fofocas), falsos trabalhos amorosos como a amarração, ou
qualquer tipo de coisa que agrida o livre arbítrio de outra pessoa,
pensando somente no benefício do próprio consulente, isso é ser mal
caráter.

    Os consulentes devem compreender também que é totalmente errado um
médium que se diz incorporado com uma Entidade de Luz ficar
acariciando o consulente, tentando demonstrar mais apego do que é
devido. Se acontecer esse fato, se afaste imediatamente, e busque um
dirigente da casa e reclame, pois nenhuma Entidade de Luz tem esse
tipo de malícia com ninguém.

    Outra dica importante aos consulentes é muito cuidado com médiuns
que se dizem incorporados e desejarem cobrar valores, pois dentro da
Umbanda não se cobra quantia alguma por trabalhos, passes com nenhuma
Entidade de Luz, pois nenhum Guia compactua com esse tipo de coisa. E
não importa o tipo de justificativa dada pelo médium ou por qualquer
dirigente da casa, nada é cobrado, nada exigido, nada é tomado. A lei
da Umbanda é a caridade sem cobranças, não se pode impor nada.

    O consulente deve manter a boa educação sempre, pois se agir de
violência, palavras de baixo calão, inventar incorporação, dentro da
casa de Umbanda, e se isso não for nenhuma influência espiritual, como
um obsessor por exemplo, o mesmo deve ser convidado a se retirar do
local, pois o terreiro de Umbanda é uma casa de paz e contra violência
de qualquer espécie, frisando que será visto no caso da obsessão,
portanto não adianta falar que um provável destempero seja causa de
obsessores, pois certamente se não for vai ser desmentido na hora.

    Não é permitido a permanência de pessoas alcoolizadas dentro de um
terreiro, tenda, casa de Umbanda. Caso acontecer a pessoa será
orientada a se retirar, ir para casa se restabelecer e retornar quando
possível e estando sóbria, assim teria consciência de receber o
aconselhamentos e passes das Entidades de Luz. O atendimento não será
negado a essas pessoas, pois a Umbanda determina que jamais se negue
atendimento a quem busca um caminho.


    Finalizando devemos compreender que os consulentes de Umbanda são
como qualquer outro fiel de qualquer outra religião, e deve se manter
em respeito e atenção naquilo que ele crê. Se dentro de uma Igreja
Católica, ou em uma Evangélica vemos fiéis comportados na maioria das
vezes, claro que em alguns supostos templos a tormenta e a gritaria
toma conta do ambiente, mas isso é outro caso, porque dentro de um
terreiro de Umbanda o respeito, o bom senso, a honestidade, o amor e a
caridade não devem ser impostos dentro da casa pelos consulentes?

    Vamos evitar pedidos sem noção, roupas com apelos sensuais,
pensamentos obscuros, falta de respeito com as regras da casa, enfim,
vamos ser verdadeiros umbandistas, verdadeiros amantes de nossa
religião, adoradores de Deus, dos Orixás e das Entidades de Luz.

Reflitam bem!

Carlos de Ogum.

                                        





terça-feira, 10 de outubro de 2017 28 comentários

A Cremação na visão da Umbanda

              

    Antes de começarmos a falar sobre a Cremação na visão da Umbanda, devemos explicar o que seria a cremação em si. Pois bem, vamos lá.

    A cremação é o ato de incineração, ou seja, da queima, até reduzir a cinzas o corpo físico de uma pessoa desencarnada.

    Essa incineração é executada através de um grandioso forno que tem altíssima temperatura.

    Dentro das leis humanas, para que haja a cremação de um corpo é necessário que se aguarde além da fase da catalepsia (estado de passividade e rigidez muscular), onde parece que a pessoa está morta, mas na realidade não está e por esse motivo deve-se aguardar o tempo necessário para que seja feita a cremação.

    Dentro da visão umbandista a CREMAÇÃO é um procedimento dos mais condizentes dentro do plano espiritual, pois é na verdade a purificação do corpo e do espírito.

    Do corpo, pois através desse ato, o espírito se desliga inteiramente da matéria, não retornando mais ao local de origem. Além do que o processo crematório é muito mais limpo do que o tradicional, pois neste caso o corpo fica apodrecendo nas campas do Cemitério, o que não ocorre na CREMAÇÃO.

    É recomendado aguardar o mínimo de 72 horas antes da cremação de um desencarnado, pois é dentro desse período de tempo que o perispírito, ou seja, o espírito daquela pessoa que desencarnou se desprenda da matéria e seja encaminhada para o astral.

    Não se tem conhecimento que alguma religião seja contra o processo de CREMAÇÃO. A princípio todas as religiões praticam esse processo, caso seja a vontade da pessoa antes do desencarne. Portanto, nada impede ao Umbandista de solicitar o processo crematório antes de sua passagem para o plano espiritual.

    Portanto, a cremação é aceita dentro da Umbanda, porém como já foi dito devemos respeitar às 72 horas de desprendimento de espírito/corpo.

    Dentro da biologia humana, estudiosos dizem que quando a pessoa morre, o cérebro demora até 32 horas pra "apagar" seus últimos neurônios. Já as células da pele ainda se dividem por 24 horas. Com essa colocação, é provável que seja nisso que a Umbanda se baseia pela espera de 72 horas após o desencarne para ser feita a cremação.

    O grandioso Mentor e irmão de Luz Emmanuel, no livro O Consolador, psicografado por Chico Xavier, quando lhe perguntam se o Espírito desencarnado pode sofrer com a cremação dos elementos cadavéricos, a resposta é a seguinte:

"Na cremação, faz-se mister exercer a caridade com os cadáveres, procrastinando por mais horas o ato de destruição das vísceras materiais, pois, de certo modo, existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o tônus vital, nas primeiras horas seqüentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material."

    Chico Xavier, ao ser indagado no programa Pinga Fogo quanto à cremação de corpos que seria implantada no Brasil, respondeu: "Já ouvimos Emmanuel a esse respeito, e ele diz que a cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio."

    Devemos entender uma coisa básica, não somos corpos com espíritos dentro, somos espíritos eternos, temporariamente dentro de um corpo físico, e temos o objetivo de evoluir, tanto moralmente quanto intelectualmente. E quando esse corpo físico se deteriora, a normalidade é que esse espírito o deixe, retornando a pátria espiritual, e assim que possível voltar a um novo corpo físico, para que assim dê continuidade a novas experiências no planeta, novas oportunidades de evolução, bem como terminar aquilo que por ventura não conseguiu na existência carnal anterior.

    Sabendo disso, podemos imaginar que o corpo físico é como uma peça de roupa que adquirimos, pela sua qualidade e pelo nosso gosto, e devemos fazer o máximo para preservá-lo, e assim que essa peça dure o maior número de dias possíveis. E claro que quando essa peça de roupa se deteriora, vamos substituí-la por outra em melhores condições. E assim é o corpo físico, a roupagem que o espírito se utiliza para viver nesse planeta. E nesse sentido, quando o espírito se afasta se desprendendo do corpo físico, deixa de ser importante a finalidade que lhe é atribuída, portanto se é cremado ou mesmo enterrado, as razões prós e contras são mais de ordem social do que espiritual. Portanto se a cremação for decidida pela pessoa antes de seu desencarne, ou pela família por tradições, só é recomendado aguardar às 72 horas para o total desprendimento do perispírito do corpo físico.

    Muitas dúvidas teremos quanto à cremação, porém devemos refletir que o espírito de um corpo cremado, poderá sofrer tanto quanto a de um espírito de um corpo sepultado, sendo esse espírito apegado ao material, a matéria em si. Só que isso independe da cremação ou do sepultamento, e sim da maneira que esse espírito viveu sobre a terra dos encarnados, com suas vaidades, suas ganâncias, seus vícios, ou seja, para um espírito não sofrer ao desencarnar, devemos melhor como pessoas, sermos desapegados a matéria, sermos caridosos, enfim, sermos verdadeiramente umbandistas.

Reflitam!


Carlos de Ogum
sábado, 30 de setembro de 2017 32 comentários

A Mistificação de Médiuns na Umbanda

               

    Muito se prega dentro dos terreiros, centros e tendas, para termos cuidado máximo em não nos entregarmos a mistificação.

    Sabemos que a mistificação é danosa ao médium mistificante, ao andamento dos trabalhos, a casa, aos consulentes, enfim, a todos os envolvidos.

    Médiuns que dão abertura as essas mistificações, automaticamente estão dando aberturas a espíritos sem luz, como Eguns, Kiumbas e Zombeteiros, que se utilizam desses médiuns mal preparados, vaidosos, mentirosos para se apossar da vida tanto dos consulentes que vão buscar auxílio em momentos de desesperança e desespero, quanto do próprio médium mistificador, além de entrarem com facilidade nos terreiros que por algum motivo a firmeza não esteja 100%. Alias o próprio médium mentiroso e mistificador já faz essas firmezas ficarem sobrecarregadas, pois ele deveria estar ali para auxiliar a caridade e não elevar a sua própria vaidade.

    Sabemos que a incorporação tem como objetivo principal o trabalho espiritual, realizado com a Entidade de Luz em conjunto com o médium. Tem como foco principal promover limpezas, quebrar demandas, restabelecer o equilíbrio, curar, abençoar e comunicar o que é necessário no momento.

    Nenhuma Entidade de luz vai se ater a assuntos peculiares, como por exemplo, perguntas sem ligação com o fato principal, ficar perguntando por pessoas, dando detalhes como nome de fulano ou beltrano, passando receituários grandiosos, sem ligação de nada com nada, cobrar adoração, mandar o consulente ir a lugares dificultosos como cemitérios, matas fechadas a noite, enfim, tudo que possa dificultar o andamento dos trabalhos, somente para dizer que sabe mais coisas que seu semelhante igualmente médium.

    Infelizmente vemos muitos médiuns mal preparados tentarem entrar no caminho das adivinhações, e assim poderá se perder na mensagem, e ao invés de comunicar o que realmente importa a pessoa, e que irá ajudar a melhorar sua vida e sua caminhada rumo à evolução, inicia um show de adivinhação, que certamente nunca acerta e também não soma em nada. Basta percebermos, toda vez que um médium mistificante quer adivinhar coisas, ele busca falar fatos que não pertencem a ele ou a espiritualidade, inventam cargas e obsessores, receitam diversas coisas que nada tem de concreto com o caso do consulente, tenta demonstrar que o problema é mais sério e complicado do que realmente é, manda o consulente fazer oferendas com elementos e em lugares mais improváveis possíveis, só para dificultar e assim mostrar que o fato é grave, e logicamente demonstrando a velha vaidade de querer ser o melhor médium para solucionar tudo, e quando nada acontece de bom, ele diz que foi a falta de fé do consulente.

    E assim chegamos ao ponto critico da questão, e entender que a mistificação deve ser combatida nos terreiros, no qual os Zeladores de Santo devem tomar extremo cuidado com seus médiuns vaidosos, orgulhosos, inseguros, mal desenvolvidos.

    Devemos também frisar que muitos médiuns mistificam não por sentimentos obscuros, mas pela ânsia em auxiliar o consulente, e assim desenvolvem emoções de caridade pessoal, não deixando a Entidade de Luz falar o que realmente deveria ser dito.

    Normalmente em casos assim, esse médium fala pelo seu subconsciente, e não pelas más intenções de espíritos sem luz como Kiumbas, Eguns e principalmente Zombeteiros. Dessa forma ele fala também o que é importante avaliar: o que tem efetividade e traz benefícios.

    Portanto mistificação intencional de forma vaidosa em si, já é outro precedente, mais profundo e complexo, pois é a intenção de mentir, coisa que acontece com o zombeteiro, tem espírito que finge ser e tem pessoas que fingem ser. Se a intenção é de mentir, enganar, falsear... isso sim é mistificação intencional e vaidosa. Podemos dar um exemplo básico de quando uma pessoa diz estar incorporado com um Preto Velho, se faz parecer com o linguajar e manifestando como tal, mas na verdade não é essa Entidade que está presente, normalmente é um espírito Zombeteiro, que certamente vai dificultar ainda mais a caminhada do consulente. E assim o erro já está instaurado, e essa inspiração de mentir, é algo nocivo e tende a uma falta de caráter espiritual completa do médium, pois somente ele é o responsável por esse acontecimento, pelas aberturas dadas, estando esse médium em trabalho humilde e bem feito, essas aberturas não são dadas e é impossível a chegada de um Zombeteiro na coroa dele.

    Muito se vê esses erros e entregas a espíritos Zombeteiros em Giras de Exú e Pombo Giras, pois são nesses trabalhos que mais chamam a atenção de consulentes, que muitos médiuns desejam ser o centro das atenções, e assim soltam por completo a vaidade, o descontrole, e o mal caratismo, fazendo com que dezenas de Kiumbas, Eguns e Zombeteiros se acheguem em sua coroa, dando diversas aberturas, e isso é extremamente prejudicial a todos.

    Por esse motivo que vemos tantos erros dentro de terreiros nessa Gira, que deveria ser tão iluminada, erros como médiuns pregando amarrações, oferendas sem nexo, acendimento de velas em locais obscuros, sacrifícios de animais, enfim, tudo invenção do médium, ou indução de espíritos sem luz, pois como sabemos nenhuma Entidade de Luz da Umbanda prega essas coisas.

    O que esses médiuns não entendem é que eles são responsáveis naquele momento da consulta pela vida de seus consulentes e que qualquer coisa que aquele médium disser, interferindo no trabalho da Entidade, ou usando o nome da Entidade para dizer o que quer, esse médium está comprometendo toda a corrente espiritual, está se comprometendo com a Entidade e com toda a hierarquia dela, e que por esse momento de vaidade e descuido, esse médium está abalando anos e anos de trabalho do dirigente espiritual, de todo o corpo mediúnico e espiritual daquele terreiro, causando muitas vezes a falência daquela casa de luz.

    É inimaginável crer que um médium acredite que está servindo a caridade utilizando-se de artifícios que serão, mais cedo ou mais tarde, descobertos. Senão pela corrente mediúnica encarnada, mas pela corrente espiritual.

    Sabemos que a caridade exige de nós três coisas:

Amor a Deus.
Amor ao próximo.
Amor próprio.

    Se não tivermos essas três formas de amor, certamente não faremos um trabalho digno dentro da Umbanda.

    Finalizando, devemos observar muito bem o trabalho dos médiuns, verificar suas falas, suas ações, seus gestos. E quando observar um médium se dizendo incorporado de um "guia de luz", que se manifesta para tudo, menos para praticar a caridade, e até mesmo, afirmando que veio em terra (pois afirma estar incorporado) pra beber, fumar e fazer o que bem entende, desconfie, pois: ou o médium está utilizando de uma suposta incorporação para satisfazer seus vícios (mistificação), ou, se tem um espírito incorporado, é um espírito que pode pertencer a qualquer universo, menos ao universo umbandista, pois a Umbanda tem Lei e Ordem, tem Preceitos que não podem ser lançados fora, e de fato não são lançados pelos espíritos genuinamente trabalhadores de Umbanda.

    Desconfie quando ver o contrário. Infelizmente isso acontece dentro dos "terreiros de umbanda" o tempo todo. Espíritos do baixo astral tomam a forma de guias de Umbanda, se identificam com se fossem os guias de Umbanda, enganam o médium (ou o médium se deixa enganar) e fazem barbaridades no ambiente e com os consulentes que estão presentes. Mas também é comum a mistificação onde pessoas que não são médiuns fingem estar incorporadas de espíritos de luz nos dias de gira de Umbanda, e isso para chamar atenção, vaidade, entre outras coisas.

    Então consulentes vamos ficar atentos; senhores médiuns trabalhem pela caridade com honestidade; senhores dirigentes e Zeladores atenção redobrada dentro de suas casas de Umbanda, para que possamos levar uma verdadeira Umbanda a quem precisa, com amor, paz, humildade, honestidade, sem vícios, maus sentimentos, vaidade e mentiras.


Salve a nossa amada Umbanda!


Carlos de Ogum
quarta-feira, 20 de setembro de 2017 37 comentários

AS VESTES NA UMBANDA.

             


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    Um dos grandes debates entre médiuns, Zeladores e dirigentes de
terreiros é as vestes que se deve ser usada no culto de Umbanda.

    Muitos pregam que as vestes devem ser  caracterizada a cada
Entidade de Luz, fazendo assim que a Gira se torne um grande desfile
de modas.

    Devemos entender que a Umbanda é uma religião simples, humilde, de
entrega de coração a caridade, ao amor e a paz. Portanto ficar
buscando a vaidade entre os filhos de uma casa é totalmente errado.

    Então devemos refletir muito bem, prestar muita atenção onde
estamos buscando fazer a caridade, pois nas casas que dirigentes e
Zeladores pregam que o médium deve usar roupas coloridas, capas
diversas, ternos, cartolas, longos vestidos de pura renda, camisas
coloridas e sendo trocadas a cada nova incorporação de uma nova
Entidade de luz é pura vaidade e demonstração teatral para chamar
atenção indevida.

    Na Umbanda, em seu princípio, um dos grandes elementos e
significados e fundamentos é o uso da vestimenta na cor branca. Como
sabemos, em 16 de novembro de 1908, quando foi anunciada a Umbanda no
plano físico, e também quando foi fundado o primeiro templo de
Umbanda, que foi a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a Entidade
de Luz, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que anunciou a nova
religião, ao fixar as diretrizes e bases do segmento religioso, expôs,
dentre outras coisas, que todos os Sacerdotes, Zeladores e médiuns
usariam as roupas brancas, e isso certamente não é por acaso,
notoriamente essa colocação foi dada por ter o Caboclo das Sete
Encruzilhadas um profundo conhecimento místico, científico e
religioso da cor branca.

    Sabemos que no decorrer de toda a história da humanidade a cor
branca aparece como um dos maiores símbolos de fraternidade já
utilizados. Vários são os povos que abraçaram essa cor para demonstrar
a caridade, o amor e a paz. O próprio Cristo ao tempo de sua missão
terrena utilizava túnicas de tecido branco nas peregrinações e
pregações que fazia.

    Portanto devemos dentro de nossas Giras estarmos de roupas
brancas, sem deixar que a vaidade tome conta, fazendo com que levarmos
a crer que o terreiro de Umbanda seja um palco para desfiles e peças
teatrais.

    É extremamente incoerente pregar que uma Entidade de Luz, que
é abençoada por Deus, e entregue a ela a missão da caridade, do amor,
da humildade e da paz, só trabalhe com roupas a caráter. Sim, sabemos
que as Entidades de Luz foram seres Encarnados em algum momento, porém
evoluíram, e evoluíram tanto que foram escolhidas para fazer o bem em
nome de Deus junto aos seres que ainda estão encarnados e cheios de
defeitos. Portanto não existe isso, as Entidades trabalham pela
caridade e não pela vaidade.


    Essa visão de que devemos usar vestes que supostamente uma
Entidade de Luz exige, é pura mistificação, desorientação e vaidade
de médiuns mal preparados, sem a mínima noção de que seja uma
Entidade de Luz, sem a mínima noção de que seja Umbanda, ou sem a
mínima noção de que seja trabalhar pela caridade.

    É muito fácil encontrar em alguns terreiros, armários cheios de
capas, ternos, camisas coloridas, lenços, etc. No qual o próprio
Zelador da casa se coloca como usuário dessas vestes, e a cada troca
de incorporação, uma troca de roupa. Isso na verdade além de ser uma
grande vaidade, se torna ridículo, pois a perda de tempo é extrema, e
esse tempo gasto com essas trocas de roupas, poderiam ser gastos com
orações, preces, auxílios, caridade a quem necessita.

    Infelizmente o que vemos hoje em dia são médiuns mal
desenvolvidos mediunicamente, tentando aparecer mais que seu
semelhante dentro do terreiro, e um modo mais simples de enganar a
assistência e se vestir de uma forma chamativa, com artefatos que nada
tem a ver com a realidade da Entidade de Luz que esses médiuns estão
tentando passar aos consulentes.

    Podem ter certeza que em médiuns vaidosos, sem noção de
vestuário, as Entidades de Luz estão distantes. O que esses médiuns
trazem na coroa é sua visão errônea do que seja Umbanda, e assim dão
aberturas a espíritos sem luz, obsessores como Kiumbas, Eguns e
Zombeteiros.

    Devemos ficar atentos como consulentes ou visitantes de algum
terreiro esse ponto de vaidade. Desfile de modas não faz parte da
Umbanda. Podemos estar buscando mais problemas a nossa caminhada, ao
invés de sermos ajudados.

    Os médiuns de Umbanda devem utilizar as vestes na cor branca, pois
e essa cor neutra que transmite a sensação de assepsia, calma, paz
espiritual, serenidade e outros valores de elevada estirpe.

    Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que
lembrar que a religião que abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que
Oxalá, que tem a cor branca como representação, supervisiona os Orixás
restantes. Assim como a cor branca contém dentro de si todas as demais
cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura
cósmico astral todas as demais irradiações, como: Ogum, Xangô, Oxossi,
Obaluaiê/Omulú, Oxum, Iansã, Iemanjá e Nanã Buruquê.

    A implantação desta cor em nossa religião, não foi fruto de opção
aleatória, mas sim pautada em seguro e inequívoco conhecimento de quem
teve a missão de anunciar a Umbanda. Portanto devemos respeitar essa
posição e parar de colocar a vaidade e a falta de informação acima
da realidade umbandista.

    Salve o caboclo das Sete Encruzilhadas!

    Salve a Umbanda sem vaidade!

Carlos de Ogum.
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domingo, 10 de setembro de 2017 36 comentários

A História da Pombo Gira Rosa das Sete Saias

          

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No clarão da noite de Lua cheia,
ela veio reinar na terra sagrada,
pelos montes lindos ela passeia,
mostrando ser uma moça iluminada.

Sua força vem da beleza de Mãe Iansã,
e assim todas as filhas ela conduz,
quando chega na Umbanda ilumina nosso amanhã,
essa é a Pombo Gira Rosa das Sete Saias, a enviada de Jesus.
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   A Pombo Gira Rosa das Sete Saias tem uma história muito interessante, pois ela viveu em prol da caridade as jovens abandonadas pelas famílias, que normalmente eram expulsas ou por um desvio de conduta, ou por ideias acima do tempo vivido, ou por mostrarem que não aceitavam ser dominadas por tradições da época.

    Ela viveu nos meados do século XIX, e por ser extremamente lutadora por igualdades, foi expulsa de sua região pelos grandes coronéis da época. Coronéis esses que não respeitavam as mulheres, os negros e as pessoas que pregavam ideias diferenciadas desses poderosos.

    Nessa época a Pombo Gira Rosa das Sete Saias era conhecida apenas por Rosa, seu nome de batismo e vivia com seus pais e irmãos na região Norte do Brasil.

    Ela sempre foi diferenciada por estar sempre em desacordo com os grandes poderosos coronéis do tabaco, arroz, cana de açúcar, e assim conseguiu muitos desafetos, sendo perseguida até ser expulsa de sua região, sem que antes sofresse a enorme perda de sua vida, toda sua família fora massacrada por esses sanguinários senhores fazendeiros.

    Ela astutamente conseguiu se desvencilhar das agressões dos jagunços comandados pelos coronéis, fugindo de sua pequena cidade e se escondendo pelas florestas, rios e pântanos, até chegar a um monte no qual ela fez morada.

    Os dias iam passando lentamente, e Rosa cada dia era tomada por uma tristeza sem fim. Com a perda de seus pais e irmãos, ela não tinha mais vontade de caminhar, suas esperanças já não existia mais, seu amor pela vida e sua vontade de lutar estava quase se extinguindo, quando em uma noite clara no qual o cume do monte era tomado pela luz de um luar lindo e estrelas brilhantes, Rosa sentada na relva com os olhos fixos para o horizonte tomado pela escuridão da noite, escuta chamarem por seu nome.

    Ela assustada da um sobressalto, e se depara com uma linda mulher vestida de guerreira, de olhos amendoados, cabelos brilhantes como o Sol, em sua mão direita segurava uma espada de cor de ouro, e com uma voz forte, porém meiga, ela disse a jovem Rosa:

    "Filha amada, não se deixe vencer, você é forte, é lutadora, é guerreira, é minha protegida. Sua missão apenas começou.
    Deve erguer a cabeça, iluminar sua fé, buscar os caminhos da caridade, pois muitas pessoas dependerão de sua vontade de lutar.
    Esse monte será seu ponto de força, cada vez que fraquejar venha até ele, busque a força do Sol, a clareza da Lua, a união das estrelas. Sinta o vento acariciando seu rosto e cabelos, esse vento é a energia que vai precisar caso fraquejar.
    Sua missão e retirar das garras da morte as jovens jogadas a seu próprio destino. Traga-as para se purificarem no monte, as conduza para o bem, a luta contra o mal, auxilia-as a vencer os seus medos, seus dissabores, seus ódios.
    Você será a luz na caminhada de muitas jovens reprimidas pela ignorância de uma humanidade sanguinária e sem entendimento.
    Nessa caminhada terá de escolher sete companheiras para serem suas forças de conjunto, saberá quem são elas, e essas estarão com você eternamente.
    Lute pela liberdade e faça a caridade sem receio, pois no momento certo você irá a uma nova caminhada rumo ao bem, rumo à paz, rumo a Deus. Eu estarei com você e no momento certo, você estará comigo."

    Falando isso a linda mulher guerreira se foi como por encanto, deixando apenas uma leve brisa no ar, uma brisa perfumada como as flores.

    Rosa ergueu a cabeça, e tomou uma decisão, voltaria à cidade para resgatar as jovens, que como ela eram mantidas escravas pelos coronéis sanguinários. E assim ela o fez.

    No arraial jovens de diversas idades, raças e ideologias, eram mantidas como escravas pelos senhores poderosos. Eram torturadas, abusadas, humilhadas, assassinadas.

    E assim Rosa pôs em prática o plano de alcançar seu objetivo, ou seja, resgatar essas jovens, e as levarem ao monte da purificação, e após a um lugar seguro.

    Começando sua missão, todo o cair da noite entrava pela cidade em surdina, ia até os pontos onde se encontravam aprisionadas diversas jovens, e com uma força de vontade enorme assim como sua fé, as levavam para um local seguro.

    E assim ela expandiu sua missão além da cidade, passou a resgatar jovens escravizadas dentro de fazendas, em senzalas, jovens essas que sofriam extremamente nas mãos de seus senhores, de feitores e jagunços.

    Com extrema habilidade e sagacidade, Rosa conseguia entrar e sair das fazendas nas noites escuras e até um pouco sombrias. E ao sair nunca deixava de levar alguma jovem sofrida, e assim foi aumentando dia após dia o número de resgates feitos pela salvadora protegida de Iansã guerreira.

    Os poderosos começaram a se preocupar com o sumiço das jovens, tanto nas fazendas quanto na cidade, e assim se juntaram para tentar dar um fim nesse acontecimento, mesmo não sabendo quem estava por trás dos resgates.

    Começaram uma vigília implacável, fazendo assim dificultar muito a missão da jovem Rosa, que se arriscava intensamente para tentar trazer mais jovens para a liberdade.

    Com a dificuldade aumentada, Rosa teve a lembrança dos dizeres da Orixá Guerreira, ela deveria escolher sete jovens para lhe auxiliar, e assim tentar manter sua missão ativa.

    Enquanto isso os poderosos e fazendeiros da região, para tentar fazer o misterioso lutador pela liberdade aparecer, começaram mais intensamente torturarem mais e mais jovens. Com isso Rosa não teve outra maneira de agir, deveria, junto com suas sete auxiliares, já devidamente escolhidas, ir à busca de novos resgates.

    E assim ela o fez, por mais uma seqüência de dias ela passou a libertar mais e mais jovens, deixando os poderosos e coronéis extremamente irritados.

    Um desses coronéis teve a ideia de separar algumas jovens negras em uma senzala, e nessa senzala grandes horrores aconteciam com elas. Rosa ao saber disso pediu forças a Iansã, juntou-se com suas sete guerreiras e partiu para a tal fazenda. Mas tudo não passava de um plano sanguinário desse coronel para eliminar o libertador de jovens. Em tocaia, ele, alguns jagunços e feitores, juntamente com um grande número de coronéis e poderosos da região, aguardavam com ansiedade a chegada do libertador.

    E assim chegou a senzala a jovem rosa com suas sete guerreiras, e foi um espanto a todos que ali estavam aguardando. Ficaram em silêncio, observando o que ia acontecer, e viram com grande espanto as jovens entrando pela porta da senzala assim que conseguiram quebrar a velha tranca de ferro.

    Sem dó ou piedade, o coronel sanguinário manda seu jagunço trancafiar as jovens na senzala juntamente com as outras que ali já estavam e logo após manda incendiar a fim de queimar todas vivas.

    O fogo pegou rapidamente, as jovens escravizadas gritavam de pavor, enquanto Rosa e suas auxiliares tentavam sem sucesso encontrar uma saída.

    Do lado de fora gargalhadas estridentes tomavam conta do local, os coronéis, jagunços, feitores e poderosos se deleitavam com o desespero dentro da senzala.

    Rosa se joga de joelhos ao chão, clama por piedade a sua protetora Iansã, pedindo-lhe que salvasse as jovens que ali estavam, em um extremo de fé e caridade, ela deixa uma lágrima rolar em seu rosto. Essa lágrima ao cair é tomada por um brilho intenso, fazendo-a se transformar em centenas de gotículas que plainavam pelo ar subindo ao céu azul, que nesse instante começa a se fechar com pesadas nuvens negras.

    Raios saíam das nuvens, e uma intensa tempestade no mesmo instante desabou sobre as terras da fazenda, conseqüentemente encharcando toda a senzala e por fim apagando o violento incêndio. Ventos tortuosos sopraram violentamente sobre a fazenda, fazendo com que a correria entre coronéis, poderosos, feitores e jagunços começasse. Todos assustadíssimos gritavam de pavor. Ventos arrastavam a todos, raios desciam sobre eles demonstrando a força da natureza e de Mãe Iansã, a chuva poderosa cobria os olhos de todos os deixando como cegos.

    Nesse momento uma luz brilhante desce sobre a senzala, e como se com sua força invisível, juntava as jovens ao centro da senzala, e a luz brilhante as rodeou fazendo assim um campo de energia protetora. Nesse momento um forte trovão estrondou pelo céu, trazendo um raio poderoso que caiu próximo a senzala, unido com os fortes ventos fez com que ela fosse destruída, porém as jovens se mantinham protegidas pela luz brilhante.

    A senzala foi ao chão, raios e trovões tomavam o céu, ventos de enormes proporções levavam tudo a sua frente. Já não haviam mais nenhum jagunço ou feitor, todos corriam tentando se proteger. Os coronéis e poderosos em seus desesperos particulares tentavam achar algum lugar para se segurarem, porém era inútil, nada estava livre da força dos ventos, a não ser as jovens protegidas sobre a luz brilhante de Iansã.

    Nesse momento as nuvens partiram, o céu se tornou novamente azulado, o Sol brilhava com intensidade, raios e trovões se acalmaram.

    Pouco a pouco se reuniam os poderosos homens irônicos, só que agora extremamente assustados com todo acontecido.

    Ao verem as jovens reunidas em um ponto da fazenda, ainda protegidas pela luz brilhante, eles ficaram atônitos, não sabiam o que dizer ou o que pensar.

    Nesse instante sobre as jovens, plainava a imagem da bela Iansã, devidamente trajada de guerreira, olhos brilhantes, espada em punho. Com um gesto ela fez com que a luz brilhante desaparecesse, e com um tom de voz forte e seguro disse:

    "A todos que escravizavam, torturavam e mantinham essas jovens sobre seu julgo, digo-lhes, essa foi apenas uma pequena demonstração a vocês. A partir desse momento desejo essas jovens livres, pois para aqueles que não aceitarem minha vontade, sofrerão a ira da natureza muito mais forte do que essa que presenciaram nesse momento.

    Desejo que deixem todas as jovens partir, que não sejam mais escravizadas, torturadas e mortas."

    Dizendo isso ela ergueu sua espada, pediu que Rosa se afastasse com suas sete auxiliares, e lançou uma luz em volta dela e das sete, fazendo com que todas se erguessem sobre o ar.

    E assim ela disse:

    "A sua missão foi cumprida nesse lugar, a partir de agora você e as sete serão enviadas de Oxalá e dos Orixás, para que possam libertar mais e mais jovens aprisionadas e abandonadas a sua própria sorte."

    E assim Rosa se transformou na Pombo Gira Rosa das Sete Saias, sendo as sete saias suas sete auxiliares.

    Hoje a Pombo Gira Rosa das Sete Saias trabalha em prol da caridade nos terreiros de Umbanda, e tem como sua principal finalidade proteger jovens abandonadas, torturadas e escravizadas pela ignorância dos seres humanos que não buscam entender o porquê de algo, e preferem julgar.

    É dito que quando a Pombo Gira Rosa das Sete Saias chega a um terreiro, em volta dela se pode notar a energia das sete guerreiras de Iansã, fazendo assim que seja quebrado todo tipo de magia, com a força das sete linhas.

    Salve a Pombo Gira Rosa das Sete Saias!

Pombo Gira Rosa das Sete Saias é Mojubá!


Carlos de Ogum
quarta-feira, 30 de agosto de 2017 39 comentários

SONHOS COMUNS, REFLEXIVOS E ESPIRITUAIS.




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    Uma coisa que intriga muitas pessoas a milênios são os sonhos.
Tentamos entendê-los, decifrá-los, tentamos a todo custo buscar
respostas a esse momento tão particular de cada um de nós.

    Descrito no dicionário Aurélio, a palavra "sonho", tem o seguinte
significado:

"Substantivo masculino. Reunião das imagens, ideias, pensamentos ou
fantasias que, geralmente confusas e sem nexo, se apresentam à mente
no decorrer do sono."

    Mas será que o sonho é algo tão confuso e sem significado da forma
que o dicionário deseja mostrar?

    Na verdade não é bem assim. pois o
 sonho é a realidade das atividades da alma, ou seja, uma lembrança do
que a alma viveu durante o sono. Seja uma recordação da infância ou
vidas passadas, muitas vezes associada à vida presente, com uma
projeção do futuro, fruto de preocupações e desejos presentes ou
passados, vivências espirituais de qualquer natureza que pode
esclarecer e determinar muitas coisas fora de nosso conhecimento.

    É então que ela (a alma) tira de tudo o que vê, de tudo o que
percebe, e dos conselhos que lhe são dados, as ideias que lhe ocorrem
depois, em forma de intuições.

    Por esse motivo que é extremamente complicado dizer exatamente o
que um sonho pode estar nos mostrando, ou se está mostrando algo.

    Consideraremos aqui três tipos de sonhos:

Comuns.

Reflexivos.

Espirituais.

Sonhos comuns: : repercussão de nossas disposições físicas
(circulatórias, digestivas&) ou psicológicas (sentimentais: medo,
preocupações, anseios, desejos.

Sonhos reflexivos: : exteriorização de impressões e imagens arquivadas
na memória.

Sonhos espirituais: : atividade real e efetiva do espírito durante o
desdobramento propiciado pelo sono.

    Devemos compreender que os sonhos comuns são os que mais
acontecem, e ele está ligado a acontecimentos de seu dia a dia, e nada
tem de possibilidade de trazerem informações de algo concreto. Como
por exemplo tendo a pessoa alguma preocupação, algo que possa deixar
essa pessoa pensativa, possivelmente ao adormecer essa pessoa poderá
ter um sonho comum com tal fato.Vamos a um exemplo prático dessa forma
de sonho:

    Alguém tem uma prova importante na escola, faculdade ou em um
concurso, essa pessoa sabe da importância desse fato e fica muito
pensativa sobre tal coisa, isso vai desencadear uma insegurança, e
essa insegurança se transforma na possibilidade de um sonho ao
adormecer. E isso não significa que a pessoa vai se dar mal na prova,
é apenas preocupação e desejo intenso sobre tal fato.

    Nesses casos, é pequeno o afastamento da sua alma do seu corpo, e
envolto por aquelas cenas fluídicas criadas pela sua própria mente,
julga estar vivendo algo real, ou seja, indo mal na prova.

    O sonho reflexivo nada mais é do que memórias arquivadas em nosso
cérebro, coisas que passamos durante a vida. Guardamos essas memórias
e em algum momento podemos trazê-las a tona através de sonhos. Isso
é algo bastante normal, e nessas memórias podem ser trazidos momentos
de felicidade, de tristeza, de euforia, de perdas, de falta de
compreensão, de algum trauma. Porém nada quer dizer de concreto para
o futuro, pois essa parte do sonho está ligada ao passado.

    Já o sonho espiritual é algo muito mais intenso e muito mais
concreto, tanto que podemos ter demonstrações de acontecimentos,
avisos, encontros com encarnados e desencarnados, enfim, várias formas
de colocações que resultam informações preciosas a quem buscar
entender verdadeiramente esses sonhos.

    Nos sonhos espirituais a alma, desprendida do corpo, exerce
atividade real e efetiva no plano espiritual, facultando meios de nos
encontrar com parentes, amigos, instrutores espirituais, inimigos ou
desafetos, desta e de outras vidas.

    Quando dormimos, o nosso espírito parte em disparada, por atração
automática, para os locais de nossa predileção, assim como descrevemos
alguns exemplos abaixo:

- O viciado procurará os outros viciados.

- O religioso procurará um templo.

- A alma caridosa irá ao encontro do sofrimento para assistir os
necessitados.

- O interessado em aprender e estudar procurará os cursos na
espiritualidade.

- Os saudosos buscarão seus entes amados.

- Os incompreendidos buscarão seus desafetos para tentar ajustar uma
convivência.

    E como acontece esse encontro com encarnados e desencarnados em
sonhos?

    Durante o sono o espírito se distancia do corpo físico, mas não
fica inativo. Neste momento o encontro com entes queridos é possível
da mesma forma com desafetos, de acordo com o pensamento que nos liga
uns aos outros por vários motivos, e assim podemos estabelecer esse
encontro através dos sonhos espirituais.
    Sabemos que o espírito, enquanto o seu corpo físico se recompõe
pelo sono, sai a perambular no ambiente astral. Chama-se o fenômeno de
projeção astral.

    Nessa dimensão, os espíritos se encontram e convivem assim como na
matéria. As criações mentais estão espalhadas no astral, assim como as
criações da matéria estão espalhadas na dimensão física.

    Podemos sentir e vivenciar nesse plano de acordo com nosso preparo
espiritual e nossas preocupações diárias. Se estivermos muito
conectados às sensações, seremos atraídos para vivenciar essas
sensações inferiores na dimensão astral. Ao contrário, se estamos
sintonizados com sentimentos de amor fraterno e com intenções
superiores, seremos atraídos aos ambientes propícios ao nosso íntimo.

    Podemos sonhar apenas com imagens de pessoas queridas, encarnadas
e desencarnadas, plasmadas pela mente, como também podemos encontrar
verdadeiramente esses entes no plano astral.

    Sabemos também que os sonhos são nosso sexto sentido, e por esse
motivo que quando acordamos do sono físico, pouco nos lembramos dos
sonhos. Isso ocorre porque, nesse momento, nossos cinco sentidos
materiais tomam novamente a dianteira.

    Algumas vezes, lembramo-nos de cenas que nos parecem desconexas e
raramente trazemos para a vida física os encontros com espíritos mais
elevados, que têm como característica uma energia tão suave e sutil,
que não é compatível com a energia pesada do ambiente material.


    Entretanto, quando nos deparamos com espíritos sofredores durante
o sono e com cenários carregados de dor e energias deletérias,
acordamos cansados e muitas vezes nos lembramos desse infortúnio como
pesadelos.

    Dentro dos sonhos espirituais, temos uma forma de demonstração, um
tanto rara, porém existente de sonho, chamado sonho de luz.

    O sonho de luz é basicamente um aviso de algum acontecimento que
tem grande chances de ocorrer diante a ligação do sonho em questão, ou
seja, pode ser uma previsão de algum fato a ocorrer. E para
identificar esse tipo de sonho, devemos ter a compreensão que dentro
das cenas demonstradas, aparecem grandes clarões, como "flashs" de
luz, fazendo que toda a atenção seja voltada a ele.

    Finalizando, não devemos achar que qualquer sonho seja um aviso,
não devemos nos apegar a esse ponto. Devemos refletir intensamente
sobre tudo, cada detalhe desse sonho, cada personagem, cada visão,
cada gesto que lembrarmos, e dar uma atenção especial no dito sonho de
luz, que poderá ser realmente um aviso.

    É muito importante nosso preparo antes de dormir, evitando
programas de TV ou filmes de conteúdo negativo, por exemplo. A prece
antes de dormir é um excelente recurso para que possamos ter bons
sonhos porque nos liga aos bons espíritos, garantindo-nos boas
companhias espirituais.

    Busque a luz para não sonhar com a escuridão.

    Paz a todos!

Carlos de Ogum.

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domingo, 20 de agosto de 2017 35 comentários

O que é e como se utiliza o Adjá na Umbanda

            

    Certamente muitas pessoas que acompanham algum terreiro de Umbanda já puderam observar o uso do Adjá; e mesmo com a curiosidade elevada não se aprofundaram mais sobre esse objeto por acreditar ser apenas uma sinetinha que é utilizado para chamar a atenção dos médiuns no início dos trabalhos da casa.

    Pois bem, ele não serve apenas para essa função, e vamos tentar demonstrar a grande importância desse instrumento para a nossa Umbanda.

    O Adjá, também conhecido por Adjarin, ou Ajá, ou Aajá, é uma sineta de metal, muito utilizada pelos Zeladores da Umbanda em diversas ocasiões. Ele pode ser de uma, duas ou três sinetas, e o cabo pode ser do mesmo material das sinetas, podendo ser esse cabo de bronze, metal dourado ou prateado, ou também pode ser o cabo de madeira. Normalmente quando assim o é, se faz firmezas com fitas ou palha, conforme a recomendação do Mentor da casa. Esses firmamentos são feitos pelo próprio Mentor ou pelas Entidades referentes ao firmamento.

    Na Umbanda, como dissemos, o Adjá é utilizado em vários momentos, podendo ser usado no desenvolvimento mediúnico e espiritual dos filhos da casa, no preparo do amaci, na chegada de alguma Entidade de descarrego, como um Falangeiro de Omulú, por exemplo, no encaminhamento de algum espírito trevoso, ou quando a Entidade responsável pela Gira solicita a utilização do Adjá.

    O Adjá só pode ser usado pelo Zelador da casa, ou por alguém de extrema confiança do dirigente e mesmo assim com permissão do Mentor do terreiro.

    Esse divino instrumento tem uma magia extrema na espiritualidade, pode ser considerada a campainha desbloqueadora de campos mentais; retirando todas as cargas negativas quando necessário. Para alguns médiuns que tem a percepção de vidência, podem observar que ao ser tocado, o Adjá solta faíscas de campos mentais, ao ser tocado saem e pequenos raios de luz, pois ele é propagador de energias, e pode ser utilizado para abençoar os filhos, limpar a aura para a incorporação de uma Entidade mais árdua, e assim não forçar e retirar muita energia do médium, também é utilizado para a limpeza das energias do Gongá, as que são captadas nas limpezas de consulentes, assistência, e dos próprios médiuns que por vez ou outra trazem cargas negativas param dentro do terreiro, com pensamentos, ações e gestos de baixa espiritualidade.

    Normalmente o Adjá é feito de três tipos de material, latão, aço e cobre, mas isso não é uma regra.

    Quando é tocado o Adjá próximo a um médium em seu desenvolvimento mediúnico, as forças dos Orixás de Coroa, e a luz das Entidades de cabeça se aproximam com maior facilidade, fazendo assim que, se caso for um médium de incorporação, essa incorporação fique mais firme, e menos consciente, fazendo com que esse médium adormeça com mais facilidade o mental, deixando todos os pensamentos de lado e se conectando com maior força com o astral superior.

    O uso do Adjá também tem uma função importante quando se necessita decantar energias nocivas ao médium, e também em determinado local, pois o som das sinetas ao fabricarem a energia necessária, afasta todas essas cargas nocivas.

    Também se é utilizado o Adjá na maceração de ervas, assim como no amaci, isso para concentrar as energias dos Orixás, as forças da natureza, no trabalho a ser feito.

    Vamos aproveitar a oportunidade desse texto e anexar uma colaboração de um amigo do blog, que nos enviou algumas colocações do uso do Adjá no Candomblé.

    "No Candomblé o Adjá é muito importante, pois ele é o instrumento que aproxima os Orixás da Coroa dos médiuns.

    Ele pode ser de 1, 3, 5 ou 7 campainhas, e é firmado conforme o Orixá de cabeça do dirigente da casa, e é ele, o Guia de Cabeça do dirigente, quem determina quantas serão as sinetas.

    Também se tem um Adjá para cada Orixá no Candomblé, assim como tabela abaixo.
Pai Oxalá: Cor de Prata.
Mãe Oiá (Logunan): Cor de Prata.
Mãe Oxum: Cor de Cobre.
Pai Oxumaré: Cor de Cobre.
Pai Oxossi: Cor de Latão (amarelo).
Mãe Obá: Cor Branco.
Pai Xangô: Cor de Cobre.
Mãe Iansã: Cor Latão (dourado)
Pai Ogum: Cor de Prata.
Pai Obaluaiê: Cor de Prata.
Mãe Nanã Buruquê: Cor de Prata.
Mãe Iemanjá: Cor de Prata.
Pai Omulú: Cor de Prata.”

    Bem como observamos acima, no Candomblé temos diferenças nas regras entre a Umbanda no uso do Adjá, assim como a formação dele e as cores. Mas isso foi apenas para informar uma curiosidade, pois para nossa utilização dentro da Umbanda é válido as 3 sinetas, na cor prata e cabo podendo ser de madeira, com firmamento da Entidade Mentora ou a quem essa Entidade passar essa missão.

    Portanto independente das regras contidas, o que devemos colocar em prática acima de tudo é o respeito pela utilização desse instrumento sagrado dentro da Umbanda.

Saravá Umbanda de Luz!

Saravá o Adjá!


Carlos de Ogum
quinta-feira, 10 de agosto de 2017 61 comentários

DEPRESSÃO NA VISÃO UMBANDISTA.

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    A depressão é um dos maiores males mentais sofridos pelos seres
humanos nesse século. E um dos maiores obstáculos é o reconhecimento
dessa doença tão grave, pois sendo ela reconhecida se facilita em um
diagnóstico e tratamento.

    É dito que infelizmente a metade das pessoas que passam pela
depressão nunca tem a doença diagnosticada  e tratada, e isso pode ser
uma grande ameaça, pois mais de 10% das pessoas que tem depressão
chegam ao suicídio.

    Desse ponto chegamos sobre o que desejamos expressar nesse texto,
ou seja, a visão da Umbanda sobre a depressão.

    Quando uma pessoa com o mal da depressão chega a reconhecer sua
doença, busca diagnósticos, tratamento, e mesmo assim esse mal não é
sanado, podemos salientar que essa depressão não é apenas um mal
físico mental, e sim espiritual.

    Sabemos que em nosso redor sempre temos companhias espirituais,
como por exemplo Entidades de Luz, Irmãos de Luz, Anjos Celestes,
espíritos desencarnados que buscam luz para caminhar, enfim vários
tipos de manifestações espirituais, assim como também temos ao nosso
redor manifestações de espíritos sem luz, Kiumbas, Eguns, Zombeteiros,
vampirizadores , que a todo momento estão dispostos a encontrar uma
fraqueza nossa para poderem se aproximar, se instalar e dominar nossa
mente.

    E essas fraquezas podem ser nossos atos, ações, pensamentos,
vícios, sentimentos, ou seja, tudo que não é de acordo com a caridade,
a humildade, a paz, o amor e a fé, se tornam armas contra nós mesmos,
e levando energias a esses obsessores.

    Entre tantas coisas que esses obsessores tomam para essa
aproximação, uma das mais intensas é a depressão, que nós seres
encarnados podemos ter, e nos deixar ser tomados pelas energias más
desses seres obsessivos.

    A depressão pode ser reconhecida pelos seguintes sintomas:

Tristeza.

Perda de interesse por coisas que antes você gostava.

Falta de energia Dificuldade de concentração.

Dificuldade de tomar decisões.

Insônia ou sono em excesso.

Problemas no estômago ou na digestão.

Sentimento de desesperança.

Dores sem motivo aparente.

Mudança no apetite, levando ao ganho ou à perda de peso.

Pensamentos de morte, suicídio e auto mutilação.

Tentativa de suicídio.

    Como vimos acima esses sintomas podem diagnosticar a depressão,
mas pode diagnosticar também a obsessão, e obsessores se utilizam
desses sintomas da depressão para agravar ainda mais o quadro da
pessoa depressiva, sempre com o intuito maior que é a de levar essa
pessoa ao suicídio,. que seria o maior objetivo dos obsessores.

    E porque esses obsessores tem esse objetivo?

    Sabemos que somos um espírito, e que no momento estamos
encarnados, e sabemos também que como encarnados somos falhos demais,
essas nossas falhas nos faz dar aberturas a obsessores, essas
aberturas dão a esses obsessores energias, energias essas que faz com
que esses obsessores levem mais e mais maldades a nosso planeta.

    Só que obsessores e vampirizadores desejam algo maior que só levar
essas maldades a nossos irmãos, eles desejam escravizar as almas
deles, e um modo mais concreto para isso é fazer com que as pessoas
tirem por vontade própria o seu bem maior, ou seja a própria vida.

    O suicídio é a grande arma para obsessores e vampirizadores terem
sempre escravos a seu domínio, e a depressão é o melhor caminho para
esses seres chegarem ao objetivo final, pois ela, a depressão, faz com
que as pessoas percam toda e qualquer ligação com seu bem maior, a
vida dada pelo Pai Maior, nosso amado Deus.

    Muitas pessoas mal informadas tem como praxe em dizer que a
mediunidade pode trazer depressão, porém isso é inexistente, todo tipo
de depressão, todas as formas da doença podem ser tratadas em uma casa
de Umbanda, com o médium fazendo seu desenvolvimento mediúnico e
espiritual de forma correta e honesta, frisando que em casos de
depressão físico mental, a Umbanda e o desenvolvimento auxiliam
extremamente, porém nunca podemos deixar o tratamento médico terreno,
um especialista no caso é essencial.

    Consideremos a mediunidade como recurso de evolução e a depressão
como uma doença cuja causa repousa nas velhas atitudes morais do
médium.

    Mediunidade não causa depressão. Entretanto, é frequente
encontrarmos médiuns portadores de sintomas depressivos. Nesse caso, a
aplicação da mediunidade ou, como é mais conhecido, o desenvolvimento
mediúnico pode ser terapêutico, amenizando as dores do deprimido.
Apenas amenizando-os, fique claro! Ainda assim, a cura da depressão
não virá do exercício mediúnico e sim da reeducação emocional do
deprimido por meio da mudança de condutas que alicerçam o núcleo moral
da depressão.

    Finalizando, a depressão é realmente uma doença grave, devemos
entender que ela pode nos levar as mais profundas tristezas, e que
essas tristezas que temos são utilizadas por obsessores para diversos
fins, principalmente para nos levar ao suicídio. Portanto devemos
buscar um diagnostico coerente, um tratamento médico terreno, e um
tratamento espiritual, para nos fortalecer e não deixar jamais que
obsessores se usufruem dessa nossa fraqueza para tomar nossas almas,
e assim nos deixar eternamente nas mãos desses vampirizadores.

    Devemos erguer nossa fé, crer no Pai Maior, em seus Anjos e nas
Entidades de Luz, que assim certamente teremos forças para a mudança
em nós mesmos, e assim vencer a depressão e os obsessores.

    Uma luta é vencida com muita boa vontade, entendimento, fé em
Deus e em nós mesmos.

    Lute sempre para vencer a depressão, nem ela nem obsessores tem
mais poder do que sua fé e sua força de vontade.

    Reflita!

Carlos de Ogum.
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domingo, 30 de julho de 2017 43 comentários

Sacrifícios: será que a Espiritualidade necessita disso?




    Antes de qualquer coisa vamos deixar claro que não estamos aqui para julgar qualquer tipo de seita que prega que se devem fazer sacrifícios para obter uma possível vantagem em algo que se pede, mesmo se esses pedidos forem sem nexo ou sem a mínima noção e sem nenhuma ligação com a espiritualidade.

    Gostaria de frisar também que estaremos falando de Umbanda e não de outros dogmas, portanto para ficarmos em entendimento a Umbanda prega sempre a vida, e o matar animais para supostos sacrifícios não fazem parte da Umbanda.

    Portanto vamos descrever nesse texto o olhar de um umbandista para os umbandistas e se algum leitor não concordar com o que descrevemos aqui, isso faz parte do livre arbítrio de cada um, assim como faz parte de meu livre arbítrio não crer ser umbandista quem discordar que sacrifício de animais não cabe na Umbanda.


    Muitas pessoas sem informação espiritualista dizem com convicção que devemos fazer sacrifícios de animais em rituais, porque somos carnívoros e assim devemos alimentar as Entidades com essa suposta energia, para que assim essas Entidades possam nos auxiliar em algo que desejamos.

    Pois bem, refletimos bem sobre a ignorância desses pensamentos:

Estamos comparando um ser encarnado cheio de defeitos e vícios com uma divindade de Deus, ou seja, com uma Entidade de Luz.

Estamos tentando mostrar algo que não existe, ou seja, fazer uma Entidade de Luz ser imperfeita e se energizar com algo orgânico.

Com fatos assim estamos colocando as Entidades de Luz como meros seres encarnados, que faz trocas buscando a vantagem própria. Se fosse assim não seriam Entidades.

    E assim os menos informados adentram na lenda de terem que fazer oferendas a seus deuses, enquanto os mais astutos usam desse fato para subtrair bens de uma forma desonesta e hipócrita.

    Certamente muitos supostos Zeladores de Santo, que se dizem especialistas em Umbanda vão ser contra tudo que nós do Blog Umbanda Yorimá pregamos sobre oferendas e sacrifícios, porém quem é da Umbanda, sabe onde ela nasceu, e como nasceu no Brasil, e para os que insistem em pregar sacrifícios e cobranças de oferendas vou colocar um pequeno anexo para a reflexão de todos:

"O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar a minha mediunidade... Nunca recebi um centavo pelas curas praticadas pelos guias. O Caboclo abominava a retribuição monetária ao trabalho mediúnico. Não há ninguém que possa dizer, no decorrer destes 66 anos, que retribuiu uma cura (e foram aos milhares) com dinheiro."
- ZÉLIO DE MORAES.

Obs.: Zélio de Moraes faleceu no dia 03 de Setembro de 1975, e nunca incentivou qualquer tipo de oferenda e sacrifício dentro da Religião de Umbanda.


    A ganância e a vaidade de certos Zeladores levam os mesmos a pregarem insanidades em nome da Umbanda, entre tantas dessas está os sacrifícios, que é totalmente descabido, sem nenhuma necessidade dentro da religião.

    E assim sendo para continuarmos uma reflexão estou anexando mais um texto falando sobre e na qual a fonte vem logo abaixo, portanto reflitam para não se deixarem enganar por supostos Zeladores de pensamentos arcaicos.
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PERGUNTA: A Umbanda faz sacrifícios de animais?

RAMATÍS: A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamentos vibratórios dos Orixás e nem realiza ritos de iniciação para fortalecer o tônus mediúnico com sangue. Não tem nessa prática legítima de outros cultos, um dos seus recursos de oferta às divindades. A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda – assim como em outras religiões. Suas oferendas se diferenciam das demais por serem isentas de sacrifícios de animais pelo fato de preconizarem o amor universal e, acima de tudo, o exercício da caridade como reverência e troca energética junto aos Orixás e aos seus enviados, os guias espirituais. É incompatível ceifar uma vida e fazer a caridade, que é a essência do praticar amoroso que norteia a Umbanda do Espaço.
Toda oferenda deve ser um mecanismo estimulador do respeito e união religiosa com o Divino, daí com os espíritos da natureza e dos animais "almas/grupo", que um dia encarnarão no ciclo hominal, assim como já fostes animal encarnado em outras épocas.

PERGUNTA: E os dirigentes de centros que sacrificam em nome da Umbanda?

RAMATÍS: Reconhecemos que na mistura de ritos existentes, se confundem o ser e o não ser umbandista. Observai a essência da Luz Divina - fazer a caridade - e sabereis separar o joio do trigo. Tal estado de coisa reflete a imaturidade e despreparo de alguns dirigentes que se iludem pela pressão de ter que oferecer o trabalho "forte". As exigências de quem paga a consulta e o trabalho espiritual e quer resultados "para ontem" acabam impondo um imediatismo que os conduz a adaptarem ritos de outros cultos aos seus terreiros. Na verdade há uma enorme profusão de rituais que naturalmente é confusa, refletindo o estado da consciência coletiva e o sistema de troca com o além estabelecido que viceja: o toma lá da cá. Toda vez que um médium aplica um rito em nome do Divino e sacrifica um animal, interfere num ciclo cósmico da natureza universal, causando um desequilíbrio, desde que interrompe artificialmente o "quantum" de vida que o espírito ainda teria que ocupar no vaso carnal, direito sagrado concedido pelo Pai. Pela Lei de Causa e Efeito, quanto maior seu entendimento da evolução espiritual - que inexoravelmente é diferente da compreensão do sacerdote tribal de antigamente -, ambição pelo ganho financeiro, vaidade e promoção pessoal, tanto maior será o seu carma a ser saldado, mesmo que isto aparentemente não seja percebido no momento presente. Dia chegará que tais medianeiros terão que prestar contas aos verdadeiros e genuínos "zeladores" dos sítios sagrados da natureza que "materializam" os Orixás aos homens e oportunizam os ciclos cósmicos da vida espiritual - as reencarnações sucessivas das almas/grupo dos animais em vosso orbe. Lembrai-vos que quanto maior a inteligência tanto maior pode ser a ambição no exercício do sacerdócio religioso. Aos que muito sabem e ambicionam, muito será cobrado pelos Orixás.

PERGUNTA: E os que justificam o sacrifício animal como "inofensivo" dizendo que não causa nenhum carma negativo?

RAMATÍS: O carma coletivo que rege os movimentos ascensionais não se prende as crenças humanas e trata-se de lei universal. Vós que sois homens e caminham à angelitude tal qual os animais rumam à humanização gostaríeis de ter vossa garganta cortada e sangue vertido até a última gota entre ladainhas, campânulas e mantras que culminam num ápice com transe de possessão? Assim fazem com os animais que rumam para se humanizar. Mesmo que os irmãos menores do orbe sejam somente instintos, regem-nos uma Inteligência Superior que os leva a inexorável individualização, direito cósmico sagrado que os conduz ao encarnarem num corpo hominal. Quanto maior a consciência menor a ignorância das verdades cósmicas e mais amplos os débitos ou créditos na contabilidade sideral de cada cidadão. A finalidade superior das almas grupos e dos animais é não serem escravizados e cruelmente despedaçados pelos crentes religiosos que acabam bloqueando-lhes o direito sagrado de aquisição dos princípios rudimentares de inteligência pela convivência pacífica e amorosa com os humanos, experiência propiciatório para que paulatinamente formem os veículos corpo astral e mental para oportunamente virem a estagiar no ciclo encarnatório humanóide. Reflitam os que matam os animais em nome dos Santos se gostaríeis que os Anjos para se tornarem arcanjos viessem vos cortar em pedaços e "chupar" vosso sangue para se saciarem nos "páramos celestiais."

* Este texto faz parte dos livros "Diário Mediúnico" e "Mediunidade e Sacerdócio” Editora do Conhecimento.
Fonte: Triângulo da Fraternidade
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    Muitas pessoas vão tentar impor a colocação de que nos alimentamos de carne de animais, porém infelizmente em nosso mundo de precária evolução espiritual, a carne ainda alimenta a carne. Só que existe uma enorme diferença entre sacrificar um animal para usá-lo como alimento (o que já é errado) e usá-lo para saciar a sede por tônus vital por parte de espíritos sem luz como Kiumbas por exemplo.

    É algo totalmente sem nexo alguém matar um animal em meio às matas ou nas encruzilhadas ou ainda pior, nas tronqueiras, como indicam certos Zeladores ou que são feitos em alguns rituais de seitas, e ali deixar suas carcaças apodrecendo, isso é extremamente bestial. Se um templo sacrifica animais, ESSE TEMPLO NÃO É DE UMBANDA, não importando o que aleguem seus dirigentes. E nunca podemos esquecer a velha frase pregada pelas Entidades de Luz:
"Se se mata animal não é Umbanda".


    Finalizando gostaria de expressar que em nossa casa não é aceito nenhum tipo de sacrifício, os filhos de nosso terreiro estão cientes do que é certo e do que é errado, sabemos que muitos dirigentes de terreiro se utilizam desses rituais para firmamento ou festas, e isso é livre arbítrio de cada um, só friso que dentro da lei da Umbanda isso não é pregado e não é aceito. E quando é feito não podemos considerar que seja Umbanda, pois quando esses sacrifícios se tomam forma de ritual, com cânticos, supostos médiuns paramentados, com ansiedade nos olhos a espera do sacrificador, isso se torna na verdade uma matança, um verdadeiro espetáculo de horror que não há nenhuma necessidade de ser colocado juntamente ao nome da divina Umbanda.

    E por motivos assim, por essas pregações sem nexo ou sem noção de certos dirigentes e Zeladores que o santo nome da Umbanda se transforma em "munição" para atacar a religião por líderes de outros dogmas, que já de uma forma mau caráter dizem que até sacrifícios humanos são feitos dentro da Umbanda, coisa que sabemos que não existe e nunca existiu.

    Vamos resguardar a nossa religião, vamos parar com esses rituais que nada tem a ver com Umbanda, vamos deixar de sermos gananciosos, vaidosos, mistificadores, vamos ser umbandistas, apenas umbandistas, a religião que prega o amor, a caridade, a paz e a vida acima de tudo.

Salve a nossa amada Umbanda!


Carlos de Ogum
quinta-feira, 20 de julho de 2017 36 comentários

Pequeno Dicionário de Umbanda. 3ª Parte - Letra: M à Letra: Z

                                  

 Estamos finalizando nosso pequeno dicionário de Umbanda, essa é a terceira parte, e esperamos que todos apreciem a leitura.

    Lembramos que a primeira parte do dicionário foi postada no dia 30/06/2017, e a segunda parte foi postada no dia 10/07/2017, e abaixo anexamos os links no qual nos levam diretamente a elas.




    Agora vamos a terceira e última parte de nosso dicionário de Umbanda.

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*LETRA M*

MACAIA: Folhas sagradas. Também é o local onde se reúnem os filhos do
terreiro para trabalho na mata.

MACAIO:  Coisa ruim e sem nenhum valor.

MACUMBA: Termo antigo que se denominava aos cultos dos escravos nas
senzalas, Candomblé. Depois esse termo passou a ser vulgar e tornou-se
como feitiço ou culto de feiticeiros. Árvore da região africana.
Instrumento musical.

MACUMBADO: enfeitiçado.

MADRINHA: o mesmo que mãe de santo. Também utilizado para designar o
apadrinhamento através do batismo, no filho de Umbanda.

MÃE de SANTO: Médium feminino chefe ou dirigente de terreiro,
Madrinha, Babá.

MÃE D´ÁGUA: Iemanjá.

MÃE PEQUENA: Médium feminina desenvolvida e que substitui a Mãe de Santo. Auxiliar das iniciadas durante o seu desenvolvimento mediúnico.

MALEME ou MALEIME: Pedido de perdão, de socorro, de clemência, de auxílio ou ajuda, de misericórdia. Podem vir em forma de cânticos ou preces pedindo perdão.

MANDINGA: Feitiço negativo, encantamento, também praga rogada em voz alta.

MANIFESTAÇÃO: Quando o corpo do médium é tomado por um Guia. Conhecido também como transe mediúnico, incorporação.

MARAFA ou MARAFO: Aguardente, cachaça.

MATÉRIA: Corpo físico.

MAU OLHADO: Quebranto, feitiço. Doença ou mal estar causado por um olhar mau, invejado.

MÉDIUM: pessoa que possui faculdade mediúnica. Tarefa ou missão específica no trabalho da caridade servindo de instrumento na comunicação com os Espíritos ou Plano Espiritual.

MEISINHA: Despacho, mandinga, trabalho.

MESA BRANCA: Trabalhos no terreiro quando há incorporação apenas de médicos e enfermeiras, normalmente em Giras de saúde. Também esse termo é usado nas sessões espíritas kardecistas, feitas ao redor de uma mesa, somente para Evangelização e comunicação passiva espiritual.

MIRONGA: Segredos, mistérios,..

MISTIFICAÇÃO: É o mais importante dos casos do falso espiritismo, pois constitui um recurso muito empregado por falsos médiuns, ou pessoas de má fé, má fé, com a finalidade de auferirem vantagens pecuniárias e aumentarem sua fama e sua vaidade.

MOILA: Vela.

MOJUBÁ: Saudação a Exú ou Pombo Gira.

MORADA DE EGUN: Local onde estão habitando vários eGuns e espíritos das sombras, onde com o passar do tempo, formam-se verdadeiros Impérios das Trevas.

MUCAMBA: O mesmo que Cambono.

MUCOIÔ: Pedido de Benção.

MUCOIÔ ZAMBI: abençoando o pedido de benção. Ex: Se diz: Mucoiô. Se responde: Mucoiô Zambi. Ou seja: A sua benção. resposta: Deus te abençoe.

MUCUNÃ: Cabelo.

MUZAMBÊ: Forte, vigoroso.

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*LETRA N*

NADABULÊ: Dormir.

NAGÔ: Nome dado aos escravos originários do Sudão, na África.

NANÃ BURUQUÊ: Orixá feminino senhora das águas e da maturidade. Força da natureza: Pântanos.

NIFÉ: Fé, crença na lingua Iorubá.

NOMINA: Oração que é guardada num saquinho e pendurada no pescoço como amuleto para proteção. Patuá.

NURIMBA: Bondade, amor e caridade.

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*LETRA O*

OBALUAIÊ/OMULÚ: Orixá masculino senhor das doenças e da cura. Força da natureza: A terra, o solo.

OBASSABÁ: O mesmo que abençoar, benzer.

OBASSALÉA: O mesmo que obassabá.

OBATALÁ: Céu. Abóbada celeste. Deus. Orixá da paz que foi delegado para iniciar a criação do mundo.

OBÉ: Faca.

OBECURUZU: Tesoura.

OBEXIRÊ: Navalha.

OBI: Fruto africano utilizado em diversos rituais.

OBRIGAÇÕES: Festas em homenagem aos Guias ou Orixás. São também as determinações feitas aos médiuns ou consulentes pelos Guias com o objetivo de auxilio ou como parte de um ritual do desenvolvimento

OBSEDIAR: Perseguir. Ação pela qual os espíritos perturbados que prejudicam as pessoas levando a situações de doenças, loucura, miséria, etc.

OBSESSOR: Espírito perturbador ou zombeteiro que prejudica as pessoas
em várias partes da vida.

ODARA: O mesmo que bom.

ODÉ: Oxossi. Oxossi mais velho. O que caça bem, bom caçador.

ODOIÁ: Saudação a Iemanjá.

ODOCIABA: Saudação a Iemanjá.

ODU: Destino.

OFÃ: Médium responsável pela colheita e seleção das ervas nos rituais.

OFÁ: Símbolo de Oxossi, o mesmo que arco e flecha.

OGÃ: Auxiliar nas sessões do terreiro. Ogã pode ser um protetor de Terreiro ou como um Chefe da Curimba. Ambos tem o mesmo grau hierárquico. Título honorífico conferido, seja pelo chefe do terreiro, seja pelo sacerdote incorporado, aos beneméritos da casa de santo, que contribuam com sua riqueza, prestígio e poder, para a proteção e o bom andamento da casa.

OGUM NHÊ: saudação a Ogum.

OGUM: Orixá masculino senhor da guerra e da paz. força da natureza: Minério de ferro.

OIÁ: Outro nome dado a Iansã.

OIM: Mel.

OJÁ: Pano utilizado pelas baianas para cobrir o peito. Pano também utilizado para vestir os atabaques.

OKÊ: Saudação aos Caboclos. Diz-se assim : Okê Caboclo! Okê Oxossi.

OKÊ ARÔ OXOSSI: saudação a Oxossi.

OLHO GRANDE: Mau Olhado, inveja, malefício, quebranto.

OLHO DE BOI: Semente de Tucumã, gozando de propriedades protetoras
contra cargas negativas como feitiços, mau-olhado, inveja. Tem muitas
utilidades no terreiro, desde patuás até guias.

OLÓ: Ir embora, partir. Ex: Caboclo vai Oló.

OLORUM: Deus Supremo.

OMOLOCÔ: Culto de origem angolense.

ONI: Saudação as Ibeijadas, Erês, Crianças de Umbanda.

OPCHÁ: Saudação aos Ciganos.

OPELÊ DE IFÁ: Rosário deito de pequenos búzios e que é utilizado para ler o futuro.

ORAÇÃO FORTE: Patuá que consiste em uma oração escrita em pequeno pedaço de papel, que a pessoa preserva em seu poder, quer guardado no bolso, ou bolso, ou dentro de um pano em forma de saquinho pendurado no pescoço a fim de proteger-se ou livrá-la de todos os males.

ORI BA BÁA: Saudação aos Ciganos.

ORI: Cabeça.

ORIXÁ: Divindades africanas que representam as forças do Universo Infinito. Espirito puro. Santo. Termo usado para denominar uma Divindade criada por Olorum/ Deus. Um Orixá JAMAIS incorpora nos médiuns. Exemplo: Oxalá Jesus) jamais irá incorporar em terreiro algum, assim como os demais.

ORIXÁ DE CABEÇA ou DE COROA: Termo usado para determinar o Santo de cabeça, Pai de Ori, ou Orixá que rege a cabeça de um determinado filho de Umbanda.

ORIXÁ DE FRENTE: O mesmo que Orixá de Cabeça.

ORIXÁS CRUZADOS: Termo usado para determinar uma entidade que pertence a corrente de duas linhas.

ORUM: Sol.

OTÁ: pedra ritual, elemento e objeto sagrado e secreto do culto.

OXAGUIÃ: Oxalá na forma jovem.

OXALÁ: Pai de todos os Orixás. Reina no céu e na terra. Força da
natureza: Sol.

OXALUFÃ: Oxalá na forma idosa.

OXOSSI: Orixá masculino senhor das matas, ervas e raízes. Força da
natureza: Florestas.

OXUM: Orixá feminino senhora das cachoeiras e rios. Força da natureza:
Rios e cachoeiras.

OXUPÁ: Lua.

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*LETRA P*

PADÊ: Despacho para Exú no início das sessões ou festas, constando
alimentos, bebidas, velas, flores e outras oferendas, a fim de que os
mesmos afastem as perturbações nas cerimônias.

PADRINHO: Nome usado para designar o Pai de Santo, ou para nomear o
apadrinhador do batismo do filho de Umbanda. Pai de Santo, Chefe do
Terreiro.

PAI PEQUENO: Responsável pelo andamento do terreiro assim como a Mãe Pequena. Um dos prováveis substitutos do Pai de Santo caso necessário.

PAI DE SANTO: Zelador do Santo, Chefe de Gira, Chefe de Mesa, Chefe do Terreiro. Médium e conhecedor perfeito de todos os detalhes para o bom andamento de uma sessão. O maior responsável por uma Gira, pelas Correntes, pelo trabalho espiritual. O feitor das Coroas dos filhos de Santo.

PALINÓ: Cântico ou poema em louvor a Iemanjá.

PÃO BENTO: Pão ázimo ou qualquer outro tipo de pão, ao qual se dota de forças místicas. É utilizado em inúmeros trabalhos para diversas finalidades.

PARAMENTO: Roupas e objetos utilizados em cerimônias do ritual religioso.

PATACORI: Saudação a Ogum. Se diz: Patacori Ogum. Se responde: Ogum Nhê.

PATUÁ: Amuleto que é colocado num saquitel (pedaço de pano costurado em forma de saquinho) e é pendurado no pescoço, ou se prende na roupa de uso. Objetos cruzados ou consagrados pelas guia chefe, utilizado para proteger o assistido, contra forças maléficas e energias negativas. Ele pode ser feito de sementes, cruzes, orações, figas, etc.

PAVIO: O mesmo que vela.

PAXORÔ: Instrumento simbólico de Oxalá usado pelos Pais de Santo em trabalhos.

PEDRA DE RAIO: Meteorito, instrumento de Xangô , itá.

PEJI: Gongá, Altar ou Congar. Também pode ser o Rocó.

PEMBA: Espécie de giz em forma cônico arredondada, em diversas cores, como sejam : branco, vermelho, amarelo, rosa, roxo, azul, marrom, verde e preto, servindo para riscar pontos e outras determinações.

PEPELÊ: Local onde ficam os atabaques.

PEPEYÉ: Pato.

PEREGUM: Folha muito utilizada em rituais de descarrego.

PERNA DE CALÇA: Também chamado pelos Pretos Velhos de Perna de Carça. O mesmo que homem, marido, esposo, namorado.

PIPOCA: Comida de Omulú/Obaluaiê. Grão de milho arrebentado na areia quente para ser utilizado em descarrego. Descarrego de Pipoca.

PIRIGUAIA: Variedade de búzio.

PITO: cachimbo, charuto, cigarro de palha ou cigarro.

POMBO GIRA: O mesmo que exu Pomba Gira. Denominação de Pomba Gira em Congo.

PONTEIRO: Pequeno punhal ou também pode ser feito de metal, utilizado em cima do terreiro como para-raio” feito para proteção pelos Guardiões.

PONTO CANTADO: O mesmo que curimba, músicas cantadas com energia positiva, entusiasmo e cadência nos trabalhos e giras. Os pontos cantados na Umbanda são preces e a invocação das falanges e Linhas, chamando-as ao convívio das reuniões e no auxilio dos que buscam caridade.

PONTO DE ABERTURA: Ponto ou curimba cantado na abertura das giras.

PONTO DE CHAMADA: Curimba cantada para evocar as entidades da linha do Orixá correspondente.

PONTO DE DEFUMAÇÃO: Curimba feita para o momento de defumação dos filhos.

PONTO RISCADO: São identificação dos Guias. Cada Guia e cada Orixá tem seu ponto riscado. Os pontos são riscados com pemba. Mas o ponto não se resume apenas a identificação de um guia, linha, falange ou Orixá; ele pode fechar o corpo de um médium, pois a escrita sagrada se utiliza de magia para que qualquer espírito perturbado não se aproxime. Desenho cabalístico de figuras feito pela entidade para firmar o ponto com uma pemba, feito na firmeza da corrente do Orixá correspondente.

PORTEIRA: Entrada de terreiro o mesmo que Tronqueira.

POVO DE ENCRUZA: Guardiões/ Exús.

POVO DE RUA: O mesmo que Povo de Encruza, se engloba nos Exús e nos
Guardiões

PRECEITO: Determinação. Prescrição feita para ser cumprida pelos
fiéis.

PUXAR O PONTO: Iniciar a curimba.

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*LETRA Q*

QUARÔ: Flor chamada Resedá, possuidora de notáveis virtudes mágicas e grandemente empregada em banhos e defumações.

QUARTINHA: Vaso pequeno de barro OU PORCELANA, utilizado para colocar água de descarrego do ambiente. Servindo também para o firmamento de Anjos de Guarda, firmamentos e assentamentos do terreiro.

QUEBRA DE QUIZILA: Quebra de demanda.

QUEBRANTO: Mau olhado, feitiço, coisa feita. Normalmente atinge mais crianças pagãs, mas pode atingir também crianças batizadas e adultos. O quebranto é cortado com benzimento.

QUEBRAR DEMANDA: O mesmo que Quebrar as forças, ou Quebrar Demanda, ou seja anular, desmanchar o efeito de um trabalho para prejudicar ou perturbar uma pessoa. Neutralizar, desmanchar maus feitiços feitos pelas trevas. Somente com o respaldo do Guardiões uma demanda pode ser quebrada. Somente os guardiões tem o poder de neutralizar as forças

QUEBRAR PRECEITO: Desrespeitar as regras e hábitos estabelecidos no ritual do desenvolvimento ou dos trabalhos.

QUIMBANDA ou QUIBANDA: No termo, significa KIM gênio do mal (para BANDA lado), ou seja, Kimbanda ou Kibanda significa o Lado do Mal. Também conhecida como magia negra, trabalhos e feitiços feitos pelas trevas para fazer o mal e sacrifícios de animais.

QUIUMBA: Espírito obsessor e perturbador. Zombeteiro.

QUIZILA: Estado em que o filho de santo se encontra totalmente
irradiado por um determinado Zombeteiro, que acaba por “encobrir” a
irradiação do Orixá de Ori verdadeiro que rege a cabeça do filho.
Termo usado também para Briga, maledicência, fofoca.

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*LETRA R*

RABO DE SAIA: Termo designado às mulheres.

RAÚRA: O mesmo que Cambono. Auxiliar nos trabalhos do terreiro.

RECEBER O SANTO: Incorporar. Entrar em estado de transe com a Entidade de Luz.

REDENTOR: Jesus Cristo.

REINOS: Uma das divisões dos mundos espirituais. Domínios dos Orixás. Alguns exemplos : Juremá, Pedreiras, Fundo do Mar, Humaitá, etc.

RESPONSO: Oração em latim para determinado santo para se conseguir uma graça.

RITUAL: Equivalente a raspagem de cabeça no Candomblé.. Trabalhos rotineiros na Umbanda.

ROÇA: Terreiro, Centro, Tenda.

ROCÓ ou PEJI: Quarto onde ficam os assentamentos, ou seja, local da personificação dos Orixás onde são guardados seus símbolos e colocados suas oferendas. Funciona como uma espécie de santuário.

RODA DE FOGO: O mesmo que fundanga, feito com pólvora somente pelos Guardiões.

RUM: O maior dos Atabaques.

RUMPI: O Atabaque de tamanho médio.

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*LETRA S*

SACUDIMENTO: Ato de realizar limpeza, lavagem e varredura do terreiro e em seus filhos. Descarrego poderoso.

SAÍDA de IAÔ: Cerimônia de iniciação do filho de santo no Candomblé ou no culto Omolocô.

SAL GROSSO: Empregado sob diversas modalidades nos terreiros, principalmente como banho de descarrego. Ou como descarrego do local com um copo de água e sal atrás da porta.

SALUBA: Saudação a Nanã.

SALVE O POVO DA BAHIA: Saudação aos Baianos.

SANTERIA: Nome da religião na América Latina. Religião irmã do
Candomblé.

SARAVÁ: Saudação umbandista que corresponde a: Salve! Viva!

SEREIA DO MAR: Janaína, princesa d´água. Pode representar também como Iemanjá dentro de um contexto. Entidade da linha dos Encantados, vindas na irradiação das águas, podendo ser de Iemanjá ou Oxum, ou seja dos mares ou rios.

SESSÃO ESPIRITUAL: O mesmo que sessão de Umbanda, trabalho espiritual iniciado no terreiro pelos nossos amigos benfeitores.

SINCRETISMO: Fenômeno de identificação dos orixás com os Santos Católicos.

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*LETRA T*

TARIMBA: Cama.

TAUARI: Cigarro de palha.

TENDA: Centro, terreiro, casa de Umbanda..

TOCO: Vela.

TOMAR PASSE: Receber das Mãos dos médiuns em transe vibrações da
Entidade de Luz, as quais retiram do corpo da pessoa os males
provocados por vibrações negativas, provenientes de mau olhado,
encosto, castigo.

TRONQUEIRA: O mesmo que Porteira, Casa da Guarda, Casa de Exús.
Entrada de terreiro, onde se firma as proteções dos Exús.

TUIA: Pólvora.

TUMBA: Sepultura.

TUPI: Tribo indígena.

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*LETRA U*

UMBÓ: Cultuar.

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*LETRA V*

VUNGI: Orixás crianças (nação de Angola).

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*LETRA X*

XAMAM: Deus dos indígenas.

XANGÔ: Orixá masculino senhor da Justiça e da inteligência. Força da
natureza: Pedreiras.

XETRUÁ: Saudação aos Boiadeiros.

XETRUÊ: Saudação aos Boiadeiros.

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*LETRA Z*

ZAMBI: O mesmo que Deus.

ZIRI: Comida estragada.

ZULU: Tribo africana.

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    E assim terminamos nosso dicionário de Umbanda, espero que todos
tenham apreciado essa bela curiosidade.

    Grande axé a todos os irmãos!

                                             
                                  

Carlos de Ogum
 
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