terça-feira, 10 de julho de 2018 82 comentários

Conhecendo as Pombos Giras


          

 Resultado de imagem para pombo giras na umbanda

 

    Uma das mais encantadoras e chamativas Entidades de Luz da Umbanda é a Pombo Gira também chamada por "Pomba Gira" ou “Bombogira", mas independente como nos referimos a esse Anjo de Deus, ela vai estar ali, demonstrando seu carinho pelos consulentes, buscando espalhar caridade, luz e felicidade, tentando abrir caminhos, retirando obsessores, e mostrando que ela é uma Entidade verdadeiramente de luz, e não se pode ser confundida com a perversa imaginação humana, na qual falam que essa divindade é promiscua que só trabalha em prol da feitiçaria, de amarrações, ou qualquer coisa que esteja fora das regras da Umbanda. Tudo isso é apenas a falta de informação de seres encarnados, que com a sua ignorância espiritual, criou ou espalhou falácias mentirosas sobre as Pombos Giras.

 

    Devemos entender que nenhuma Entidade de Luz trabalha para o mal e sim sempre para combater o mal, espalhando o bem, a luz, a caridade e os caminhos abertos para nos reencontrarmos com Deus, e da mesma forma, sendo as Pombos Giras Entidades de Luz, elas trabalham em prol do bem de todos.

 

    Portanto, amigo consulente, não venha aos terreiros em Giras de Pombos Giras com intenções de pedidos sem nexo, ou sem noção, como amarrações, atrapalhar a caminhada de um semelhante, vinganças, pois certamente uma Entidade de Luz jamais fará isso, e sabemos que quando pregam isso em alguns terreiros, não é uma Entidade de Luz que está falando, é um médium mal preparado, ganancioso, vaidoso, que está tentando enganar o consulente se utilizando do nome de uma Entidade de Luz.

 

    Já ouvimos falar muitos nomes de Pombo Giras, e hoje vamos entrar mais nesse tópico, e falaremos um pouco sobre os nomes reconhecidos dessas Entidades divinas.

 

    Devemos entender que os nomes das Pombos Giras são simbólicos, e a maioria das vezes, com algumas exceções, eles são compostos pelo nome da falange à qual pertence o espírito e a função ou tipo de atividade que a entidade exerce nessa falange, assim como todas as Entidades de Luz.

 

    O Guia pode identificar apenas a falange à qual pertence de modo genérico. E abaixo um exemplo do que foi dito:

 

    A Entidade de Luz com nome de Maria Mulambo, ou mesmo Molambo, identifica a falange apenas.

 

    Se essa Entidade se apresentasse como "Maria Mulambo da Encruzilhada," estaria identificando a falange e a e atuação, ou seja, Maria Mulambo (falange) da Encruzilhada (onde atua).

 

    Porém as Entidades podem desejar identificar apenas a função, como por exemplo: Pombo Gira (sem dizer nome e nem falange) da Encruzilhada (onde atua).

 

    Quando não desejam identificar nem o nome, nem falange e nem atuação, podem dizer apenas "Pombo Gira", porém isso é temporário, pois quando o médium desenvolver para dar consultas, é obrigatório a Entidade dar seu nome, e riscar o seu ponto, mostrando todos os detalhes como irradiação, linha, atuação, tempo de divindade.

 

    Para nosso entendimento, quando um Guia identifica a falange e função de atuação, é que o médium está preparado para receber essas informações, e a Entidade de Luz está autorizada a fazê-lo.

 

    Porém vamos refletir em um fato um tanto complexo, prestemos atenção no exemplo abaixo:

 

    Maria Padilha da Encruzilhada identifica nome, falange e função de atuação, porém ainda assim fica muito simbólico e genérico, pois como sabemos existem centenas de Entidades que utilizam o nome de Maria Padilha da Encruzilhada.

 

    Nesses casos assim, sabemos que o nome real dessa Entidade na vida encarnada não é Maria Padilha, pois quando um espírito ingressa em uma falange ele deixa de usar a identidade própria, embora não perca sua individualidade e sua personalidade

 

    Vamos supor que uma Entidade de Luz que hoje trabalha em prol da espiritualidade e da caridade, em tempos passados fosse encarnada com o nome de Alice da Silva, e que por méritos próprios teve a benção de se tornar uma Entidade de Luz, ela não viria como "Alice da Silva Maria Padilha da Encruzilhada", ou seja, Alice da Silva (nome) Maria Padilha (falange) da Encruzilhada (função de atuação), nesse caso usaria apenas Maria Padilha da Encruzilhada, primeiro pela demonstração da falange que vai representar, e segundo pela própria homenagem a Maria Padilha chefe da falange.

 

    Então, para ficar bem claro, o Mentor de minha Coroa, por exemplo, Vovô Rei Congo, não é a mesma Entidade, que mesmo usando o mesmo nome, baixa em vários médiuns em diversos terreiros ao mesmo tempo.

 

    Entretanto, mesmo com a permanência da consciência individual do espírito, com suas histórias de existências várias e com sua carga de conhecimentos adquiridos nessas experiências, bem como seu nível de evolução moral, quando ele ingressa numa falange espiritual, seja de Pombos Giras Exús, Caboclos, Pretos Velhos, enfim, todas as linhas, ele agrega a vibração dessa falange à sua vibração perispiritual.

 

    Exemplo: um espírito que trabalhe como Pombo Gira Guardiã nas zonas do Umbral, como a Pombo Gira do Lodo, tem que ter seu perispírito preparado para enfrentar vibrações densas e deletérias dessas zonas purgatoriais.

 

    Agora abaixo vamos relacionar alguns nomes reconhecidos de Pombos Giras, para entendimento e conhecimento de todos, frisando que alguns estão com falange e função, outros só falange, outros só função e alguns sem falange e função.

 

FALANGE MARIA PADILHA:

 

Maria Padilha da Calunga Grande.

Maria Padilha da Calunga Pequena.

Maria Padilha da Calunga.

Maria Padilha da Encruzilhada.

Maria Padilha da Estrada.

Maria Padilha da Figueira.

Maria Padilha da Lira.

Maria Padilha da Praia.

Maria Padilha das Almas.

Maria Padilha das Portas do Cabaré.

Maria Padilha das Rosas.

Maria Padilha das Sete Cruzes da Calunga.

Maria Padilha das Sete Encruzilhadas.

Maria Padilha das Sete Figueiras.

Maria Padilha das Sete Navalhas.

Maria Padilha do Cabaré.

Maria Padilha do Cemitério.

Maria Padilha do Cruzeiro das Almas.

Maria Padilha do Cruzeiro.

Maria Padilha Rainha da Calunga.

Maria Padilha Rainha da Encruzilhada.

Maria Padilha Rainha das Sete Encruzilhadas.

Maria Padilha Rainha do Cabaré.

Maria Padilha Rainha do Cruzeiro.

Maria Padilha Sete Facas.

 

FALANGE MARIA MULAMBO OU MOLAMBO:

 

Maria Mulambo da Calunga Grande.

Maria Mulambo da Calunga.

Maria Mulambo da Encruzilhada.

Maria Mulambo da Estrada.

Maria Mulambo da Figueira.

Maria Mulambo da Lira.

Maria Mulambo da Meia Noite.

Maria Mulambo da Praia.

Maria Mulambo das Almas.

Maria Mulambo das Rosas.

Maria Mulambo das Sete Catacumbas.

Maria Mulambo das Sete Encruzilhadas.

Maria Mulambo das Sete Figueiras.

Maria Mulambo do Cabaré.

Maria Mulambo do Cruzeiro das Almas.

Maria Mulambo do Cruzeiro.

Maria Mulambo do Lixo.

Maria Mulambo do Lodo.

Maria Mulambo dos Sete Cruzeiros.

Maria Mulambo dos Sete Portais.

Maria Mulambo dos Sete Punhais.

Maria Mulambo dos Sete Véus.

 

FALANGE POMBO GIRA CIGANA:

 

Pombo Gira Cigana da Calunga.

Pombo Gira Cigana da Campina.

Pombo Gira Cigana da Encruzilhada.

Pombo Gira Cigana da Estrada.

Pombo Gira Cigana da Figueira.

Pombo Gira Cigana da Lua.

Pombo Gira Cigana da Praia.

Pombo Gira Cigana da Rosa Vermelha.

Pombo Gira Cigana da Rosa.

Pombo Gira Cigana das Almas.

Pombo Gira Cigana das Matas.

Pombo Gira Cigana das Sete Encruzilhadas.

Pombo Gira Cigana das Sete Luas.

Pombo Gira Cigana do Cabaré.

Pombo Gira Cigana do Cemitério.

Pombo Gira Cigana do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Cigana do Cruzeiro.

Pombo Gira Cigana dos Lírios.

Pombo Gira Cigana Feiticeira.

Pombo Gira Cigana Menina.

Pombo Gira Cigana Rainha.

Pombo Gira Cigana Rosa dos Ventos.

Pombo Gira Cigana Rosa Maria.

Pombo Gira Cigana Sete Saias.

 

FALANGE POMBO GIRA SETE SAIAS:

 

Pombo Gira Rosa das Sete Saias.

Pombo Gira Saias do Cais.

Pombo Gira Sete Saias da calunga.

Pombo Gira Sete Saias da Campina.

Pombo Gira Sete Saias da Encruzilhada.

Pombo Gira Sete Saias da Estrada.

Pombo Gira Sete Saias da Figueira.

Pombo Gira Sete Saias da Lira.

Pombo Gira Sete Saias da Praia.

Pombo Gira Sete Saias do Cabaré.

Pombo Gira Sete Saias do Cemitério.

Pombo Gira Sete Saias do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Sete Saias do Cruzeiro.

Pombo Gira Sete Saias do Porto.

 

FALANGE POMBA GIRA RAINHA:

 

Pombo Gira Rainha da Calunga.

Pombo Gira Rainha da Encruzilhada.

Pombo Gira Rainha da Estrada.

Pombo Gira Rainha da Lira.

Pombo Gira Rainha da Praia.

Pombo Gira Rainha da Tronqueira.

Pombo Gira Rainha das Almas.

Pombo Gira Rainha das Rosas.

Pombo Gira Rainha das Sete Encruzilhadas.

Pombo Gira Rainha do Cabaré.

Pombo Gira Rainha do Cemitério.

Pombo Gira Rainha do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Rainha do Cruzeiro.

Pombo Gira Rainha Negra.

 

FALANGE MARIA FARRAPO:

 

Maria Farrapo da Calunga Grande.

Maria Farrapo da Calunga.

Maria Farrapo da Campina.

Maria Farrapo da Encruzilhada.

Maria Farrapo da Estrada.

Maria Farrapo da Figueira.

Maria Farrapo da Praia.

Maria Farrapo das Almas.

Maria Farrapo das Sete Encruzilhadas.

Maria Farrapo do Cabaré.

Maria Farrapo do Cemitério.

Maria Farrapo do Cruzeiro das Almas.

Maria Farrapo do Cruzeiro.

Maria Farrapo do Lodo.

 

FALANGE ROSA CAVEIRA:

 

Pombo Gira Rosa da Calunga.

Pombo Gira Rosa da Figueira.

Pombo Gira Rosa da Noite.

Pombo Gira Rosa das Almas.

Pombo Gira Rosa do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Rosa do Cruzeiro.

Pombo Gira Rosa do Lodo.

Pombo Gira Rosa dos Ventos.

Pombo Gira Rosa Maria.

Pombo Gira Rosa Negra da Calunga.

Pombo Gira Rosa Negra das Almas.

Pombo Gira Rosa Negra do Cemitério.

Pombo Gira Rosa Negra do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Rosa Negra do Cruzeiro.

Pombo Gira Rosa Negra dos Sete Cruzeiros da Calunga.

Pombo Gira Rosa Negra dos Sete Cruzeiros.

Pombo Gira Rosa Negra.

Pombo Gira Rosa Vermelha da Calunga.

Pombo Gira Rosa Vermelha da Encruzilhada.

Pombo Gira Rosa Vermelha da Estrada.

Pombo Gira Rosa Vermelha da Figueira.

Pombo Gira Rosa Vermelha das Sete Catacumbas.

Pombo Gira Rosa Vermelha das Sete Encruzilhadas.

Pombo Gira Rosa Vermelha do Cabaré.

Pombo Gira Rosa Vermelha do Cemitério.

Pombo Gira Rosa Vermelha do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Rosa Vermelha do Cruzeiro.

Pombo Gira Rosa Vermelha.

 

FALANGE MARIA QUITÉRIA:

 

Pombo Gira Maria Quitéria da Calunga.

Pombo Gira Maria Quitéria da Encruzilhada.

Pombo Gira Maria Quitéria da Estrada.

Pombo Gira Maria Quitéria da Figueira.

Pombo Gira Maria Quitéria da Mata.

Pombo Gira Maria Quitéria da Praia.

Pombo Gira Maria Quitéria da Tronqueira.

Pombo Gira Maria Quitéria do Cabaré.

Pombo Gira Maria Quitéria do Campo.

Pombo Gira Maria Quitéria do Cemitério.

Pombo Gira Maria Quitéria do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Maria Quitéria do Cruzeiro.

Pombo Gira Maria Quitéria do Lodo.

Pombo Gira Maria Quitéria do Porto.

Pombo Gira Maria Quitéria dos Sete Cruzeiros.

 

RELAÇÃO DE OUTRAS POMBOS GIRAS:

 

Pombo Gira da Calunga.

Pombo Gira da Encruzilhada.

Pombo Gira da Estrada.

Pombo Gira da Figueira.

Pombo Gira da Lira.

Pombo Gira da Praia.

Pombo Gira da Tronqueira.

Pombo Gira Dama da Noite.

Pombo Gira das Almas.

Pombo Gira das Matas.

Pombo Gira das Rosas.

Pombo Gira das Sete Encruzilhadas.

Pombo Gira do Cabaré.

Pombo Gira do Cais.

Pombo Gira do Cemitério.

Pombo Gira do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira do Cruzeiro.

Pombo Gira do Lodo.

Pombo Gira dos Sete Cruzeiros.

Pombo Gira Feiticeira.

Pombo Gira Ganga.

Pombo Gira Gira Mundo.

Pombo Gira Maria Alagoana.

Pombo Gira Maria Baiana.

Pombo Gira Maria Bonita.

Pombo Gira Maria da Praia.

Pombo Gira Maria do Cabaré.

Pombo Gira Maria do Cais.

Pombo Gira Maria do Porto.

Pombo Gira Maria Eulália.

Pombo Gira Maria Mineira.

Pombo Gira Maria Morena.

Pombo Gira Maria Rosa.

Pombo Gira Maria Sete Catacumbas.

Pombo Gira Maria Sete Covas.

Pombo Gira Menina da Calunga.

Pombo Gira Menina da Encruzilhada.

Pombo Gira Menina da Praia.

Pombo Gira Menina das Almas.

Pombo Gira Menina do Cabaré.

Pombo Gira Menina do Cruzeiro das Almas.

Pombo Gira Menina do Cruzeiro.

Pombo Gira Menina.

Pombo Gira Mirongueira.

Pombo Gira Quebra Ossos.

Pombo Gira Rosas.

Pombo Gira Salomé.

Pombo Gira Sete Calungas.

Pombo Gira Sete Caminhos.

Pombo Gira Sete Capas.

Pombo Gira Sete Catacumbas.

Pombo Gira Sete Caveiras.

Pombo Gira Sete Chaves.

Pombo Gira Sete Coroas.

Pombo Gira Sete Covas.

Pombo Gira Sete Cruzeiros.

Pombo Gira Sete Encruzas.

Pombo Gira Sete Encruzilhadas.

Pombo Gira Sete Estradas.

Pombo Gira Sete Estrelas.

Pombo Gira Sete Figas.

Pombo Gira Sete Figueiras.

Pombo Gira Sete Luas.

Pombo Gira Sete Navalhas.

Pombo Gira Sete Ondas.

Pombo Gira Sete Porteiras.

Pombo Gira Sete Punhais.

Pombo Gira Sete Véus.

 

    Como vimos existem diversos nomes de Pombos Giras nomes com falange, nomes com falanges e mais função de atuação, enfim, independente da Entidade, da linha ou irradiação, devemos respeitá-las e entendermos que elas estão a trabalho da caridade, da luz, do amor e da vontade de Deus, e não para atender a pedidos incoerentes de consulentes que acreditam que as Entidades de Luz estão ali para seu bel prazer.

 

    Salve a Umbanda!

 

    Salve as Entidades de Luz!

 

    Salve as Pombos Giras!

 

Carlos de Ogum
sábado, 30 de junho de 2018 42 comentários

Meu filho é Médium! E agora?


             
 Imagem relacionada
    Venho notando uma grande preocupação entre vários pais que entram em contato conosco com o assunto: "Acho que meu filho é Médium."

    São várias dúvidas, questões e até receios desses pais, que buscam explicações para os fatos ocorridos de seus filhos, fatos como visões de vultos, pressentimentos, indagações, conversas com o invisível, enfim, vários fatos que demonstram a mediunidade das crianças e adolescentes.

    Antes de qualquer coisa gostaria de frisar que todos nós somos médiuns, uns com mais sensibilidade outros com menos, porém todos são. Portanto não há nada de anormal nisso, pois na realidade esse fato é um dos preceitos para que estejamos nesse plano ainda material. Frisando novamente que algumas pessoas possuem uma sensibilidade mediúnica muito mais aflorada que as outras tem assim a condição de percepção muito maior que outras pessoas, e essa percepção pode ser como presenças energéticas, o clima vibracional de vários ambientes, percebe também a energia, sendo alta ou baixa, de outras pessoas, percepção de vultos, imagens, aromas inexistentes no ambiente, antecipação de acontecimentos determinados, sonhos que revelam algo, ouvir vozes do além, enfim, diversas situações que o médium poderá acessar.

    Devemos entender e mostrar aos pais que nos buscam que há diversas maneiras de demonstração dessa sensibilidade mediúnica, muitas pessoas tem a mediunidade de cura, e com apenas um toque, com uma prece, ou mesmo com a própria presença em um ambiente onde esteja um adoentado, auxilia essa pessoa fazendo sentir uma melhora grandiosa, em outras formas as crianças podem prever acontecimentos futuros, podem descrever passagens do passado que não fizeram parte daquela encarnação, enfim, vários tipos de demonstrações. E isso é algo que devemos aceitar normalmente, buscando entender cada fato.

    Até é compreensível os pais ficarem um tanto nervosos, assustados, sem saber o que fazer em casos assim, porém sempre é recomendado aos pais nunca renegar os fatos, não buscarem desmentir as crianças com sensibilidade mediúnica elevada, pois podem essas crianças se sentirem acusadas de serem mentirosas e desenvolverem outros problemas, tipo um distúrbio de personalidade ou psicológico.

    Também não é recomendado aos pais acreditarem que esse fato mediúnico seja algo exclusivo, fazendo assim uma valorização excessiva do fenômeno, e assim sendo criar certa vaidade, tanto no filho quanto aos pais, e certamente atrapalhando todo o processo espiritual.

    Os pais também não devem demonstrar medo, ou passar esse medo as crianças, pois assim só as deixarão inseguras, receosas e nervosas. Buscar sempre o entendimento que não devemos temer os espíritos ou as Entidades de Luz, e passar esse entendimento aos nossos filhos.

    Um dos grandes erros dos pais de filhos de sensibilidade mediúnica elevada é a criação de grandes expectativas, pois isso além de grande erro é uma imprudência, pois é sempre recomendado aos pais agirem de uma forma muito natural, sempre deve parar para ouvir o filho quando ele desejar falar espontaneamente sobre o assunto. Devem os pais jamais criticar, ridicularizar a criança, e também jamais se demonstrar assustados, nervosos, inquietos ou vaidosos e orgulhosos diante dos fatos mediúnicos que acontecem com o filho.

    Infelizmente muitas crianças e adolescentes são taxados de deprimidos, ansiosos, hiperativos, e são "tratados" e até dopados pelos pais por não entenderem o que se passa com seus filhos, e esses pais buscam o auxilio de médicos que não tem esclarecimento algum sobre os fatos mediúnicos ocorridos, sendo levados a errarem grandiosamente o diagnóstico feito a essas crianças e adolescentes.

    Se seu filho é considerado diferente por você, se as questões mediúnicas o assustam, se você ainda não entende os fatos espirituais, e só consegue vê-lo como uma criança diferente das demais, creio que deverá entender o seguinte, diferenças sempre existiram em nosso planeta, e graças a essas diferenças é que estamos evoluindo e seguindo rumo ao progresso espiritual.

    Ter um filho com sensibilidade mediúnica elevada em nossa casa, não significa que a família seja especial, não devemos dar forças para a vaidade, não devemos dar forças para os medos, e não devemos dar forças à falta de informação.

    Quando fatos assim acontecem, a família em si deverá observar seus hábitos, seus conceitos, suas ações, suas atitudes, como dialogam entre si, como são como pais, como convivem, ou seja, rever a si próprios, modificando os maus hábitos, e os erros como seres humanos, eliminando os vícios que nos acercam.

    Indagado pelos pais de um menino de 13 anos, sobre o que fazer quando essa sensibilidade mediúnica elevada vem na forma não de visões, audições, ou pressentimentos, mas sim na forma mais receosa dos pais, a forma de incorporação de fato.

    Antes de tudo gostaria de esclarecer que essa forma mediúnica é muito, mas muito rara em crianças abaixo dos 16 anos, e acima dessa idade ela não vem por acaso, mas sim com um trabalho de desenvolvimento mediúnico dentro de um terreiro de Umbanda, feito por pessoas responsáveis, diante da autorização do Mentor dessa casa e das Entidades de luz envolvidas no trabalho sobre a Coroa desse adolescente.

    Porém pode acontecer incorporações em crianças abaixo dessa idade, e mesmo sem o devido desenvolvimento mediúnico da forma tradicional, ou seja, essa criança já vem sendo desenvolvida por uma Entidade de Luz Mentora desde o nascimento pelo seu grau elevado de mediunidade.

    Em casos raros assim, a criança pode, além das visões, das audições, sonhos, pressentimentos, adivinhações; ter a incorporação, e essas incorporações são com as Entidades Mentoras da Coroa dessa criança, normalmente um Preto Velho ou um Erê, podendo também até ser um Caboclo.

    E se acontecer esse fato, o que os pais devem fazer?

    Como agir em casos assim?

    Bem, eu vou descrever abaixo um caso real no qual ocorreu a muitos anos atrás, e como protagonista temos um menino de 9 anos de idade, e juntamente a visão de sua mãe, uma mulher que buscava entender e compreender os fatos, e de seu pai, um homem descrente dos fatos espirituais. E assim todos os pais de filhos com mediunidade sensível podem tirar suas próprias conclusões.

    "O ano era 1977, AC era um menino comum, estudava, brincava, tinha amigos, sonhos. Sua família também era uma família comum, pais trabalhavam, tinha uma irmã mais velha que ele, e viviam bem apesar de serem pobres.

    Por AC ficar boa parte do dia sozinho, começou a perceber a visita de antigos amigos que ele tinha contato desde a primeira infância. Amigos esses da vida espiritual.

    Falava sobre esses amigos a sua mãe, falava-lhe também sobre seus sonhos, sonhos esses detalhados por ele e que tinham muita relevância diante de fatos acontecidos posteriormente, e observados pela sua mãe.

    Sua mãe sempre ficava intrigada, tudo aquilo não poderia ser só coincidência, tinha muitas coisas que o menino descrevia, e logo em seguida aconteciam.

    A mãe de AC tentou conversar com o marido, porém esse descrente das coisas espirituais, dizia-lhe para não dar atenção aquilo, pois tudo era imaginação do garoto, e dela própria.

    E chegou o mês de setembro daquele ano de 1977. Na residência da família estavam AC e sua mãe conversando sobre assuntos do dia a dia, quando o menino se calou, empalideceu, olhava fixamente para os olhos da mãe, que estranhou a atitude do filho.

    Ela o chamou pelo nome, ele nada respondia, e ela percebeu que ali não era seu menino.

    A mulher fez uma oração, clamou a Deus por sabedoria, e calmamente perguntou ao filho:

"Quem é você?"

    O menino sorriu, com um olhar sereno, sentado sobre as próprias pernas, ergueu as mãos ao encontro das mãos da mãe e as segurou suavemente.

    Os relatos da mãe foi que se sentiu em paz, uma serenidade tomou conta de sua mente, e uma calma extraordinária penetrou em sua alma.

    E da boca do menino saiu uma voz doce, de tom baixo, com muita sabedoria dizendo:

    "Minha filha, não sou seu menino, sou uma Entidade de Luz da linha das Almas, estou aqui apenas para mostrar a luz mediúnica de seu filho."

    Ao dizer isso a mulher sorriu, se emocionou, e agradeceu a oportunidade que lhe foi dada.

    A partir dai os dois tiveram uma longa conversa, e nessa conversa foi dito detalhes de acontecimentos passados, presentes e futuros da família, fazendo assim que a mulher cresse ainda muito mais em todos os fatos mediúnicos de seu filho.

    Ela contou todos os acontecimentos ao marido descrente, e ele continuou afirmando que não passava de imaginação de ambos, e nunca deu a atenção devida aos fatos.

    O tempo passou, e mesmo o pai não crendo na força mediúnica do filho, o menino buscou compreensão sobre sua vida espiritual. Buscou entender suas visões, seus pressentimentos, o que ouvia, e com quem falava espiritualmente. Compreendeu os trabalhos de caridade, as Entidades de Luz de sua Coroa, e tudo relacionado com a mediunidade e espiritualidade.

    E após anos e anos desse fato de sua primeira incorporação, hoje o menino já um homem maduro, trabalha em prol da caridade espiritualista umbandista, trazendo a terra Entidades maravilhosas e divinas que buscam trazer a paz, a caridade, o amor, a luz de Deus, e tudo relacionado à espiritualidade."

    E assim terminamos esse post com uma pergunta.

    Será que alguns pais não estão findando o caminho da caridade, do amor, da paz e da luz de Deus quando não se busca compreender os filhos com sensibilidade mediúnica elevada, pelo simples fato de não querer abrir os olhos para esse dom maravilhoso de suas crianças?

Reflitam!
 Imagem relacionada
Carlos de Ogum

quarta-feira, 20 de junho de 2018 29 comentários

Banhos de Descarrego e Proteção para serem tomados na semana de: Pai Xangô.


Imagem relacionada

    Hoje falaremos dos banhos de descarrego e de proteção para serem
tomados na semana de Pai Xangô, que é comemorado no dia 24 de junho.

    Lembrando, que assim como foi dito nos textos anteriores, os
banhos de descarrego e de proteção podem ser tomados por qualquer
pessoa, sendo essa pessoa filho ou não do Orixá.

    Devemos entender que Xangô é um Orixá ligado a justiça, a
sabedoria, a inteligência, ele que reina pelas causas dentro da
Umbanda, fazendo com que quem deve, pague; e quem merece, receba.

    Aquele que tiver algo a favor da justiça, que for em busca dessa
mesma justiça dentro de seu merecimento, certamente deverá saber que
Xangô estará com ele e que esse amado Pai justiceiro jamais o
abandonará.

    Portanto a fé nas causas de Xangô devem ser elevadas e assim
certamente a vitória surgirá.

    Agora vamos aos banhos.

                        BANHO DE DESCARREGO:

    Em uma panela grande adicione dois litros de água para ferver.

    Em uma vasilha de vidro ou de louça, adicione as seguintes ervas:

Elevante.
Manjericão.
Orobô ralado (fruto africano).
Quebra Pedra.

    Coloque essas ervas e o fruto ralado na vasilha de louça, despeje
a água sobre eles e deixe em infusão, deixando assim até a temperatura
da água ficar agradável ao corpo.

    Após seu banho normal despeje esse banho de descarrego de sua
cabeça aos pés.

    Faça uma oração a Pai Xangô, rogando pela sua proteção e limpeza.

    As ervas que foram coadas do banho podem ser despachadas em um rio
de água corrente, ou em um jardim.


                         BANHO DE PROTEÇÃO:

    Esse banho deve ser preparado com antecedência, pois ele deve
ficar em imantação por umas 4 horas, e deve ser feito da seguinte
maneira:

    Em uma panela colocar 5 litros de água, adicionar um maço grande
de manjericão roxo bem macerado, esse manjericão deve ser bem lavado
antes da maceração. Deixe-o em imantação por 4 horas, e após esse
tempo deverá ser coado de forma que reste o mínimo de erva nele. Após
seu banho higiênico, despejar esse banho de proteção da cabeça aos
pés, rogando a Pai Xangô que purifique seu corpo físico e espiritual
eliminando todas as energias negativas, retirando pragas, obsessores e
todos os males.

    Fazer uma oração a Xangô, pedindo forças para caminhar, e pedindo
que seja protegido contra tudo que possa atrapalhar essa caminhada.

    As ervas que forem coadas desse banho podem ser despachadas em um
jardim, em uma mata ou em um rio de água corrente.


          BANHO TANTO PARA PROTEÇÃO QUANTO PARA DESCARREGO:

    Em um balde limpo deve-se macerar um maço grande de beti cheiroso
(conhecido também como eucalipto limão), adicionar cinco litros de
água, tapar o balde com um pano branco e deixar em imantação por umas
duas horas. Após esse tempo, coar o banho, e depois de seu banho
normal, despejar esse banho de Xangô da cabeça aos seus pés.

    Conforme for jogando o banho faça seus pedidos, com coerência, a
Pai Xangô, e termine fazendo uma oração.

    As ervas coadas desse banho devem ser jogadas em um rio de água
corrente ou em um jardim.


                 BANHO PARA PROTEÇÃO E PROSPERIDADE:

    Em uma panela grande colocar três litros de água para ferver,
após fervida colocar os seguintes ingredientes, mexendo sempre em
sentido horário com uma colher de pau:

Eucalipto limão.
Folha da fortuna.
Hortelã.
Elevante.
Manjerona.

    Após fervida, apagar o fogo e tapar a panela deixando em infusão
por cinco horas. Coar, adicionar mais água, e após seu banho normal
jogar esse banho da cabeça aos pés. Fazer seus pedidos com coerência,
e fazer uma Oração a Pai Xangô. Despachar os ingredientes coados em um
jardim, ou mesmo ainda em um rio de água corrente.

                  BANHO PARA ABERTURA DE CAMINHOS:

    Em uma panela colocar 7 litros de água para ferver. Assim que
entrar em ebulição adicionar as seguintes ervas:

Cavalinha.
Elevante.
Erva de São João.
Mulungu.
Nega mina.
Panacéia.
Pau Pereira.


    Mexa com uma colher de pau no sentido horário, tampar a panela e
deixar cozinhar em fogo baixo por mais 7 minutos, desligar o fogo.

    Manter abafado por 3 horas e coar. Adicione mais água às ervas em
um outro recipiente maior.

    O banho para abertura de caminhos deve ser tomado do pescoço até
os pés despejando a água com o fluído das ervas, após o banho
higiênico.

    Peça a Xangô para afastar as impurezas e trazer abertura a seus
caminhos; faça uma oração a Pai Xangô e acenda uma vela marrom.

    As ervas coadas do banho podem ser despachadas em uma pedreira, em
um jardim ou em um rio de água corrente.


BANHO PARA OS FILHOS DE XANGÔ QUE ESTÃO EM DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO:

          (PARA ATRAIR A ENERGIA E A VIBRAÇÃO DE PAI Xangô)

    Separe com antecedência as seguintes ervas e materiais:

bacia de louça branca.
Água Mineral.
Elevante.
Alfavaca Roxa.
Aperta Ruão.
Caferana.
Cavalinha.
Erva de São João.
Erva Grossa.
Mulungu.
Nega Mina.
Orobô (ralado).
Panacéia.
Pessegueiro (folha e flores).

    Esse banho deverá ser feito um dia antes de ser utilizado. Pega-se
a bacia branca, coloque as ervas na quantidade que desejar e achar
necessário, junto a ervas coloque a água mineral bem devagar, comece
a macerar com cuidado.

    Peça proteção a Pai Xangô em forma de oração, peça-o que sempre
restabeleça sua Coroa quando fraquejar.

    Deixe esse banho descansar, coberto com um pano branco e
principalmente onde ninguém possa mexer nele, pois esse banho só pode
ser manipulado pelo filho que vai utilizá-lo.

    Importante: Esse banho não pode ser fervido, para esquentá-lo,
caso desejar que fique em uma temperatura mais agradável, esquente um
pouco mais de água em um recipiente, e jogue junto à água do banho e
as ervas maceradas no momento que for tomar o banho. Esse banho deve
ser jogado da cabeça aos pés, após seu banho normal. Acenda uma vela
marrom, e faça uma oração a Xangô.

    Façam sempre esses banhos com boas intenções e com muita fé, assim
certamente Pai Xangô estará sempre a seu lado.

Caô Cabecile Xangô!

Imagem relacionada


Carlos de Ogum

domingo, 10 de junho de 2018 52 comentários

Poema aos Exús, Malandros e Pombo Giras do TUPOM. (Por: Carlos de Ogum)


Resultado de imagem para exus e pombo giras

A noite chega misteriosa,
gargalhadas iremos ouvir sem nos assustar,
de um lado a Pombo Gira toda charmosa,
do outro o Exú que vem nos encantar.

Chamado com louvor de linha dos guardiões,
aqueles que sempre lutam para nos proteger,
iluminando os caminhos e acalmando os corações,
Exús e Pombo Giras vêm na Umbanda para o mal vencer.

Da linha da direita ou da esquerda eles vem,
trazendo a todos paz e enormes lições,
Exús, Malandros e Pombo Giras grande luz sempre tem,
demonstrando a todos suas proteções.

Na frente chega Senhor Tranca Ruas, o valente,
mostrando que ali o mal nunca reinará,
traz a sabedoria, a caridade, a luz e uma boa corrente,
e mostra ser vencedor em nome de Pai Oxalá.

Em um belo luar Maria Padilha vai chegar,
com seu sorriso lindo, meigo e encantador,
dançando como uma deusa ela veio saravar,
distribuindo a todos suas bençãos de amor.

Malandreando Senhor Zé Pilintra vem chegando,
com seu jeito de grande mestre de luz,
com um sorriso no rosto no terreiro vem adentrando,
trazendo a seus filhos as bençãos de Jesus.

Maria Mulambo chega na noite estrelada,
trazendo a força e o poder da Calunga Pequena,
com essa rainha a casa fica sempre abençoada,
deixando nossa Gira sempre bem firme e serena.

Seu Tiriri chega com muita fé e extrema luz,
trazendo a força que sempre vai nos reerguer,
suas palavras e ensinamentos sempre nos conduz,
e mesmo em caminhos com obstáculos vamos sempre vencer.

Gargalhando lindamente vem Dona Maria Quitéria,
descarregando os filhos e todo o terreiro,
limpando a aura, o espírito e a matéria,
auxiliando a todos da casa de meu Ogum Guerreiro.

Com a força da Encruza ele vem nos proteger,
e com seu poder obsessores nunca crescerão,
Sete Encruzilhadas Exú que faz acontecer,
trazendo consigo toda sua legião.

Linda como os raios do Sol ela vem girando,
trazendo em suas mãos a luz e o poder,
belíssima nas tronqueiras ela vem reinando,
a ti de joelhos peço, Rosa Caveira venha nos valer.

Das ruas ele saiu para na Umbanda lutar contra o mal,
tem no olhar o mistério, a magia e o poder,
o encanto desse Exú não tem igual,
Seu Mulambo trabalha para ajudar e retirar o sofrer.

Com olhos atentos essa Pombo Gira vem dançando,
mostrando a todos que nosso terreiro é de caridade,
como uma flor seu perfume vem exalando,
Sete Saias traz a todos a paz, o amor e a verdade.

Com sua capa e seu capuz seu João Caveira já vem,
trazendo a força e a essência da Calunga Pequena,
em sua face apenas estalar de ossos ele tem,
e em suas palavras sempre deixa nossa vida mais amena.

Certamente nossos trabalhos não teriam o mesmo efeito,
sem as lindas gêmeas vindas da malandragem,
com Rosinha e Rosa da Estrada sempre se dá um jeito,
de expulsar esses obsessores sem coragem.

Seu Sete Porteiras nossa casa vai guardar,
mostrando ao mal e a obsessores que ali eles não tem vez,
é ele quem decide quem pode ou não pode entrar,
dando a rua a quem o mal deseja e o Gongá a quem a caridade fez.

Senhor Sete Tronqueiras vem também para entrada guardar,
nunca deixando entrar na tronqueira espírito da escuridão,
tem o grande dom de nosso Gongá iluminar,
sendo ele o divino e poderoso senhor guardião.

Seu nome é Rosa e sete saias ela tem,
sua magia é feita com caridade e imenso amor,
ela trabalha no saravá, no axé e no amém,
sempre bela e radiante como no jardim uma linda flor.

Para o auxílio de desobsessão com a força de Omulú,
com louvor Senhor Sete Cova vem nos ajudar,
está em nosso terreiro também com  Megê que é nosso Ogum,
para todos os espíritos sofredores poder encaminhar.

Com seu sorriso infantil ela nos encanta,
o sorriso belo de sua boca pequenina,
com sua força nossa Gira ela imanta,
é a doce e meiga Pombo Gira Menina.

Espíritos trevosos devemos mostrar o caminho,
rogando a Deus que eles entendam e para a luz possam partir,
aqueles que por algum motivo não conseguirem fazer isso sozinho,
Senhor Sete Catacumbas estará ali para fazê-los refletir.

De um belo jardim nasceu essa linda Rosa,
Rosa que em Pombo Gira Cigana se transformou,
chegando no terreiro cantando em verso e prosa,
contando a história de um feitor que tanto amou.

Direto da Calunga Pequena ele veio para o Terreiro,
e com a força e o poder de Oxalá o mal ele vai dominar,
trazendo paz e harmonia em toda a Gira e o tempo inteiro,
esse é Senhor Sete Cruzes que com sua luz toda escuridão vai iluminar.

Do reino da Calunga também chega senhor Tatá Caveira,
e todos espíritos sem luz ele vai dominar,
mostrando que nosso terreiro não é de brincadeira,
e todos esses obsessores ele vai doutrinar.

Da nobreza ele chegou e na Umbanda saravou,
trazendo aos filhos da casa sua rigorosa lei,
um a um no terreiro ele conquistou,
com palavras fortes e lições exatas, esse é nosso amado Exú Rei.

No terreiro temos um fiel e grande amigo,
que nos traz muita alegria e felicidade,
com ele jamais correremos perigo,
seu nome é Navalha, o Malandro de grande serenidade.

Senhor Zé da Lapa chega no terreiro dançando,
para nosso terreiro sempre iluminar,
sorridente vem com seu poder exalando,
força suprema que só nos faz encantar.

A tronqueira é fechada do início ao fim,
por Senhor Caveira nosso Exú poderoso,
com suas mãos fortes de cor de marfim,
nada passa por esse ser divino e vigoroso.

Esses são nossos amigos e amigas da Gira de virada,
que sempre nos trazem muita paz, sabedoria e luz,
deixando sempre divina nossa Umbanda encantada,
e muitos ensinamentos de nosso Mestre Jesus.

Pedimos a proteção dos Malandros, Exús e Pombo Giras,
e aqui demonstramos essa força com muito amor para você,
rogamos a Deus que tenhamos sempre essas forças divinas,
e elas sempre iluminem o Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê.

Resultado de imagem para malandros e malandras

Carlos de Ogum

quarta-feira, 30 de maio de 2018 60 comentários

A História de Pai Casemiro




Salve nossa Umbanda amada,
salve o cazuá dos Velhos do cativeiro,
na senzala tem mironga sagrada,
Pai Casemiro é nosso vovô guerreiro.

Com flores e água ele sabe curar,
Preto Velho sagrado de nosso Gongá,
com tanta humildade ele vem nos salvar,
Velho Casemiro enviado de Oxalá.

Sua lei quem coordena é nosso amado Jesus,
trazendo dentro do peito um enorme coração,
ele é divino, caridoso, nossa luz,
e venho aqui meu Pai Casemiro lhe pedir a benção.



    A história de Pai Casemiro começa nos fundos de uma velha senzala em uma fazenda cafeeira da região sudeste do Brasil, no período do século XIX, onde seu nascimento foi constatado pelos negros que ali residiam.

    Uma jovem escrava em um momento raro de felicidade em sua vida, dava à luz a um belo menino nos fundos de uma senzala, rodeada por outros negros, e a seu lado uma velha negra que era conhecida como a melhor parteira da região, e também pelo negro Juvêncio que era pai do recém-nascido.

    Ao vir ao mundo de Pai Oxalá, o pequeno menino é pego pelos braços de seu pai e erguido aos céus, como forma de agradecimento pela tão bela benção recebida.

    Os negros emocionados, sorriam e cantavam canções de boas-vindas ao pequeno menino.

    No céu as estrelas brilhavam mais do que de costume, a Lua dava impressão de sorrir juntamente com os negros, demonstrando toda a felicidade daquele nascimento.

    De braços erguidos e com o menino elevado a Deus, Juvêncio clamou por proteção a sua criança. E nesse momento um facho de luz brilhante pairou sobre o menino, como se Oxalá o abençoasse.

    Os negros ao redor se ajoelharam ao chão, e rezaram em coro. E o surpreendente aconteceu, do facho de luz desceram pétalas de diversas flores, perfumando todo o local, deixando todos boquiabertos.

    Juvêncio de olhos fechados, agradecia em silêncio, e sua fé foi tão extrema que ele ouviu uma voz firme, porém amável dizendo-lhe:

    "Meu filho, siga com seu menino até a cachoeira, deve batizá-lo ainda hoje, pois esse menino será luz, divindade e paz entre seus irmãos. Você deverá fazer dessa maneira, pois seu tempo ao lado dele será curto. E para ser realizado a missão preparada a ele por Deus, será de suas mãos que devem cair as águas do batismo."

    Juvêncio ergueu o olhar, estava sereno e exalava fé. Pegou o menino, e partiu, junto a ele alguns negros acompanhavam.

    Ao chegar na cachoeira, a noite estava alta, Juvêncio se pôs de joelhos as margens do rio. Rezou, agradeceu, e clamou por bênçãos a seu filho.

    Do meio da cachoeira surge uma linda mulher vestida toda da cor azul, se aproxima do negro, pega a criança em seus braços, da meia volta e segue até a queda d'água. Com delicadeza a mulher molha sua mão e faz uma benção no menino recém-nascido, dizendo palavras não entendíveis, mas em forma de oração.

    A Lua joga seu facho de luz sobre o menino, assim como o vento cobre sua pele parecendo o proteger, o próprio vento traz pequenas folhas das matas para o abençoar, e assim o pequeno menino fora batizado pela Mãe Natureza.

    A mulher retorna com o menino, entregando-o ao pai, e pedindo-lhe que escolhesse um nome, sendo esse nome de alguém que Juvêncio tivesse muito respeito e admiração.

    Juvêncio sem pestanejar lembra-se de seu pai, avô do menino, que era um grande guerreiro, e que desencarnou sob a chibata de um feitor, após lutar intensamente para salvar seus irmãos negros. E o nome desse guerreiro era Casemiro, e esse foi o nome dado ao menino recém-nascido.

    A mulher pega um pequeno manto azul, o deita ao chão, e sobre ele coloca o menino, bem próximo a borda do rio no qual era conduzido pela queda d'água. Os negros que acompanhavam Juvêncio se ajoelharam e rezaram aos Orixás, enquanto a imagem da mulher desaparecia diante dos olhos de todos.

    Ao findar as orações, Juvêncio pega seu filho, enrolado no manto azul, e ao retirá-lo do chão, todos ficam extasiados pois no local onde estava o manto com o pequeno Casemiro, brotava flores, crescendo rapidamente diante dos olhos de todos, trazendo aquele ambiente um doce perfume divino.

    Juvêncio retorna com seu filho juntamente a sua esposa, conta-lhe todo o acontecido, deixando a jovem negra extasiada, porém preocupada, pois ela não compreendia o porquê seu marido teria pouco tempo com seu filho.

    Vinte e um dias se passaram, e chegou o dia da separação do menino Casemiro e seu pai. Um coronel de uma região distante, veio até a fazenda cafeeira onde residia a família de Juvêncio, a fim de negociar escravos para serem levados a sua fazenda. E Juvêncio fora o primeiro negro que o coronel se interessou, fazendo assim que houvesse a separação de pai e filho, mesmo com muitas lamentações e pedidos, de todos, porém sem a menor dor na consciência dos negociadores.

    Casemiro agora estava apenas com sua mãe, e isso duraria pouco tempo também, pois sete anos após, sua mãe fora tomada por uma doença desconhecida, que disseminou dezenas e dezenas de pessoas na região, tanto negros quanto brancos.

    Esse fato deixou o menino Casemiro desesperado, pedia a Oxalá para desencarnar junto com sua mãe, porém uma negra da fazenda que tinha muita fé, dizia ao pequeno garoto, para nunca desanimar, pois Zambi só fazia as coisas certas, e se sua mãe partiu daquela forma é que teria um motivo muito forte.

    O menino chorava copiosamente, mas buscava entender as palavras da negra.

    Dois anos se passaram após esse fato, porém a doença desconhecida ainda matava muitas pessoas. E em uma noite dentro da senzala, Casemiro, dormia com um sono sobressaltado, até que desperta assustado. A seu lado estava a mulher que tinha o batizado na cachoeira, e ele se levantando a observa profundamente, ela tem um sorriso meigo, amável, sereno, olhos brilhantes, afáveis, e se virando para o menino lhe fala:

"Meu filho amado, venho hoje para lhe mostrar seu poder de cura, com ele poderá sanar as dores de homens negros e brancos. Sua fé fará com que sua luz brilhe sobre essas pessoas doentes, e assim com seu amor e sua caridade os males que a anos vem decepando vidas, se afastará daqueles que em ti confiar.

    Use as flores como matéria para chás, emplastros, colha os orvalhos de suas pétalas, as folhas de seus caules, os perfumes que acalmarão todas as dores.

    Seja caridoso, seja amável, seja fiel a Oxalá. Todas as dores irão se afastar, estados febris vão se acalmar, e a morte irá para longe de todos os seres que estimularem sua fé."

    Ao dizer essas palavras a imagem da linda mulher se afasta do menino, indo de encontro com as estrelas.

    Ao amanhecer o pequeno Casemiro corre pelas estradas que levam até a cachoeira, ele não sabia porque, mas sabia que deveria ir até ela, mais precisamente até ao jardim que nascera quando o menino fora batizado.

    Ao chegar ao pequeno jardim, Casemiro se ajoelhou diante dele, e se deixando levar pelos impulsos foi colhendo diversas flores, de todas as cores, tipos e perfumes. E a cada flor que retirava do pequeno jardim, uma nova brotava e crescia em frente a seus olhos, fazendo assim com que o menino ficasse mais encantado ainda.

    Ele leva as flores para a fazenda cafeeira, e lá com auxílio de uma velha negra fez chás, compressas, banhos, enfim, tudo que pudesse para sanar as dores dos adoentados.

    O tratamento foi iniciado dentro da senzala, e como um passe de mágica, os negros iam se recuperando a olhos vistos.

    As notícias das melhoras dos negros foram se espalhando como pólvora, chegando até a casa grande, onde residia o coronel e sua família, e lá se encontrava muitas pessoas adoentadas, o coronel ordenou que trouxessem o menino até sua residência, e mandou que ele fizesse o tratamento aos membros de sua família.

    O pequeno Casemiro se lembrou de seu pai que fora vendido sem a chance de ver seu filho crescer, de sua mãe que morrera do mesmo mal que agora atacava os familiares do coronel, e tantos irmãos negros que partiram sem a chance de cura. Ele parou, refletiu, por um momento pensou em não auxiliar os adoentados da família do coronel, porém lembrou-se das palavras da bela mulher que o batizara, que deveria ser caridoso, amável e ter muita fé.

    Num impulso ele começou a se utilizar das flores como tratamento a todos os adoentados dali, e um a um se via a estabilização do corpo físico, deixando o coronel muito aliviado.

    Após isso muitos anos se passaram, o menino Casemiro já era um homem feito. Ele cuidava dos jardins da fazenda com maestria, trazia mudas de flores da cachoeira e ia espalhando elas pelos jardins fazendo assim que toda a fazenda tivesse um colorido brilhante e estonteante perfume.

    Quando Casemiro completou seus trinta anos, o coronel já muito velho decidiu se desfazer de boa parte de seus escravos, vendendo-os a outros coronéis da região.

    Casemiro fora vendido para uma fazenda próxima, pois sua fama de curador era grande, e logo apareceram diversos interessados no negro.

    Toda a família do velho coronel foram contra a venda de Casemiro, porém o coronel estava irredutível.

    Quando Casemiro partiu da fazenda, todas as flores de todos os jardins foram murchando, até que todas secaram, inclusive as do jardim da cachoeira.

    Casemiro começa uma vida nova, porém se sente um tanto perdido sem suas flores. Na fazenda nova onde reside agora muitos negros trazem no corpo físico alguns males de diversas doenças, nas quais ele, Casemiro, poderia ser muito útil.

    Ele esperançoso ao se lembrar que deveria elevar sua fé sempre, se ajoelha e clama por auxílio, orando aos céus que lhe dê um caminho.

    Sem perceber o pedido dele é atendido, chega ao seu lado a imagem da bela mulher, trazendo nas mãos flores diversas, e um recipiente de barro com água. Ela chama a atenção de Casemiro dizendo-lhe:

    Levante-se filho amado, tome essas flores. Plante-as em um belo jardim distante das plantações da fazenda, de preferência perto do rio da pedreira (local conhecido por todos moradores dali), plante-as bem próximo da margem e da pedreira. E ao fazer isso suba até o cume, despeje essa água nele e desça sem olhar para trás. Ao chegar a seu jardim, ore com vontade a Deus, peça forças para continuar, peça fé para não desistir."

    E assim Casemiro fez, após plantar nas margens do rio as pequenas mudas de flores, subiu a pedreira chegando a seu cume, e lá despejou a água que lhe foi dada, e desceu apressadamente, sem olhar para trás como lhe foi dito.

    Chegando novamente as margens do rio, Casemiro se ajoelhou diante de seu pequeno jardim, fechou os olhos, agradeceu a oportunidade lhe dada, e orou de todo coração e com toda sua fé a Deus, nosso Pai Maior.

    Quando clamava a Deus, ouviu um intenso romper de água, assustado abriu os olhos, e diante deles viu o nascer de uma cachoeira do alto da pedreira, que fazia com que as águas se encontrassem com o rio, fazendo seu curso aumentar, e distribuir pequenas gotas de orvalho sobre as pequenas flores, que cresceram e floresceram mais e mais diante dos olhos de Casemiro, que estava lacrimejando muito emocionado.

    Ele sorria intensamente, e agradecia por tudo aquilo, via que Deus tinha lhe escutado, e estava orgulhoso e feliz com a sua própria fé.

    Foi até a cachoeira, e nela ouviu a voz da linda mulher dizendo-lhe:

    "Recomece seu trabalho de cura e caridade, e na hora certa volte para as mãos daquela que lhe batizou. A partir desse dia sua luz e seu caminho estarão ligados exclusivamente em fazer o bem, mas o bem espiritual, e eternamente."

    Ao dizer isso a bela mulher aparece saindo das águas da bela cachoeira, molha suas mãos e novamente faz o gesto de batizar Casemiro, que muito emocionado e feliz se entrega as lágrimas, que se misturam com o as gotículas das águas sagradas.

    Ao término da consagração, a linda mulher diz a Casemiro para seguir seu caminho pela caridade, e assim ele o faz. Colhe várias flores, enche sua moringa com a água da cachoeira e parte para a fazenda, lá chegando começa a sua missão de cura de seus irmãos negros. Não demorando para que sua fama se espalhasse novamente, trazendo a melhora de todos daquela região, sendo brancos ou negros, homens ou mulheres, crianças ou idosos, ricos ou pobres, livres ou escravizados.

    Na fazenda onde residia Casemiro, ele se tornou amado e respeitado por todos, inclusive pelo coronel, que o tratava com extrema atenção, pois Casemiro tinha auxiliado na cura do único filho do coronel, e esse certamente lhe devia muito.

    Dentro da fazenda, a pedido de Casemiro, todos os negros receberam uma choupana para fazerem moradia, assim sendo foi destruída as senzalas e todos os troncos de castigo daquela fazenda.

    Casemiro recebeu também a sua moradia, e nela um pequeno pedaço de terra para que ele pudesse criar seu rebanho de cabras, animais que tanto amava, além de poder fazer seus belos e divinos jardins com suas maravilhosas e perfumadas flores, flores que encantavam a todos que ali chegavam.

    Muitos anos se passaram, e a rotina de Casemiro era cuidar de suas cabras, e de suas flores, além de dia após dia caminhar até a linda e poderosa cachoeira, para apanhar água e mais flores sagradas, para auxiliar nas dores de quem necessitava.

    E em uma certa tarde, quando Casemiro fazia sua trajetória, ele se depara com a bela mulher que no passado havia o batizado. Ela sorri para ele, mas nada diz, apenas o acompanha com passos suaves por todo caminho até a cachoeira.

    Ao chegar lá ele observa um casal de joelhos diante da cachoeira, e em seus braços uma criança inerte. Era uma linda menina de aproximadamente três anos, que com os olhos cerrados, ardia em um estado febril extremo. Sua pele pálida, olhos fundos, seus lábios arroxeados sem vida, trazia um desespero extremo aos pais que choravam copiosamente, rogando a Deus para que não levasse sua menina.

    Casemiro se aproximou perguntando ao casal do ocorrido, e eles explicaram que a menina de uma hora para outra foi se debilitando, até que chegou ao ponto visto. Eles, os pais, tiveram uma visão, no qual fora pedido a eles que trouxessem a pequena para aquele local, pois ali seria a única chance dela sobreviver aquele mal.

    Casemiro se ajoelhou junto ao casal e a menina, a observou atentamente, pegou um ramalhete de flores, água da cachoeira, e macerou com muito cuidado. Chegou até a menina fez alguns emplastros, aguardou algum tempo, mas não via resultados. Ficou um pouco ansioso, buscou novas flores, acendeu uma pequena fogueira, apanhou mais água, e dela fez um chá. Deu a menina com muita dificuldade, porém nada de resultados positivos. A menina continuava inerte. Nesse instante Casemiro voltou-se para a mulher que o acompanhava e o observava atentamente, perguntando-lhe o que deveria fazer, pois não queria deixar a pequena menina desencarnar, e já tinha feito tudo que aprendera em todos aqueles anos.

    A mulher com um olhar sereno, porém mais sério que de costume, disse a Casemiro:

    "Meu filho amado, chegou a hora de mostrar a verdadeira caridade para que você siga para seu trabalho espiritual eterno. Mas isso vai depender de sua verdadeira fé, de seu livre arbítrio e de sua intensa caridade."

    Nesse momento desejo que decidas, entre a vida dessa pequena sofredora, ou a sua própria vida. Se despejares sobre essa menina todas suas forças espirituais, ela vai se reanimar, e sanar todos seus males, caso contrário desencarnará muito antes de seu tempo real de encarnação.

    Em suas mãos estará a vida e a caminhada desse pequeno ser. E em suas mãos também estará seu próprio destino."

    Ao ouvir isso, Casemiro, sem pensar duas vezes, vai até seu jardim divino, apanha as flores por intuição, as molha na cachoeira e as coloca sobre o pequeno corpo da menina, se ajoelha, faz suas preces, fala palavras não entendíveis, as mesmas palavras que foram ditas pela a bela mulher em seu nascimento e batismo. Um raio de luz atravessa o céu, pairando sobre o negro já idoso e a menina, o vento uiva, a cachoeira espalha gotículas de água abençoando o gesto de Casemiro, os pássaros rodeiam os dois, e a menina começa a se recuperar, enquanto Casemiro clama, com sua voz cada vez mais enfraquecida.

    Uma luz muito intensa sai das mãos do velho Casemiro, e como se energizasse a criança, ia dando-lhe forças, e assim ela ia ficando mais corada, abrindo seus pequenos olhos, seus lábios ficando rosados, retomando a vida.

    E assim a menina se recupera, porém, nitidamente Casemiro se enfraquece intensamente, com tanta força que não consegue se erguer e fica deitado ao lado de suas flores divinas.

    O casal tenta ajudá-lo, porém ele agradece e pede que levem a pequena menina de volta a sua moradia para que ela descanse. A menina com os olhos brilhantes vai até Casemiro, o abraça lhe dando um beijo na face, e todos partem, respeitando o pedido do velho negro.

    Ele continua ali deitado, junto as suas flores e nas margens do rio, onde deságua a cachoeira, e em pouco tempo desencarna.

    Pássaros de todos os tipos, tamanhos, espécies, com lindas cores, e belos cantos chegaram até o corpo inerte de Casemiro, depositando uma flor na qual traziam nos bicos, cobrindo-o por inteiro.

    Essas flores germinaram como por encanto, fazendo com que ali onde estava depositado o corpo de Casemiro se transformasse em um belo e esplendoroso jardim.

    Ao longe dali se via o espírito de Casemiro, juntamente com de seu pai Juvêncio e de sua mãe, além da linda imagem de Mãe Oxum, Orixá que o acompanhou desde o nascimento.

    Hoje Casemiro é uma Entidade de Luz, trabalhadora na linha dos Pretos Velhos, e que encanta a todos com seus gestos carinhosos, seu amor incondicional, e sua caridade suprema.

    Salve as Almas Benditas!

    Salve o amado Pai Casemiro!

Carlos de Ogum



 
;