sábado, 21 de agosto de 2021 107 comentários

INCORPORAÇÃO FORA DO TERREIRO DE UMBANDA

 

 


 

    Por muitos anos venho observando algo que é um tanto incômodo para quem é um verdadeiro umbandista e que leva a religião com a seriedade que se deve levar. Às vezes pode parecer aos olhos de pessoas leigas que o fato que vamos mencionar não tem tanta importância, contudo tem sim uma grande importância e será sobre esse fato que vamos escrever hoje, e esse fato que tanto incomoda os umbandistas que levam a religião a sério é o da incorporação de ditos médiuns fora de um ambiente preparado para tal manifestação.

 

    Já me deparei com centenas de consulentes que tem o mesmo enredo, ou seja, estava em casa, ou estava na casa de um amigo, ou de um parente qualquer e do nada veio uma Entidade dar-lhes uma consulta.

 

    Devemos entender primeiramente que toda e qualquer Entidade de Luz tem como regra respeitar acima de tudo as leis da Umbanda e não haver incorporação fora de um terreiro de Umbanda é uma dessas regras, portanto, certamente as Entidades de Luz não estariam ali naquele ponto de mistificação do suposto médium incorporado.

 

    Vindo desse princípio que já sabemos que as Entidades de Luz não incorporariam em um médium fora do terreiro de Umbanda, buscamos em nossa compreensão o que poderia estar acontecendo quando o médium diz que está com a sua Entidade naquele local não assentado para tal manifestação, nesse caso podemos imaginar algumas situações, tais como:

 

- O Médium poderia estar realmente bem intencionado em auxiliar o próximo, contudo não está preparado para tal.

 

- O médium não está bem intencionado e sabe que dessa forma estaria prejudicando ainda mais o semelhante.

 

- O médium estaria tomado pelo vício de sentimento da vaidade, e estaria ali enganando ao seu semelhante e a si próprio.

 

- O médium estaria tomado pela obsessão de espíritos Zombeteiros, e estaria sendo usado para roubar energia de seu semelhante e assim energizar esses espíritos obsessores.

 

- O médium se utiliza de seu orgulho e de seu ego para demonstrar as pessoas leigas que ele tem um falso poder de trazer suas supostas Entidades na hora e no local que desejar, e com isso crê que realmente tem tal Entidade a seu dispor.

 

    Esses exemplos acima são apenas alguns que poderíamos citar em meio de tantos outros exemplos desastrosos para uma suposta incorporação fora de terreiro por médiuns mistificadores.

 

    Agora vamos frisar apenas a boa intenção, vamos pressupor que o médium realmente esteja preocupado com algum fato de seu semelhante, e que deseja auxiliar a esse semelhante, porém ainda esteja faltando algum tempo para a Gira acontecer, e esse médium mistifica uma suposta incorporação em algum local que não seja adequado para tal realização, poderemos dizer que a intenção é muito boa, pois esse médium está buscando uma maneira de auxiliar seu semelhante, porém nem toda boa intenção é sinal de um bom resultado, pois na verdade já tivemos inúmeros relatos de tentativas de auxilio a um semelhante necessitado de ajuda espiritual, pois na ânsia de tentar ajudar esse médium buscou a incorporação fora de uma casa de Umbanda, e o resultado foi desastroso, tanto para o consulente quanto para o médium em questão.

 

    E quando casos assim acontecem, algumas pessoas podem dizer que o médium não estava preparado, ou que as Entidades desse médium não tinha força suficiente para tal gesto, na verdade não é bem assim, pois o fato é que o local não adequado para tal manifestação, ou que está sem assentamento e firmamento, deixa portas abertas a diversas outras manifestações obsessoras que certamente vão aproveitar a oportunidade para se energizar com as energias alheias. Então muitos desses médiuns que não compreendem esses fatos vão tentar argumentar que tem uma fé inabalável, que as Entidades deles são extremamente fortes, nesse ponto sem dúvida alguma, porém devemos entender que não só as Entidades de Luz tem sua força, pois espíritos obsessores, escravizadores, trevosos, como Kiumbas, Eguns e Zombeteiros também tem sua força, uma força voltada para o mal, mas sim, tem suas forças, e sendo assim podem atacar um local que não esteja protegido com os assentamentos e firmamentos adequados.

 

    Vamos refletir um pouco, se fosse algo tão simples a incorporação fora de um terreiro de Umbanda, se fosse para ter essa incorporação na casa do consulente ou mesmo dentro de sua própria casa, então qual a necessidade em termos os terreiros? realmente não haveria motivo algum.

 

    Sabemos que os terreiros tem sua tronqueira muito bem assentada e firmada, da mesma forma se tem o Gongá; sem dizer que no terreiro temos as correntes formadas, com seus médiuns preparados, e claro todos firmados antes de qualquer Gira.

 

    Se temos tudo isso detalhado dentro de um terreiro, que é sempre passado e repassado pelo Zelador de Santo, que com sua experiência não deixa passar nenhum detalhe, e se esse Zelador de Santo é auxiliado tanto por uma Yakekerê, um Babakekerê, uma Dagã, ou por outros diversos auxiliares que estão ali para deixar tudo a contento para termos uma Gira tranquila, firme e segura, simplesmente que no terreiro que é o lugar para as incorporações verdadeiras e seguras, sem riscos de obsessão para o consulente e para o próprio médium, fazendo assim que o atendimento aconteça dentro das regras e leis da Sagrada Umbanda.

 

    Para finalizar esse texto, vamos colocar os males que podem surgir quando um médium não se atenta na importância de não entregar a sua mente, seu corpo e sua mediunidade para uma incorporação fora de um terreiro de Umbanda, mesmo sendo dentro de uma boa intenção.

 

    Vamos imaginar a quantidade de Falanges de espíritos trevosos, sofredores, Zombeteiros, Kiumbas, Eguns e de baixo grau de espiritualidade que acompanharão tanto o médium, quanto o consulente, e logicamente ficarão embutidos como vermes dentro dos lares utilizados para tais manifestações errôneas, e isso trará para ambos diversas sensações desagradáveis, como dores sem causa aparente, mal estar, doenças diversas, raiva, ociosidade, desarmonias, depressões, misérias, isso certamente não tardará a surgir.

 

    E as suas Entidades vão deixar de lhe ajudar?

 

    Na verdade não, elas estarão tentando lhe auxiliar de toda e qualquer forma, porém quando um médium desavisado tenta esse tipo de trabalho espiritual, e com isso traz tantas manifestações contrárias, as Entidades tem que lutar intensamente para afastar todas essas obsessões, e como o médium está se utilizando de seu livre arbítrio para tais supostas incorporações, ele estaria dando muito mais espaço para diversos tipos de espíritos de baixo teor espiritual, trazendo mais e mais, portanto as Entidades tem um trabalho extremo, acima do imaginável para tentar proteger o médium, o próprio consulente, e quem mais estiver em volta daquele ambiente sujo espiritualmente, e como vêm do livre arbítrio do médium, as Entidades devem pela lei da Umbanda respeitar, e só resta a elas tentar afastar o máximo possível desses obsessores, contudo o número é tão estrondoso que não haveria como afastar todas elas sem um assentamento para auxiliar, e por esse motivo que os terreiros têm a Tronqueira onde os Exús e as Pombos Giras trabalham, a Casa das Almas, onde temos o Orixá Omulú e sua Falange para afastar Eguns, o Gongá onde é firmado cada um dos médiuns trabalhadores daquela Gira junto as suas Entidades, a seus Anjos de Guarda e a seus Orixás.

 

    Agora sabemos a importância de não incorporarmos fora de um local adequado, sabemos que a responsabilidade de fazer o certo ou errado em uma incorporação é do médium, pois é o médium que abre as portas de sua casa, ou da casa do consulente, ou mesmo da vida de ambos para essas energias de obsessores, pois não basta apenas acender vela a seu anjo de guarda, ou mesmo para seu Povo de Esquerda, pois dentro de um terreiro os assentamentos são muito mais complexos, e o ambiente de uma casa de Umbanda foi feito para isso, trabalhar com o desconhecido, com os desencarnados, com as Entidades de Luz, e nossa residência de morada é para encarnados, para podermos ter tranquilidade e paz, apenas para encarnados.

 

    Resumindo, manifestações de Entidades de Luz e todo outro tipo de incorporação é para se limitar dentro de um terreiro, a consulta a quem necessita é para ser feita dentro de uma casa de Umbanda, e a única exceção a essa regra seria se o consulente estiver totalmente impossibilitado de se locomover, e nesse caso somente médiuns extremamente desenvolvidos mediunicamente, e nesse caso se dá a preferência a um Babalaô, um Babalorixá, a um Babakekerê, ou a uma Yakekerê, e esses sempre acompanhados de uma Dagã ou um Ebâmi, caso contrário, se caso não tem um desses médiuns disponíveis para tal trabalho, um médium mais antigo da casa poderá então fazer, porém com autorização do seu Zelador de Santo e tendo um pré firmamento dentro de um terreiro.

 

    Se não for dessa maneira não é para ser feito, pois caso contrário é mistificação, falta de preparo, ou vaidade do médium, e é justamente isso que faz regressar todo tipo de desenvolvimento mediúnico, médium vaidoso, mistificador e sem preparo.

 

    Portanto, respeitar essa regra da Umbanda é respeitar suas Entidades, os Orixás de sua Coroa, a si próprio, a seus consulentes e a própria Umbanda.

 

    Lembre-se, o médium não é detentor da verdade e não tem certeza se vai resolver os problemas de seu consulente fora das regras e leis da Umbanda.

 

    Respeite seus irmãos de fé e respeite o terreiro que lhe acolheu, e acima de tudo respeite as suas Entidades de Luz e seus Orixás de Coroa.

 

Carlos de Ogum

 

OBS.: Para quem deseja saber seus Orixás de Coroa ou seu Exú de frente através dos Búzios, entrem em contato conosco através do endereço de e-mail:

 

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sábado, 24 de julho de 2021 162 comentários

AMIGO EXÚ, ELE CAMINHOU COMIGO

 



 

Tenho um amigo fiel,

que pelas noites me acompanha e me protege,

sua força me encanta e me encoraja,

sua luz ilumina meus passos na escuridão.

 

Ele transita comigo por todas as encruzilhadas pelas quais passos e que já passei,

ao meu lado, foi, e é amigo e conselheiro,

em minha frente, um escudo de força suprema,

em minhas costas, poderoso protetor,

ouviu o que meus ouvidos não conseguiram ouvir,

respondeu o que minha boca não poderia responder,

com uma força vigorosa, dentro do meu merecimento, me livrou dos males da noite,

buscou me livrar do veneno das línguas venenosas,

do julgo de quem carrega tantos erros quanto eu,

me fez despertar de meus pesadelos,

me guiou pelo caminho do trabalho e da conquista,

não me pediu marafo,

não me pediu vela,

não exigiu fumo,

não desejou nada,

para também ser amigo de meus amigos.

 

Buscou transformar o erro em acerto,

o acerto em nunca errar,

abateu com uma pedra,

o desatino de um destino que não me pertencia,

sempre foi minha companhia nos momentos de solidão, não me deixando chorar sozinho.

 

Extremamente rápido e certeiro,

buscou Oxalá quando me faltou paz,

clamou a Ogum o auxílio para todas as guerras enfrentadas,

avisou a Oxum que meu coração transformava-se em pedra,

mostrou a Xangô quando fui injustamente julgado,

chamou por Oxóssi quando me faltou o alimento,

pediu a Iemanjá que lavasse minha alma,

para equilibrar meu Ori chamou por Iansã quando me viu beirando o abismo,

solicitou saúde a Obaluaiê quando se deparou com minha doença,

se ajoelhou aos pés de Nanã quando eu sofria pela solidão,

buscou entendimento com Omulú quando eu chorava por uma perda,

junto com os Pretos Velhos luta contra meus obsessores,

no reino dos Caboclos buscou caminhos pelo meu descarrego,

em trabalho com os Malandros me protegeu nas estradas da vida,

se juntando com os Boiadeiros me livrou dos Eguns,

com a força dos Ciganos me devolveu a sorte boa,

em trabalhos com os Erês me abriu portas para caminhos melhores,

com auxilio das Pombos Giras afastou de mim todos os Kiumbas.

 

Quando batem na minha cara, quem dá a outra face é Exú.

 

Saúdo a Energia impetuosa que transita em todos os espaços,

água nas estradas para esfriar os caminhos a serem percorridos,

ventos nas montanhas para mostrar o destino a ser tomado,

passos firmes e cabeça erguida,

segui com Exú, Sigo e Seguirei.

 

Quando tropeço, uma gargalhada ecoa no ar,

é Mestre Exú que vem chegando,

fazendo questão de me mostrar,

que ele está ali para me auxiliar,

e buscando assim me ensinar,

que o mundo dá muitas voltas,

para o tempo governar.

 

Salve todos os Exús, Laroiê, Exú é Mojubá!

 

(Postagem baseada em um texto de um autor desconhecido)

 

Carlos de Ogum

 

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domingo, 20 de junho de 2021 82 comentários

CONHECENDO A LINHA E FALANGE DOS MALANDROS NA UMBANDA (PARTE 3)




    Nesse terceiro texto que falaremos da Linha e Falange dos Malandros na Umbanda, vamos frisar o modo de trabalho em si, a força espiritual, entre outras coisas ligadas as essas Entidades de Luz divinas e maravilhosas da Umbanda.

 

    Mas antes de iniciarmos gostaria de frisar que estamos falando de um modo bem resumido sobre os Malandros, pois como já foi dito anteriormente na primeira parte dessas postagens, teríamos que fazer dezenas de textos para expressar tudo que significa essas Entidades para a religião de Umbanda, para os umbandistas e apreciadores da religião.

 

    Como já foi dito nos textos anteriores, essa é uma das Falanges e Linhas mais buscadas, queridas e conhecidas nos Terreiros de Umbanda, e expressamos resumidamente na primeira e segunda partes desse texto, que pode ser encontrada clicando nos links abaixo.

 

*Conhecendo a Linha e Falange dos Malandros (parte 1).

 

*Conhecendo a Linha e Falange dos Malandros (parte 2).

 

    Como já disse em outras oportunidades, muitos consulentes vão as Giras de Umbanda para conversarem com essa Falange de Entidades carismáticas, brincalhonas, sorridentes, de uma capacidade de trabalho espiritual sem igual, porém por serem essas Entidades dessa forma tão chamativas, muitos consulentes as vezes se esquecem que estão lidando com uma grande Entidade de Luz da religião de Umbanda, e falam com elas como se estivessem falando com um amigo qualquer na porta de um bar.

 

    Portanto quando estamos na frente de uma dessas Entidades de Luz da linha dos Malandros, é muito bom que reflitamos, pois essas Entidades estão no trabalho espiritual de uma forma merecida, que eles próprios buscaram, e assim a Misericórdia Divina deu-lhes esse recurso em forma de benção, para trabalhares em prol da sua própria evolução e também em nosso favor e auxilio. Com essa visão seria o mais correto que os consulentes não adotassem o modo de julgamento sem uma reflexão anterior, um julgamento de que sendo essas Entidades bastantes carismáticas, isso não dará a liberdade ao consulente de pedir-lhes algum mal, ou um trabalho de magia negativa ou coisa parecida, assim da mesma forma, os Médiuns que trabalham com uma dessas Entidades de Luz em sua Coroa, não podem acreditar que por terem uma Entidade da linha dos Malandros, esses Médiuns possam dar vazão aos seus impulsos menos nobres, de caráter pessoal, começando a utilizar palavreados chulos, bebendo em demasia, acreditando que seria assim a representatividade dessas Entidades de Luz, fazendo aquilo que está acostumado a fazer e a ser, e por falta de caráter faz dentro de um Terreiro de Umbanda, e assim usa o pretexto de que quem está fazendo isso seria a Entidade, o Malandro. Portanto se algum Médium deseja fazer essas peças teatrais, se embebedar, falar coisas chulas, faça por ele mesmo, mas nunca faça isso utilizando o nome da Entidade, pois certamente uma Entidade de Luz da linha dos Malandros, ou qualquer outra Entidade de Luz da Umbanda não faz isso nunca.

 

    Devemos manter em nossa mente que os Malandros são espíritos a serviço da luz que vem nos guiar, nos orientar, nos auxiliar de várias maneiras, e se eles tem essa possibilidade de trabalho, certamente  essa Entidade é alguém muito mais elevado espiritualmente que um encarnado, portanto precisamos nos conduzir com muito mais honra, com muito mais respeito, com muito mais devoção e com extrema gratidão as nossas Entidades de Umbanda, para darmos continuidade a nossa evolução, portanto precisamos estar no Terreiro, assim como em qualquer templo religioso, de alma limpa, de corpo presente, estarmos por inteiro, sem pensamentos errôneos.

 

    A linha dos Malandros demonstram Entidades de Luz simples, leais e verdadeiras, porém se algum consulente ou Médium crê que possam enganá-los, certamente serão desmascarados sem a menor cerimônia na frente de qualquer pessoa ou local, pois os Malandros não toleram a maldade, a injustiça ou a tentativa de enganação.

 

    Muitas casas de Umbanda, Terreiros ou Templos, adotam as vestes de um Malandro quando incorporados em seus Médiuns, a tradicional camisa listrada, camisa de seda ou alguns com terno e gravata, nas cores branca e vermelho, muitos ainda utilizam chapéus no estilo Panamá, e outros ainda usam sapatos, podendo ser brancos ou bicolores (branco e preto, branco e vermelho, preto e vermelho), e a tradicional gravata vermelha, em algumas casas também se pode notar que alguns Malandros se utilizam de cartolas, bengalas, porém não necessariamente deverá ter essa roupagem ou apetrechos, podem estar apenas com as vestes brancas tradicionais das Giras de Umbanda, a mesma roupagem que todas as Entidades de Luz se utilizam.

 

    Essas Entidades de Luz são extremamente cordiais e alegres, gostam de conversar, de dançar, de gesticular, porém todos esses movimentos eles estão recolhendo negatividade do ambiente e de seus consulentes, fazendo assim a purificação necessária para um bom trabalho no Terreiro.

 

    Os Malandros podem se envolver com qualquer tipo de assunto e a sua capacidade de resolver esses assuntos espirituais é enorme, trabalham sempre em busca de resultados positivos, dentro do merecimento do consulente.

 

    Seus trabalhos espirituais consistem desde proteção a uma criança que necessite, até quebra de magias negativas, magias negras, proteger e abrir caminhos, tem uma atuação extrema na cura de problemas de cunho espirituais, emocionais, particularmente se forem as ditas chamadas doenças mentais como ansiedade, fobia, depressão, síndrome do pânico, compulsões, esquizofrenia, entre outras, e isso é dessa forma pois o magnetismo da linha dos Malandros é bastante eficaz sobre os distúrbios originários de desequilíbrios do Sentido da Fé.

 

    Devemos perceber algumas diferenças nessa linha no que se consiste trabalhos de atendimento, pois de um modo geral muitos Malandros ao se apresentarem usando seu chapéu, esse chapéu tem uma fita vermelha que envolve a parte acima da aba, porém em outros casos essa fita é de cor branca, que significa que aquela Entidade está atuando na cura de males do corpo e da mente, e usam essa fita pois é o símbolo do curador, ligado a Pai Oxalá.

 

    Falamos de uma forma generalizada da linha dos Malandros, frisamos o nome de Senhor Zé Pilintra, e podemos frisar outras histórias fantásticas dessa Falange, como podemos demonstrar nos links de nosso blog, no qual anexo abaixo:

 

*Senhor Zé Pilintra e sua História.

 

*Malandro Navalha, o Salvador dos Morros.

 

    Para conhecimento, dentro dessa bela linha também temos as manifestações femininas, e as Malandras tem o mesmo jeito peculiar, as mesmas características, a mesma simpatia do que as manifestações masculinas dessa Falange, são vários nomes conhecidos, e entre eles temos Maria Navalha e Maria do Cais, como um dos mais buscados nos terreiros de Umbanda, porém são tantos outros nomes maravilhosos, que deixarei aqui o link de apenas uma das belas histórias dessa linha, uma das mais extraordinárias contadas por uma Entidade do Terreiro de Umbanda Pai Ogum Megê.

 

*História das Malandras Rosa da Estrada e Rosinha da Estrada.

 

    Para entendimento de todos, de uma forma geral os Malandros não são Exús, não fazem parte da linha e Falange dessas Entidades de Luz, os Malandros são Entidades que integram linhas de trabalhos distintas, porém muitos Malandros se manifestam em sessões de esquerda juntamente com os amigos Exús e Pombos Giras, e nessa colocação de trabalho, uma das Entidades da linha dos Malandros que mais é conhecido por trabalhar tanto na linha de esquerda quanto na linha de direita, é o senhor Zé Pilintra, seu Zé, como é conhecido popularmente, é uma linda Entidade de Luz, peculiar ao extremo, pois na direita ele vem como Malandro, as vezes como Baiano, e podendo vir até como Preto Velho que corta magias negativas, ou pode vir na linha da esquerda como um Exú, e isso pode se dar por causa da enorme flexibilidade, que é uma de suas características principais, sendo assim seja como for ele estará sempre a trabalho em prol do bem, a serviço da luz, assim como os Pretos Velhos, os Exús e tantos outras Entidades belas da Umbanda.

 



 

    E assim fechamos essa terceira parte que falamos da Linha e Falange dos Malandros na Umbanda, friso que foi de uma forma reduzida, pois essas Entidades são tão magnificas que poderíamos postar mais alguns textos sem cansar os leitores, porém com essa terceira parte deixamos bem claro como é a atuação de trabalho, quem são essas Entidades divinas, o modo de serem, e tudo mais, e assim finalizamos essa trilogia.

 

    Salve os Malandros !

 

    Salve a linha e a Falange da Malandragem!

 

Carlos de Ogum

 

 

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domingo, 23 de maio de 2021 91 comentários

CONHECENDO A LINHA E FALANGE DOS MALANDROS NA UMBANDA (PARTE 2)

 


 

    Nesse texto vamos dar continuidade falando sobre a Linha e Falange dos Malandros na Umbanda, e como já foi dito no texto anterior, essa é uma das Falanges e Linhas mais buscadas, queridas e conhecidas nos Terreiros de Umbanda, expressamos resumidamente na primeira parte desse texto, que pode ser encontrada clicando no link abaixo.

 

*Conhecendo a Linha e Falange dos Malandros (parte 1)

 

    Agora nessa segunda parte falaremos um pouco mais da origem e das características dessas Entidades de Luz tanto na vida como encarnados, quanto na trajetória espiritual.

 

    Na visão social, os Malandros simbolizaram a inclusão de negros, mulatos, mestiços, tanto homens quanto mulheres que viviam de certa forma marginalizados perante a sociedade desde o período pós-abolição, e muitos sofreram extremamente com o preconceito pela sua cultura, sua fé, seu modo de ser, pela cor de sua pele, enfim, por tudo que não estava dentro dos ditos padrões para a classe branca, classe essa que se distribui-a como fazendeiros, coronéis da época, sinhás, e todos chamados erroneamente de "grupo de elite".

 

    Esses ditos "excluídos" foram retirados das fazendas e colocados a sua própria sorte logo após a lei da abolição dos escravos, pouquíssimos senhores de engenho, fazendeiros ou produtores de café utilizaram a mão de obra dos negros e mestiços para trabalharem em suas fazendas, pois muitos acreditavam que essas pessoas só serviam enquanto eram escravizadas, e jamais aceitariam que um negro ou mestiço trabalhasse em uma fazenda em troca de uma vida digna e uma remuneração verdadeira, apenas serviam para trabalharem sem condições alguma de bem estar, escravizados e sofrendo torturas no tronco de castigos sendo açoitados pela dolorida ponta de uma chibata. E assim sendo esses negros e mestiços foram colocados para fora das fazendas, enquanto esses fazendeiros contratavam a mão de obra de colonos europeus para ocuparem as colocações de trabalho.

 

    E assim um grandioso número de homens e mulheres mestiços e negros recém-libertos ficavam perambulando pelas ruas, sem uma moradia, sem alimentação, sem dignidade e sem uma colocação de trabalho remunerado.

 

    A visão de antigos escravocratas era que os negros e mestiços só se rendiam ao trabalho em suas roças sendo forçados, através de castigos, assim como era no tempo da escravidão, e se expandindo esses pensamentos, os fazendeiros tinham a preferência de trazerem os colonos europeus a trabalharem em suas terras.

 

    E assim foi feito, e esses colonos ocupavam todas as colocações de trabalho, e assim esses antes escravizados ficavam sem uma ocupação condigna, sem acesso a educação, a moradia descente, e muitas vezes sem alimentação digna.

 

    E pouco a pouco iam se formando os primeiros grandes grupos de pessoas a serem colocadas a viverem a margem da sociedade.

 

    Após toda essas colocações podemos então imaginar como era a vida desses negros e mestiços, com toda a pressão social dos brancos elitizados, porém esses negros e mestiços não se deram por rogados e nem vencidos, e pouco a pouco iam buscando aos arredores dos arraiais e morros um modo de ter uma vida no mínimo dignamente básica. Fizeram seus casebres, pequenas plantações, criavam alguns animais para alimentar suas famílias.

 

    Mesmo se esforçando ao extremo para sobreviverem de um modo geral, os negros, mulatos e mestiços não eram bem vistos perante a sociedade branca, e assim começou para eles uma condição de vida a margem do quadro social, pois a musica, a dança, o modo de ser apreciados por aqueles em que a sociedade marginalizava não eram bem vistas, principalmente as suas atividades de recreação, como jogos, carteados, capoeira, entre outros tipos de recreação.

 

    Assim sendo, com essa visão discriminatória da sociedade, foram surgindo grupos localizados para essas atividades, e bastava frequentá-los para ser motivo de alvo da polícia, e como esses ambientes não só estavam abertos para grupos seletos, poderia sim entrar todo tipo de pessoa, e obviamente também chamava a atenção de pessoas já antes voltadas para o crime, fazendo desses lugares um tanto perigosos, perigosos o bastante para explicar que muitos desses seus frequentadores andarem armados, normalmente com facas, navalhas, punhais, ainda que não fossem criminosos, e assim vem à tradição de muitos dos Malandros terem suas armas brancas nas mãos.

 

    Quando é dito a nomenclatura "Malandro", na linguagem cotidiana, logo ocorre à ideia em nossas mentes, do boêmio, do jogador de cartas de baralho, do amante das rodas de danças, amante das noites regadas de alegria, aquele que carregava facas e navalhas, e com muito disfarçar fugia dos homens da lei.

 

    Esses negros, mulatos e mestiços, apesar de todos os acontecimentos, nunca perderam a alegria, o gosto pela música, pela dança, pelo jogo de carteado, pelas conversas com amigos durante toda a noite, e principalmente nunca perderam suas raízes religiosas e tradições de seus ancestrais, deixando assim entre eles uma felicidade intensa.

 

    Já colocando na linha espiritual, dentro da religião de Umbanda, onde esses espíritos, após se tornarem Entidades de Luz, demonstram um grande apego a seus consulentes, buscam estar sempre interligados nos relatos que estão sendo levados a eles, grandes analisadores de fatos contidos nesses relatos, muitos reflexivos, e assim buscam um melhor caminho para auxiliar aquele consulente naquele fato, e isso de uma forma extremamente simpática, com uma alegria sem igual, além da força espiritual sobre todos os pontos necessários, dentro e fora da vida pessoal do consulente.

 

    A presença dessas Entidades nos Terreiros de Umbanda é sempre uma atração a mais, pois eles são chamarizes para todos os frequentadores de terreiros, com seus jeitos despojados, sorridentes, carinhosos, brincalhões, acolhendo a todos de uma forma simpática, abraçando os mais humildes, humildes esses que se identificam com essa maneira despojada de ser dos nossos amigos fieis, os Malandros.

 

    Essas Entidades de Luz despertam a autoconfiança, fazendo assim com que possam se expressar e progredir, caminhando para um caminho de vitórias e iluminado.

 

    A melhor colocação de um Malandro é que nós devemos aprender com os nossos próprios erros, refletir bastante sobre um caminho tomado, e se esse caminho não for o melhor, devemos então nunca mais tomá-lo, e assim temos as melhores lições para uma vida repleta de felicidade.

 

    Dentro da linha dos Malandros podemos notar que a espiritualidade deseja demonstrar pela religião de Umbanda corrigir grandes equívocos e especialmente grandes injustiças sociais de alguns encarnados sobre outros encarnados, fazendo assim com que devemos refletir sobre tudo isso pelas décadas e décadas que houveram essas injustiças, e enquanto refletimos ainda somos auxiliados nos problemas do cotidiano, e assim sendo, hoje na presença da linha dos Malandros nos terreiros de Umbanda uma ótima oportunidade para refletirmos sobre várias questões, como por exemplo que nem tudo que possa parecer ruim não tem uma saída, ou que tudo que nos acontece podemos extrair coisas boas e positivas, assim como a linha dos Malandros fizeram.

 

    E assim sendo, podemos entender que a Falange dos Malandros vieram até nós através dos Orixás para nos ensinar a caminhar sobre os obstáculos, vencer todos e qualquer tipo de contratempo, tirar uma boa lição de tudo que nos acontece de bom ou ruim, nunca perder a compostura nem entrar em desespero, e saber jogar o jogo da vida, jogo esse que podemos até perder, porém nunca deixar que esse jogo destrua nossa fé.

 

    E assim os Malandros nos ensinam tudo isso de uma forma bem humorada, brincando com as palavras, com seu carisma e sua espontaneidade.

 

    Certamente a frase "no final tudo dará certo, e se não der certo é porque ainda não chegou o final", reflete muito naquilo que a Falange dos Malandros desejam nos passar, basta entendermos.

 

    E assim fechamos essa segunda parte que falamos da Linha e Falange dos Malandros na Umbanda, seguiremos com a terceira parte demonstrando um pouco mais dessa maravilhosa Linha já falando mais diretamente do lado espiritual e o modo de trabalho dessa Falange.

 

 

    Salve os Malandros !

 

    Salve a linha e a Falange da Malandragem!

 

Carlos de Ogum

 

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