sábado, 30 de agosto de 2014 42 comentários

A Importância dos Cambonos na Umbanda



    A quem já acompanhou alguma Gira de Umbanda por esse imenso Brasil,
com toda certeza já observou um personagem no qual é chamado de
"Cambono" ou "Cambones".

    Esse personagem de intensa destreza e sabedoria dentro dos Terreiros
é algo que não pode faltar, aliás sem ele era quase impossível de
termos Giras tão eficientes.

    Mas, quem é esse personagem?

    Cambono ou Cambones é o auxiliar de Médiuns de Incorporação e o
Servidor dos Orixás. O cambono é o médium que teve o necessário
desenvolvimento para poder auxiliar e entender os Guias nas necessidades
das sessões.

    É uma atividade exercida nos terreiros de Umbanda e que merece uma
atenção especial dada a sua importância como auxiliar das Entidades de
Luz, dos médiuns e dos dirigentes do Terreiro.

    Sendo auxiliar das Entidades de Luz, cabe ao cambono ser o
interpretador das mensagens entre a Entidade e o consulente, além de um
defensor da Entidade e da integridade física do médium. Cabe a ele cuidar do material da Entidade, orientar o que acontece em sua volta e também ajudar o entendimento do consulente, pois a linguagem do espírito nem sempre é entendida, mas ao cambono fica claro já pela sua intimidade com o comportamento do espírito que ele serve.

    Mas nem sempre a posição do cambono é confortável, pois algumas vezes cabe a ele fiscalizar também o comportamento do Médium, que podendo não estar bem no dia, por uma razão ou outra, fugir da normalidade deve imediatamente avisar a direção do terreiro. O limite da intimidade do consulente com o espírito ou o médium deve ser fiscalizado pelo cambono para evitar mal entendidos e desajustes de informações.

    Finalmente ao cambono é dada uma oportunidade especial de conhecer mais a Umbanda e a forma das Entidades trabalharem porque seu contato é direto. Como o cambono tem como obrigação ouvir o que o espírito ouve e fala, seu conhecimento, em cada consulta, aumenta consideravelmente.

     Então resumindo, Cambonagem ou cambonar é uma das principais e mais complexas funções na Umbanda. No trabalho de cambonagem o cambono acaba por receber influências diversas de vibrações dos médiuns e consulentes, alem disso o cambono acaba por aprender a diferenciar as Entidades, o que usam como: fumo, bebidas, a própria fala, a incorporação, desincorporação, o que manipulam para auxiliar a consulta, os materiais de trabalho da Entidade de Luz.

Os Cambonos acabam aprendendo sobre a importância do sigilo, pois o que é ouvido durante uma consulta, não pode e nem deve ser passado adiante, sendo assim como se fosse um sigilo profissional, tendo que ser respeitada esse silêncio, independente do qual for o assunto tratado com a Entidade de Luz e
seu consulente, dentro dos termos da espiritualidade e as regras da casa.

    E em se tratando do lado espiritual podemos falar em sigilo espiritual. O cambono é como se fosse uma espécie de orientador, ou seja, que orienta o consulente na hora da consulta, no fato de deixá-lo à vontade para expor seus problemas e suas duvidas. Mais deixando claro que tudo tem que haver respeito, que não se pode brincar, conversar durante uma sessão, pois acaba por atrapalhar a sessão e até mesmo as próprias Entidades. Sem falar que os cambonos precisam ter respeito com os médiuns e as Entidades, cuidando de tudo quanto for necessário para o bom trabalho de caridade a ser feito.

    Uma das mais importantes coisas que está presente nas funções de um Cambono é ficar atento as mensagens ou recados para os consulentes, na qual se tem que ter atenção redobrada para ouvir, traduzir, se preciso for, e explicar, não dando opinião mais explicando o que foi passado pela Entidade de Luz. E o mais importante estar sempre atento a tudo e a todos, estar de coração e mente aberta para servir, ter respeito ao próximo, responsabilidade, comprometimento, amor pelo o que vai fazer. Em resumo cambonar é servir com amor, dedicação e humildade. Compromisso feito com Amor Humildade e Sabedoria Ato Construído com Atenção e Responsabilidade.


Abaixo vamos expor resumidamente para entendimento algumas das funções de um Cambono preparado para assumir seu trabalho dentro de um terreiro.

- Auxiliar a Entidade de Luz e ao médium dentro das normas da espiritualidade e regras da casa na qual são filhos.

- Colaborar materialmente e espiritualmente com o médium e com a Entidade de Luz, antes, durante e depois do trabalho de caridade.

- Orientar os consulentes quando não for entendido por ele o que foi determinado pela Entidade de Luz, como por exemplo algum banho, entregas, novas consultas, vibrações e o que for necessário.

- Prestar extrema atenção na consulta, para não ser infringida nenhuma regra ou regulamento da casa, e notando alguma anormalidade deve ser comunicado ao Chefe de Cambonos ou ao Pai Pequeno ou Mãe Pequena do Terreiro, e, conforme o caso, o Pai de Santo.

- Deve apresentar honestidade e sigilo absoluto, não devendo nunca contar a ninguém o teor das consultas.

- Não pode incorporar quando está atendendo a uma Entidade, exceto quando autorizado pela Entidade a quem estiver servindo, ou se essa Entidade o trouxer junto ao consulente para um provável descarrego. Mas tudo isso com a autorização prévia da Entidade incorporada no
momento.


          Funções do Cambono antes e durante os trabalhos:

- Levar todo material da Entidade para seu respectivo lugar no terreiro (Como por exemplo: pemba, velas, ponteiros, bebida, fósforo, tabua, charutos, palheiros, cigarros, ervas, e eventuais outros materiais).

- Servir a Entidade em tudo que ela precisar dentro das regras da Umbanda e da casa.

- Não deixar de ouvir, mesmo que por solicitação do consulente, as consultas feitas às Entidades e as respostas por elas dadas. Em caso de determinação da Entidade para se afastar durante uma consulta, avisar imediatamente o Pai de Santo ou a Entidade que nele estiver incorporada.

- Durante a vibração, ficar atento à Entidade e ao trabalho que ela realiza, sem contudo ser necessário ficar ao lado da Entidade, a não ser que a mesma solicite.

- Conversar com a Entidade quanto ao número de consultas e o tempo disponível.


            As Funções dos Cambonos após os atendimentos:

Sempre conversar com a Entidade, pedindo orientações quanto ao destino das sobras de materiais utilizados.

- Levantar o ponto riscado da seguinte forma: Retirar ponteiros (caso houver), assim também com as velas e outros materiais do ponto, e jogar cachaça sobre o ponto riscado, em forma de cruz, e com as mãos, apagar o ponto riscado. Depois pode retirar do local e limpar na torneira da pia com água.

- Guardar e recolher o material, deixando o local limpo.


Algumas orientações gerais:

- Ao se locomover pelo ambiente onde está sendo firmado trabalhos de corrente, dando passes magnéticos ou consultas entre Entidade e consulente, não atravessar na frente ou ficar costurando passagens entre as firmezas. Evite bater em médiuns, derrubando velas, pisando em pontos.

- Ao afastar-se da função, seja por um período ou não, auxiliar o novo Cambono, passando orientações a respeito do trabalho com as Entidades.

- Não aproveitar-se da função para fazer consultas em nome de parentes, amigos, sobrecarregando o trabalho das Entidades. Desejando falar algo particular aguarde o momento final, e peça a autorização do Pai de Santo ou da própria Entidade.

- Qualquer dificuldade em orientar os consulentes, pedir auxilio ao Pai ou Mãe Pequenos ou mesmo ao Pai de Santo, não tente resolver um problema que não faz parte da ossada de sua função.

- Não atrapalhar o encerramento dos trabalhos levantando o ponto ou guardando os materiais.

- Durante a abertura e encerramento dos trabalhos, todos devem estar na corrente.

- Não ficar com conversas fora dos trabalhos com a assistência, não se deve ´parar os trabalhos nem a concentração para cumprimentar algum consulente, mesmo que seja amigo de longas datas, quando esse chega ou se retira do terreiro, afinal estamos ali em uma missão religiosa não numa festa de confraternização.


    Muitos médiuns acham que o Cambono é algo inferior dentro de um terreiro, que seu trabalho pode ser substituído por qualquer pessoa. Pois não é, o Cambono é extremamente necessário para o bom caminhar de toda uma Gira. Basta dizermos que por muitas das vezes uma Entidade de Luz entrega toda a confiança a seu Cambono, falando-lhe e ensinando-lhe milhares de coisas, que um médium um tanto mais distante dos afazeres dentro de um terreiro nunca aprenderia se não passasse por um bom tempo como Cambono.

Portanto o trabalho do Cambono é tão importante quanto ao do médium e Entidade.

    A responsabilidade mediúnica do cambono é tão importante quanto a de qualquer outro médium.

    O médium que camboneia, não atrapalha seu desenvolvimento. A experiência como cambono lhe é importantíssima no aprendizado.


    Então que nosso Pai Oxalá, todos nossos Orixás e nossas Entidades de Luz abençoem e protejam todos nossos Cambonos, para que assim possamos seguir tranquilamente com nossas Giras para que possamos ser abençoados também.

Um Salve especial a todos os Cambonos de nossa amada Umbanda de Luz.

Carlos de Ogum

quinta-feira, 14 de agosto de 2014 150 comentários

ENTENDENDO O QUE SÃO PONTOS RISCADOS NA UMBANDA.

  Entendendo o Que São Pontos Riscados na Umbanda.


    A Umbanda tem muitas coisas que pode nos passar despercebidas, mas
que tem extrema importância para o ritual tão maravilhoso voltado a
caridade dessa religião divina.

    E uma dessas coisas são os Pontos Riscados.

    Mas o que seriam Pontos Riscados, quais os seus significados, qual
a sua representação?

    Abaixo vamos colocar resumidamente um pouco dessa demonstração de
várias coisas para todos os Umbandistas.


    Pensando da forma do ser humano, do ser físico poderemos colocar
da seguinte forma:

    Uma pessoa tem identificações no caminhar de sua vida,
identificações documentadas que representam o ser alguém.

    Como poderemos usar como exemplo, o nascimento de uma pessoa, logo
teremos a sua primeira identificação documentada, que seria a sua
certidão de nascimento, e a partir dai teremos, carteiras de
estudante, carteira de motorista, certidão de casamento, carteira de
identidade (RG), CPF entre outras identificações da pessoa, e assim
quando chegarmos em um local que não somos reconhecidos fisicamente,
apresentamos nossa documentação para que possamos ser vistos como o
ser eu, e não sermos confundidos com um outro alguém.

    Bem, isso na Umbanda, dentro de uma gira, na chegada de uma
Entidade de Luz, estando incorporada em um médium, a Entidade faz com
que ela seja reconhecida, e para isso usa-se o Ponto Riscado, que a
grosso modo é a identificação da Entidade de Luz para seus
consulentes. Para assim ser demonstrado que quem está ali é realmente
uma Entidade de Luz e não um Espirito sem luz tentando enganar o
consulente e o próprio médium.

    Esses Pontos Riscados são constituídos de riscos e símbolos
gráficos, e as Entidades de Luz se servem deles para tal
identificação.

    Eles normalmente são traçados ou riscados em tábuas ou no próprio
chão. Essas ditas tábuas podem ser de madeira ou até mesmo em
mármore, e são feitos com uma espécie de giz, que na Umbanda se da o
nome de Pemba.

    Essas pembas podem ser de várias cores, e a Entidade usa a cor
determinante a linha que trabalha e ao Orixá que a rege.

    Essas Entidades se utilizam de símbolos como: Sóis, Estrelas,
Luas, Flechas, Arcos, Lanças, Triângulos, Folhas, Raios, Ondas, Cruzes
entre outros.

    Pode não parecer, mas os Pontos Riscados são os instrumentos dos
mais poderosos dentro da Umbanda, pois uma vez sem ele, nada se
poderia ser feito com segurança, uma vez que é com a Pemba que se tem
o poder de fechar, trancar e abrir os terreiros conforme seja a
exigência determinada do trabalho que será praticado.

    É também através do Ponto Riscado que uma determinada Entidade de
Luz demonstra a sua graduação hierárquica, na qual também mostra toda
a Falange de trabalhadores, que a suas ordens trabalham em prol a
caridade e auxilio num trabalho que foi determinado ou pedido por
alguém que necessita de uma ajuda espiritual.

    Os Pontos Riscados nos demonstram, se a Entidade é um Preto Velho,
um Caboclo, um Exú ou qual for a Entidade presente, essa demonstração
nos é dada através da grafia, dos símbolos utilizados, e ainda ´por
esse meio poderemos identificar qual seria o Caboclo, ou o Preto Velho
ou qualquer Entidade de Luz manifestada no médium.

    Os Pontos Riscados são extensos códigos registrados, firmados e
sediados no plano espiritual, e cada um deles tem sua função
específica.

    Normalmente somente os Pais de Santos, realmente preparados, ou a
Entidade firmada que sabem identificar com certeza e segurança, qual a
Entidade de Luz riscou o ponto, da mesma forma em dizer com segurança
qual Falangeiro de Orixá está na incorporação no momento a trabalho da
caridade.

    Através do Ponto Riscado se pode dizer e confirmar a identificação
da Falange da Entidade, também seus poderes e suas atividades.

    Cada linha e traço tem seu significado e muita importância no
Ponto Riscado pela Entidade, portanto não se pode ser riscado por
alguém  não preparado, sem conhecimento devido, ou por alguém que não
seja a Entidade de Luz atuante. Caso não for dessa forma, o que será
feito não passará de apenas riscos e rabiscos, sem a menor
importância para as regras da Religião de Umbanda, a segurança de
suas Giras, e a demonstração de suas Entidades.

    Conforme dito acima, os Pontos Riscados são traçados pelas Pembas,
e essas Pembas são uma espécie de giz, elas são confeccionadas com
calcário, ela tem uma forma cônica arredondada e diversas cores.

    A Pemba é dita dentro da Umbanda que é um elemento puro, e ´por
essa pureza é um dos poucos elementos que pode tocar na cabeça do
médium, sendo ela utilizada para as lavagens de cabeça, assim como
também em banhos de descarrego entre outras coisas.



    Abaixo vamos deixar alguns exemplos de Pontos ou Representações
dos Orixás na Umbanda.


- OXALÁ: Tudo que representa a presença de Luz. (Sol, por exemplo).

- OGUM: A espada, a lança, a bandeira usada pelos cavaleiros, vários
instrumentos de combate.

- XANGÔ: O machado.

- OXUM: A lua, o coração, etc.

- IANSÃ: A taça e o raio.

- Ibeijada: Carrinhos, pirulitos, brinquedos em geral, bonecos e
palhaços, etc.

- IEMANJÁ: A estrela, a âncora, as ondas, etc.

- OXOSSI: A flecha e o arco.

- NANÃ: O Íbíri (um feixe de ramos de folha de palmeira com a ponta
curvada e enfeitado com búzios) ou chave.

- OBALUAIÊ/Omulú: O cruzeiro das almas.



    Também temos outros significados dos Pontos Riscados, assim como
descrevo abaixo:

- Um Ponto: o Ser Supremo, a origem.

- Uma Linha Reta: o Mundo Material.

- Duas Linhas Retas: o Princípio de tudo , o Masculino e o Feminino.

- Uma Linha Curva: a Polaridade.

- Dois Traços Curvos: as duas polaridades - positiva e negativa.

- Um Triângulo de Lados Iguais: a Força Divina - Pai, Filho e Espírito
Santo - Santíssima Trindade.

- Dois Triângulos (Hexagrama): Estrela de seis pontas - todas as
Forças do Espaço.

- Um Quadrado: os 4 elementos (Água, Terra, Fogo e Ar).

- Um Pentagrama: a Estrela de Davi e o Signo de Salomão - a Linha do
Oriente, Oxalá, a Luz de Deus.

- Três estrelas: também podem representar os Velhos e as Almas.

- Círculo: o Universo, a Perfeição.

- Um Círculo com Dois Diâmetros Entre Si: o Plano Divino, o
Quaternário Espiritual.

- Círculos Menores e Semicírculos: as fases da lua (símbolo de
Iemanjá), forças de luz, inclui Iansã.

- Círculo com Estrias Externas: o sol (símbolo de Oxalá).

- Espiral - para fora: indica chamamento de força, retirando demanda
ou irradiação de Boiadeiro.

Seta Reta ou Curva e Bodoque: - irradiação de Oxossi (caboclo).

- Balança, Machado ou Nuvem: símbolos de Xangô e do Oriente.

- Raio (condições atmosféricas): símbolo de Iansã.

- Espada Curva reta ou inclinada: símbolo de Ogum.
Também é símbolo de Ogum a Bandeira Branca com Cruz Grega Vermelha .

- Flor ou Coração: símbolos de Oxum.

- Coração com uma Cruz no Interior: símbolo de Nanã.
Também é símbolo de Nanã os Traços Pequenos na Vertical (chuva).

- Folhas ou Plantas: símbolos de Oxossi ou Pretos velhos.

- Tridentes: símbolos para Exú e Pombo Gira. Se utilizam garfos curvos
para a Calunga, e garfos retos para a Rua, (Pode haver ou não
caveira). Também se utiliza para diferenciar entre o masculino do
feminino da seguinte forma, tridentes curvos para determinação do
feminino e retos para o masculino.

- Cruz Latina Branca: Cruz de Oxalá.

- Cruz Grega Negra com pedestal: símbolo de Omulú.

- Arco-íris: símbolo de Oxumaré.

- Estrela Branca (Oriente): Luz dos espíritos.

- Estrela Guia (com cauda): símbolo da capacidade de acompanhamento
(Oriente).

- Um Oito Deitado (Lemniscata): símbolo do Infinito.

- Cordão com Nó ou um Pano: símbolo das crianças.

- Conchas do Mar: símbolo das crianças na irradiação de Iemanjá, ,
Oxum e Nanã.

- Águas Embaixo do Ponto: símbolo de Iemanjá (mar).

- Pequenos Traços de água: símbolo de Oxum.

- Traço ou Linha Curva com Círculo nas Pontas: símbolo de força, e
descarregos.

- Rosa dos Ventos: chamada de força ou descarrego.

- Palmeiras ou Coqueiros: força dos Velhos ou Baianos.

- Traço com Três Semicírculos nas Pontas: descarrego e força  a
necessitados

Traço com uma entrada e duas saídas (como uma letra Y): Símbolo de
Preto Velho, provavelmente um mentor da coroa de um médium,
demonstrando que caminhos tem opções para a evolução.


    Esses exemplos não devem ser levados a uma determinação de que
tenhamos o entendimento concreto em relação as identificações,
avisos, falangeiros, linha ou trabalho de uma determinada Entidade de
Luz, isso deve ser feito apenas por pessoas preparadas, no caso um Pai
de Santo, ou pelas próprias Entidades de Luz. Esses exemplos dados
acima foi um pequeno estudo, e nesse caso só serve apenas para
ilustrar nosso texto, não sendo assim determinante para que ninguém
que não seja qualificado e preparado fique tentando decifrar os
"códigos" dos Pontos Riscados de nossas queridas Entidades de Luz.

    A melhor coisa a se fazer quando estamos curiosos sobre um
determinado traço ou símbolo de um Ponto Riscado, não é tentar
adivinhações, e sim indagar com a Entidade em questão o significado de
que ela está querendo nos demonstrar.


    Só gostaria de deixar bem frisado para finalizar que é através do
ponto riscado que os guias contam toda sua história, sua origem e
passagem do mundo material e astral.

    Uma das grandes provas de incorporação na Umbanda é o ponto riscado,
com toda a certeza  que se um médium não estiver realmente bem
incorporado ele não saberá riscar o ponto que identificaria com
segurança a origem, o nome, a linha e tudo mais relacionado a Entidade
que esse médium estava disposto a demonstrar a seus consulentes.

    Portanto a honestidade é essencial num trabalho de caridade dentro
da Religião de Umbanda, na demonstração dos Pontos Riscados, para que
assim as pessoas que estão em busca de ajuda não sofram nas mãos de
espíritos sem luz, que possam estar tentando se passar por uma
Entidade de Luz, ou mesmo o médium não passe vergonha em meio a seus
companheiros, caso o Pai de Santo seja bem preparado, e venha anunciar
que o médium em questão está apenas fazendo riscos e rabiscos sem
noção e sem nexo, não deixando que a Entidade de Luz se aproxime e
descreva, através de seu Ponto Riscado, quem ela é, de qual linha
pertence, e todas as outras informações ´preciosas que o Ponto Riscado
possa nos fornecer.

    Então vamos ser honestos com nossas Entidades de Luz, com nossos
consulentes, com nossa Umbanda Sagrada e principalmente conosco.

    Saravá Umbanda, salve todos os Pontos Riscados.

Carlos de Ogum.













terça-feira, 5 de agosto de 2014 87 comentários

A HISTÓRIA DE PAI ANTERO.











    A História de Pai Antero.

Saravá o Pai Antero!

"Pedi licença Mamãe Oxum, pedi licença para Pai Oxalá, pedi licença ao
Senhor do Bomfim para Pai Antero vir trabalhar.

    Quem vem lá, é de lá, quem vai chegar e encontrar, é um boiadeiro
bondoso, é Pai Antero que vem saravar."

    Vamos fazer um resumo da história dessa grande Entidade de Luz
chamado de Pai Antero, frisando que estaremos falando do Pai Antero
da Encruzilhada, no qual é uma Entidade que tenho o prazer imenso de
poder trabalhar em prol da caridade.

    Pai Antero é um Preto Velho que faz sua caridade nos terreiros de
Umbanda, uma Entidade de poucas palavras, muito sensato, de fala
pausada e pensamentos rápidos.

    Ele tem uma característica diferenciada da maioria dos Pretos
Velhos, que é ficar ereto, enquanto a maioria de nossos Vovozinhos
chegam bem curvados.

    Pai Antero tem uma ligação grandiosa com o Povo da Esquerda, no
quais estão sempre a trabalho da caridade por intermédio desse grande
Preto Velho.

    Ele em sua vida terrena foi condutor de boiadas nas fazendas
pecuaristas e cafeeiras entre a região sudeste e sul do Brasil.

    Filho de negros escravizados, traficados da África, ele nasceu no
Brasil, dentro de uma senzala da fazenda na qual viveu toda sua vida.

    Na infância já demonstrando um dom especial junto aos animais,
logo foi conduzido pelos boiadeiros da fazenda a trabalhar junto a
grandes boiadas.

    O dom referido de nosso Pai Antero, era conseguir entender os
animais, fazendo assim que mesmo o mais feroz animal, ficasse dócil e
se deixasse conduzir pelo nosso incrível Antero.

    Por várias oportunidades ele teve que demonstrar esse dom, sendo
com touros indomáveis, sendo com serpentes venenosas e traiçoeiras ou
sendo com qualquer animal que por ora atacava os trabalhadores da
fazenda.

    Ele com apenas o olhar amansava o animal, e por outras vezes com o
toque de suas mãos faziam esses ferozes animais até adormecerem.

    E isso deixava todos da fazenda e arredores perplexos, fazendo
assim ser conhecido por muitas e muitas regiões, levando a muitos
fazendeiros oferecerem altos valores na compra como escravo, que não
acontecia pois o fazendeiro cafeeiro e pecuarista que se vangloriava
ser dono do negro Antero, dizia que poderia alugar seu escravo, mas
vender nunca. Fazendo assim uma grande corrida dos fazendeiros dos
arredores para a tentativa de alugar o negro por alguns dias, para que
assim pudessem, não só se utilizar dos serviços dele como boiadeiro
eficaz, mas também poderem observar o uso do seu dom.

    E numa dessas idas e vindas a uma dessas fazendas da região, foi
que aconteceu a grande e triste história de Antero.

    Um fazendeiro muito rico, com grandiosas boiadas sabendo da fama
de Antero, foi ao encontro dele e o alugou para que ele pudesse domar
alguns touros extremamente violentos.

    Ele foi para a fazenda, ficou em seu trabalho por alguns dias, e
encantou a todos com sua nobreza no que se diz domesticar animais.

    Esse fazendeiro, homem de pulso fraco, que só colocava seu nome
nos fatos da fazenda, pois quem dava todas as ordens e coordenadas
era a sua esposa, uma sinhá ainda jovem e bonita, mas extremamente
maléfica com todos que a rodeavam.

    Ela não tinha a mínima dó dos seres escravizados, dos feitores e
capatazes da fazenda, do seu marido e nem dos filhos. Por qualquer
motivo, até mesmo por um escravo a olhasse, esse escravo já ia para o
tronco, e lá levava chibatadas até que ela resolvesse que deveria
sair. E isso levava horas e horas, até dias.

    Essa sinhá, ao observar Antero em seu trabalho ficou encantada.
Achara que aquilo era mágico, um poder que nunca imaginara que pudesse
conhecer.

    E maior foi o seu encantamento pelo grande negro boiadeiro, quando
uma vez grávida, prestes a dar a luz, sentindo grandiosas dores sem
que um grupo de parteiras da fazenda conseguissem dar prosseguimento
ao nascimento da criança, teve a ajuda de Antero, após ele saber do
que estava ocorrendo dentro da casa grande, e pedir humildemente a
autorização para ajudar a sanar as dores e uma possível perda da
criança, pois as parteiras que já tinham feito de tudo para realização
do parto, já estavam a espera do pior, que seria do desencarne da
sinhá e de seu pequeno ser, que teimava em não nascer.

    A sinhá, em momentos de desespero e agonia, então autorizou a
entrada do negro Antero, pois para ela seria a ultima oportunidade,
sabendo-se que seu marido não chegaria a tempo para poder a conduzir
ao arraial mais próximo para ir ao encontro de um doutor médico, pois
estava nas andanças e negociatas de terras em outra região.

    Antero, olhava fixamente para a sinhá, como se estivesse em um
transe, colocando suas mãos sobre o ventre dela, fazendo uma oração de
apelo aos Orixás, que a luz de todos eles caíssem sobre aquele corpo,
e a fizessem ter forças para aguentar os instantes finais do parto.

    As dores foram se acalentando, uma calmaria se estabeleceu nos
olhos da sinhá, que ao se relaxar, deu a oportunidade da criança vir
ao mundo.

    Com todo esse fato, naturalmente Antero ficou muito mais visível
aos olhos da sinhá, que em todas as oportunidades o trazia para os
trabalhos com relação aos animais da fazenda.

    O tempo foi passando, e com as demonstrações do dom de Antero por
muitas e muitas ocasiões diante o domínio que tinha nos animais, desde
o mais manso até o mais indomável, a sinhá determinou a si própria que
queria dominar o poderoso negro que tinha tal poder.

    E por isso decidiu que queria o escravo nas suas mais entimas
intenções de mulher. Não pelo prazer carnal, mas pelo prazer de
conduzir um desejo sobre um ser que tinha um dom imaginável.

    E assim foi feito, ela com seu poder de senhora da fazenda, com
seu ar de prepotência e superioridade, querendo demonstrar que ela
poderia ter mais poder do que qualquer um naquela fazenda, se deitou
com o negro escravizado.

    Só que ela não esperava que poderia engravidar, mas assim
aconteceu. Nascendo uma menina mestiça, fazendo que todos descobrissem
seu deslize.

    Ela com sua prepotência, seu poder de conduzir e dominar todas as
situações, conseguiu fazer com que o marido, já um tanto adoentado,
aceitasse tal fato.

    A menina foi crescendo, e se tornando a cópia da sinhá em relação
as intenções de maltratar as pessoas, inclusive aos escravos.

    Antero após mais umas vindas na fazenda para fazer seu trabalho de
doma, acabou por saber da criança mestiça, E logo concluiu que era sua
filha com a sinhá.

    Por muitas vezes ele tentou se aproximar, sem ter a mínima chance,
pois a sinhá tinha dado ordens expressas de nunca deixarem que ele
chegasse a falar com a menina mestiça.

    E ao retorno a sua fazenda de origem, ele passava dias e noites
pensando na pequena menina, querendo ao menos uma vez poder abraçá-la,
mesmo sem nunca dizer a verdadeira origem dela.

    Em uma determinada ocasião, Antero novamente foste alugado para a
realização de trabalhos de doma dos animais da fazenda na qual sua
filha com a sinhá crescia. E nisso ficou sabendo que a menina mestiça,
já com seus 10 anos de idade, era influenciada por sua mãe, a sinhá
que gostara de mostrar sua força e seu poder mandando açoitar os
negros escravizados, a fazer exatamente igual.

    A pequena mestiça fazia da maneira ensinada pela sinhá, a
maltratar os negros, a insultar os irmãos e  deixar desnorteado o
homem que estaria no lugar de seu pai, com palavras agressivas,
sempre com o aval da sinhá.

    Antero sabendo de todos esses fatos em suas idas e vindas a
fazenda, decidiu que deveria alertar a filha, que esse caminho
ensinado pela sinhá, era algo errado, que não poderia agir da maneira
que a levaria contra as leis de Zambi (Deus), de Pai Oxalá e de todos
os Orixás.

    E assim ele tentou, chegando junto a filha mestiça, sem falar que
era seu pai, disse-lhe sobre as coisas feitas por ela, que os caminhos
eram errôneos, que deveria tentar modificar esse modo de desejar
demonstrar poder, um poder que só existia na mente da sinhá, sua mãe.

    A menina, sem compreender os ensinamentos de Antero, e induzida
pela sinhá, não aceitou que um negro lhe falasse tudo aquilo, achando
que ele a tivesse faltado com respeito, mandou que os capatazes o
levassem ao feitor da fazenda, mandando açoitálo.

    Isso aconteceu pelo restante da tarde e por toda a noite, deixando
o negro Antero deveras muito machucado fisicamente, mas nenhuma dor
física foi tão intensa e tão grandiosa quanto a dor de saber que
estava ali, no tronco sendo açoitado a mando de sua filha mestiça.

    A partir desse dia Antero não mais voltou a fazenda, ficando
voltado a seus afazeres, suas orações e seus desabafos com os amigos
Benedito, e Pai José, juntamente com a sua orientadora e madrinha, a
velha e experiente negra Joaquina, que o elevava a fazer o bem a todos
que precisavam de seu dom e de sua fé demonstrada na forma de orações
e benzeduras.

    Isso durou até Antero ficar sabendo dos acontecimentos trágicos
ocorridos na fazenda vizinha. Acontecimento esse que faria com que
nosso grande guerreiro ficasse ainda mais abalado por estar distante
da sua filha mestiça.

    Em uma certa tarde de primavera, a menina mestiça andava por entre
as flores da fazenda, quando ouve um estouro por entre a boiada, que
era tocada por um dos negros da fazenda. Sendo praticamente impossível
manter a ordem entre a boiada, coisa que Antero fazia apenas com o
olhar e usando o seu dom de domínio sobre os animais, quando ocorria
essas situações, mas como ele não estava ali toda a manada ficou
desgarrada e desorientada, partindo para cima da menina mestiça com
toda a violência.

    E assim após a poeira baixar, se pôde ver os olhos assustados  dos negros,
feitores e capatazes fintando o corpo inerte da pequena sinhá mestiça
deitado ao chão e pisoteado pela boiada desgarrada que acabara de
passar por ali sem destino.

    A sinhá, mãe da mestiça, jogando-se ao chão empoeirado da fazenda,
aos gritos de lamentação, não acreditava no ocorrido, ficando a partir
desse dia com um retardo mental nunca mais solucionado.

    Antero por sua vez, culpando-se por não estar no momento crucial
na fazenda, tinha uma dor enorme dentro do peito, a dor de saber que
poderia ter salvo a sua filha da morte, sabia que seu dom era crucial
para modificar a história final da pequena  filha mestiça.

    Com isso ele se fechou em si próprio, já não mais procurava os
amigos para seus desabafos, já não buscava forças para continuar sua
caminhada, já não mais desejaria ter seu dom.

    E foi nesse ponto de desesperança que o velho Antero, negro
escravizado e boiadeiro, teve a benção cedida por Zambi e levada pela
luz de um outro negro, que tinha como missão levar esperanças a seus
irmãos negros. E foi o Preto Velho Rei Congo, já como Entidade, que
leva ao encontro de Antero, o espírito de sua filha mestiça.

    Isso acontece em uma noite bem iluminada pela lua cheia, de céu
estrelado e brisa leve. Dentro de sua choupana, Antero pensativo e sem
motivos para sorrir, tem uma visão com a imagem do Preto Velho Rei
Congo, que lhe diz:

"Irmão Antero, sua missão não acabou. Você terá uma longa jornada de
caridade. E para que você prossiga nessa caminhada, será preciso que
você perdoe e se deixe perdoar por alguém."

    Antero se levanta indo ao encontro do protetor dos negros,
ajoelha-se e com os olhos mareados, já sabendo o que estaria por vir
naquele momento, agradece a oportunidade que estava recebendo.

    E diante de seus olhos aparece a imagem de sua filha mestiça, que
com um largo sorriso e lágrimas a escorrer pela face, estende as mãos
a ele, pedindo perdão por tê-lo feito sofrer tanto. Ela se ajoelha e
chorando se desculpa pelo dia que mandou levá-lo ao tronco, e que a
cada chibatada que ele recebera, ela deveria pagar em dobro.

    Antero então abraça a filha pela primeira vez, e diz a ela que a
perdoara por tudo, mas precisaria do perdão dela por não ter estado no
momento de seu desencarne, achando ele que com seu domínio sobre os
animais ela poderia ter maiores chances de sair ilesa do ocorrido.

    A menina sorri para ele e diz:

"Se é disso que precisa para continuar vossa caminhada rumo a luz e a
caridade. Eu perdoou o senhor, meu Pai."

    E assim ela se despediu, voltando ao caminho que deveria seguir
rumo a evolução.

    Antes de partir, Rei Congo diz a Antero:

"Meu filho, agora volte a suas orações, espalhe a caridade, trabalhe
para o bem de seu semelhante. E guarde com você esse cajado."

    E então Rei Congo ´dá um cajado de madeira a Antero, cajado esse
que foi preparado para trabalhos espirituais, nele poderia se
encontrar toda a força da caridade, da fé e do dom de Antero. Cajado
no qual ele deveria usar sempre para o bem, sempre para ajudar a quem
necessitava,, nos momentos mais difíceis que pudesse passar, nas
desobsessões e descarregos mais complexos, pois nesse cajado além de
estar toda o dom dele, estaria também toda a força dos Orixás, toda as
forças das Almas Benditas e todas as forças do povo da encruza.

    Antero viveu na fazenda até seu desencarne, ocorrido quando com
seus 70 anos, dentro dos currais de adestramentos de cavalos baios,
enquanto ensinava aos novos negros a arte de montar e dominar os
animais. Ele sentado, de olhar sério, ao lado da grande porteira,
simplesmente fecha os olhos e parte para uma nova jornada de
evolução, só que dessa vez, a evolução espiritual sendo uma Entidade
de Luz.

    Com seu olhar sério, poucos sorrisos, fala mansa, pausada ele é um
dos mais respeitados Pretos Velhos da linha da Encruzilhada. Pai
Antero da Encruza, trabalha hoje firmemente nos terreiros de Umbanda,
levando ensinamentos, luz, abrindo caminhos, encaminhando espíritos
sem luz, descarregando e desobsediando os filhos que procuram por ele.

"Pai Antero Negro Boiadeiro, Lá Do Grande Sertão, Ele É Bravo
Guerreiro, Sempre Me Estendendo A Mão."

Palavras De Pai Antero: "Seja Persistente Em Suas Metas, Não Deprima
Pela Não Realização, Tudo Tem Sua Hora E Momento."

    Saravá Meu Pai Antero da Encruza.

    A sua Benção!


Carlos de Ogum.










segunda-feira, 28 de julho de 2014 91 comentários

Seu Zé Pilintra e Sua História



    Senhor Zé Pilintra, é uma das mais conhecidas Entidades dentro da
Umbanda. Muitas pessoas tem um grande afeto a ele, pelo seu jeito
"malandro" de ser e de seu imenso carisma, fazendo com que os
consulentes dessa Entidade se tornem amigos fiéis.

    Guia espiritual de personalidade controvertida, personifica a
malandragem e a astúcia adquirida das adversidades da sobrevivência
nas ruas, mas suas práticas estão voltadas para a caridade, a
assistência espiritual e material.

    Das manifestações de Zé Pilintra percebe-se a enorme adaptação
cultural a cada região, rompendo todas as barreiras para disseminar a
sua força espiritual em ajudar os necessitados com sua experiência
através de seus sábios conselhos.

    Contam as lendas que Zé Pilintra era José Amadeu da Silva,
Pernambucano, mulato quase negro e pobre, mulherengo e festeiro,
mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou um famoso boêmio no
meio da malandragem do bairro da Lapa.

    Mas para entendimento vamos descrever a história de Senhor José
Pilintra da estrada da Lapa., que é a Entidade da mesma linha dos
"Malandros", vamos mostrar de onde ele veio, como virou essa Entidade
tão maravilhosa, como trabalhou tanto pela caridade em vida e porque
temos diversas Entidades que levam o nome de "Zé Pilintra", assim como
o personagem de nossa história.

    A história de Zé Pilintra da Estrada da Lapa, tem diversas
passagens na Cidade do Rio de Janeiro, no início do século XX, na
época em que os negros que por décadas haviam sendo escravizados, e
agora em liberdade, na verdade uma falsa liberdade, tentavam
sobreviver ao julgo, a falta de trabalho, a má alimentação e as
doenças que tanto afligiram os ex escravos.

    Mas vamos voltar um pouco ao tempo para vermos como Senhor Zé
Pilintra chegou ao Rio de Janeiro.

    Seu Zé era natural do Estado de Pernambuco. Filho de uma Ex
escrava negra e um feitor de cor branca, portanto ele tinha a pele não
negra como a mãe, mas também não branca como o pai, fazendo assim dele
um mulato escuro que por vezes e vezes sofria o ódio da enorme classe
de brancos.

    Batizado de José Amadeu da Silva em sua vida terrena, esse foi o
nome que usou até meados do ano de 1902, quando fez parte dos grupos
que auxiliavam a grande massa de negros nos tratamentos contra as
doenças que se lastrava intensamente dentro dos morros que foram
ocupados por eles.

    Esses negros foram obrigados a se bandear para o alto desses
morros, pois com o fim do período escravocrata, no século XIX, sem
posses de terras e sem opção de trabalho nos campos, esses grupos se
deslocaram para o Rio de Janeiro em busca de uma tentativa de
sobrevivência, fazendo assim um aumento desproporcional de pessoas na
então Capital Federal. A elite e administradores da cidade desejando
apagar de suas lembranças aquele povoado de negros e aquela cidade com
vestígios da era colonial, mandaram demolir todos os cortiços fazendo
assim os negros saírem e irem morar nos morros, longe da grande elite
de brancos.

    Sendo esses lugares sem a menor condição de se viver, as doenças
se alastraram, e sem auxilio da elite os negros morriam sem a chance
de cura.

    Voltando agora ao nosso foco que é Senhor Zé Pilintra, um pouco
antes desses acontecimentos, ele já tomado da decisão de partir de
Pernambuco, seguiu em viagem sem destino pelo país.

    E a cada parada, a cada região, ele buscava novos conhecimentos,
sendo em áreas comuns como a agricultura até em áreas específicas como
cuidar de uma pessoa com alguma moléstia.

    E foi assim que aprendeu o oficio de cura em moléstias, por volta
do final do século XIX, José Amadeu, com sua conversa amigável, com
seu carisma e com sua vontade de aprender, ficou em companhia de um
velho sacristão, que tinha como missão sanar as dores das pessoas que
buscava ajuda em sua paróquia, e nesse período em companhia ao
sacristão, José Amadeu aprendeu que ele precisava ajudar a quem
necessitava, mas precisava fazer muito mais do que já fazia.

    E assim ele decidiu partir.

    Após dezenas de dias em viagem, ele chega ao Rio de Janeiro.

    Observando a situação dos negros, que morriam sem auxilio, decidiu
que era ali que teria que ficar para cumprir sua missão.

    Começou acompanhar o dia a dia dos médicos da elite, observava
tudo, onde conseguiria medicamentos, com quem conseguiria, como esses
médicos se vestiam e como falavam.

    Assim ele permaneceu junto com os negros, tentando sanar as dores
de cada um, tentando salvar a vida de crianças que sofriam
intensamente com várias pestes.

    Começou a perambular pela cidade, conheceu pessoas e chegou na
Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro, e lá que conseguiu seu grande
feito, juntar pessoas brancas e mulatas que abraçaram as causas na
qual ele lutava.

    E assim começou um grande grupo de homens e mulheres, que faziam
da luta de manter o povo do morro saudável, mesmo contra a vontade dos
poderosos da elite e dos administradores da cidade.

    E foi esses poderosos que começaram a fechar as entradas para esse
morro, colocando a força policial de guarda para que ninguém pudesse
subir ou descer, fazendo assim com que os negros não tivessem o
direito de se misturarem com a tal classe de elite.

    Foi também proibida a busca na parte baixa da cidade por
medicamentos e alimentos, fazendo que os negros se revoltassem, e
tentassem descer em busca dessas coisas para o povo. E ao descerem,
revoltosos, eram presos e assassinados.

    Foi por esse motivo que Zé Pilintra e todo seu grupo de amigos e
amigas da boemia, se encontravam as noites nas imediações do bairro da
Lapa, com intuito de planejarem medidas de ajudarem ao povo dos
morros.

    Ficando acertado que não usariam a força, mas sim a conversa e
jogos de palavras juntamente com a malícia da malandragem que
aprenderam nas ruas e o sorriso sempre aberto e cativante.

    E assim era feito, no meio de conversas e sorrisos, demonstração
de amizade por parte dos rapazes com os policiais responsáveis por
tomarem conta das entradas dos morros, assim como das moças que com
grandes atuações, se fingiam de encantadas pela força e farda desses
policiais, iludindo-os com olhares e sorrisos, enquanto Zé Pilintra e
outros Malandros passavam a surdina levando todos os tipos de
materiais e alimentos para os negros no alto dos morros escuros.

    Eles passaram a andar com a tradicional vestimenta branca, terno,
gravata encarnada para que assim não fossem confundidos com os
policiais, que durante as noites subiam os morros, ora para eliminar
algum negro, ora para tentarem levar as grades os "Malandros" que
tanto lutavam, sobre o comando de Zé Pilintra, para tentar auxiliar o
povo tão sofrido dos morros.

    Senhor Zé Pilintra, com essa ginga de malandro boêmio, com o
carisma de amigo de todos, com a sabedoria que adquiriu pelas andanças
que fazia, com a infinita bondade de tentar ajudar a quem necessitava,
ao fazer sua passagem foi feito como Entidade pelo Pai Maior, para que
assim pudesse continuar seu lindo e maravilhoso trabalho de caridade
dentro dos terreiros e centros Umbandistas, como continua a fazer até
os dias de hoje.

    Poderemos observar que dentro de vários terreiros encontraremos
médiuns incorporados com a Entidade Zé Pilintra, as vezes até mais de
um no mesmo terreiro e na mesma hora.

    A explicação disso é que, sendo Zé Amadeu da Silva um grande líder
dentre todo os grupos de amigos da boemia, ele foi adorado por muitos,
que seguiram o seus passos, e como ele, José Amadeu, o Zé Pilintra,
era extremamente respeitado e até temido por muitas regiões, esses que
seguiam seus passos, se apresentavam como Zé Pilintra, para assim
conquistarem o respeito, e fazer disso a porta de entrada para a luta
em prol da caridade.

    E tudo isso começou com José Amadeu da Silva, Pernambucano
arretado, boêmio sorridente, amigo dos amigos, mulato/negro que tinha
orgulho de sua cor, amava suas raízes, lutava pelos irmãos menos
favorecidos.


Hoje Na Lei De Umbanda Acredito No Senhor Pois Sou Seu Filho De Fé
Pois Tem Fama De Doutor.

Lá No Morro Era Rei, E Na Lapa Respeitado. Hoje Numa Linha De
Umbanda, Zé Pilintra É Louvado.

Salve Meu Camarada, Compadre, Amigo, Pai, Baiano, Malandro, Zé
Pilintra Da Estrada da Lapa!

Proteção meu compadre Zé.

Saravá!!!!





Carlos de Ogum

terça-feira, 15 de julho de 2014 30 comentários

CONHECENDO A LINHA DO ORIENTE.

Conhecendo a Linha do Oriente.

    Por muitas vezes já ouvimos falar na Linha do Oriente, em outras
ocasiões já até acompanhamos e participamos de Giras dessa linha.

    Mas o que seria a Linha do Oriente?

    Quais as Entidades trabalhadoras dessa Linha?

    Quais os povos que trazem essa tradição junto a Umbanda?

    Qual é a finalidade desses trabalhos?


    Vamos tentar sanar um pouco dessas dúvidas que temos em relação a
essa força espiritual, e buscar entender um pouco a importância dessa
Linha dentro da Religião de Umbanda.

    Em diversas casas de Umbanda tem uma Gira específica para o povo
dessa Linha, e na maioria nas quais eu acompanhei, eram chamados de
"Gira de Saúde".

    As Giras eram bem silenciosas, iniciadas com uma oração feitas por
um orador escolhido pelo responsável pelos trabalhos (na Umbanda esse
responsável seria um Pai ou uma Mãe de Terreiro).

    Diferentemente de outras Giras de Umbanda, não era tocado os
Atabaques, e uma maioria dos Médiuns deveriam ficar em oração
silenciosa, para a manifestação da Entidade que seria responsável
pelos trabalhos de cura do corpo físico dos filhos que necessitavam e
vinham em busca de ajuda.

    Atuando com a arte da cura, as entidades da Linha do Oriente
buscam fazer o encarnado compreender bem as causas de suas
enfermidades e a necessidade de mudança nessas causas, bem como a
necessidade de seguirem à risca os tratamentos indicados. São
entidades que vêm com a missão de humanizar corações endurecidos e
fecundar a fé, os valores espirituais, morais e éticos no mental
humano.

    Essa Linha se divide em 7 falanges e composta em sua maioria por
entidades de origem oriental. Nela podemos encontrar as falanges dos
hindus, árabes, japoneses, chineses, mongóis, egípcios romanos, entre
outras dessa categoria.

    Essas Falanges são compostas de espíritos que tiveram encarnação
nesses povos e que através do ensino das ciências ocultas, praticam a
caridade pregada na Umbanda..

    Podemos observar nessas Entidades que representam essa linha uma
característica bem comum entre elas, são Entidades discretas, que
falam pouco, se utilizam de um linguajar perfeito, não apreciam dar
consultas, e se precisam passar algum ensinamento ao consulente, o
fazem através de frases curtas e cheias de significados.

    A Linha do Oriente é regida por Oxalá, e por Pai Xangô, fogo e
calor divino, sendo que as entidades dessa Linha atuam nas irradiações
dos diversos orixás, conforme as demais falanges da Umbanda.

    É chefiada por São João Batista, que tem o comando dos povos do
oriente, onde se manifestam espíritos de profetas, apóstolos,
iniciados, cabalistas, anacoretas, ascetas, pastores, santos,
instrutores e peregrinos.

    A Linha do Oriente é constituída pelas seguintes legiões:
  
1. Legião dos Hindus - Chefiada por Zartú.                    


2. Legião de Médicos e Cientistas - Chefiada por José de Arimatéia.

3. Legião de Árabes e Marroquinos - Chefiada por Jimbaruê.

4. Legião de Japoneses, Chineses - Chefiada por Ori do Oriente.

5. Legião dos Egipcianos, Astecas, Mongóis e Esquimós, Incas e outras
raças antigas - Chefiadas por Inhoarairi, Imperador Inca antes de
Cristo.

6. Legião dos Índios Caraíbas - Chefiadas por Itaraiaci.

7. Legião dos Gauleses, Romanos e outras raças européias - Chefiada
                        por Marcus I - Imperador Romano.

    Dentro da Umbanda essas Giras que elevam o Povo do Oriente  por
muitas vezes não são muito frequentadas, pela cultura de implantação
dentre as Entidades da Religião serem maciçamente voltadas aos Índios
(Caboclos), Negros escravizados (Pretos Velhos ou Homens e Mulheres
que lutaram pelo bem estar de um grupo, que ora excluídos pelo poder
capitalista e racial de uma região (Exús, Pombo Giras e Baianos), mas
mesmo assim essa Linha está na Umbanda, atuando divinamente para
auxiliar a quem necessita.

A saudação para a Linha do Oriente é “Salve o Povo do Oriente!”.

    Alguns usam a saudação Kaô! (João Batista, ou dando o nome do
Orixá, Xangô) e também “Salve o Povo da Cura!”.

    Mas independente da saudação dada, o que nos vale é a fé que
estamos dispostos a demonstrar, não somente a essa Linha, mas em todas
as outras que buscamos em um Terreiro de Umbanda.

Salve o Povo do Oriente!

Salve nossa Umbanda Sagrada!

Carlos de Ogum.
quarta-feira, 2 de julho de 2014 73 comentários

Bebidas e Fumo Nas Giras de Umbanda

 

    Em todas as Giras de Umbanda, poderemos facilmente observar o uso
de bebidas e fumo pelas Entidades de Luz.

    Entidades como os Pretos Velhos, que se utilizam do fumo em seus
cachimbos, do vinho tinto, ou dos Caboclos com seus charutos, ou mesmo
dos Exús e Pombo Giras com seus aguardentes, champanhes, cigarros ou
cigarrilhas.

    E ai nos perguntamos o porque que uma Entidade de Luz utiliza algo
assim. Qual seria a necessidade delas, as Entidades, de ter em seus
trabalhos algo que não é assim tão bem visto pela sociedade.

    Essa sempre foi, e sempre será uma questão que gera inúmeras
controvérsias na Umbanda, esse fato dos guias e entidades que se
manifestam através de seus médiuns utilizarem-se do fumo e de bebidas,
o que leva alguns críticos da religião a classificarem-na como “baixo
espiritismo” e estarem os espíritos que nela atuam em grau evolutivo
inferior. Tal assertiva não passa do mais errôneo entendimento do que
acontece na liturgia da Umbanda.

    Se fizer uma busca histórica, pode-se verificar que diversas são
as religiões que se utilizam da bebida em seus fundamentos. Na
mitologia Grega, o Deus Zeus juntamente com uma mortal de nome Semele,
deu origem a Dionísio, o Deus do vinho e, os romanos com a expansão de
seus costumes pela Europa inteira, deram fama a Baco, o equivalente
romano ao Deus do vinho grego.

    Com o Cristianismo, o vinho também mostra sua importância, desde o
momento em que Jesus brindava o amor do Pai Celestial repartindo o
vinho com seus apóstolos e seguidores. Até os dias de hoje a Igreja
Católica compartilha o pão e o vinho entre seus fiéis, representativos
ambos na eucaristia do corpo e do sangue do Cristo.

    Na África, o vinho de palma é usado em diversos cultos, sendo
considerado néctar divino. O mesmo se verifica nos cultos ameríndios e
xamânicos, onde os pajés se utilizam de bebidas para realizarem seus
rituais, como o caso da cerimônia da Ayahuasca.

    Seguindo a tradição difundida culturalmente entre os povos, a
Umbanda não é diferente. O fato de utilizar o álcool em seus rituais
nada tem de inferioridade ou primitivismo, visto que essa substância
tem um significado claro e repleto de fundamentos. O mesmo ocorre com
o uso do fumo.

    As entidades e guias da Umbanda utilizam-se dos elementos que
compõem o álcool e o fumo para realizarem seus trabalhos de limpeza e
purificação, tanto do consulente, como de ambientes.

De que forma fazem isso?

Com o ÁLCOOL:

    O álcool, em sua essência, é líquido proveniente da
cana-de-açúcar, extremamente volátil, assemelhando-se ao éter,
representando elemento que facilmente transcende do plano material
para o etéreo, sendo excelente auxiliar para desfazimento de energias
negativas impregnadas no períspirito. Além do mais, é fogo em estado
líquido, pela sua facilidade de combustão.

    Cada linha de trabalho possui seu próprio “curiador”, ou seja, a
bebida correta para cada uma delas, conforme descrito abaixo:

- Caboclos bebem cerveja, vinho ou água de coco;

- Preto Velho bebe café vinho, marafo (aguardente);

- Crianças bebem guaraná e suco de frutas, e refrigerantes;

- Baianos bebem água de coco, batida de coco ou marafo;

- Boiadeiros bebem cerveja escura, vinho doce ou batida de coco;

- Exú bebe marafo (aguardente). Alguns bebem whisky ou vinho, cerveja
ou outras bebidas destiladas;

- Pombo Gira bebe champanhe ou sidra.


    O álcool ainda possui a propriedade de ser usado como “contraste”,
quando a entidade age magnetizando a bebida e faz o consulente
ingeri-la em pequena quantidade, permitindo-lhes visualizar o seu
organismo, mostrando algum problema que deve ser cuidado. Funciona
também, como elemento antisséptico para limpar e desinfetar regiões
que estejam sendo tratadas pelas entidades em seus atendimentos.

    Não se pode deixar de citar que o álcool ainda propicia no
organismo do médium um entorpecimento de suas faculdades, facilitando
com isso o trabalho das entidades, proporcionando-lhes mais liberdade
de ação durante o processo de incorporação, já que libera no corpo do
médium substâncias ativadoras do cérebro que atuam nos plexos
nervosos, aproveitadas pelas entidades em seu trabalho no plano
material.

    Muitas pessoas condenam o uso do “marafo” (álcool, aguardente,
whisky, destilados) pela falange de Exús e Pombo Giras. Dizem que
essas entidades estão extremamente atrasadas evolutivamente e ainda
ligadas ao plano terreno, necessitando desse elemento para
satisfazerem seus vícios. Nada mais errado, também. A energia, como já
se explicou é usada e manipulada como pelas demais linhas de trabalho
da Umbanda em sua magística.

    Exús e Pombo Giras por estarem em faixas vibratórias mais próximas
do ambiente terreno utilizam-se da energia retirada desses elementos
para realizarem seus trabalhos magísticos. Usam o álcool contido nas
bebidas para descarregos, retirando energias negativas dos médiuns, do
ambiente ou dos consulentes.

    A bebida é usada no ponto riscado, na tronqueira, nas ferramentas
de Exú, etc. verifica-se nos terreiros, também, a bebida sendo usada
antes de uma gira de Exú, sendo passada nas mãos e braços dos médiuns
para baixar a vibração e facilitar a conexão entre o espírito
incorporante e a matéria do médium.

    Na verdade, essas linhas vêm manifestando-se assim pela vibração
que carregam quando da incorporação, nada tendo de embriagadas.

    A título de conclusão, deve-se ainda dizer que o álcool ingerido
pelo médium também é dissipado no trabalho, ficando em quantidade
reduzida no organismo após haver a incorporação.


Com o Fumo:

    O fumo é vegetal que traz o elemento terra e água, em sua
composição e, os elementos ar e fogo quando utilizado na defumação.
Conjuga, portanto, quando usado pelas entidades de Umbanda, os quatro
elementos básicos – terra, fogo, ar, água -, além do elemento vegetal
nos trabalhos de magia. O fumo é utilizado como meio de descarrego,
agindo sobre os chacras dos consulentes.

    O fumo é utilizado como componente para defumação, onde conjuga o
fogo e a fumaça para a destruição dos campos magnéticos negativos,
vinculados tanto à obsessões quanto à feitiços realizados contra o
consulente.

    Assim, o que as entidades da Umbanda fazem é utilizarem ervas,
juntamente com os elementos água, fogo e ar para realizarem suas
magias e defumações, desestruturando larvas astrais, miasmas e
desagregando energias negativas e danosas à aura do consulente.

    O fumo tem suas características vegetais, tendo através do seu
processo de desenvolvimento na natureza arregimentando as mais
diversas energias e substâncias - sais minerais, hidrogênio, oxigênio,
fósforo, potássio, nitrogênio, vitaminais - do solo onde foi cultivado
e do meio ambiente, além da absorção da energia solar e lunar, razão
pela qual condensa forte carga energética de impregnações etéreas que
libera durante a sua queima.

    Se prestarmos atenção na atitude das entidades incorporadas,
veremos que enquanto estas fumam, estão constantemente jogando
baforadas da fumaça de seu cachimbo, charuto, ou cigarro sobre aquele
que com eles se consulta. Não tragam a fumaça, apenas enchem a boca
com a fumaça e a expelem sobre o consulente ou para o ar. Para quem
não sabe, nessa hora está sendo realizado verdadeiro passe, onde a
defumação se conjuga com o sopro para realizar a limpeza energética da
aura ou perispírito da pessoa.

    A título de curiosidade, devemos ressaltar que os Guias de Umbanda
dependendo da linha em que realizam seu trabalho, não se utilizam
dessas ferramentas, sendo que podemos encontrar a mesma linha de
entidade realizando o mesmo trabalho, mas em outra linha vibratória,
sem se valer desses elementos em situações específicas, mas não
deixando de ser a mesma linha de entidade. De uma forma ou de outra,
vai realizar seu trabalho e não vai ser mais ou menos evoluída por
isso.

    O que deve ficar entendido é que a entidade incorporada quando
realiza o sopro da fumaça de seu cachimbo, charuto, ou cigarro, dando
suas baforadas nos consulentes, cria com isso as condições, tanto no
plano físico quanto espiritual, para a realização da magia da Umbanda,
tudo sob o aval dos espíritos de luz e dos Orixás. Só o sopro em si
carrega efeitos terapêuticos e espirituais poderosos, mas quando
aliados à erva tem seu efeito potencializado, gerando resultados
positivos como se observam nos terreiros de Umbanda.

    A dinâmica, portanto, deve ser entendida como um todo. Alia-se, no
trabalho de Umbanda, o álcool, o fumo, a energia proveniente das
entidades e espíritos superiores que orientam os trabalhos, a energia
presente na própria natureza através do trabalho dos elementais, bem
como o ectoplasma retirado dos médiuns durante os trabalhos
mediúnicos, possibilitando a cura do consulente necessitado de ajuda.
Entender essa prática como apego dos espíritos incorporantes à matéria
passa a ser, dessa forma, desconhecimento pueril acerca dos trabalhos
magísticos realizados dentro da ritualística da Umbanda. No contato
permanente com as entidades que incorporam na Umbanda, passamos a
perceber, inclusive, sua preocupação com o uso indiscriminado de fumo
ou de cigarros que são comercializados, e seus conselhos para evitarem
que seus médiuns tenham seu corpo prejudicado pelo uso de tais
ferramentas.

    É comum pedirem cachimbos com filtro para diminuírem ainda mais a
assimilação pelo corpo do médium da nicotina presente em cigarros ou
fumo comercializados. Encontramos entidades que pedem a seus “cavalos”
que fabriquem seu fumo com ervas naturais, como alecrim, alfazema e
outras aliadas ao fumo in natura . Até porque a combinação de tais
ervas potencializa os efeitos energéticos, catalisadores,
descarregadores e requilibrantes do perispírito do consulente.

    Algumas entidades chegam a cuspir em recipientes adequados, a
famosa "caixinha", que fica ao seu lado para neste ato evitar ao
máximo a ingestão da nicotina e de outros elementos que não interessam
para o trabalho e muito do que vêm pela química industrial.

    Com todo o exposto, pode-se perceber que tanto o álcool quanto o
fumo são verdadeiras, úteis e necessárias ferramentas de trabalho das
entidades que trabalham na Umbanda. Tal fato deve ser estudado e haver
orientação precisa durante a doutrinação dos médiuns e assistentes das
giras de Umbanda para entenderem com seriedade a real necessidade de
haver um trabalho sério e efetivo de esclarecimento para evitar
entendimentos errados que levem a denegrir a verdadeira caridade
prestada pelas entidades e guias de Umbanda que utilizando das
ferramentas que a natureza lhes oferece, levam aos filhos de fé um
lenitivo para suas mazelas e dores, na fé e amor caridoso de Oxalá,
dos Orixás e de todas as Entidades de Luz.

    Portanto, só para frisar a importância de tudo descrito acima,
Entidades de Luz se utilizam tanto da bebida quanto do fumo para
limpeza, descarrego, desobsessão, melhoria de sintomas de males
físicos, entre várias outras coisas nas quais um consulente possa
demonstrar dentro de uma consulta.

    Frisando que todo uso dessas ferramentas que demonstramos, são
eficazes na utilização por médiuns realmente incorporados, preparados
e desenvolvidos mediunicamente, pois por diversas ocasiões
encontramos, principalmente em giras de esquerda (Exús e Pombo Giras),
médiuns não preparados, mistificadores, vaidosos, que se utilizam
dessas ferramentas para demonstração de estarem incorporados, mas de
fato são apenas pessoas más intencionadas querendo fazer o que não
podem ou serem quem não são.

    Portanto, aos consulentes, atenção redobrada com médiuns que
 ainda não conhecemos seu caráter, que não estamos acostumados, e que
ainda não nos deu provas de sua verdadeira condição mediúnica.


Carlos de Ogum.


Colaboração: Genuína Umbanda e Pai Jayme de Xangô.

quinta-feira, 19 de junho de 2014 27 comentários

Como Rezar O Terço Umbandista

                 


    As orações são muito importantes em nossas vidas, elas nos ajudam
a manter nossa fé, nos deixa mais calmos em momentos difíceis, nos
ajudam a refletir, chegar a Deus, agradecer por tantas coisas boas que
o Pai Maior nos proporciona.

    Rezar muita das vezes é a melhor maneira para que nós, seres tão
complicados, possamos entender os motivos das coisas, entender a
partida de um ente querido, nos evoluir como pessoa e como espírito em
busca de luz.

    Seja qual for a oração, ela feita na intenção do bem, que seja
para nossos semelhantes ou mesmo a nós mesmos, que seja feita com fé,
confiança, carinho e amor, a resposta de Deus, de Oxalá, dos Orixás,
das Entidades de Luz ou de qualquer Santo, vem com louvor.

    Abaixo vamos demonstrar um modo de se entregar a Deus, a Oxalá, a
todos os Orixás e todas as Entidades de Luz, que por intermédio da
Religião de Umbanda, nos abraçam, nos protege e nos encaminham rumo ao
caminho iluminado da evolução espiritual.

    Esse modo e rezar o terço, sendo que esse terço vem nos parâmetros
da Religião Católica, sendo que são as orações da Religião Umbandista.


                         O Terço Umbandista

    Vamos começar pegando um terço desses normais, podemos observar
um grupo de 10 contas, uma separação e uma única conta, antes da
próxima separação e outras 10 contas.

    E assim que vamos iniciar nossas orações no Terço Umbandista.

    As 10 contas são 10 Ave Marias, sendo essas Ave Marias da seguinte
maneira:

"Ave Maria cheia de graça,
o Senhor é convosco, bendita sois Vós entre as mulheres,
e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da
nossa morte.
Que assim seja, pois em nós está a força das misericordiosas e
protetoras Iabás de nossa amada Umbanda.
Amém!"

    Após essas 10 Ave Marias, se observa no terço um pequeno espaço
antes da próxima conta que está separada das demais.. Nesse espaço
será dito as seguintes palavras em oração:

"Glória a Deus Pai, a Oxalá, aos Orixás, a todas Entidades de Luz da
nossa divina Umbanda, como era desde o início, é agora e será sempre,
de nossa vida terrena até nossa vida espiritual.
Que assim Seja!"

    Chegamos na primeira conta que está separada das demais. E nessa
conta será rezado o Pai Nosso Umbandista, Assim como descrito abaixo:

"Pai nosso que estais nos céus, nas matas, nos mares e em todos os
mundos habitados.

Santificado seja o teu nome, pelos teus filhos, pela natureza, pelas
águas, pela luz e pelo ar que respiramos.

Que o teu reino, reino do bem, do amor e da fraternidade, nos una à
todos e a tudo que criastes, em torno da sagrada Cruz, aos pés do
divino salvador e redentor.

Que a tua vontade nos conduza sempre para o culto do amor e da
caridade. Dai-nos hoje e sempre a vontade firme para sermos virtuosos
e úteis aos nossos semelhantes. Dai-nos hoje o pão do corpo, o fruto
das matas e a água das fontes para o nosso sustento material e
espiritual. Perdoa, se merecermos, as nossas faltas e dá o sublime
sentimento do perdão para os que nos ofendam. Não nos deixeis
sucumbir, ante a luta, dissabores, ingratidões, tentações dos maus
espíritos e ilusões pecaminosas da matéria.

Enviai-nos, pai, um raio de tua divina complacência, luz e
misericórdia para os teus filhos pecadores que aqui habitam, pelo bem
da humanidade, nossa irmã.

Que Assim Seja !"

    Terminando essa oração, vamos novamente observar mais um espaço
antes de chegarmos as 10 contas que se encontram juntas, e novamente
nesse espaço rezaremos a seguinte oração:

"Glória a Deus, a Pai Oxalá, aos Orixás, a todas Entidades de Luz da
nossa divina Umbanda, como era desde o início, é agora e será sempre,
de nossa vida terrena até nossa vida espiritual.
Que assim Seja!"

    Seguiremos dessa forma até dar toda a volta no terço, com 10 Ave
Marias, 1 Glória a Deus, 1 Pai Nosso e recomeçando com outro Glória a
Deus. Frisando que todas as orações tem as dissertações Umbandistas.

    Quando totalizarmos 50 Ave Marias, 4 Pai Nosso e 8 Gloria a Deus
Pai, fechamos a primeira parte de nosso terço.

    Vamos observar agora que temos no fechamento do terço, uma pequena
separação das 10 ultimas Ave Marias das primeiras, nessa separação
poderemos encontrar ou uma medalhinha de um anjo, ou de algum Santo,
ou alguma inscrição religiosa ou até mesmo contas diferenciadas das
outras contas do terço, sejam no tamanho ou sejam nas cores.

    E nessa separação em nosso Terço Umbandista, faremos a Prece de
Cáritas, que descrevemos abaixo:

"Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força aquele
que passa pela provação, dai a luz aquele que procura a verdade;
ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus. Dai ao viajante a estrela guia, ao aflito a consolação, ao
doente o repouso.

Pai. Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, a
criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes.

Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para
aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos
consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra;
deixai-nos beber nas  fontes dessa bondade fecunda e infinita, e
todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de
reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos,
oh Poder! oh Bondade! oh Beleza! oh Perfeição!

E queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós;
dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade
e humildade, que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa
puríssima Imagem.

Que Assim Seja!"

    Desse ponto vamos seguir para a parte final de nosso Terço.
    Seguindo abaixo do ponto da Prece de Cáritas, vamos ver um pequeno
espaço, que é o mesmo que tivemos no início, e nele vamos novamente
rezar o Glória a Deus Pai.

    Ao terminarmos seguiremos conforme já feito acima, pois temos uma
conta que está separada das demais, e nela rezaremos o Pai nosso.
Teremos mais um espaço (Glória a Deus Pai) e em seguida 3 contas
juntas, significando 3 Ave Marias. Após o término dessas Ave Marias
outro espaço (Glória a Deus Pai), mais uma conta separada das outras
(Pai Nosso), outro espaço (Glória a Deus Pai), coligando as orações
anteriores ao final do nosso Terço Umbandista.

    Esse final é simbolizado com uma cruz, podendo ter nela a imagem
de Jesus Crucificado ou não. E para finalizar nosso Sagrado Terço e
nossas orações, fazemos o Credo Umbandista, no qual descrevemos
abaixo:

"Creio em Deus, Onipotente e Supremo;
Creio nos  Orixás e nos Espíritos Divinos que nos trouxeram para a
Vida por vontade de Deus.
Creio nas Falanges Espirituais, orientando os homens na vida terrena;
Creio na reencarnação das almas e na Justiça Divina, segundo a Lei do
Retorno;
Creio na comunicação dos Guias Espirituais, encaminhando-nos para a
Caridade e a prática do Bem;
Creio na Invocação, na Prece e na Oferenda, como atos de fé e
Creio na Umbanda, como religião redentora, capaz de nos levar pelo
caminho da evolução até o nosso Pai Oxalá.
Que assim Seja !"

    E assim terminamos nosso Terço Umbandista, com 53 Ave Marias,
6 Pai Nosso, 12 Glória a Deus Pai, 1 Prece de Cáritas e 1 Credo
Umbandista.

    Vamos rezar com carinho, amor, dedicação e muita fé em Deus nosso
Pai Maior, em Oxalá Mestre dos Orixás, em todos os Orixás que nos
protegem de tantas maledicências, em todas as Entidades de Luz que nos
iluminam quando nos encontramos na escuridão espiritual.

Salve nosso Terço Umbandista!



Carlos de Ogum

 
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