segunda-feira, 30 de março de 2015 35 comentários

Poema Para Minha Mãe Oxum - Por Carlos De Ogum

                                           



    O dia nasce na mata linda verdejante,
clamo ao Sol seu brilho e o Rio sua corredeira,
O vento passa por mim rápido como um ser viajante,
Deslumbrando minha Mãe Oxum ao longe em sua cachoeira.

    Sentada estava com um lírio na mão,
Com seu lindo sorriso encantador,
Oxum bela cantava sua canção,
Demonstrando pelas águas límpidas o seu amor.

    Dessa bela Orixá cheia de encanto,
Me aproximei com olhar deslumbrado,
Ao sentir a pureza de seu manto,
E de joelhos fiquei ao seu lado.

    Mãe Oxum olhou-me carinhosamente,
E para mim estendeu sua mão,
Com um afago me disse calmamente,
Tenha sempre fé, pois és meu filho, te dou proteção.

    Seu brilho era lindo como diamantes raros,
Estrelas brilhavam em seus olhos de amor,
Na Cachoeira fintei seus olhos claros,
Pedindo sua benção no momento de clamor.

    Senti a força das águas daquela linda cachoeira,
No meu orar saudava a linda Aieieu,
Ela sorrindo mostrava ser a grande companheira,
E saindo da cascata Mãe Oxum apareceu.

    De braços abertos com seu manto de proteção,
Veio a mim para me dar luz e esperança,
Me acolhendo com amor em seu coração,
me senti protegido como nos tempos de criança.

    Seu sorriso branco a mim deslumbrou,
Seus anjos em minha volta dançaram,
Seu abraço a mim acalmou,
E todos os Orixás me abençoaram.

Seu manto lindo meu corpo cobriu,
Fazendo assim minha alma brilhar,
Sobre o lindo Céu de cor anil,
Mãe Oxum veio me abençoar.

    Colhendo uma flor de seu jardim,
veio sorrindo e me ofereceu,
Abrindo caminhos do inicio ao fim,
A linda Aieieu um lírio branco me deu.

    Senti um grande pulsar em meu coração,
Lágrimas em meus olhos brotaram,
Seu lírio branco me deu uma proteção,
Quando suas belas mãos me abençoaram.

    Seja no Sol com seu clarear,
Em dias belos de verão,
Seja na Lua no seu iluminar,
Em noites lindas como uma canção.

    Minha Rainha Oxum ao meu lado vai estar,
Tirando os males do caminho meu,
Com seu manto sagrado sempre vai me abençoar,
Te peço a benção minha doce Aieieu.

    Agora estou no caminho de flores,
Caminho que tem o lírio que Mãe Oxum me deu,
Sei que em todos caminhos tem dissabores,
Mas nenhum tão belo como o caminho que ela me ofereceu.

    Oxum linda senhora da pele de ouro,
A ti Rainha da beleza desejo falar em verdade,
Tenho como minha Mãe e meu tesouro,
Peço que me ames e proteja por toda a eternidade.

Teu manto Santo nos da paz nos da amor,
Mamãe Oxum hoje rezo e agradeço,
Nos dá proteção e nos tira a dor,
Mostrando que nossa fé não tem preço.

    Obrigado minha amada Oxum,
Orixá que tem nas mãos o poder,
Hoje não temo mal algum,
Pois tenho Mamãe Oxum pra me valer.

    Sempre terei que lhe agradecer,
Tudo que a mim ofereceu como lição,
Guardando em minha vida e em meu bem querer,
Minha Mãe Oxum princesa do meu coração.



Carlos de Ogum

sexta-feira, 20 de março de 2015 135 comentários

A História da Vovó Maria Conga

                 



    Maria Conga, Maria Conga.
Maria Conga o que é que você quer?

    Quero pemba, quero guia, quero figa de guiné.


    Vovó Maria Conga, uma das mais amadas e respeitadas Pretas Velhas
da Religião de Umbanda.

    A vovó considerada guerreira, forte, batalhadora, que não media
esforços em proteger seu povo tão amado, dentro e fora do quilombo de
seu  tão respeitado pai, que era conhecido como Rei Congo, e que era
o líder dos negros que um dia foram escravizados pelos senhores
brancos.


    Maria Conga era uma escrava de uma fazenda cafeeira da região
Sudeste, quarta filha de Rei Congo com sua companheira que também
levava o nome de Maria.

    Desde tenra idade Maria Conga demonstrava que seguiria os mesmos
passos de seu amado pai, sendo uma verdadeira lutadora e salvadora de
seus irmãos negros que foram escravizados, Mas apesar dessa
demonstração de força, ela demonstrava também ser gentil e graciosa
com seus semelhantes assim como sua mãe, fazendo assim ser reconhecida
e respeitada por todos seus irmãos negros.

    Ela se mostrava guerreira mas ao mesmo tempo amável, tinha uma
sabedoria espiritual elevada, e com essa sabedoria ajudava nas
caminhadas junto a seu pai que buscava levar a caridade a todos os
negros sofredores.

    Era uma grande benzedeira, encaminhadora de espíritos sem luz, que
insistiam em perturbar a mente e o corpo de negros e brancos daquela
época, com suas obsessões desenfreadas que levavam muitas dessas
pessoas a adoecerem sem motivo, ou a enlouquecerem de tal forma que
ceifavam a própria vida. Essa fé e essas aprendizagens se tornaram
grandiosas, pois tanto vinha pelo lado de seu pai quanto de sua mãe,
que ambos sabiam como demonstrar a enorme fé no grande pai e senhor de
seus caminhos, nosso amado Deus.

    Com as aprendizagem de seu pai Octacílio (Rei Congo) e de sua mãe
Maria, a nossa personagem ficou muito conhecida pelas curas físicas e
mentais destinadas a centenas de pessoas, sendo essas pessoas negras ou
brancas.

    Quando sua mãe desencarnou, Maria Conga era apenas uma pequena
jovem ainda, e esse fato a deixou muito abalada a levando numa
tristeza profunda, pois ela acreditava que sem a presença da mãe sua
caminhada junto a caridade poderia terminar. Mas pelo contrário após
algum tempo de luto e de muitas palavras de amor e carinho de seu pai,
Maria Conga elevou ainda mais sua fé e se colocou a disposição de
Zambi (Deus), de Oxalá, de todos os Orixás e Entidade de Luz que ela
buscava com determinação na hora das benzeduras e das curas, mesmo
sendo ela uma jovem, uma jovem que mostrava que era pequena na idade
mas grandiosa na fé.

    Quando Rei Congo decidiu lutar pela libertação de seu povo das
garras dos senhores de escravos e fugiu para tentar chegar ao Monte
dos Perdidos, ele para não fazer com que seus filhos amados sofressem
algum risco nessa fuga, que poderia ser uma fuga suicida, decidiu
se relocar antes, se firmar no local que ele considerava seguro para
após isso resgatar além de seus filhos consanguíneos, todos seus
irmãos negros.

    Com isso a menina Maria fica só, sem a proteção de seu pai e o
carinho de sua mãe. Por noites a fio ela chorava, olhando as estrelas
e pedindo uma luz a Zambi, que ele mostrasse um caminho, uma trilha a
seguir.

    Numa dessas noites, após a jovem fazer suas orações, ela ainda
com lágrimas nos olhos, vê uma imagem brilhante vinda do céu
estrelado, nessa imagem com um formato de uma mulher, mas um tanto
indefinida, ela escuta a voz de sua mãe. E a voz disse de um modo
gentil e amável as seguintes palavras:

    "Filha amada, peço para você ter força, suportar o que vem pela
frente. Terá dias de dor e lágrimas,, terá uma grande vontade de
desistir, terá ódio em seu coração. Mas pediria que lembrasse de
minhas palavras, você tem que demonstrar nesse período a sua
verdadeira fé em Zambi, demonstrar que as lágrimas que ira perder não
a farão não enxergar que Zambi e grandioso, que a falta de esperança
não lhe levará a desistência de prosseguir clamando, que o ódio não
acabará com o amor e a caridade que deverá espalhar pelas terras
sangrentas. Minha doce filha, após essa demonstração de fé, sua
esperança poderá voltar a brilhar, pois seu amado pai voltará para
seu resgate. Confie sempre!""

    E assim a escuridão da noite retorna aos olhos da pequena Maria
Conga, a deixando refletindo sobre o acontecimento e as palavras
ouvidas vinda de sua mãe.

    O tempo foi passando, e os comentários nas senzalas foram
aumentando. Muito se dizia sobre o novo quilombo, o quilombo que
levava o nome do pai de Maria Conga. Os escravos ficavam ansiosos, os
coronéis preocupados e feitores armados de prontidão, prontos para
guerrear, caso o grupo de Rei Congo aparecesse para resgatar os
escravos das fazendas.

    Após algumas tentativas de invasão a fazenda na qual Rei Congo era
escravo, o coronel dessa fazenda tomou uma decisão, usaria a filha de
Rei Congo como isca para aprisioná-lo.

    Após ordenar aos feitores a levar Maria Conga ao tronco, ela foi
açoitada diversas vezes, na tentativa de que ela dissesse onde poderia
estar seu pai. Na falta de respostas foi determinado que ela ficaria
no tronco até Rei Congo entregar-se

    O boato foi espalhado pela região por entre jagunços e feitores
na tentativa que todo fato chegasse até os ouvidos de Rei Congo, e
assim aconteceu..

    Ele ficou sem chão, desesperado, já decidido a se entregar e
trocar de lugar com sua amada filha.

    Se ajoelhou nas terras sagradas do Quilombo, fechou seus olhos, e
Orou firmemente a Zambi, pedindo que lhe encaminhasse na decisão
tomada.

    Mas uma vez o inesperado aconteceu, por entre as nuvens
dançarinas, um facho de luz ilumina seu rosto, e ele com isso se
acalma um pouco, sabendo que suas preces estão sendo ouvidas pelo Pai
Maior.

    Rei Congo, num momento de calma, refletiu ao olhar em seu redor.
Observou o grande grupo de negros que antes escravizados, e agora
livres, trabalhando pelo sustento de todo povo que felizes estavam
residindo no Quilombo.

    Ele sabia que ao se entregar nas mãos dos feitores do seu antigo
Coronel, estaria também entregando todo aquele povo que já tinha
conseguido resgatar, inclusive seus outros filhos que já se
encontravam no Quilombo.

    Tinha que buscar sua filha, mas de uma maneira que não arriscasse
todos os outros. E assim Rei Congo ficou refletindo como seria esse
feito.

    Enquanto isso, Maria Conga continuava sobre sua tortura, presa ao
tronco, chibatadas ardentes faziam a dor percorrer seu corpo, sol
escaldante fazia as feridas queimarem ainda mais. Ela sofria, chorava,
quase já sem forças, seu coração prestes a lançar um ódio que jamais
sentira, suas esperanças se findando, sua mente não conseguia
entender muito bem todos os acontecimentos, quando de repente sente
uma luz sobre si, uma luz forte e protetora, uma luz que a deixara
tranquila, serena, sem as dores penosas que antes sentia.

    Após esse sentimento de paz, seu coração se tranquilizava ainda
mais, e sua mente como num tom de magia se tornava esclarecida sobre
os fatos ocorridos e se abrindo para as lembranças da voz de sua mãe
lhe indicando como proceder naquele momento fatídico.

    E com isso ela sorriu, sabendo que não estava só. Seu rosto que
antes demonstrava dor e desespero, se transformara em uma face serena,
cheia de paz e esperanças.

    O feitor que estava incumbido de açoitar Maria Conga nota o olhar
sereno que ela estaria, e isso lhe trouxe uma sensação de estar
errando ao obedecer as ordens de seu coronel. Contudo ele não poderia
arriscar a não fazer, pois dentro da fazenda a lei era se caso um dos
feitores poupassem algum negro escravizado dos castigos impostos pelo
senhor de escravos, o próprio feitor iria para o tronco junto de seus
familiares, no lugar do negro poupado.

    Mas a cada vez que o feitor levantava seu braço para um novo
açoitamento a escrava, seu coração doía, e ele batia apenas levemente
sua chibata no corpo já machucado da negra.

    Nesse instante chega de um modo desesperador, correndo e chorando
uma mestiça chamando pelo nome do feitor. Era sua companheira, que por
entre lágrimas incessantes pede ajuda ao homem, pois a filha de ambos
arde em febre, um estado febril tão intenso que já lhe causava
convulsões.

    O feitor larga sua chibata, corre até o casebre onde se encontrava
sua pequena filha já desfalecida. Não sabendo como salvar a sua
menina, ele corre até a senzala pedindo ajuda aos negros mais
experientes, e entre esses negros havia uma velha centenária negra,
que sentada ao chão e com seu cachimbo na boca, diz ao feitor sem
tirar os olhos do tição na qual ela acendia o cachimbo.

"Meu filho, você só tem uma chance de salvar sua filha, e só tem uma
pessoa que pode fazer isso. Essa pessoa está morrendo presa ao tronco,
morrendo pelas chibatadas que você foi obrigado a dar nela. Sua filha
não tem muito tempo, leve Maria Conga até ela, pois ela vai saber o
que fazer para tirar a sua menina das mãos da fria  morte."

    O feitor sem pensar muito corre até o tronco, retira Maria Conga
das correntes, se joga a seus pés chorando e suplicando que ela
salvasse a vida de sua filha. E por entre lágrimas e pedidos de
perdão, ele ouve a voz dela pedindo que ele se levantasse e a levasse
até a menina. E assim foi feito.

    Pelo caminho Maria Conga colhia algumas ervas, flores e pegava um
pouco de água que corria no rio límpido. Ao chegar foi direto as suas
orações e benzeduras, fez das ervas, flores e água um cataplasma
colocando sobre o corpo da criança, que como por milagre foi se
restabelecendo, abrindo os olhos devagar e esboçando um sorriso ao ver
o rosto do pai.

    A menina se curou completamente, e o feitor ficou extremamente
agradecido a Maria Conga.

    Nesse mesmo momento Rei Congo recebe uma mensagens de sua doce
esposa lhe dizendo:

    "Meu companheiro de jornada, chegou a hora, peço-te para resgatar
nossa filha das garras da escravidão. Hoje ao meio da noite parta para
as terras onde ela se encontra escravizada. Vá sozinho, e pelo mesmo
caminho que você já fez ao sair de lá."

    Ao ouvir isso, Rei Congo se prepara para o resgate, ele parte do
Quilombo sozinho, sem dizer a nenhum dos que ali se encontrava o teor
de sua missão.

    Ao chegar na trilha oculta que o levaria ao interior da fazenda,
Rei Congo se depara com alguns vultos, passos e respirações
ofegantes. Ele se esconde por entre os arbustos e aguarda.
E de repente reconhece um dos vultos, era sua amada filha que estava
buscando um caminho seguro para se esvair da fazenda cafeeira, junto a
ela estavam o feitor e sua família, que fugiram das terras sangrentas
em busca de paz para que assim pudessem ver sua filha crescer fora
daquele ambiente de baixa iluminação espiritual.

    Ao encontrar por Rei Congo, Maria Conga conta tudo que lhe
aconteceu. Diz sobre a ajuda do feitor que arriscando a vida e a
segurança de sua família, a ajudou na fuga, mesmo sabendo que ele
jamais poderia voltar a fazenda.

    Rei Congo agradecido, leva todos para o Quilombo do Congo, e lá
ficaram por muitos anos, plantando, colhendo, vivendo em paz.

    Maria Conga se tornou a grande benzedeira do Quilombo, ela por
muitas vezes saia em resgate de outros negros junto a seu pai. Fazendo
assim nascer uma corrente de caridade, liberdade e amor.

    Ela ficou no Quilombo por muitos e muitos anos, teve seu
desencarne numa noite de muitas estrelas brilhantes e lua cheia no
céu.

    Toda luz que irradiava em vida, foi recompensada com a benção de
virar uma Entidade de Luz, podendo vir nos terreiros de Umbanda,
incorporada em Médiuns preparados para consultas a quem necessita de
sua ajuda.

    Ela trabalha com e para a caridade, auxilia nas curas de males
físicos e psicológicos, em obsessões, limpezas espirituais de pessoas
e ambientes.

    Sempre busca fazer o bem, sempre com orientações para busca do
melhor caminho a ser tomado a quem se sente perdido.

    Essa é a Vovó Maria Conga, a senhora protetora dos fracos, a
guerreira que lutou pela liberdade, e até hoje nos ensina a dominar
nossos sentimentos de ódio, desesperanças e tristezas, assim como ela
o fez quando esses sentimentos ruins desejavam dominar a si própria.

Saravá Vovó Maria Conga!



Carlos de Ogum

terça-feira, 10 de março de 2015 63 comentários

Os Verdadeiros Médiuns de Umbanda

       

    Muitas pessoas se auto intitulam "Médiuns de Umbanda", seja por
estarem fazendo parte de um terreiro, seja por vaidade, seja por
sentirem algumas vibrações nas lindas batidas ecoadas dos Sagrados
Atabaques, seja apenas por dizerem que são Médiuns para impressionar
alguém.

    Mas as perguntas são:

    Será que ser um Médium de Umbanda se limita nessas pequenas
coisas?

    Será que se  preparar mediunicamente e espiritualmente para
receber em sua coroa a vibração de uma Entidade de Luz é apenas sentir
arrepios ao ouvir o ecoar dos Atabaques?

    Será que ser um Médium de Umbanda é simplesmente colocar uma roupa
branca e guias de contas coloridas e ficar perambulando dentro de um
terreiro mostrando a toda a assistência que você está ali com toda sua
vaidade?

    Não! Ser um verdadeiro Médium de Umbanda não é apenas isso.

    O verdadeiro Médium de Umbanda ama estar no terreiro, fazer os
trabalhos designados, não se importa com vestes brilhantes ou
deslumbrantes, não importa-se com quais e quantas guias vai carregar
no pescoço.

    E muito mais não se importa em se fazer aparecer, não fica
colocando nomes de reconhecidas Entidades de Luz em sua lista de
Entidades trabalhadoras, mesmo não sabendo sequer se está em
incorporação com uma dessas Entidades conhecidas.

    A diferença do verdadeiro Médium para os que se
auto intitulam "Médiuns" nada mais é que a humildade, o amor real pela
Umbanda e a consciência de saber que está ali para servir em prol da
caridade junto a quem necessita, e não para demonstrar vaidade,
prepotência, desamor, força, ódio ou fazer algo que vai contra o
livre arbítrio de um semelhante, como por exemplo a tão pedida
"amarração", que por muitas vezes são demonstradas por falsos médiuns
se dizendo que estão incorporados com essa ou aquela Entidade de Luz,
que na verdade não estão, pois ou estão com espíritos zombeteiros na
coroa, ou simplesmente uma demonstração de mistificação e vaidade,
fazendo assim somente em sujar o nome da verdadeira Entidade de Luz e
da religião de Umbanda.


    Reconhecemos um verdadeiro Médium através de seus atos, de seu
amor para com todos e tudo que se representa na Umbanda.

    Entendemos o amor verdadeiro de ser um médium quando o escolhido
para tal, se entrega realmente aos caminhos da religião, sem que para
isso precise ganhar vantagens como elogios de vaidade, roupagens
deslumbrantes, dinheiro, aplausos.

    O verdadeiro Médium não é um comerciante da fé, não é um artista
famoso, não e um modelo para desfilar roupas lindas e da moda, o
Médium é apenas o ser que foi escolhido para que sirva de mensageiro
entre a Entidade de Luz e o consulente, ou o que empresta o corpo e a
mente para que assim a Entidade fale por ele.


    Deve-se observar extremamente a pessoa que se diz médium, em
detalhes simples, como quando se tem grandes histórias mirabolantes
sobre alguma dúvida que o consulente tenha, quando há interesse em
prender o máximo possível a atenção da assistência para si, quando se
faz receituários mirabolantes e extensos com a mais absurdas tarefas
no sentido de tentar demonstrar que os casos são mais graves do que
aparenta, quando se cobra algum bem para atendimento de alguém que
está ali em busca de ajuda, quando aceita fazer "trabalhos" para
prejudicar um semelhante, entre outros detalhes a ser observado a quem
vai em busca de uma caridade.

    Só frisando, uma Entidade de Luz,  seja de direita ou esquerda,
nunca faz "trabalhos" para a prejudicação de um semelhante, nunca
cobra nada por seus trabalhos, nunca lhe cobra fidelidade nas
consultas (quando é dito por exemplo: "Se não vier a mim e for em
outra Entidade eu vou te cobrar e você pode sofrer"), isso tudo vem do
médium despreparado, mau caráter e vaidoso, que mistifica enganando ao
consulente que lhe confia uma ajuda necessária, assim como engana a si
próprio.


    Como já tinha especificado, o verdadeiro Médium de Umbanda deve
entrar em seu terreiro de corpo e alma, se entregar a caridade, se
sentir bem em fazer essa caridade. Deve ter orgulho de ser
Umbandista e orgulho em poder ajudar sem escolher a quem ajudar.

    Abaixo anexo um texto de um amigo que ao meu ver é um verdadeiro
Médium de Umbanda, nas suas palavras demonstra o orgulho em fazer
parte de uma casa, a alegria de poder caminhar nessa religião, o amor
pelas Entidades e o entendimento que tem sobre realizar a caridade.

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Palavras de: Fernando Perissê Andréo.

    "Um novo ciclo, a jornada agora tem um rumo certo, a
responsabilidade aumentou.
Mas sei que esta é a minha senda, esta é a minha lei e minha fé Que eu
possa estender a mão onde ela estiver em falta.
Que em meio a escuridão eu possa levar mesmo que minúscula essa minha
luz.
Que eu possa levar um sorriso onde as lágrimas são constantes.
Que eu possa levar uma palavra de fé onde o vazio se fez morada.
Que eu possa levar conhecimento onde sofrem pela ignorância.
E se um dia eu não conseguir...que eu tenha forças pra recomeçar tudo
de novo.
Que não me falte a Caridade, que não me falte a Luz, que não me falte
a Alegria, que não me falte a Fé, que não me falte o
conhecimento...que não me falte a Humildade.
E se mesmo assim tudo me faltar, que não me falte a Força e o Amor
para recomeçar tudo novamente.
Pois assim vou ao encontro do Divino Criador. e assim ele espera que
eu faça!

Pois sou parte do UM...sou parte do TODO que é o nosso Divino Criador!

Pois sou Umbandista!"

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    E assim com esse texto que veio do momento de emoção de um grande
amigo e de um verdadeiro Médium de Umbanda, podemos demonstrar a
grande diferença entre o "estar médium" e o "Ser Médium".

Você não está Médium, você é Médium. portanto nada adianta ser Médium
só dentro de uma Gira, conduza esse dom por todos os dias, de uma
forma honesta e humilde.

Médium Que Se Acha, Acaba Se Perdendo... Equilíbrio E Humildade Sempre!



Carlos de Ogum

sábado, 28 de fevereiro de 2015 54 comentários

Ser Pai De Santo Na Umbanda

                       



    Hoje venho falar de algo muito especial, ser Pai de Santo.

    Antes vamos observar apenas a palavra "Pai".

    Ser Pai é algo tão sublime como ser Mãe, apesar de muitas pessoas
darem uma importância suprema a palavra "Mãe".

    E entendo esse exaltar, entendo o amor pela palavra Mãe, mas dou a
mesma importância ao Pai. E falo isso por mim mesmo, pois sou pai. Um
pai na doce expressão de ser realmente um pai.
O pai que cuida, educa, se preocupa, ama seu filho acima de tudo. O
pai que se levanta nas madrugadas frias para verificar se seu filho
não passa frio, o pai que vela pelo sono tranquilo de seu protegido em
noites de tempestade, o pai que se desespera pelo pequeno atraso de
seu menino já crescido, o pai que chora com o choro de sua eterna
criança, o pai que ri das piadas sem graça de seu comediante mirim.
Enfim, o pai que ama seu filho como se ele fosse o único ser existente
na face da terra.

    Acredito que todos os pais deveriam ter esse sentimento, essa
preocupação, esse amor.

    E alguns pais, que amam seus filhos, se estendem com essa
nomenclatura de "Pai" para algo um tanto maior, pois levam esse amor
tão imenso para dentro da religião que ama, como por exemplo a nossa
linda e sagrada Umbanda. E a partir daí se tornam nossos Pais de
Santo, que na maioria das vezes são tão importantes para nós como
nossos pais consanguíneos.

    Abaixo gostaria de anexar um texto que recebi de uma amiga, Fernanda Almeida,  para
melhor demonstrar o amor de um Pai de Santo aos filhos de seu
Terreiro. Em um tom de desabafo, esse texto é uma verdadeira
demonstração de amor aos Filhos de Santo, e que muitos desses filhos
que frequentam uma casa de Umbanda, não entendem ou não percebe o
imenso carinho e amor que um Pai de Santo, e gostaria nessa frase
também mencionar as queridas Mães de Santo, pois o amor é igual, tem
por seus amados Filhos de Santo.

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                    Desabafo de um Pai de Santo.

Autor: Cláudio Alessandro Lino.

"Queridos filhos de santo que hoje se reúnem para falar mal de pais e
mães de santo, Gostaria em nome de meus co-irmãos pedir-lhes desculpas
por termos abertos nossas portas para recebê-los sem muitas vezes
conhecê-los profundamente.

    De perdermos nossas noites de sono tentando arrumar uma solução
para os problemas que vocês criaram para suas vidas, de nos privar de
algumas coisas em nossas vidas pessoais porque precisávamos ajudar um
filho que não fez sua parte na casa.

    De ampará-los, de brigarmos com vocês achando que nossos conselhos
iriam lhe encaminhar para o melhor, de suas vidas terem melhorado um
pouquinho, mais para vocês não ser o suficiente, de nos importarmos em
querer o melhor para vocês.

Simplesmente desculpem, continuaremos aqui, muitas vezes magoados com
suas atitudes e falhas, porém com a certeza de que daqui há pouco
passará e faremos tudo novamente pois o nome disso é MISSÃO!!!

Reflitam!"

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    Esse relato em forma de desabafo de nosso amigo acima demonstra
bem que até mesmo alguns filhos de Santo de uma casa não compreendem,
não percebem e não valorizam seus verdadeiros Pais de Santo.

    E o que podemos entender como "verdadeiro Pai de Santo"?

    O Pai de Santo é aquele que vemos como um caminho a seguir, é
aquele que não usa de seu título para induzir seus filhos a errar, é
aquele que mostra que a Umbanda é uma religião não um comércio da fé,
é aquele que protege seu terreiro e seus consulentes contra médiuns
prepotentes, vaidosos, mentirosos e mistificadores, é aquele que
abraça seu Filho de Santo como abraça um filho consanguíneo,
educando-os, encaminhando-os e amando-os.

    Gosto de frisar para deixar muito claro, que nem todas as pessoas
que estão a frente de um Terreiro, que vestidos com o branco de nossa
Umbanda, que paramentado com Guias de contas sejam Pais de Santo,
pois, um Pai de Santo não é feito por roupas ou guias, ele é feito de
um intenso grau de mediunidade, honestidade, caráter, humildade e
amor.

    Não se deixem enganar pelos falsos Pais e Mães de Santo que
transformaram sua missão em poço de vaidade ou em um modo de adquirir
bens econômicos enganando seus semelhantes.


    Por várias vezes as pessoas me perguntam se eu acho agradável ser
um Pai de Santo, e por mesmo número de vezes eu não sei bem o que
responder. Não porque não ache agradável, em alguns casos até poderia
dizer que sim, pois a Umbanda é algo tão sublime em suas
demonstrações de amor e fé, que extremamente agradável fazer parte
desses grupos, e mais ainda de ser uns dos que está a frente dessa
disseminação de caridade e fé.

    Dentro da Umbanda não há um tradicionalismo, como em outras
religiões, pois não tendo regras escritas dando poderes de líder ao
Pai de Santo, estando ele a frente de uma casa de Umbanda, será ele
que vai dirigir o terreiro, sendo assim sua palavra tem uma grande
força nas decisões tomadas dentro daquela casa.

    O fato é que, em muitas casas, ele não é nomeado nem eleito, ele
tem fiéis seguidores que aceitam e acreditam no que é pregado pelo
mentor da coroa dele.

    O Pai ou Mãe de Santo são os chefes da comunidade de fiéis que
buscam ajuda, desenvolvimento mediúnico, tratamento espiritual e
abrigo sobre o teto de seu Terreiro.

    O Orixá do Pai de Santo será sempre o chefe espiritual da casa.
Ele marca a linha de trabalho do terreiro e a entidade dessa linha que
incorpora nele sempre será o chefe espiritual do terreiro que ditará
todas as normas e regras para o seu funcionamento.


    Finalizando, o Pai de Santo é um Médium extremamente preparado,
mas é um médium como todos os Médiuns frequentadores de uma casa de
Umbanda. Foi desenvolvido mediunicamente e espiritualmente para ser "O
Pai de Santo", o que vai mostrar caminhos, o que vai buscar ajudar ao
filho que necessita, o que vai trabalhar ´para o desenvolvimento dos
Filhos de Santo. E isso além de missão é uma obrigação.

    Então não é necessário que idolatre um Pai de Santo, mesmo que ele
exija isso.

    Pai de Santo não é para ser idolatrado, apenas basta respeitá-lo
como líder da religião, que é tão linda e sagrada, a nossa Umbanda.

Saravá todos os Pais, Mães e Filhos de Santo de nossa Umbanda!



Carlos de Ogum.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 80 comentários

MALANDRO NAVALHA, O SALVADOR DOS MORROS.

   Malandro Navalha, o Salvador dos Morros.

    No morro eu nasci,
no morro me criei,
Do morro não fugi,
e no morro morrerei.

    Me chamo Navalha o Malandro,
em Ogum entreguei minha fé,
ando pelo morro gingando,
assim como faz meu mestre, Pilintra, o Zé.

    Uso minha navalha para curar,
doentes que do morro não podem descer,
a Oxalá peço para me ajudar,
a essas doenças do morro esquecido vencer.

    Não temo a justa nem a rádio patrulha,
meus irmãos do morro continuarei a ajudar,
esse caminho do bem que tanto me orgulha,
com Zé Pilintra junto estarei sempre a caminhar.

    Sou Malandro Navalha protegido de Ogum,
tenha sempre cuidado quando me chamar,
no Terreiro de Umbanda chego em nome de Olorum,
mas se me pedir o mal posso te derrubar.

    É sempre encantadora as giras dos Malandros e Malandras,
normalmente com a presença iluminada e carismática do grande Mestre Zé
Pilintra.

    Mas hoje vamos falar da história de um grande mestre também na
linha da malandragem.

    Uma história que vai nos mostrar o quanto é linda essa linha, como
é que nosso personagem foi escolhido para atuar como Entidade de Luz
nos Terreiros de Umbanda, como são caridosos para com aquele que
necessita, como era usado a lábia da malandragem para ir em busca de
ajuda aos menos favorecidos, enfim, uma história para tirar a falsa
impressão de que um Malandro seja uma Entidade que faz o mal.

    Vamos falar de nosso amigo de luz Malandro Navalha, companheiro de
Seu Zé Pilintra nas andanças pelos morros, pelo bairro da Lapa ou por
toda a cidade do Rio de Janeiro, buscando condições e materiais para
assim poder auxiliar aos moradores dos morros lá pelo início do
século XX.

    Nascido e criado nas ruas e vielas da Lapa, bairro
tradicionalmente conhecido pela boemia, Zé da Lapa, como era conhecido
na região, tinha um incômodo pessoal, não entendia o porque da
diferença entre as pessoas, ou pela posição social, ou pela cor da
pele.

    Ao ver a descriminação dos moradores dos morros, ao ver o desprezo
que muitos tinham pelos negros, ao ver os males físicos, que por
muitas vezes seriam tão simples de serem curados dizimando milhares de
pessoas sem uma chance de cura, pelo simples fato de serem de raças
diferentes, deixava nosso personagem Zé da Lapa muito entristecido.

    Ele sonhava com um mundo melhor, mundo esse em que todos se
respeitassem, se ajudassem, se entendessem.

    Mas a realidade era totalmente ao inverso disso. Os moradores dos
morros, normalmente negros que sofreram nas amarras de seus senhores,
que hoje estando em uma falsa liberdade, sofriam e morriam, não mas
como escravos de senhores, mas sim escravos da sociedade branca,
preconceituosa, racista e podre.

    O sentimento de caridade e justiça de Zé da Lapa começou a virar
algo concreto quando ele conheceu uma pessoa que tinha o mesmo
sentimento dele. José Amadeu da Silva, um pernambucano arretado, que
chegou ao Rio de Janeiro após muitas aventuras de sua vinda do
Nordeste do Brasil.

    Ao se conhecerem, numa dessas noites de boemia no bairro da Lapa,
e entenderem que os dois tinham o mesmo pensamento, José Amadeu e Zé
da Lapa se uniram para levar ajuda aos menos favorecidos.

    Zé da Lapa era astuto, carismático, inteligente e extremamente
habilidoso ao lidar com os homens de farda. Chegava como quem não
queria nada, e de conversa em conversa já virava o grande amigo
brincalhão no meio dos policiais que tomavam conta das entradas dos
morros, para não deixarem entrar medicamentos, comida e água aos
moradores da parte mais elevada da cidade. Fazendo isso, distraía os
homens da lei enquanto seu amigo José Amadeu e todos os outros
"malandros" e "malandras" agiam sorrateiramente, subindo e descendo os
morros levando suprimentos a quem necessitava.

    Zé da Lapa também aprendeu a cuidar de ferimentos, e por muitas
das vezes surpreendia a todos com a pericia do manejar sua navalha na
limpeza de grandes ferimentos, abrindo a carne e retirando todo o
edema contido na parte do corpo machucado.

    Ele fazia isso com uma simplicidade extrema, se utilizando da
própria cachaça para a limpeza dos ferimentos e da sua navalha,
evitando assim qualquer tipo de infecção.

    As lendas dizem que nenhuma pessoa tratada pela navalha de Zé da
Lapa sentiu a mínima dor, tanto nos cortes quanto nas limpezas, e ele
fazia isso rotineiramente, sempre conversando e sorrindo para a
pessoa em tratamento de suas escaras.

    Após fazer esse trabalho de caridade por muitos anos, ele passou a
ser conhecido como o Malandro da Navalha Sagrada, e por esse motivo,
ao virar uma Entidade de Luz nos trabalhos da Umbanda, passou a ser
chamado de Malandro Navalha.

    Malandro Navalha teve seu desencarne ainda com pouca idade, ele
mesmo não confirma a quantidade exata, mas cremos que foi entre os 30
a 35 anos de idade terrena.

    E isso aconteceu numa noite de inverno em plena Lapa, local que
ele amou e viveu toda a vida.

    Como sempre estava Zé da Lapa em busca de fazer a caridade, nas
mãos levava alguns medicamentos e a tradicional garrafa de marafo,
também levava em sua cintura sua inseparável navalha cor de prata. Ao
chegar na subida que o levaria ao morro onde dezenas de pessoas o
aguardavam para cuidados com os ferimentos, Seu Malandro Navalha
observa um grande tumulto de pessoas, notando que dentre elas estaria
algumas dezenas de homens da lei. Ao se aproximar mais um pouco, ele
se depara com uma imensa covardia que o deixara em êxtase. Um dos seus
companheiros de jornada em prol da caridade, que era conhecido como Zé
Preto, um Malandro sorrateiro,, muito astuto, mas muito ligado no
sentimento profundo de amor que tinha por sua companheira e ´por seus
três filhos, que para ele era toda a riqueza que tinha em sua vida.

    Zé Preto estaria em luta corporal com alguns homens da lei, em seu
lado sua companheira demonstrando um extremo desespero, implorando
clemência a sua família, e mais atrás seus filhos prisioneiros, cada
um deles nas mãos de um policial.

    O motivo de todo o tumulto fora que os filhos de Zé Preto foram a
área baixa da cidade em busca de água fresca para ser levada a um
ex escravo muito velho e adoentado, que era tomado por um mal que o
deixava em condição febril de grandes proporções. As crianças ao verem
a situação decidiram ir em busca de água, e se depararam com o
grupamento, que logo entenderam qual era a intenção dos meninos e os
agrediram além de despejar por terra toda a água que levavam.

    A mãe das crianças ao ver toda a cena foi em defesa de seus
filhos, que foi espancada cruelmente e jogada ao chão, e mesmo ao chão
não deixou de ser espancada.

     Ao ouvir os gritos de dor de sua amada e o choro desesperado de
seus filhos, Zé Preto corre em defesa de sua família, e entra em luta
corporal com alguns homens de farda.

    Foi nesse momento que Zé da Lapa, o Malandro Navalha chega, e
nesse mesmo momento o filho caçula de Zé Preto se solta das mãos do
seu prendedor correndo de encontro a sua mãe que ainda se contorce de
dor ao chão. Nessa fuga o soldado arma seu mosquete para alvejar a
criança, e nesse momento Zé da Lapa se joga sobre o menino o
protegendo do chumbo ardente da arma do homem da lei, mas a munição
penetra o corpo de Zé da Lapa chegando até seu coração, fazendo assim
uma dor física descomunal, mas uma paz em seu espírito por ter
conseguido livrar da morte uma pequena criança inocente que só
desejava matar a sede de um velho negro febril.

    Nos dias de hoje Senhor Malandro Navalha trabalha fazendo a
caridade nos terreiros de Umbanda. Demonstrando a paz, o amor,
mostrando caminhos de luz a serem seguidos, ensinando a seus
consulentes que Umbanda não é para fazer o mal aos semelhantes, não é
para destruir lares, não é para fazer amarrações. Ela está presente em
nossas vidas para nos religar a Zambi, nosso Pai Maior. E aqueles que
forem ao encontro de nosso Malandro Navalha para pedir o contrário,
será tentado ser demonstrado o erro que estão fazendo, e se mesmo
assim não aprenderem com o ensinamento do amor, poderá ter uma lição
constituída na dor.

    Assim falou Senhor Malandro Navalha.

Saravá todos os Malandros!

Saravá Senhor José Pilintra!

Saravá nosso amigo fiel de todas as horas, Senhor Malandro Navalha!

Carlos de Ogum.






sexta-feira, 30 de janeiro de 2015 51 comentários

Poema a Mãe Iemanjá

                       


Autor: Carlos de Ogum.


    Na grandeza dos belos mares,
busco sua proteção,
a ti peço que me guardares,
me acolhendo em seu coração.

    A beleza em ti resplandece,
fazendo meus olhos brilharem,
ser seu filho a mim enobrece,
feliz em ter seus anjos me habitarem.

    Doce Mãe d'água nossa Rainha do Mar,
a ti clamo com fé e devoção,
seus encantos me faz eternamente te amar,
linda Mãe Iemanjá, deusa do meu coração.

        Seu olhar doce me encanta intensamente,
suas mãos protetoras sempre me encaminhando,
Mãe divina que me ama verdadeiramente,.
me protegendo e sempre me amando.

    Senhora poderosa do manto azulado,
em tuas mãos entrego meu caminhar,
seu mar encantador sobre o céu estrelado,
Fortalecendo, elevando e me ensinando a não errar.

    Sereia deslumbrante dos grandes oceanos,
Mãe dos peixes do fundo do mar,
me livrando dos espíritos perdidos e tiranos,
com seu manto sempre vem me abençoar.

    Doce luz que minha alma ilumina,
Santa poderosa que vem me acolher,
tua nobreza sempre me fascina,
Mãe Iemanjá, linda Rainha de grande poder.

    A ti querida e poderosa senhora,
entrego meu espírito e o meu viver,
fazendo entre versos e prosa,
uma homenagem a minha Rainha, o meu bem querer.

    Senhora de extrema beleza,
que cultiva a paz e o amor.
me fortalecendo com sua natureza,
sempre me iluminando onde for.

    Rogando estarei eternamente,
pedindo seu carinho e sua proteção,
te amando estarei imensamente,
Mãe D'água, rainha dos peixes, senhora divina do meu coração.

    Linda Orixá, deusa do rio Yemojá,
protetora sublime dos pescadores e jangadeiros,
iluminada pelos raios do Sol de Pai Oxalá,
Mãe tão bela protetora dos filhos de nossos terreiros.

    Majestade dos mares, nossa sereia sagrada,
nos cuidando com zelo e carinho, assim como só uma mãe o faz,
maravilhosa divindade linda, eternamente amada,
senhora dos Oceanos, mãe de todos os Orixás.

divina protetora da família em união,
deusa das pérolas do fundo do mar,
que sempre ampara o recém nascido com sua mão,
mostrando benevolência e luz ao nos amar.

    A ti Mãe protetora agradeço.
seu gesto de amor e caridade,
me acompanhando minha alma desde o começo,
fazendo de meu caminhar puro e cheio de felicidade.

    A ti querida mãe peço para me abençoar,
com a força de Ogum, Oxum, Xangô e Oxalá,
sobre as forças divinas do majestoso senhor mar,
lhe entrego minha vida querida senhora Mãe Iemanjá.

    Odociaba Mãe linda Rainha do Mar!

    Saravá Iemanjá!



Carlos de Ogum

terça-feira, 20 de janeiro de 2015 85 comentários

A História do Caboclo Sete Luas e o Curumim Joãozinho

       

Caboclinho Pequenino, Onde  É Que Eu Vou Morar?
Eu Moro Nas Matas Virgens Com Jurema, Juremá,
Nas Matas Pai Oxossi É Meu Protetor,
Medo Não Tenho, Sou Um Guerreiro Mirim,
Guardo Minha Aldeia Com Muito Amor,
Eu Sou Joãozinho Das Matas, O Pequeno Grande Curumim.



**********************************************************************

Kiô Kiô Sua Mata Em Festa,
Saravá Seu 7 Luas, Ele É Rei La Da Floresta.
Eu Vi,
Um Caboclo Eu Vi Surgir Da Mata Virgem,
E A Luz Do Sol A Ele Clareou,
Vinha Conduzindo A Sua Caça,
Com Sua Flecha Certeira Ele A Pegou.
Kiô Kiô Sua Mata Em Festa,
Saravá Seu 7 Luas, Ele É Rei La Da Floresta.
Ele É Caboclo Forte,
É Cacique De Aldeia,
Ilumina Sua Luz,
O Seu Filho Ele Clareia.
Traz A Paz De Aruanda,
Nos Caminhos De Iemanjá,
Coroando A Nossa Umbanda,
Com A Coroa De Oxalá.



**********************************************************************

    Um Curumim que desejava firmemente ser um guerreiro de sua tribo,
e um Cacique guerreiro que comandava seus valentes e destemidos
lutadores em prol da paz e segurança de sua aldeia.

    O Cacique guerreiro tem como seu nome Sete Luas, e o pequeno
Curumim era chamado pelo seu povo de Inaiê (Águia Solitária).

    E como será que essas histórias se entrelaçam?
    Como será que esses personagens foram escolhidos para trabalharem
pela caridade dentro da Umbanda?

    Tudo começou em uma aldeia indígena na região Norte do Brasil,
isso no final do século XIX e início do século XX.

    A aldeia era isolada no meio da extraordinária Floresta, ali os
índios só tinham contato com a Mãe Natureza, que era maravilhosa, e
dela retiravam seus alimentos.

    A Aldeia era chefiada por um índio extremamente forte, de poucas
falas, observador, que quase nunca sorria, sempre com seu olhar
penetrado, sereno e extremamente dedicado a seu povo, fazendo assim
com que todos os respeitassem acima de todos e apenas abaixo de seus
Deuses.

    Esse Cacique tinha o nome de Sete Luas, dado por seu pai após seu
nascimento e após ter pedido aos Deuses orientação para selar o
caminho de seu filho com um nome que poderia o levar a ser um grande
guerreiro e um supremo líder quando esse estiver dentro da idade de
herdar o carinho e respeito de seu povo, quando Tupã chamar seu pai e
antigo Cacique para o reino dos espíritos.

    Ao Olhar para o céu em uma noite clara, com seu filho nos braços,
o antigo Cacique e pai de nosso personagem o ergueu a avistar uma
formação não comum no céu da noite estrelada. Parecia-lhe 6 pequenas
Luas com uma grande ao centro. E essa Lua maior irradiava uma luz azul
linda, na qual ia de encontro com a criança, iluminando intensamente o
seu rosto.

    E assim o Cacique entendeu, que os deuses estavam mostrando que o
nome de nosso futuro guerreiro seria "Sete Luas", e logo foi dito a
todo povo da aldeia, que festejaram com danças e alegria, entendendo
que acabara de nascer o futuro Cacique Guerreiro da aldeia.

    Os anos passaram, Sete Luas cresceu, e ao completar seus 20 anos,
teve a perda trágica de seu pai, amigo, protetor e Cacique. E com isso
ele mesmo tomado pela tristeza de não ter mais seu ponto de apoio e
sua base de vida, teve que assumir o lugar de seu pai, virando assim o
Cacique Sete Luas, o guerreiro que agora deveria proteger seu povo,
chefiar seus guerreiros, encaminhar seus caçadores, ensinar o
companheirismo

    O Cacique Sete Luas tinha uma irmã consanguínea, na qual ele tinha
ficado responsável após o desencarne de seu pai, ele passou então a
cuidar dela como uma filha.

    Essa menina cresceu, se tornando uma linda mulher, sendo desposada
por um dos mais bravos guerreiros sobre o comando do Cacique Sete
Luas. Após algum tempo do entrelace, a irmã/filha do Cacique guerreiro
deu a luz a um menino, lindo como a mãe e robusto como o pai.

    Esse menino foi batizado com o nome de Inaiê (Águia Solitária),
pois como era de tradição entre as tribos indígenas, o nome dado ao
recém nascido, seria de algo que chamasse atenção do pai no momento da
apresentação da criança a mãe natureza.

    E no momento que apresentava o pequeno curumim, saia, em voou de
encontro aos dois, uma grandiosa águia branca, que posou diante dos
dois, de asas abertas, como abençoando aquela criança.

    Essa águia era companheira das andanças, caças e proteção da
aldeia do Cacique Sete Luas, pois onde ele se encontrava ela estava,
ou próxima ou mesmo sobre o ombro do guerreiro.

    Quando a irmã consanguínea começou a gerar uma nova vida em seu
ventre, a águia passou então a ficar nas copas das enormes árvores,
observando cada passo da índia gestante.

    Muitos observaram esse fato, e sempre apontando para a águia
solitária e protetora, como se ela fosse uma deusa entre os
indígenas.

    Então por esse motivo o pai do pequeno recém nascido, vendo a
atenção e a proteção daquela águia solitária, colocou o nome da
criança de Inaiê.

    Antes de completar dois anos de idade, o curumim Inaiê já foi
atacado por um fato extremamente dolorido e triste pelo senhor
destino, seu pai e sua mãe, como era de tradição deveriam ir em busca
de ervas raras para fazerem um amaci, que pedido pelo Pajé da aldeia,
serviria para a entrega do filho aos deuses da mata, ao completar dois
anos de idade.

    Na busca dessas ervas, o casal indígena, ao se aprofundarem em
matas distantes, se depararam com o mais terrível inimigo dos índios
naquela época, o homem branco.

    Os dois foram caçados e assassinados pelo inimigo, deixando seus
corpos jogados e inertes sobre a terra mãe e sobre o olhar dos
espíritos da mata, que choraram em forma de chuva.

    Ao longe a águia solitária observava tudo, e reconhecendo a força
do destino, apenas voou após o fato ocorrido, para ir em busca do
Cacique guerreiro, que prontamente foi ao local onde se encontrava os
corpos já sem vida dos seus irmãos de aldeia.

    A partir desse dia o Cacique Sete Luas passou a se responsabilizar
pelo pequeno menino indígena, fazendo seu juramento de cuidar da
criança por todos os dias de sua vida. Esse juramento foi feito pelo
nosso Guerreiro aos deuses da floresta, com os olhos lacrimejados e
dor no coração por ter perdido a sua doce irmã e seu mais nobre
guerreiro.

    Após o juramento ele vê um vulto ao longe que parado junto a uma
árvore sagrada, lhe diz:

    "Os Deuses das Matas reconhecem sua dor e também reconhecem seu
carinho e amor com o pequeno Inaiê. Contudo alertamos que a criança
está prometida aos espíritos superiores. Faça dele um pequeno
guerreiro, o mais rápido possível. Pois seu tempo é curto, ele partirá
antes da quinta lua grande aparecer, na volúpia sanguinária do atroz e
temido oculto ameaçador das matas. Mesmo assim você deverá lutar para mostrar sua força aos espíritos da floresta, para que um dia você possa cumprir sua promessa."

    Com essas palavras o vulto desaparece, sem deixar vestígios, sem
deixar uma resposta de entendimento do que poderia vir pela frente.

    O Cacique Sete Luas tomou para si a responsabilidade de mostrar ao
pequeno Inaiê a arte de ser um caçador destemido, de ser um peixe na
água, de ser um entendedor dos ventos, nuvens, estrelas e todas as
partes cedidas pela a Mãe Natureza.

    E mesmo com a pouquíssima idade terrena, o pequeno curumim já
demonstrava ser especial, entendendo tudo e demonstrando a todos tudo
que aprendera com o seu Cacique.

    Se passaram apenas 2 anos, o menino parecia realmente um guerreiro
destemido, e por todo lado que o Cacique Sete Luas ia, e tudo que
fazia, o pequeno Inaiê estava junto, fazendo, observando, aprendendo.

    O Cacique na lembrança das palavras do vulto que viu e ouviu na
floresta, começou a monitorar e proibir o pequeno curumim de se
embrenhar pelas matas, lhe dizendo sobre os perigos, e lhe pedindo que
só fosse entrar nas sombrias matas com a companhia dele, o Cacique
guerreiro.

    O Menino obedecia sem pestanejar o seu protetor e cuidador, não
queria preocupar o grande guerreiro.

    Mas certo dia, por andanças entre uma oca e outra, o curumim se
depara com uma conversa entre um velho índio e sua esposa, sendo o
assunto exatamente a morte dos pais do menino.

    Ele para escondido por entre as sombras e ouve sobre o
assassinato de seus pais pelos homens brancos dentro da floresta mãe,
e também da lenda que foi criada pelo fato ocorrido de que um grande
felino pintado, que seria um espírito negro da floresta, teria mandado
os atrozes homens brancos matarem seus pais.

    Inaiê tomado pelo ódio, saiu das sombras que o escondia, foi a sua
oca, pegou seu pequeno arco e flecha, que lhe fora presenteado por seu
Cacique e partiu adentrando na floresta negra em busca dos assassinos
de seus pais e também da grande onça pintada, que em sua mente seria o
espírito negro da floresta que teria ordenado a execução.

    Ele foi sem se lembrar do perigo que tanto seu Cacique tinha lhe
falado, sem se lembrar das lições que recebera de seu protetor.
Apenas foi, uma pequena criança que não entendia que o ódio e a
vontade de se vingar seria o fim de sua vida terrena.

    Já mais tarde, e já de volta a aldeia, o Cacique Sete Luas procura
seu curumim por todas as partes, e em essa procura, algumas crianças,
que o viram saindo rumo a floresta falaram o destino ao guerreiro.

    O Cacique se desesperando, lembrando das palavras ouvidas anos
atrás, lembrando-se que faltavam 21 dias para o menino completar seus
cinco anos, saiu desesperadamente em busca de seu sobrinho.

    Foram algumas horas de busca dentro da floresta. Gritando pelo
seu nome, e sem obter respostas, imaginava o pior.

    Olhando para o alto viu sua águia branca sobrevoando um local, ela
descia como um raio e subia como um foguete, tentando chamar atenção
dele para o local.

    Ele adentrou pela floresta com seu arco na mão, num ar de
desespero, ao longe viu a cena que jamais desejaria ter visto, o
pequeno curumim frente a frente com o grande felino pintado, que num
só bote esmaga os ossos frágeis do menino, que cai sem vida diante dos
olhos do seu tio.

    Sem esperar o enorme felino tenta abocanhar o corpo do curumim, com
intenção de levá-lo para longe dali. Vendo isso o Guerreiro Sete Luas,
no ápice de seu desespero e raiva, corre atacando a fera pintada, de
primeiro momento para tentar salvar a vida de seu curumim, e após um
breve momento de entendimento, observando que o menino já não estava
vivo, continuou atacando o felino para tentar resgatar o corpo do
pequeno índio, para poder levá-lo a aldeia.

    Num ataque de ira, a feroz onça pintada ataca nosso guerreiro
arrancando-lhe parte de seu pé direito, que mesmo se esvaindo em
sangue luta incansavelmente com o felino grandioso, tentando assim não
deixar que o animal levasse o corpo inerte do curumim.

    Por algum tempo eles lutaram, e quando o Cacique Guerreiro já
perdia as forças, o animal grotesco, também bastante ferido, fora
atacado pela a águia, que num ímpeto feroz atira suas garras
certeiras nos olhos da onça, ferindo-os intensamente ao ponto de
deixá-la numa escuridão descomunal.

    Com esse fato o felino corre sem destino por entre as árvores da
floresta, deixando ali nossos três personagens heroicos, a águia
branca, o Cacique Guerreiro e o pequeno corpo inerte de Inaiê.

    O Guerreiro Sete Luas, com seu coração atormentado, mais
dilacerado do que todas as machucaduras de seu corpo, se levanta
pegando algumas ervas, e macerando com a seiva do orvalho das folhas,
fazendo assim uma massa que lhe ajudaria a conter o sangue que se
esvaia do seu pé ferido. Após esses cuidados ele pega o corpo do
pequeno curumim em seus braços, e seguindo a águia branca, se
encaminha para fora da floresta fechada, rumo a sua aldeia e a seu
povo.

    Ao chegar na aldeia, o Pajé toma conta dos seus ferimentos, e
também prepara o corpo de Inaiê para ser entregue aos espíritos da
mata.

    Todo ritual indígena foi feito sem perder nenhum detalhe da
tradição durante o sepultamento do menino. Diante disso o Cacique
Guerreiro se tornou mais fechado, das poucas palavras que dizia, era
tão somente ordens a seus discípulos e guerreiros, ele passava a
maioria do seu tempo solitário, ou apenas na companhia da águia
branca.

    O tempo passou, e numa noite de Lua cheia, com as luas menores em
volta, da mesma forma de que no dia de seu nascimento, o Cacique Sete
Luas sentado as margens de uma linda cachoeira de águas límpidas, ouve
uma voz vindo de um vulto, o mesmo vulto que já teria visto a anos
atrás, lhe dizendo:

    "Grande Cacique Guerreiro, chegou a hora de seu reencontro com o
seu curumim Inaiê. Após todos esses anos de espera, hoje é o dia.
Antes de sua partida, quero dizer que sua missão não acabou, seu
corpo fica na terra, sua alma vai aos céus. Nessa ida junto aos
espíritos superiores, você vai buscar a evolução final, para que um
dia bem próximo, retorne em forma de Entidade de Luz, assim como virá com você o Espírito do menino Inaiê.
    Seu trabalho será ajudar a necessitados, salvar os corpos das garras de atrozes, assim como fez com o pequeno curumim, trabalhará em prol da caridade em nome do Deus Maior, assim como da mesma forma que o pequeno Inaiê já está preparado a fazer."

    Após essas palavras o vulto desaparece, assim como da primeira
vez, e após minutos, o Cacique Guerreiro desencarna sobre a luz da mãe
Lua.

    Nos dias de hoje e nos terreiros de Umbanda, o Cacique Guerreiro
trabalha em favor a caridade, conhecido pelo nome de Caboclo Sete
Luas, ele vem a terra incorporado em médiuns preparados, para fazer
limpezas, combater doenças e pragas, abrir caminhos, lutar contra
obsessores e salvar os filhos que nele tem fé.

    Da mesma forma vem também nos terreiros de Umbanda o pequeno
curumim Inaiê. Chegando aos trabalhos espirituais em forma de Erê,
demonstrando toda sua inocência e amor pelo seu trabalho. Tem imensa
alegria de ser chamado de pequeno guerreiro, admiração pelo seu tio
amado, o grande Cacique Sete Luas. E dentro dos trabalhos Umbandista
foi batizado como Joãozinho das Matas, sendo assim para ficar mais
familiarizado com as crianças terrenas.


    Saravá o Caboclo Sete Luas, salve o Erê Joãozinho das Matas!

Okê Caboclo!

Oni Ibeijada!

Carlos de Ogum

 
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