sábado, 30 de setembro de 2017 43 comentários

A Mistificação de Médiuns na Umbanda

               

    Muito se prega dentro dos terreiros, centros e tendas, para termos cuidado máximo em não nos entregarmos a mistificação.

    Sabemos que a mistificação é danosa ao médium mistificante, ao andamento dos trabalhos, a casa, aos consulentes, enfim, a todos os envolvidos.

    Médiuns que dão abertura as essas mistificações, automaticamente estão dando aberturas a espíritos sem luz, como Eguns, Kiumbas e Zombeteiros, que se utilizam desses médiuns mal preparados, vaidosos, mentirosos para se apossar da vida tanto dos consulentes que vão buscar auxílio em momentos de desesperança e desespero, quanto do próprio médium mistificador, além de entrarem com facilidade nos terreiros que por algum motivo a firmeza não esteja 100%. Alias o próprio médium mentiroso e mistificador já faz essas firmezas ficarem sobrecarregadas, pois ele deveria estar ali para auxiliar a caridade e não elevar a sua própria vaidade.

    Sabemos que a incorporação tem como objetivo principal o trabalho espiritual, realizado com a Entidade de Luz em conjunto com o médium. Tem como foco principal promover limpezas, quebrar demandas, restabelecer o equilíbrio, curar, abençoar e comunicar o que é necessário no momento.

    Nenhuma Entidade de luz vai se ater a assuntos peculiares, como por exemplo, perguntas sem ligação com o fato principal, ficar perguntando por pessoas, dando detalhes como nome de fulano ou beltrano, passando receituários grandiosos, sem ligação de nada com nada, cobrar adoração, mandar o consulente ir a lugares dificultosos como cemitérios, matas fechadas a noite, enfim, tudo que possa dificultar o andamento dos trabalhos, somente para dizer que sabe mais coisas que seu semelhante igualmente médium.

    Infelizmente vemos muitos médiuns mal preparados tentarem entrar no caminho das adivinhações, e assim poderá se perder na mensagem, e ao invés de comunicar o que realmente importa a pessoa, e que irá ajudar a melhorar sua vida e sua caminhada rumo à evolução, inicia um show de adivinhação, que certamente nunca acerta e também não soma em nada. Basta percebermos, toda vez que um médium mistificante quer adivinhar coisas, ele busca falar fatos que não pertencem a ele ou a espiritualidade, inventam cargas e obsessores, receitam diversas coisas que nada tem de concreto com o caso do consulente, tenta demonstrar que o problema é mais sério e complicado do que realmente é, manda o consulente fazer oferendas com elementos e em lugares mais improváveis possíveis, só para dificultar e assim mostrar que o fato é grave, e logicamente demonstrando a velha vaidade de querer ser o melhor médium para solucionar tudo, e quando nada acontece de bom, ele diz que foi a falta de fé do consulente.

    E assim chegamos ao ponto critico da questão, e entender que a mistificação deve ser combatida nos terreiros, no qual os Zeladores de Santo devem tomar extremo cuidado com seus médiuns vaidosos, orgulhosos, inseguros, mal desenvolvidos.

    Devemos também frisar que muitos médiuns mistificam não por sentimentos obscuros, mas pela ânsia em auxiliar o consulente, e assim desenvolvem emoções de caridade pessoal, não deixando a Entidade de Luz falar o que realmente deveria ser dito.

    Normalmente em casos assim, esse médium fala pelo seu subconsciente, e não pelas más intenções de espíritos sem luz como Kiumbas, Eguns e principalmente Zombeteiros. Dessa forma ele fala também o que é importante avaliar: o que tem efetividade e traz benefícios.

    Portanto mistificação intencional de forma vaidosa em si, já é outro precedente, mais profundo e complexo, pois é a intenção de mentir, coisa que acontece com o zombeteiro, tem espírito que finge ser e tem pessoas que fingem ser. Se a intenção é de mentir, enganar, falsear... isso sim é mistificação intencional e vaidosa. Podemos dar um exemplo básico de quando uma pessoa diz estar incorporado com um Preto Velho, se faz parecer com o linguajar e manifestando como tal, mas na verdade não é essa Entidade que está presente, normalmente é um espírito Zombeteiro, que certamente vai dificultar ainda mais a caminhada do consulente. E assim o erro já está instaurado, e essa inspiração de mentir, é algo nocivo e tende a uma falta de caráter espiritual completa do médium, pois somente ele é o responsável por esse acontecimento, pelas aberturas dadas, estando esse médium em trabalho humilde e bem feito, essas aberturas não são dadas e é impossível a chegada de um Zombeteiro na coroa dele.

    Muito se vê esses erros e entregas a espíritos Zombeteiros em Giras de Exú e Pombo Giras, pois são nesses trabalhos que mais chamam a atenção de consulentes, que muitos médiuns desejam ser o centro das atenções, e assim soltam por completo a vaidade, o descontrole, e o mal caratismo, fazendo com que dezenas de Kiumbas, Eguns e Zombeteiros se acheguem em sua coroa, dando diversas aberturas, e isso é extremamente prejudicial a todos.

    Por esse motivo que vemos tantos erros dentro de terreiros nessa Gira, que deveria ser tão iluminada, erros como médiuns pregando amarrações, oferendas sem nexo, acendimento de velas em locais obscuros, sacrifícios de animais, enfim, tudo invenção do médium, ou indução de espíritos sem luz, pois como sabemos nenhuma Entidade de Luz da Umbanda prega essas coisas.

    O que esses médiuns não entendem é que eles são responsáveis naquele momento da consulta pela vida de seus consulentes e que qualquer coisa que aquele médium disser, interferindo no trabalho da Entidade, ou usando o nome da Entidade para dizer o que quer, esse médium está comprometendo toda a corrente espiritual, está se comprometendo com a Entidade e com toda a hierarquia dela, e que por esse momento de vaidade e descuido, esse médium está abalando anos e anos de trabalho do dirigente espiritual, de todo o corpo mediúnico e espiritual daquele terreiro, causando muitas vezes a falência daquela casa de luz.

    É inimaginável crer que um médium acredite que está servindo a caridade utilizando-se de artifícios que serão, mais cedo ou mais tarde, descobertos. Senão pela corrente mediúnica encarnada, mas pela corrente espiritual.

    Sabemos que a caridade exige de nós três coisas:

Amor a Deus.
Amor ao próximo.
Amor próprio.

    Se não tivermos essas três formas de amor, certamente não faremos um trabalho digno dentro da Umbanda.

    Finalizando, devemos observar muito bem o trabalho dos médiuns, verificar suas falas, suas ações, seus gestos. E quando observar um médium se dizendo incorporado de um "guia de luz", que se manifesta para tudo, menos para praticar a caridade, e até mesmo, afirmando que veio em terra (pois afirma estar incorporado) pra beber, fumar e fazer o que bem entende, desconfie, pois: ou o médium está utilizando de uma suposta incorporação para satisfazer seus vícios (mistificação), ou, se tem um espírito incorporado, é um espírito que pode pertencer a qualquer universo, menos ao universo umbandista, pois a Umbanda tem Lei e Ordem, tem Preceitos que não podem ser lançados fora, e de fato não são lançados pelos espíritos genuinamente trabalhadores de Umbanda.

    Desconfie quando ver o contrário. Infelizmente isso acontece dentro dos "terreiros de umbanda" o tempo todo. Espíritos do baixo astral tomam a forma de guias de Umbanda, se identificam com se fossem os guias de Umbanda, enganam o médium (ou o médium se deixa enganar) e fazem barbaridades no ambiente e com os consulentes que estão presentes. Mas também é comum a mistificação onde pessoas que não são médiuns fingem estar incorporadas de espíritos de luz nos dias de gira de Umbanda, e isso para chamar atenção, vaidade, entre outras coisas.

    Então consulentes vamos ficar atentos; senhores médiuns trabalhem pela caridade com honestidade; senhores dirigentes e Zeladores atenção redobrada dentro de suas casas de Umbanda, para que possamos levar uma verdadeira Umbanda a quem precisa, com amor, paz, humildade, honestidade, sem vícios, maus sentimentos, vaidade e mentiras.


Salve a nossa amada Umbanda!


Carlos de Ogum
quarta-feira, 20 de setembro de 2017 53 comentários

AS VESTES NA UMBANDA.

             


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    Um dos grandes debates entre médiuns, Zeladores e dirigentes de
terreiros é as vestes que se deve ser usada no culto de Umbanda.

    Muitos pregam que as vestes devem ser  caracterizada a cada
Entidade de Luz, fazendo assim que a Gira se torne um grande desfile
de modas.

    Devemos entender que a Umbanda é uma religião simples, humilde, de
entrega de coração a caridade, ao amor e a paz. Portanto ficar
buscando a vaidade entre os filhos de uma casa é totalmente errado.

    Então devemos refletir muito bem, prestar muita atenção onde
estamos buscando fazer a caridade, pois nas casas que dirigentes e
Zeladores pregam que o médium deve usar roupas coloridas, capas
diversas, ternos, cartolas, longos vestidos de pura renda, camisas
coloridas e sendo trocadas a cada nova incorporação de uma nova
Entidade de luz é pura vaidade e demonstração teatral para chamar
atenção indevida.

    Na Umbanda, em seu princípio, um dos grandes elementos e
significados e fundamentos é o uso da vestimenta na cor branca. Como
sabemos, em 16 de novembro de 1908, quando foi anunciada a Umbanda no
plano físico, e também quando foi fundado o primeiro templo de
Umbanda, que foi a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, a Entidade
de Luz, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que anunciou a nova
religião, ao fixar as diretrizes e bases do segmento religioso, expôs,
dentre outras coisas, que todos os Sacerdotes, Zeladores e médiuns
usariam as roupas brancas, e isso certamente não é por acaso,
notoriamente essa colocação foi dada por ter o Caboclo das Sete
Encruzilhadas um profundo conhecimento místico, científico e
religioso da cor branca.

    Sabemos que no decorrer de toda a história da humanidade a cor
branca aparece como um dos maiores símbolos de fraternidade já
utilizados. Vários são os povos que abraçaram essa cor para demonstrar
a caridade, o amor e a paz. O próprio Cristo ao tempo de sua missão
terrena utilizava túnicas de tecido branco nas peregrinações e
pregações que fazia.

    Portanto devemos dentro de nossas Giras estarmos de roupas
brancas, sem deixar que a vaidade tome conta, fazendo com que levarmos
a crer que o terreiro de Umbanda seja um palco para desfiles e peças
teatrais.

    É extremamente incoerente pregar que uma Entidade de Luz, que
é abençoada por Deus, e entregue a ela a missão da caridade, do amor,
da humildade e da paz, só trabalhe com roupas a caráter. Sim, sabemos
que as Entidades de Luz foram seres Encarnados em algum momento, porém
evoluíram, e evoluíram tanto que foram escolhidas para fazer o bem em
nome de Deus junto aos seres que ainda estão encarnados e cheios de
defeitos. Portanto não existe isso, as Entidades trabalham pela
caridade e não pela vaidade.


    Essa visão de que devemos usar vestes que supostamente uma
Entidade de Luz exige, é pura mistificação, desorientação e vaidade
de médiuns mal preparados, sem a mínima noção de que seja uma
Entidade de Luz, sem a mínima noção de que seja Umbanda, ou sem a
mínima noção de que seja trabalhar pela caridade.

    É muito fácil encontrar em alguns terreiros, armários cheios de
capas, ternos, camisas coloridas, lenços, etc. No qual o próprio
Zelador da casa se coloca como usuário dessas vestes, e a cada troca
de incorporação, uma troca de roupa. Isso na verdade além de ser uma
grande vaidade, se torna ridículo, pois a perda de tempo é extrema, e
esse tempo gasto com essas trocas de roupas, poderiam ser gastos com
orações, preces, auxílios, caridade a quem necessita.

    Infelizmente o que vemos hoje em dia são médiuns mal
desenvolvidos mediunicamente, tentando aparecer mais que seu
semelhante dentro do terreiro, e um modo mais simples de enganar a
assistência e se vestir de uma forma chamativa, com artefatos que nada
tem a ver com a realidade da Entidade de Luz que esses médiuns estão
tentando passar aos consulentes.

    Podem ter certeza que em médiuns vaidosos, sem noção de
vestuário, as Entidades de Luz estão distantes. O que esses médiuns
trazem na coroa é sua visão errônea do que seja Umbanda, e assim dão
aberturas a espíritos sem luz, obsessores como Kiumbas, Eguns e
Zombeteiros.

    Devemos ficar atentos como consulentes ou visitantes de algum
terreiro esse ponto de vaidade. Desfile de modas não faz parte da
Umbanda. Podemos estar buscando mais problemas a nossa caminhada, ao
invés de sermos ajudados.

    Os médiuns de Umbanda devem utilizar as vestes na cor branca, pois
e essa cor neutra que transmite a sensação de assepsia, calma, paz
espiritual, serenidade e outros valores de elevada estirpe.

    Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que
lembrar que a religião que abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que
Oxalá, que tem a cor branca como representação, supervisiona os Orixás
restantes. Assim como a cor branca contém dentro de si todas as demais
cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura
cósmico astral todas as demais irradiações, como: Ogum, Xangô, Oxossi,
Obaluaiê/Omulú, Oxum, Iansã, Iemanjá e Nanã Buruquê.

    A implantação desta cor em nossa religião, não foi fruto de opção
aleatória, mas sim pautada em seguro e inequívoco conhecimento de quem
teve a missão de anunciar a Umbanda. Portanto devemos respeitar essa
posição e parar de colocar a vaidade e a falta de informação acima
da realidade umbandista.

    Salve o caboclo das Sete Encruzilhadas!

    Salve a Umbanda sem vaidade!

Carlos de Ogum.
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domingo, 10 de setembro de 2017 61 comentários

A História da Pombo Gira Rosa das Sete Saias

          

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No clarão da noite de Lua cheia,
ela veio reinar na terra sagrada,
pelos montes lindos ela passeia,
mostrando ser uma moça iluminada.

Sua força vem da beleza de Mãe Iansã,
e assim todas as filhas ela conduz,
quando chega na Umbanda ilumina nosso amanhã,
essa é a Pombo Gira Rosa das Sete Saias, a enviada de Jesus.
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   A Pombo Gira Rosa das Sete Saias tem uma história muito interessante, pois ela viveu em prol da caridade as jovens abandonadas pelas famílias, que normalmente eram expulsas ou por um desvio de conduta, ou por ideias acima do tempo vivido, ou por mostrarem que não aceitavam ser dominadas por tradições da época.

    Ela viveu nos meados do século XIX, e por ser extremamente lutadora por igualdades, foi expulsa de sua região pelos grandes coronéis da época. Coronéis esses que não respeitavam as mulheres, os negros e as pessoas que pregavam ideias diferenciadas desses poderosos.

    Nessa época a Pombo Gira Rosa das Sete Saias era conhecida apenas por Rosa, seu nome de batismo e vivia com seus pais e irmãos na região Norte do Brasil.

    Ela sempre foi diferenciada por estar sempre em desacordo com os grandes poderosos coronéis do tabaco, arroz, cana de açúcar, e assim conseguiu muitos desafetos, sendo perseguida até ser expulsa de sua região, sem que antes sofresse a enorme perda de sua vida, toda sua família fora massacrada por esses sanguinários senhores fazendeiros.

    Ela astutamente conseguiu se desvencilhar das agressões dos jagunços comandados pelos coronéis, fugindo de sua pequena cidade e se escondendo pelas florestas, rios e pântanos, até chegar a um monte no qual ela fez morada.

    Os dias iam passando lentamente, e Rosa cada dia era tomada por uma tristeza sem fim. Com a perda de seus pais e irmãos, ela não tinha mais vontade de caminhar, suas esperanças já não existia mais, seu amor pela vida e sua vontade de lutar estava quase se extinguindo, quando em uma noite clara no qual o cume do monte era tomado pela luz de um luar lindo e estrelas brilhantes, Rosa sentada na relva com os olhos fixos para o horizonte tomado pela escuridão da noite, escuta chamarem por seu nome.

    Ela assustada da um sobressalto, e se depara com uma linda mulher vestida de guerreira, de olhos amendoados, cabelos brilhantes como o Sol, em sua mão direita segurava uma espada de cor de ouro, e com uma voz forte, porém meiga, ela disse a jovem Rosa:

    "Filha amada, não se deixe vencer, você é forte, é lutadora, é guerreira, é minha protegida. Sua missão apenas começou.
    Deve erguer a cabeça, iluminar sua fé, buscar os caminhos da caridade, pois muitas pessoas dependerão de sua vontade de lutar.
    Esse monte será seu ponto de força, cada vez que fraquejar venha até ele, busque a força do Sol, a clareza da Lua, a união das estrelas. Sinta o vento acariciando seu rosto e cabelos, esse vento é a energia que vai precisar caso fraquejar.
    Sua missão e retirar das garras da morte as jovens jogadas a seu próprio destino. Traga-as para se purificarem no monte, as conduza para o bem, a luta contra o mal, auxilia-as a vencer os seus medos, seus dissabores, seus ódios.
    Você será a luz na caminhada de muitas jovens reprimidas pela ignorância de uma humanidade sanguinária e sem entendimento.
    Nessa caminhada terá de escolher sete companheiras para serem suas forças de conjunto, saberá quem são elas, e essas estarão com você eternamente.
    Lute pela liberdade e faça a caridade sem receio, pois no momento certo você irá a uma nova caminhada rumo ao bem, rumo à paz, rumo a Deus. Eu estarei com você e no momento certo, você estará comigo."

    Falando isso a linda mulher guerreira se foi como por encanto, deixando apenas uma leve brisa no ar, uma brisa perfumada como as flores.

    Rosa ergueu a cabeça, e tomou uma decisão, voltaria à cidade para resgatar as jovens, que como ela eram mantidas escravas pelos coronéis sanguinários. E assim ela o fez.

    No arraial jovens de diversas idades, raças e ideologias, eram mantidas como escravas pelos senhores poderosos. Eram torturadas, abusadas, humilhadas, assassinadas.

    E assim Rosa pôs em prática o plano de alcançar seu objetivo, ou seja, resgatar essas jovens, e as levarem ao monte da purificação, e após a um lugar seguro.

    Começando sua missão, todo o cair da noite entrava pela cidade em surdina, ia até os pontos onde se encontravam aprisionadas diversas jovens, e com uma força de vontade enorme assim como sua fé, as levavam para um local seguro.

    E assim ela expandiu sua missão além da cidade, passou a resgatar jovens escravizadas dentro de fazendas, em senzalas, jovens essas que sofriam extremamente nas mãos de seus senhores, de feitores e jagunços.

    Com extrema habilidade e sagacidade, Rosa conseguia entrar e sair das fazendas nas noites escuras e até um pouco sombrias. E ao sair nunca deixava de levar alguma jovem sofrida, e assim foi aumentando dia após dia o número de resgates feitos pela salvadora protegida de Iansã guerreira.

    Os poderosos começaram a se preocupar com o sumiço das jovens, tanto nas fazendas quanto na cidade, e assim se juntaram para tentar dar um fim nesse acontecimento, mesmo não sabendo quem estava por trás dos resgates.

    Começaram uma vigília implacável, fazendo assim dificultar muito a missão da jovem Rosa, que se arriscava intensamente para tentar trazer mais jovens para a liberdade.

    Com a dificuldade aumentada, Rosa teve a lembrança dos dizeres da Orixá Guerreira, ela deveria escolher sete jovens para lhe auxiliar, e assim tentar manter sua missão ativa.

    Enquanto isso os poderosos e fazendeiros da região, para tentar fazer o misterioso lutador pela liberdade aparecer, começaram mais intensamente torturarem mais e mais jovens. Com isso Rosa não teve outra maneira de agir, deveria, junto com suas sete auxiliares, já devidamente escolhidas, ir à busca de novos resgates.

    E assim ela o fez, por mais uma seqüência de dias ela passou a libertar mais e mais jovens, deixando os poderosos e coronéis extremamente irritados.

    Um desses coronéis teve a ideia de separar algumas jovens negras em uma senzala, e nessa senzala grandes horrores aconteciam com elas. Rosa ao saber disso pediu forças a Iansã, juntou-se com suas sete guerreiras e partiu para a tal fazenda. Mas tudo não passava de um plano sanguinário desse coronel para eliminar o libertador de jovens. Em tocaia, ele, alguns jagunços e feitores, juntamente com um grande número de coronéis e poderosos da região, aguardavam com ansiedade a chegada do libertador.

    E assim chegou a senzala a jovem rosa com suas sete guerreiras, e foi um espanto a todos que ali estavam aguardando. Ficaram em silêncio, observando o que ia acontecer, e viram com grande espanto as jovens entrando pela porta da senzala assim que conseguiram quebrar a velha tranca de ferro.

    Sem dó ou piedade, o coronel sanguinário manda seu jagunço trancafiar as jovens na senzala juntamente com as outras que ali já estavam e logo após manda incendiar a fim de queimar todas vivas.

    O fogo pegou rapidamente, as jovens escravizadas gritavam de pavor, enquanto Rosa e suas auxiliares tentavam sem sucesso encontrar uma saída.

    Do lado de fora gargalhadas estridentes tomavam conta do local, os coronéis, jagunços, feitores e poderosos se deleitavam com o desespero dentro da senzala.

    Rosa se joga de joelhos ao chão, clama por piedade a sua protetora Iansã, pedindo-lhe que salvasse as jovens que ali estavam, em um extremo de fé e caridade, ela deixa uma lágrima rolar em seu rosto. Essa lágrima ao cair é tomada por um brilho intenso, fazendo-a se transformar em centenas de gotículas que plainavam pelo ar subindo ao céu azul, que nesse instante começa a se fechar com pesadas nuvens negras.

    Raios saíam das nuvens, e uma intensa tempestade no mesmo instante desabou sobre as terras da fazenda, conseqüentemente encharcando toda a senzala e por fim apagando o violento incêndio. Ventos tortuosos sopraram violentamente sobre a fazenda, fazendo com que a correria entre coronéis, poderosos, feitores e jagunços começasse. Todos assustadíssimos gritavam de pavor. Ventos arrastavam a todos, raios desciam sobre eles demonstrando a força da natureza e de Mãe Iansã, a chuva poderosa cobria os olhos de todos os deixando como cegos.

    Nesse momento uma luz brilhante desce sobre a senzala, e como se com sua força invisível, juntava as jovens ao centro da senzala, e a luz brilhante as rodeou fazendo assim um campo de energia protetora. Nesse momento um forte trovão estrondou pelo céu, trazendo um raio poderoso que caiu próximo a senzala, unido com os fortes ventos fez com que ela fosse destruída, porém as jovens se mantinham protegidas pela luz brilhante.

    A senzala foi ao chão, raios e trovões tomavam o céu, ventos de enormes proporções levavam tudo a sua frente. Já não haviam mais nenhum jagunço ou feitor, todos corriam tentando se proteger. Os coronéis e poderosos em seus desesperos particulares tentavam achar algum lugar para se segurarem, porém era inútil, nada estava livre da força dos ventos, a não ser as jovens protegidas sobre a luz brilhante de Iansã.

    Nesse momento as nuvens partiram, o céu se tornou novamente azulado, o Sol brilhava com intensidade, raios e trovões se acalmaram.

    Pouco a pouco se reuniam os poderosos homens irônicos, só que agora extremamente assustados com todo acontecido.

    Ao verem as jovens reunidas em um ponto da fazenda, ainda protegidas pela luz brilhante, eles ficaram atônitos, não sabiam o que dizer ou o que pensar.

    Nesse instante sobre as jovens, plainava a imagem da bela Iansã, devidamente trajada de guerreira, olhos brilhantes, espada em punho. Com um gesto ela fez com que a luz brilhante desaparecesse, e com um tom de voz forte e seguro disse:

    "A todos que escravizavam, torturavam e mantinham essas jovens sobre seu julgo, digo-lhes, essa foi apenas uma pequena demonstração a vocês. A partir desse momento desejo essas jovens livres, pois para aqueles que não aceitarem minha vontade, sofrerão a ira da natureza muito mais forte do que essa que presenciaram nesse momento.

    Desejo que deixem todas as jovens partir, que não sejam mais escravizadas, torturadas e mortas."

    Dizendo isso ela ergueu sua espada, pediu que Rosa se afastasse com suas sete auxiliares, e lançou uma luz em volta dela e das sete, fazendo com que todas se erguessem sobre o ar.

    E assim ela disse:

    "A sua missão foi cumprida nesse lugar, a partir de agora você e as sete serão enviadas de Oxalá e dos Orixás, para que possam libertar mais e mais jovens aprisionadas e abandonadas a sua própria sorte."

    E assim Rosa se transformou na Pombo Gira Rosa das Sete Saias, sendo as sete saias suas sete auxiliares.

    Hoje a Pombo Gira Rosa das Sete Saias trabalha em prol da caridade nos terreiros de Umbanda, e tem como sua principal finalidade proteger jovens abandonadas, torturadas e escravizadas pela ignorância dos seres humanos que não buscam entender o porquê de algo, e preferem julgar.

    É dito que quando a Pombo Gira Rosa das Sete Saias chega a um terreiro, em volta dela se pode notar a energia das sete guerreiras de Iansã, fazendo assim que seja quebrado todo tipo de magia, com a força das sete linhas.

    Salve a Pombo Gira Rosa das Sete Saias!

Pombo Gira Rosa das Sete Saias é Mojubá!


Carlos de Ogum
quarta-feira, 30 de agosto de 2017 44 comentários

SONHOS COMUNS, REFLEXIVOS E ESPIRITUAIS.




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    Uma coisa que intriga muitas pessoas a milênios são os sonhos.
Tentamos entendê-los, decifrá-los, tentamos a todo custo buscar
respostas a esse momento tão particular de cada um de nós.

    Descrito no dicionário Aurélio, a palavra "sonho", tem o seguinte
significado:

"Substantivo masculino. Reunião das imagens, ideias, pensamentos ou
fantasias que, geralmente confusas e sem nexo, se apresentam à mente
no decorrer do sono."

    Mas será que o sonho é algo tão confuso e sem significado da forma
que o dicionário deseja mostrar?

    Na verdade não é bem assim. pois o
 sonho é a realidade das atividades da alma, ou seja, uma lembrança do
que a alma viveu durante o sono. Seja uma recordação da infância ou
vidas passadas, muitas vezes associada à vida presente, com uma
projeção do futuro, fruto de preocupações e desejos presentes ou
passados, vivências espirituais de qualquer natureza que pode
esclarecer e determinar muitas coisas fora de nosso conhecimento.

    É então que ela (a alma) tira de tudo o que vê, de tudo o que
percebe, e dos conselhos que lhe são dados, as ideias que lhe ocorrem
depois, em forma de intuições.

    Por esse motivo que é extremamente complicado dizer exatamente o
que um sonho pode estar nos mostrando, ou se está mostrando algo.

    Consideraremos aqui três tipos de sonhos:

Comuns.

Reflexivos.

Espirituais.

Sonhos comuns: : repercussão de nossas disposições físicas
(circulatórias, digestivas&) ou psicológicas (sentimentais: medo,
preocupações, anseios, desejos.

Sonhos reflexivos: : exteriorização de impressões e imagens arquivadas
na memória.

Sonhos espirituais: : atividade real e efetiva do espírito durante o
desdobramento propiciado pelo sono.

    Devemos compreender que os sonhos comuns são os que mais
acontecem, e ele está ligado a acontecimentos de seu dia a dia, e nada
tem de possibilidade de trazerem informações de algo concreto. Como
por exemplo tendo a pessoa alguma preocupação, algo que possa deixar
essa pessoa pensativa, possivelmente ao adormecer essa pessoa poderá
ter um sonho comum com tal fato.Vamos a um exemplo prático dessa forma
de sonho:

    Alguém tem uma prova importante na escola, faculdade ou em um
concurso, essa pessoa sabe da importância desse fato e fica muito
pensativa sobre tal coisa, isso vai desencadear uma insegurança, e
essa insegurança se transforma na possibilidade de um sonho ao
adormecer. E isso não significa que a pessoa vai se dar mal na prova,
é apenas preocupação e desejo intenso sobre tal fato.

    Nesses casos, é pequeno o afastamento da sua alma do seu corpo, e
envolto por aquelas cenas fluídicas criadas pela sua própria mente,
julga estar vivendo algo real, ou seja, indo mal na prova.

    O sonho reflexivo nada mais é do que memórias arquivadas em nosso
cérebro, coisas que passamos durante a vida. Guardamos essas memórias
e em algum momento podemos trazê-las a tona através de sonhos. Isso
é algo bastante normal, e nessas memórias podem ser trazidos momentos
de felicidade, de tristeza, de euforia, de perdas, de falta de
compreensão, de algum trauma. Porém nada quer dizer de concreto para
o futuro, pois essa parte do sonho está ligada ao passado.

    Já o sonho espiritual é algo muito mais intenso e muito mais
concreto, tanto que podemos ter demonstrações de acontecimentos,
avisos, encontros com encarnados e desencarnados, enfim, várias formas
de colocações que resultam informações preciosas a quem buscar
entender verdadeiramente esses sonhos.

    Nos sonhos espirituais a alma, desprendida do corpo, exerce
atividade real e efetiva no plano espiritual, facultando meios de nos
encontrar com parentes, amigos, instrutores espirituais, inimigos ou
desafetos, desta e de outras vidas.

    Quando dormimos, o nosso espírito parte em disparada, por atração
automática, para os locais de nossa predileção, assim como descrevemos
alguns exemplos abaixo:

- O viciado procurará os outros viciados.

- O religioso procurará um templo.

- A alma caridosa irá ao encontro do sofrimento para assistir os
necessitados.

- O interessado em aprender e estudar procurará os cursos na
espiritualidade.

- Os saudosos buscarão seus entes amados.

- Os incompreendidos buscarão seus desafetos para tentar ajustar uma
convivência.

    E como acontece esse encontro com encarnados e desencarnados em
sonhos?

    Durante o sono o espírito se distancia do corpo físico, mas não
fica inativo. Neste momento o encontro com entes queridos é possível
da mesma forma com desafetos, de acordo com o pensamento que nos liga
uns aos outros por vários motivos, e assim podemos estabelecer esse
encontro através dos sonhos espirituais.
    Sabemos que o espírito, enquanto o seu corpo físico se recompõe
pelo sono, sai a perambular no ambiente astral. Chama-se o fenômeno de
projeção astral.

    Nessa dimensão, os espíritos se encontram e convivem assim como na
matéria. As criações mentais estão espalhadas no astral, assim como as
criações da matéria estão espalhadas na dimensão física.

    Podemos sentir e vivenciar nesse plano de acordo com nosso preparo
espiritual e nossas preocupações diárias. Se estivermos muito
conectados às sensações, seremos atraídos para vivenciar essas
sensações inferiores na dimensão astral. Ao contrário, se estamos
sintonizados com sentimentos de amor fraterno e com intenções
superiores, seremos atraídos aos ambientes propícios ao nosso íntimo.

    Podemos sonhar apenas com imagens de pessoas queridas, encarnadas
e desencarnadas, plasmadas pela mente, como também podemos encontrar
verdadeiramente esses entes no plano astral.

    Sabemos também que os sonhos são nosso sexto sentido, e por esse
motivo que quando acordamos do sono físico, pouco nos lembramos dos
sonhos. Isso ocorre porque, nesse momento, nossos cinco sentidos
materiais tomam novamente a dianteira.

    Algumas vezes, lembramo-nos de cenas que nos parecem desconexas e
raramente trazemos para a vida física os encontros com espíritos mais
elevados, que têm como característica uma energia tão suave e sutil,
que não é compatível com a energia pesada do ambiente material.


    Entretanto, quando nos deparamos com espíritos sofredores durante
o sono e com cenários carregados de dor e energias deletérias,
acordamos cansados e muitas vezes nos lembramos desse infortúnio como
pesadelos.

    Dentro dos sonhos espirituais, temos uma forma de demonstração, um
tanto rara, porém existente de sonho, chamado sonho de luz.

    O sonho de luz é basicamente um aviso de algum acontecimento que
tem grande chances de ocorrer diante a ligação do sonho em questão, ou
seja, pode ser uma previsão de algum fato a ocorrer. E para
identificar esse tipo de sonho, devemos ter a compreensão que dentro
das cenas demonstradas, aparecem grandes clarões, como "flashs" de
luz, fazendo que toda a atenção seja voltada a ele.

    Finalizando, não devemos achar que qualquer sonho seja um aviso,
não devemos nos apegar a esse ponto. Devemos refletir intensamente
sobre tudo, cada detalhe desse sonho, cada personagem, cada visão,
cada gesto que lembrarmos, e dar uma atenção especial no dito sonho de
luz, que poderá ser realmente um aviso.

    É muito importante nosso preparo antes de dormir, evitando
programas de TV ou filmes de conteúdo negativo, por exemplo. A prece
antes de dormir é um excelente recurso para que possamos ter bons
sonhos porque nos liga aos bons espíritos, garantindo-nos boas
companhias espirituais.

    Busque a luz para não sonhar com a escuridão.

    Paz a todos!

Carlos de Ogum.

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domingo, 20 de agosto de 2017 45 comentários

O que é e como se utiliza o Adjá na Umbanda

            

    Certamente muitas pessoas que acompanham algum terreiro de Umbanda já puderam observar o uso do Adjá; e mesmo com a curiosidade elevada não se aprofundaram mais sobre esse objeto por acreditar ser apenas uma sinetinha que é utilizado para chamar a atenção dos médiuns no início dos trabalhos da casa.

    Pois bem, ele não serve apenas para essa função, e vamos tentar demonstrar a grande importância desse instrumento para a nossa Umbanda.

    O Adjá, também conhecido por Adjarin, ou Ajá, ou Aajá, é uma sineta de metal, muito utilizada pelos Zeladores da Umbanda em diversas ocasiões. Ele pode ser de uma, duas ou três sinetas, e o cabo pode ser do mesmo material das sinetas, podendo ser esse cabo de bronze, metal dourado ou prateado, ou também pode ser o cabo de madeira. Normalmente quando assim o é, se faz firmezas com fitas ou palha, conforme a recomendação do Mentor da casa. Esses firmamentos são feitos pelo próprio Mentor ou pelas Entidades referentes ao firmamento.

    Na Umbanda, como dissemos, o Adjá é utilizado em vários momentos, podendo ser usado no desenvolvimento mediúnico e espiritual dos filhos da casa, no preparo do amaci, na chegada de alguma Entidade de descarrego, como um Falangeiro de Omulú, por exemplo, no encaminhamento de algum espírito trevoso, ou quando a Entidade responsável pela Gira solicita a utilização do Adjá.

    O Adjá só pode ser usado pelo Zelador da casa, ou por alguém de extrema confiança do dirigente e mesmo assim com permissão do Mentor do terreiro.

    Esse divino instrumento tem uma magia extrema na espiritualidade, pode ser considerada a campainha desbloqueadora de campos mentais; retirando todas as cargas negativas quando necessário. Para alguns médiuns que tem a percepção de vidência, podem observar que ao ser tocado, o Adjá solta faíscas de campos mentais, ao ser tocado saem e pequenos raios de luz, pois ele é propagador de energias, e pode ser utilizado para abençoar os filhos, limpar a aura para a incorporação de uma Entidade mais árdua, e assim não forçar e retirar muita energia do médium, também é utilizado para a limpeza das energias do Gongá, as que são captadas nas limpezas de consulentes, assistência, e dos próprios médiuns que por vez ou outra trazem cargas negativas param dentro do terreiro, com pensamentos, ações e gestos de baixa espiritualidade.

    Normalmente o Adjá é feito de três tipos de material, latão, aço e cobre, mas isso não é uma regra.

    Quando é tocado o Adjá próximo a um médium em seu desenvolvimento mediúnico, as forças dos Orixás de Coroa, e a luz das Entidades de cabeça se aproximam com maior facilidade, fazendo assim que, se caso for um médium de incorporação, essa incorporação fique mais firme, e menos consciente, fazendo com que esse médium adormeça com mais facilidade o mental, deixando todos os pensamentos de lado e se conectando com maior força com o astral superior.

    O uso do Adjá também tem uma função importante quando se necessita decantar energias nocivas ao médium, e também em determinado local, pois o som das sinetas ao fabricarem a energia necessária, afasta todas essas cargas nocivas.

    Também se é utilizado o Adjá na maceração de ervas, assim como no amaci, isso para concentrar as energias dos Orixás, as forças da natureza, no trabalho a ser feito.

    Vamos aproveitar a oportunidade desse texto e anexar uma colaboração de um amigo do blog, que nos enviou algumas colocações do uso do Adjá no Candomblé.

    "No Candomblé o Adjá é muito importante, pois ele é o instrumento que aproxima os Orixás da Coroa dos médiuns.

    Ele pode ser de 1, 3, 5 ou 7 campainhas, e é firmado conforme o Orixá de cabeça do dirigente da casa, e é ele, o Guia de Cabeça do dirigente, quem determina quantas serão as sinetas.

    Também se tem um Adjá para cada Orixá no Candomblé, assim como tabela abaixo.
Pai Oxalá: Cor de Prata.
Mãe Oiá (Logunan): Cor de Prata.
Mãe Oxum: Cor de Cobre.
Pai Oxumaré: Cor de Cobre.
Pai Oxossi: Cor de Latão (amarelo).
Mãe Obá: Cor Branco.
Pai Xangô: Cor de Cobre.
Mãe Iansã: Cor Latão (dourado)
Pai Ogum: Cor de Prata.
Pai Obaluaiê: Cor de Prata.
Mãe Nanã Buruquê: Cor de Prata.
Mãe Iemanjá: Cor de Prata.
Pai Omulú: Cor de Prata.”

    Bem como observamos acima, no Candomblé temos diferenças nas regras entre a Umbanda no uso do Adjá, assim como a formação dele e as cores. Mas isso foi apenas para informar uma curiosidade, pois para nossa utilização dentro da Umbanda é válido as 3 sinetas, na cor prata e cabo podendo ser de madeira, com firmamento da Entidade Mentora ou a quem essa Entidade passar essa missão.

    Portanto independente das regras contidas, o que devemos colocar em prática acima de tudo é o respeito pela utilização desse instrumento sagrado dentro da Umbanda.

Saravá Umbanda de Luz!

Saravá o Adjá!


Carlos de Ogum
quinta-feira, 10 de agosto de 2017 66 comentários

DEPRESSÃO NA VISÃO UMBANDISTA.

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    A depressão é um dos maiores males mentais sofridos pelos seres
humanos nesse século. E um dos maiores obstáculos é o reconhecimento
dessa doença tão grave, pois sendo ela reconhecida se facilita em um
diagnóstico e tratamento.

    É dito que infelizmente a metade das pessoas que passam pela
depressão nunca tem a doença diagnosticada  e tratada, e isso pode ser
uma grande ameaça, pois mais de 10% das pessoas que tem depressão
chegam ao suicídio.

    Desse ponto chegamos sobre o que desejamos expressar nesse texto,
ou seja, a visão da Umbanda sobre a depressão.

    Quando uma pessoa com o mal da depressão chega a reconhecer sua
doença, busca diagnósticos, tratamento, e mesmo assim esse mal não é
sanado, podemos salientar que essa depressão não é apenas um mal
físico mental, e sim espiritual.

    Sabemos que em nosso redor sempre temos companhias espirituais,
como por exemplo Entidades de Luz, Irmãos de Luz, Anjos Celestes,
espíritos desencarnados que buscam luz para caminhar, enfim vários
tipos de manifestações espirituais, assim como também temos ao nosso
redor manifestações de espíritos sem luz, Kiumbas, Eguns, Zombeteiros,
vampirizadores , que a todo momento estão dispostos a encontrar uma
fraqueza nossa para poderem se aproximar, se instalar e dominar nossa
mente.

    E essas fraquezas podem ser nossos atos, ações, pensamentos,
vícios, sentimentos, ou seja, tudo que não é de acordo com a caridade,
a humildade, a paz, o amor e a fé, se tornam armas contra nós mesmos,
e levando energias a esses obsessores.

    Entre tantas coisas que esses obsessores tomam para essa
aproximação, uma das mais intensas é a depressão, que nós seres
encarnados podemos ter, e nos deixar ser tomados pelas energias más
desses seres obsessivos.

    A depressão pode ser reconhecida pelos seguintes sintomas:

Tristeza.

Perda de interesse por coisas que antes você gostava.

Falta de energia Dificuldade de concentração.

Dificuldade de tomar decisões.

Insônia ou sono em excesso.

Problemas no estômago ou na digestão.

Sentimento de desesperança.

Dores sem motivo aparente.

Mudança no apetite, levando ao ganho ou à perda de peso.

Pensamentos de morte, suicídio e auto mutilação.

Tentativa de suicídio.

    Como vimos acima esses sintomas podem diagnosticar a depressão,
mas pode diagnosticar também a obsessão, e obsessores se utilizam
desses sintomas da depressão para agravar ainda mais o quadro da
pessoa depressiva, sempre com o intuito maior que é a de levar essa
pessoa ao suicídio,. que seria o maior objetivo dos obsessores.

    E porque esses obsessores tem esse objetivo?

    Sabemos que somos um espírito, e que no momento estamos
encarnados, e sabemos também que como encarnados somos falhos demais,
essas nossas falhas nos faz dar aberturas a obsessores, essas
aberturas dão a esses obsessores energias, energias essas que faz com
que esses obsessores levem mais e mais maldades a nosso planeta.

    Só que obsessores e vampirizadores desejam algo maior que só levar
essas maldades a nossos irmãos, eles desejam escravizar as almas
deles, e um modo mais concreto para isso é fazer com que as pessoas
tirem por vontade própria o seu bem maior, ou seja a própria vida.

    O suicídio é a grande arma para obsessores e vampirizadores terem
sempre escravos a seu domínio, e a depressão é o melhor caminho para
esses seres chegarem ao objetivo final, pois ela, a depressão, faz com
que as pessoas percam toda e qualquer ligação com seu bem maior, a
vida dada pelo Pai Maior, nosso amado Deus.

    Muitas pessoas mal informadas tem como praxe em dizer que a
mediunidade pode trazer depressão, porém isso é inexistente, todo tipo
de depressão, todas as formas da doença podem ser tratadas em uma casa
de Umbanda, com o médium fazendo seu desenvolvimento mediúnico e
espiritual de forma correta e honesta, frisando que em casos de
depressão físico mental, a Umbanda e o desenvolvimento auxiliam
extremamente, porém nunca podemos deixar o tratamento médico terreno,
um especialista no caso é essencial.

    Consideremos a mediunidade como recurso de evolução e a depressão
como uma doença cuja causa repousa nas velhas atitudes morais do
médium.

    Mediunidade não causa depressão. Entretanto, é frequente
encontrarmos médiuns portadores de sintomas depressivos. Nesse caso, a
aplicação da mediunidade ou, como é mais conhecido, o desenvolvimento
mediúnico pode ser terapêutico, amenizando as dores do deprimido.
Apenas amenizando-os, fique claro! Ainda assim, a cura da depressão
não virá do exercício mediúnico e sim da reeducação emocional do
deprimido por meio da mudança de condutas que alicerçam o núcleo moral
da depressão.

    Finalizando, a depressão é realmente uma doença grave, devemos
entender que ela pode nos levar as mais profundas tristezas, e que
essas tristezas que temos são utilizadas por obsessores para diversos
fins, principalmente para nos levar ao suicídio. Portanto devemos
buscar um diagnostico coerente, um tratamento médico terreno, e um
tratamento espiritual, para nos fortalecer e não deixar jamais que
obsessores se usufruem dessa nossa fraqueza para tomar nossas almas,
e assim nos deixar eternamente nas mãos desses vampirizadores.

    Devemos erguer nossa fé, crer no Pai Maior, em seus Anjos e nas
Entidades de Luz, que assim certamente teremos forças para a mudança
em nós mesmos, e assim vencer a depressão e os obsessores.

    Uma luta é vencida com muita boa vontade, entendimento, fé em
Deus e em nós mesmos.

    Lute sempre para vencer a depressão, nem ela nem obsessores tem
mais poder do que sua fé e sua força de vontade.

    Reflita!

Carlos de Ogum.
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domingo, 30 de julho de 2017 58 comentários

Sacrifícios: será que a Espiritualidade necessita disso?




    Antes de qualquer coisa vamos deixar claro que não estamos aqui para julgar qualquer tipo de seita que prega que se devem fazer sacrifícios para obter uma possível vantagem em algo que se pede, mesmo se esses pedidos forem sem nexo ou sem a mínima noção e sem nenhuma ligação com a espiritualidade.

    Gostaria de frisar também que estaremos falando de Umbanda e não de outros dogmas, portanto para ficarmos em entendimento a Umbanda prega sempre a vida, e o matar animais para supostos sacrifícios não fazem parte da Umbanda.

    Portanto vamos descrever nesse texto o olhar de um umbandista para os umbandistas e se algum leitor não concordar com o que descrevemos aqui, isso faz parte do livre arbítrio de cada um, assim como faz parte de meu livre arbítrio não crer ser umbandista quem discordar que sacrifício de animais não cabe na Umbanda.


    Muitas pessoas sem informação espiritualista dizem com convicção que devemos fazer sacrifícios de animais em rituais, porque somos carnívoros e assim devemos alimentar as Entidades com essa suposta energia, para que assim essas Entidades possam nos auxiliar em algo que desejamos.

    Pois bem, refletimos bem sobre a ignorância desses pensamentos:

Estamos comparando um ser encarnado cheio de defeitos e vícios com uma divindade de Deus, ou seja, com uma Entidade de Luz.

Estamos tentando mostrar algo que não existe, ou seja, fazer uma Entidade de Luz ser imperfeita e se energizar com algo orgânico.

Com fatos assim estamos colocando as Entidades de Luz como meros seres encarnados, que faz trocas buscando a vantagem própria. Se fosse assim não seriam Entidades.

    E assim os menos informados adentram na lenda de terem que fazer oferendas a seus deuses, enquanto os mais astutos usam desse fato para subtrair bens de uma forma desonesta e hipócrita.

    Certamente muitos supostos Zeladores de Santo, que se dizem especialistas em Umbanda vão ser contra tudo que nós do Blog Umbanda Yorimá pregamos sobre oferendas e sacrifícios, porém quem é da Umbanda, sabe onde ela nasceu, e como nasceu no Brasil, e para os que insistem em pregar sacrifícios e cobranças de oferendas vou colocar um pequeno anexo para a reflexão de todos:

"O Caboclo das Sete Encruzilhadas nunca determinou o sacrifício de aves e animais, quer para homenagear entidades, quer para fortificar a minha mediunidade... Nunca recebi um centavo pelas curas praticadas pelos guias. O Caboclo abominava a retribuição monetária ao trabalho mediúnico. Não há ninguém que possa dizer, no decorrer destes 66 anos, que retribuiu uma cura (e foram aos milhares) com dinheiro."
- ZÉLIO DE MORAES.

Obs.: Zélio de Moraes faleceu no dia 03 de Setembro de 1975, e nunca incentivou qualquer tipo de oferenda e sacrifício dentro da Religião de Umbanda.


    A ganância e a vaidade de certos Zeladores levam os mesmos a pregarem insanidades em nome da Umbanda, entre tantas dessas está os sacrifícios, que é totalmente descabido, sem nenhuma necessidade dentro da religião.

    E assim sendo para continuarmos uma reflexão estou anexando mais um texto falando sobre e na qual a fonte vem logo abaixo, portanto reflitam para não se deixarem enganar por supostos Zeladores de pensamentos arcaicos.
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PERGUNTA: A Umbanda faz sacrifícios de animais?

RAMATÍS: A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamentos vibratórios dos Orixás e nem realiza ritos de iniciação para fortalecer o tônus mediúnico com sangue. Não tem nessa prática legítima de outros cultos, um dos seus recursos de oferta às divindades. A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda – assim como em outras religiões. Suas oferendas se diferenciam das demais por serem isentas de sacrifícios de animais pelo fato de preconizarem o amor universal e, acima de tudo, o exercício da caridade como reverência e troca energética junto aos Orixás e aos seus enviados, os guias espirituais. É incompatível ceifar uma vida e fazer a caridade, que é a essência do praticar amoroso que norteia a Umbanda do Espaço.
Toda oferenda deve ser um mecanismo estimulador do respeito e união religiosa com o Divino, daí com os espíritos da natureza e dos animais "almas/grupo", que um dia encarnarão no ciclo hominal, assim como já fostes animal encarnado em outras épocas.

PERGUNTA: E os dirigentes de centros que sacrificam em nome da Umbanda?

RAMATÍS: Reconhecemos que na mistura de ritos existentes, se confundem o ser e o não ser umbandista. Observai a essência da Luz Divina - fazer a caridade - e sabereis separar o joio do trigo. Tal estado de coisa reflete a imaturidade e despreparo de alguns dirigentes que se iludem pela pressão de ter que oferecer o trabalho "forte". As exigências de quem paga a consulta e o trabalho espiritual e quer resultados "para ontem" acabam impondo um imediatismo que os conduz a adaptarem ritos de outros cultos aos seus terreiros. Na verdade há uma enorme profusão de rituais que naturalmente é confusa, refletindo o estado da consciência coletiva e o sistema de troca com o além estabelecido que viceja: o toma lá da cá. Toda vez que um médium aplica um rito em nome do Divino e sacrifica um animal, interfere num ciclo cósmico da natureza universal, causando um desequilíbrio, desde que interrompe artificialmente o "quantum" de vida que o espírito ainda teria que ocupar no vaso carnal, direito sagrado concedido pelo Pai. Pela Lei de Causa e Efeito, quanto maior seu entendimento da evolução espiritual - que inexoravelmente é diferente da compreensão do sacerdote tribal de antigamente -, ambição pelo ganho financeiro, vaidade e promoção pessoal, tanto maior será o seu carma a ser saldado, mesmo que isto aparentemente não seja percebido no momento presente. Dia chegará que tais medianeiros terão que prestar contas aos verdadeiros e genuínos "zeladores" dos sítios sagrados da natureza que "materializam" os Orixás aos homens e oportunizam os ciclos cósmicos da vida espiritual - as reencarnações sucessivas das almas/grupo dos animais em vosso orbe. Lembrai-vos que quanto maior a inteligência tanto maior pode ser a ambição no exercício do sacerdócio religioso. Aos que muito sabem e ambicionam, muito será cobrado pelos Orixás.

PERGUNTA: E os que justificam o sacrifício animal como "inofensivo" dizendo que não causa nenhum carma negativo?

RAMATÍS: O carma coletivo que rege os movimentos ascensionais não se prende as crenças humanas e trata-se de lei universal. Vós que sois homens e caminham à angelitude tal qual os animais rumam à humanização gostaríeis de ter vossa garganta cortada e sangue vertido até a última gota entre ladainhas, campânulas e mantras que culminam num ápice com transe de possessão? Assim fazem com os animais que rumam para se humanizar. Mesmo que os irmãos menores do orbe sejam somente instintos, regem-nos uma Inteligência Superior que os leva a inexorável individualização, direito cósmico sagrado que os conduz ao encarnarem num corpo hominal. Quanto maior a consciência menor a ignorância das verdades cósmicas e mais amplos os débitos ou créditos na contabilidade sideral de cada cidadão. A finalidade superior das almas grupos e dos animais é não serem escravizados e cruelmente despedaçados pelos crentes religiosos que acabam bloqueando-lhes o direito sagrado de aquisição dos princípios rudimentares de inteligência pela convivência pacífica e amorosa com os humanos, experiência propiciatório para que paulatinamente formem os veículos corpo astral e mental para oportunamente virem a estagiar no ciclo encarnatório humanóide. Reflitam os que matam os animais em nome dos Santos se gostaríeis que os Anjos para se tornarem arcanjos viessem vos cortar em pedaços e "chupar" vosso sangue para se saciarem nos "páramos celestiais."

* Este texto faz parte dos livros "Diário Mediúnico" e "Mediunidade e Sacerdócio” Editora do Conhecimento.
Fonte: Triângulo da Fraternidade
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    Muitas pessoas vão tentar impor a colocação de que nos alimentamos de carne de animais, porém infelizmente em nosso mundo de precária evolução espiritual, a carne ainda alimenta a carne. Só que existe uma enorme diferença entre sacrificar um animal para usá-lo como alimento (o que já é errado) e usá-lo para saciar a sede por tônus vital por parte de espíritos sem luz como Kiumbas por exemplo.

    É algo totalmente sem nexo alguém matar um animal em meio às matas ou nas encruzilhadas ou ainda pior, nas tronqueiras, como indicam certos Zeladores ou que são feitos em alguns rituais de seitas, e ali deixar suas carcaças apodrecendo, isso é extremamente bestial. Se um templo sacrifica animais, ESSE TEMPLO NÃO É DE UMBANDA, não importando o que aleguem seus dirigentes. E nunca podemos esquecer a velha frase pregada pelas Entidades de Luz:
"Se se mata animal não é Umbanda".


    Finalizando gostaria de expressar que em nossa casa não é aceito nenhum tipo de sacrifício, os filhos de nosso terreiro estão cientes do que é certo e do que é errado, sabemos que muitos dirigentes de terreiro se utilizam desses rituais para firmamento ou festas, e isso é livre arbítrio de cada um, só friso que dentro da lei da Umbanda isso não é pregado e não é aceito. E quando é feito não podemos considerar que seja Umbanda, pois quando esses sacrifícios se tomam forma de ritual, com cânticos, supostos médiuns paramentados, com ansiedade nos olhos a espera do sacrificador, isso se torna na verdade uma matança, um verdadeiro espetáculo de horror que não há nenhuma necessidade de ser colocado juntamente ao nome da divina Umbanda.

    E por motivos assim, por essas pregações sem nexo ou sem noção de certos dirigentes e Zeladores que o santo nome da Umbanda se transforma em "munição" para atacar a religião por líderes de outros dogmas, que já de uma forma mau caráter dizem que até sacrifícios humanos são feitos dentro da Umbanda, coisa que sabemos que não existe e nunca existiu.

    Vamos resguardar a nossa religião, vamos parar com esses rituais que nada tem a ver com Umbanda, vamos deixar de sermos gananciosos, vaidosos, mistificadores, vamos ser umbandistas, apenas umbandistas, a religião que prega o amor, a caridade, a paz e a vida acima de tudo.

Salve a nossa amada Umbanda!


Carlos de Ogum
 
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